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Templodeapolo.net > História > Pré, Proto-História > Período Neolítico > Pré, Proto-História > 8500. a.e.c. - A China no período Neolítico

8500 a.e.c. | 4500 a.e.

A China no período Neolítico

História - Pré, Proto-História - Período Neolítico - Civilização Chinesa
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Maurizio Scarpani

A China é uma das regiões do mundo em que é mais antiga a presença do homem, como comprova o achado de centenas de sítios arqueológicos paleolíticos e depósitos de fósseis. Um grande número de utensílios de pedra e fragmentos de ossos permitiu traçar os passos da evolução desde os primeiros hominídeos descendentes do Australopithecus.

O Homo sapiens surgiu durante a última era glacial, há cerca de 40 mil anos, uma enorme distância cronológica de seus antepassados mais remotos, o Homem de Yuanmu (aproximadamente 1,6-1,7 milhões de anos), o de Lantian (700-600 mil anos) e o Homem de Pequim (500-400 mil anos). Entre o décimo e o nono milênio a.e.c. teve início uma mudança radical em suas condições de vida.

A paulatina melhoria do clima tinha levado ao desaparecimento dos glaciares, à formação de férteis vales fluviais e ao afastamento da linha costeira devido ao forte recuo do mar, criando um ambiente adequado para assentamentos estáveis. Foi quando as comunidades de caçadores- pescadores-coletores, até então nômades, se organizaram em povoados sedentários e começaram a se dedicar a agricultura, a criação de animais domésticos e a fabricação de utensílios de cerâmica, dando início à Revolução Neolítica. Um grande número de sítios comprova o surgimento na China das primeiras culturas, batizadas pelos arqueólogos com os nomes dos locais onde foram feita as principais achadas e classificadas principalmente pela tipologia das cerâmicas. Freqüentemente é difícil reconstruir as relações de precedência entre os diferentes assentamentos e sua seqüência no tempo, tendo coexistido diferenças regionais e elementos comuns, indicando uma rede de intercâmbio e uma continuidade evolutiva.

As diferentes cronologias propostas para as culturas neolíticas, às vezes discordantes, dependem fundamentalmente dos diferentes elementos considerados. Assim, portanto, nessa esfera de interação territorial, a civilização chinesa foi se moldando cultural e geograficamente ao longo do tempo.

A fundação do Império, datada de 221 a.e.c., pode ser considerada a consolidação política um longo e complexo processo de integração que, começando com as primeiras comunidades primitivas, levou ao surgimento de um estilo cultural global.

Os mais antigos sítios neolítícos estão nas províncias meridionais de Fujian, Jiangxi, Guangdong, Guangxi e Guizhou (entre o décimo e o nono milênio a.e.c.), e nas regiões do norte ao longo do rio Liao (8500-7000 a.e.c. cultura Xinglongwa e 7000-5000 a.e.c. cultura Xinle). Numerosos achados confirma a criação de assentamentos, a partir do sexto milênio a.e.c., nas regiões centrais, setentrionais e costeiras. As regiões de maior desenvolvimento correspondem à bacia do rio Amarelo (Huangho) ao de seu afluente Wei, e mais ao sul, ao vale do rio Azul (Yang Tsé Kiang). A agricultura era baseada principalmente no cultivo do milheiro nas áreas setentrionais caracterizadas pelo clima seco e do arroz nas regiões meridionais humidas e chuvosas. As culturas setentrionais que se desenvolveram nas províncias de Henan, Hebei, Shaanxi e Sanxi, recebem os nomes dos sítios de Peiligang e Cishan (5500-4900 a.e.c). De acordo com alguns estudiosos pertenciam a essas culturas assentamentos ainda mais antigos. São característicos os utensílios de pedra feitos com técnicas sofisticadas, cerâmica mais comum de cor avermelhada ou marrom, uma economia baseada na criação de cães e porcos e no cultivo do milhero dos tip Setaria itálica e Panicum miliaceum. Os enxovais funerários encontrados em algumas sepulturas indicam a existência de alguma forma de crença religiosa. Nas mesmas regiões se difundiu posteriormente a cultura Yangshao (5000-3000 a.e.c.), a mais bem documentada e a que melhor conhecemos, com mais de mil sítios  distribuídos por uma área extensa, desde Gan Qinghai até o leste ao longo do vale do Rio Amarelo. Um bom exemplo da organização social Yangs é o povoado de Banpo (4800-3600 a.e.c.), em Shaanxi, construído em uma grande área circular cercada por um fosso profundo cavado como proteção.

A disposição das habitações, das despensas subterrâneas e das áreas para animais sugere a ausência de importantes divisões de classe entre os membros da comunidade. As cabanas, assim como as tumbas da necrópole deviam ser muito parecidas em forma e dimensões, à exceção de um grande prédio situado do centro da área coletiva. Foram encontrados potes, jarros, ânforas, vasos de cerâmica vermelha de várias formas, fabricadas sem utilização de tornos e finalizados em lenta rotação, e decorados com motivos geométricos e representações de rostos humanos, peixes e cervos, que têm marcas semelhantes a uma forma primitiva de escrita. O desenvolvimento da fiação e do tecido é documentado pelo achado de rocas de pedra ou cerâmica e por tramas de tecido que ficaram gravadas no fundo de algumas peças de terracota. Em uma fase posterior, chamada de Miaodigou 13900-3000 a.e.c.), predominou a decoração em faixas de linhas onduladas, freqüentemente agindo em espirais abertas. Nas províncias ocidentais de Gansu e Qinghai, em uma região que abrange parte da Mongólia Interior, se desenvolveram, entre 3300 e 2050 a.e.c., sob a influência da cultura Yangshao, as culturas Banshan e Machang. A partir da cultura Majiayao se desenvolveram, posteriormente, a cultura Qijia (2250-1900 a.e.c.). Em Gansu ocidental, a cultura Huoshaogou (1800-1600 a.e.c.), caracterizadas pela produção de objetos e colares de cobre, bronze, prata e ouro. Em Shandong e em algumas partes de Jiangsu, Anhui, Henan e Liaoning se desenvolveu a cultura Dawenkou (5000-2500 a.e.c.), cujas cerâmicas, feitas em tornos, tinham cores diferentes dependendo da argila utilizada e do processo de cozimento empregado. A riqueza do enxoval funerário de algumas tumbas, nas quais foram encontrados sarcófagos de madeira e dezenas de objetos e colares de pedra, osso e jade, revela a existência de uma sociedade muito estratificada. As culturas orientais de Majiabang (5000-3500 a.e.c.) e Hemudu (5000-3300 a.e.c.), surgidas em Jiangsu e Zhejiang setentrional, tinham uma economia baseada na pesca, criação de cães, porcos e búfalos e no cultivo de diversas plantas aquáticas, das quais a mais importante era o arroz do tipo Oryza sativa, cuja transformação em cultura doméstica poderia remontar, segundo informações mais recentes, ao sétimo milênio a.e.c. Seria, portanto, o mais antigo registro do cultivo desse cereal em todo o mundo. No sítio arqueológico de Hemudu foram encontrados restos de casas construídas sobre palafitas. As peças de terracota da cultura Majabang eram de cor marrom, diferentemente das produzidas em Hemudu, que eram negras. Também ao longo do litoral se desenvolveram as culturas Songze (4000-3600 a.e.c.) e Qingliangang (4800-3600 a.e.c.), herdeiras diretas das tradições de Majabang e Hemudu. Os jades de Qingliangang são os mais antigos já encontrados. Igualmente muito importante por sua produção de jade é a cultura Hongshan (3600-2000 a.e.c.), que derivou da cultura Xinle e se desenvolveu em Liaoning e na Mongólia Interior e em cujo contexto foram encontrados conjuntos religiosos de grande interesse, entre os quais o primeiro templo conhecido. Com a cultura Líangzhu (3300-2200a.e.c.), que também floresceu na costa oriental, em Zhejiang e Jiangsu, houve um extraordinário desenvolvimento da lapidação do jade. O refinamento e a perfeição técnica alcançados comprovam a existência de uma elite com poder político e religioso que dotava as sepulturas de objetos de enorme valor, freqüentemente criados para corresponder a uma determinada simbologia funerária, ainda misteriosa para nós. As primeiras organizações de cidade-estado surgiram nesse período ao longo da costa oriental. Os objetos rituais de jade encontrados em grande abundância, sobretudo em algumas tumbas da cultura Liangzhu, representam as insígnias dos grupos de elite que controlavam a estrutura político-administrativa das cidades-estado, símbolos de sua autoridade e de seu carisma. O cultivo do arroz, a produção de objetos de pedra e de uma cerâmica refinada de cor negra, vermelha ou marrom caracterizam a cultura Daxi (5000-3000 a.e.c.), que floresceu no vale do Yang tsé Kiang, em uma área situada entre Sichuan, Hubei e Hunan. Mais ao sul se desenvolveram as culturas Dapenkeng (5000-2500 a.e.c.) e Shixia (2685- 2480 a.e.c.), sendo esta última especialmente importante pela produção de jades finamente lapidados. A cultura Longshan (3000-2000 a.e.c.), em algumas áreas derivada da Yangshao (Longshan de Shaanxi e Longshan de Henan) e em outras da cultura Dawenkou (Longshan de Shandong), se difundiu ao longo da bacia do Rio Amarelo a partir do terceiro milênio a.e.c. Neste contexto  houve um importante desenvolvimento das técnicas de produção, o que significou a passagem do neolítico para a Idade do Bronze. Surgiu a metalurgia, e o torno permitiu a produção de cerâmicas particularmente refinadas, que, cozidas em fornos com baixo teor de oxigênio, ganhavam uma cor negra uniforme e brilhante.

As cerâmicas, freqüentemente sem decoração, têm uma grande variedade de formas. Alguns exemplares delicados demais para ser utilizados normalmente sugerem uma função puramente ritual. A complexidade das sepulturas mais luxuosas e o achado de ossos de animais utilizados para adivinhação sugerem a existência de uma hierarquia social e de uma classe dominante com autoridade religiosa.

A partir da cultura Longshan se desenvolveram, no segundo milênio a.e.c., as civilizações que se tornaram hegemônicas nas regiões da China central durante a Idade do Bronze.

Referências Bibliográficas
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Antropologia
25/08/2014 | 11:07h
A cultura interfere no plano biológico
Os africanos removidos violentamente de seu continente (ou seja, de seu ecossistema e de seu contexto cultural) e transportados como escravos para uma terra estranha habitada por pessoas de fenotipia, costumes e línguas diferentes, perdiam toda a motivação de continuar vivos. Muitos foram os suicídios praticados, e outros acabavam sendo mortos pelo mal que foi denominado de banzo. Traduzido como saudade, o banzo é de fato uma forma de morte decorrente da apatia. Foi, também, a apatia que dizimou parte da população Kaingang de São Paulo, quando teve o seu território invadido pelos construtores da Estrada de Ferro Noroeste. Ao perceberem que os seus recursos tecnológicos, e mesmo os seus seres sobrenaturais, eram impotentes diante do poder da sociedade branca, estes índios perderam a crença em sua sociedade. Muitos abandonaram a tribo, outros simplesmente esperaram pela morte que não tardou.
Psicologia
22/08/2014 | 16:20h
Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental
Há algum tempo notamos que toda neurose tem a consequência, e provavelmente a tendência, portanto, de retirar o doente da vida real, de afastá-lo da realidade. Um fato como esse não poderia escapar tampouco à observação de Pierre Janet; ele falou de uma perda “de la fonction du réel” [da função do real] como característica especial dos neuróticos, mas sem desvelar o nexo dessa perturbação com as condições básicas da neurose.
Psicologia
21/08/2014 | 16:50h
Diferenças entre homens e mulheres: desvendando o paradoxo
Homens e mulheres são e já nascem diferentes. Aliás, os indivíduos são muito diferentes uns dos outros. Mas os homens entre si têm muita coisa em comum e o mesmo é verdadeiro para as mulheres. Já entre os sexos, a gama e a amplitude das diferenças aumentam consideravelmente. Essas frases, do ponto de vista biológico, remetem a uma série de obviedades que parecem até tautológicas. Mas para a psicologia, elas podem ser consideradas a reprodução de um infeliz conjunto de enganos. Homens e mulheres seriam realmente diferentes do ponto de vista psicológico? Quais as principais diferenças entre eles e elas? Em que acarretaria assumir as diferenças de sexo na nossa sociedade? E por que para muitos psicólogos é difícil aceitar diferenças sexuais? Respostas para as três primeiras questões podem ser encontradas em O Paradoxo Sexual: Hormônios, Genes e Carreira, de Susan Pinker (2010). Em resposta à última pergunta será emitida uma breve opinião.
Antropologia
19/08/2014 | 17:46h
O Valor do grupo do EU em detrimento do grupo do OUTRO
http://bit.ly/1tjdrco
Psicologia
17/08/2014 | 21:18h
Adolescência - Tornar-se jovem
Quando lemos um livro, particularmente um livro que fale de Psicologia, esperamos nos encontrar em suas páginas. Mas geralmente esses livros estão distantes de nossas vidas. Falam de coisas que não sentimos, usam termos que não escutamos, enfim, estão descolados de nossa realidade. Esse distanciamento entre a vida e a teoria é conseqüência do trabalho científico, que produz abstrações sobre a realidade. A ciência não reproduz a realidade, mas afasta-se dela para poder compreendê-la. Enquanto estamos discutindo o tema cientificamente, você, jovem, está vivenciando o fenômeno. O risco aqui é o de nos distanciarmos completamente do leitor ou, com um pouco de sorte, estabelecer uma conversa franca, honesta, sem moralismo. É muito difícil estabelecer o limite entre esses dois extremos. Por um lado, fala a cabeça racional do cientista e, por outro, o desejo do educador do encontro com a juventude.
História
17/08/2014 | 21:18h
A Rússia de Anna e Elisabete
Com a restauração da autocracia, Anna subiu ao trono como imperatriz da Rússia e, depois de algum tempo, mandou os líderes dos clãs Golitsyn e Dolgorukii para o exílio. Os dez anos do reinado de Anna, na memória da nobreza russa, foram um período sombrio de governo dos favoritos alemães de Anna - particularmente seu camareiro, Ernst-Johann Biihren (Biron para os russos), que era supostamente todo-poderoso e indiferente aos interesses russos. Essa memória é um exagero considerável. Após um breve interlúdio, a imperatriz Elizabete, filha de Pedro, o Grande, e uma monarca hábil e firme, sucedeu-a (1741-1761). Por baixo de todo o drama da corte, formava-se a nova cultura russa, e a Rússia entrou na era do Iluminismo. Nessas décadas, também podemos vislumbrar a sociedade russa para além das descrições de condição jurídica e no interior da teia das relações humanas.
Mitologia
16/08/2014 | 21:29h
Exu respeita o tabu e é feito o decano dos Orixás
Exu era o mais jovem dos orixás. Exu assim devia reverência a todos eles, sendo sempre o último a ser cumprimentado. Mas Exu almejava a senioridade, desejando ser homenageado pelos mais velhos. Para conseguir seu intento, Exu foi consultar o babalaô. Foi dito a Exu que fizesse sacrifício.
Psicologia
16/08/2014 | 20:17h
A evolução do Sistema Nervoso - Das primeiras células aos vertebrados
As estimativas atuais da ciência sugerem que o universo teria passado por um estágio inicial, algo próximo ao seu surgimento, há cerca de 13,7 bilhões de anos. A teoria moderna mais aceita é a que propõe ter havido uma imensa explosão dando origem ao universo. O momento originário, o Big-Bang, teria ocorrido em um curtíssimo espaço de tempo, a temperaturas elevadíssimas. Segundo tal teoria, logo ao nascer, o universo seria muito menor, extraordinariamente mais denso e mais quente (da ordem do bilhão de graus) do que é agora. Aos poucos, ele teria se tornado mais frio e menos denso, expandindo-se de forma gradativa. Essa tem sido a concepção (ou “o mito de origem”) do universo, segundo as ciências físicas contemporâneas.
História
11/08/2014 | 22:53h
Século XVII, os Romanov assumem o poder na Rússia
O fim do Tempo de Dificuldades trouxe paz para a Rússia e uma nova dinastia de tsares, que permaneceria no trono até 1917. As décadas que sucederam ao Tempo de Dificuldades viram a restauração da ordem social e política que havia existido antes, de forma que a Rússia tinha basicamente o mesmo aspecto do dia em que a Assembleia da Terra elegera Boris Godunov como tsar. Porém, sob a superfície de costumes e instituições restauradas, antigas tendências ganharam velocidade e novos avanços surgiram. A servidão proporcionou uma estrutura rígida que determinava a vida da maioria dos russos e desacelerava, mas não impedia, mudanças e crescimento na economia. No outro extremo da sociedade russa, na corte e entre o alto clero, estavam acontecendo mudanças no sentimento religioso e na cultura que teriam efeitos profundos.
História
10/08/2014 | 18:56h
1598 d.e.c. Morre Tzar Fyodor, Rússia mergulha no caos político
Quando Ivã morreu, o país estava recuperando-se lentamente dos desastres dos últimos 25 anos do seu reinado. Ele tinha dois filhos ainda vivos, Fyodor, o mais velho, de Anastásia, e Dmitri (nascido em 1582) da sua quarta esposa, Maria Nagaia. Fyodor, que aparentemente era limitado tanto nas capacidades quanto na saúde, era casado com Irina Godunov, irmã de Boris Godunov, um boiardo que, graças à Oprichnina, havia ascendido de origens modestas na classe fundiária. Com a acessão do seu cunhado ao trono, Boris agora tinha condições de tornar-se a personalidade dominante em torno do tsar. Antes, porém, ele teria de se livrar dos poderosos boiardos rivais que viram uma oportunidade de restaurar seu poder na corte. De fato, no início do reinado de Fyodor, praticamente todo clã boiardo que tinha sofrido sob o domínio de Ivã retornou à Duma, se ainda não o havia feito antes. Boris não perdeu tempo para marginalizá-los um a um e empurrar alguns deles para o exílio. Seu segundo problema era a presença do tsarévitche Dmitri, pois Fyodor e Irina tiveram somente uma filha, que morrera na infância. Boris havia trazido médicos dos Países Baixos para examinar Irina, mas a iniciativa fora em vão. Portanto, após a morte de Fyodor, o trono passaria presumivelmente para Dmitri, mas em 1591 ele faleceu, supostamente porque se esfaqueou por acidente com uma espada de brinquedo enquanto brincava. Essa foi a conclusão da investigação oficial. Naturalmente, persistiu o rumor de que Boris havia secretamente ordenado o assassinato do garoto, e o mistério continua sem solução até hoje. Certamente, a morte de Dmitri tornou possível tudo o que aconteceu depois.
História
09/08/2014 | 17:38h
Ivan III de Moscow conquista Novgorod, nasce a Rússi
o final do século XV, a Rússia passou a existir como Estado, e não mais um simples grupo de principados inter-relacionados. Exatamente nessa época, na linguagem escrita o termo moderno Rossia (uma expressão literária emprestada do grego) começou a desbancar o tradicional e vernáculo Rus. Se tivermos de escolher um momento em que o principado de Moscou dá origem à Rússia, este é a anexação final de Novgorod pelo grão-príncipe Ivã III (1462-1505) de Moscou em 1478. Com esse ato, Ivã uniu os dois principais centros políticos e eclesiásticos da Rússia medieval sob um único governante e, na geração seguinte, ele e seu filho Vassíli III (1505-1533) acrescentaram os demais territórios. A oeste e ao norte, as fronteiras que eles fixaram são aproximadamente as da Rússia atual, ao passo que ao sul e a leste a fronteira continuou, na maior parte da sua extensão, a ser a fronteira ecológica entre a floresta e a estepe. Apesar da expansão posterior, esse território formou o núcleo da Rússia até meados do século XVIII e continha a maior parte da população e os centros do Estado e da Igreja. Os russos ainda eram um povo espalhado ao longo dos rios entre grandes florestas.
História
08/08/2014 | 19:25h
O surgimento do principado de Moscow
Depois da desintegração gradual de Rus de Kiev, as potências regionais que tomaram seu lugar começaram a diferenciar-se. Nesses séculos, os territórios de Novgorod e do velho Nordeste começaram a formar uma língua e cultura distintas que podemos chamar de russa. Embora o termo mais antigo Rus tenha persistido até ser substituído por Rússia (Rossiia) no século XV, nesse período podemos começar a chamar a região de Rússia e o povo de russo. Nesses séculos, a Rússia, como os outros territórios de Rus de Kiev que ficariam para a Lituânia, conheceu um cataclismo na forma da invasão mongol, que moldou sua história pelos próximos três séculos. O Império mongol foi o último e maior dos impérios nômades formados na estepe eurasiana. Foi principalmente obra de Temuchin, um chefe mongol que uniu as tribos mongóis em 1206 e adotou o nome de Genghis Khan. Ele acreditava que o Eterno Céu Azul havia lhe conferido poder sobre todas as pessoas que viviam em tendas de feltro e que, portanto, ele era o soberano legítimo de todos os nômades da Ásia interior. A estepe não era o bastante. Em 1211, Genghis Khan avançou para o sul contra a Grande Muralha e invadiu a China Setentrional. Em seguida seus Exércitos marcharam para oeste e, quando ele morreu em 1227, eles tinham acrescentado toda a Ásia interior e central aos seus domínios.
Psicologia
07/08/2014 | 22:00h
A formação da teoria evolucionista e seleção natural
m grande número de sociedades e culturas formularam, e ainda formulam, ideias, concepções e histórias sobre a origem do mundo, dos diferentes seres vivos e do ser humano. Entre muitos povos indígenas, tais concepções ocorrem por meio de mitos de origem, narrativas que relatam o surgimento e a história do mundo, dos seres da natureza e dos homens. Muitas dessas sociedades formularam tais origens como algo que ocorreu de modo abrupto, em que os seres já surgiram prontos, em sua forma definitiva. Assim, o mundo teria sido criado não só pronto, mas também perfeito; não haveria nada mais a ser mudado ou substancialmente transformado; mudanças nessa ordem originária só poderiam conduzir à degradação, a uma espécie de “queda fundamental”, que revelaria os descaminhos dos seres no mundo.
Geologia
07/08/2014 | 21:51h
A vida marinha no Cambriano
À medida que o mundo emergia do estado de «câmara frigorífica» da idade glacial de finais do Pré-Cambriano, o supercontinente da Panótia, composto pela Gonduana, pela Laurência (América do Norte), pela Báltíca (Eurásia), pela Sibéria (Ásia) e pela Avalônia (Europa Ocidental), continuou a fender-se, criando o oceano Japeto, o precursor do atual Atlântico. Os climas aqueceram bem acima da média das temperaturas atuais, tornando-se húmidos, e a subida geral do nível do mar, que começara no início do Cambriano, continuou e prolongou-se até finais deste período. Nessa época, mais de metade do continente norte-americano encontrava-se inundado por águas superficiais.
História
07/08/2014 | 17:16h
Rus de Kiev, a aurora do povo russo
A história russa começa com a unidade política que os estudiosos vieram a chamar de Rus de Kiev, a antecessora da Rússia moderna. Rus era o nome que os habitantes davam a si mesmos e à sua terra, e Kiev era a sua capital. Em termos modernos, ela abarcava toda a Bielorrússia, a metade setentrional da Ucrânia e o Centro e o Noroeste da Rússia europeia. Os povos desses três Estados modernos são os eslavos orientais, que falam línguas aparentadas derivadas da língua eslava oriental de Rus de Kiev. A oeste seus vizinhos eram basicamente os mesmos que os vizinhos desses três Estados hoje: Hungria, Polônia, os povos bálticos e a Finlândia. Ao norte Rus de Kiev estendia-se em direção ao oceano Ártico, e os agricultores eslavos estavam apenas começando a deslocar-se para o extremo norte.
Antropologia
06/08/2014 | 21:43h
Os primeiros teóricos da Antropologia
Boas e Malinowski, nos anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial, fundaram a etnografia. Mas o primeiro, recolhendo com a precisão de um naturalista os fatos no campo, não era um teórico. Quanto ao segundo, a parte teórica de suas pesquisas é provavelmente, o que há de mais contestável em sua obra. A antropologia precisava ainda elaborar instrumentos operacionais que permitissem construir um verdadeiro objeto científico. É precisamente nisso que se empenharam os pesquisadores franceses daquela época, que pertenciam à chamada “escola francesa de sociologia”. Se existe uma autonomia do social, ela exige, para alcançar sua elaboração científica, a constituição de um quadro teórico, de conceitos e modelos que sejam próprios da investigação do social, isto é, independentes tanto da explicação histórica (evolucionismo) ou geográfica (difusionismo), quanto da explicação biológica (o funcionalismo de Malinowski) ou psicológica (a psicologia clássica e a psicanálise iniciante).
Geologia
06/08/2014 | 21:35h
Explosão Câmbriana
O Cambriano, que começou há cerca de quinhentos e quarenta milhões de anos e durou perto de cinquenta milhões de anos, marca o início de uma divisão importante do tempo geológico, conhecida pelo nome de Paleozóico (que significa «vida antiga») e o seu início assistiu ao rápido desenvolvimento de uma diversidade espantosa de formas de vida. Após uma fase pré-câmbriana incrivelmente longa de desenvolvimento primitivo, que durou cerca de três bilhões de anos, aparece subitamente em rochas sedimentares marinhas uma grande variedade de formas fósseis, desconhecida nas anteriores, importante acontecimento evolutivo coincidente com grandes alterações ambientais. Ocorreu um aquecimento global, o nível das águas foi subindo paulatinamente na sequência do final da glaciação vêndica e os mares começaram a invadir os velhos continentes.
Psicologia
05/08/2014 | 22:11h
Noções sobre evolução biológica e evolução do cérebro
Devedora da ideia de progresso do Iluminismo europeu do século XVIII, parte da ciência dos séculos XIX e XX concebeu a evolução dos organismos vivos atribuindo-lhe um sentido, uma direção que aponta para sua crescente perfeição. A evolução filogenética das espécies conteria uma tendência quase incoercível para o progresso. Assim, a evolução progrediria dos organismos mais simples aos mais complexos, dos mais distantes aos mais próximos do homem; enfim, de organismos “inferiores” para organismos “superiores”. H. Beaunis, professor de fisiologia e psicologia fisiológica em Nancy e Paris, produziu um livro que sintetizava, no final do XIX, tudo o que se sabia sobre a evolução do sistema nervoso nos animais invertebrados e vertebrados. Já havia, naquele momento, um acervo de conhecimentos considerável; entretanto, ele era fortemente marcado pela ideia de que os distintos sistemas nervosos e cérebros, para serem compreendidos, deveriam ser colocados em uma linha única, ascendente e cumulativa, de animais inferiores ao topo da criação, a espécie humana. Faz-se necessário reexaminar aqui, logo de início, tais noções enviesadas, ainda arraigadas no discurso científico e no senso comum.
Antropologia
31/07/2014 | 22:11h
A invenção do conceito de Homem
Se durante o Renascimento esboçou-se, com a exploração geográfica de continentes desconhecidos, a primeira interroga­ção sobre a existência múltipla do homem, essa interrogação fechou-se muito rapidamente no século seguinte, no qual a evi­dência do cogito, fundador da ordem do pensamento clássico, exclui da razão o louco, a criança, o selvagem, enquanto figuras da anormalidade.
Antropologia
31/07/2014 | 22:11h
Civilização versus Barbárie
A gênese da reflexão antropológica é contemporânea à descoberta do Novo Mundo. O Renascimento explora espaços até então desconhecidos e começa a elaborar discursos sobre os habitantes que povoam aqueles espaços. A grande questão que é então colocada, e que nasce desse primeiro confronto visual com a alteridade, é a seguinte: aqueles que acabaram de ser des­cobertos pertencem à humanidade? O critério essencial para sa­ber se convém atribuir-lhes um estatuto humano é, nessa época, religioso: o selvagem tem uma alma? O pecado original também lhes diz respeito? Essas questões são capitais para os missioná­rios, já que das respostas irá depender o fato de saber se é pos­sível trazer-lhes a revelação. Notamos que se, no século XIV, a questão é colocada, não é de forma alguma solucionada. Ela sNessa época é que começam a se esboçar as duas ideolo­gias concorrentes, das quais uma consiste no simétrico invertido da outra: a recusa do estranho apreendido a partir de uma falta, e cujo corolário é a boa consciência que se tem sobre si e sua sociedade; e a fascinação pelo estranho, cujo corolário é a má consciência que se tem sobre si e sua sociedade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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