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As Primeiras Civilizações - Da Idade Da Pedra Aos Povos Semitas | 2009 |
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A China no período Neolítico
História - Pré, Proto-História - Período Neolítico - Civilização Chinesa
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Maurizio Scarpani

A China é uma das regiões do mundo em que é mais antiga a presença do homem, como comprova o achado de centenas de sítios arqueológicos paleolíticos e depósitos de fósseis. Um grande número de utensílios de pedra e fragmentos de ossos permitiu traçar os passos da evolução desde os primeiros hominídeos descendentes do Australopithecus.

O Homo sapiens surgiu durante a última era glacial, há cerca de 40 mil anos, uma enorme distância cronológica de seus antepassados mais remotos, o Homem de Yuanmu (aproximadamente 1,6-1,7 milhões de anos), o de Lantian (700-600 mil anos) e o Homem de Pequim (500-400 mil anos). Entre o décimo e o nono milênio a.e.c. teve início uma mudança radical em suas condições de vida.

A paulatina melhoria do clima tinha levado ao desaparecimento dos glaciares, à formação de férteis vales fluviais e ao afastamento da linha costeira devido ao forte recuo do mar, criando um ambiente adequado para assentamentos estáveis. Foi quando as comunidades de caçadores- pescadores-coletores, até então nômades, se organizaram em povoados sedentários e começaram a se dedicar a agricultura, a criação de animais domésticos e a fabricação de utensílios de cerâmica, dando início à Revolução Neolítica. Um grande número de sítios comprova o surgimento na China das primeiras culturas, batizadas pelos arqueólogos com os nomes dos locais onde foram feita as principais achadas e classificadas principalmente pela tipologia das cerâmicas. Freqüentemente é difícil reconstruir as relações de precedência entre os diferentes assentamentos e sua seqüência no tempo, tendo coexistido diferenças regionais e elementos comuns, indicando uma rede de intercâmbio e uma continuidade evolutiva.

As diferentes cronologias propostas para as culturas neolíticas, às vezes discordantes, dependem fundamentalmente dos diferentes elementos considerados. Assim, portanto, nessa esfera de interação territorial, a civilização chinesa foi se moldando cultural e geograficamente ao longo do tempo.

A fundação do Império, datada de 221 a.e.c., pode ser considerada a consolidação política um longo e complexo processo de integração que, começando com as primeiras comunidades primitivas, levou ao surgimento de um estilo cultural global.

Os mais antigos sítios neolítícos estão nas províncias meridionais de Fujian, Jiangxi, Guangdong, Guangxi e Guizhou (entre o décimo e o nono milênio a.e.c.), e nas regiões do norte ao longo do rio Liao (8500-7000 a.e.c. cultura Xinglongwa e 7000-5000 a.e.c. cultura Xinle). Numerosos achados confirma a criação de assentamentos, a partir do sexto milênio a.e.c., nas regiões centrais, setentrionais e costeiras. As regiões de maior desenvolvimento correspondem à bacia do rio Amarelo (Huangho) ao de seu afluente Wei, e mais ao sul, ao vale do rio Azul (Yang Tsé Kiang). A agricultura era baseada principalmente no cultivo do milheiro nas áreas setentrionais caracterizadas pelo clima seco e do arroz nas regiões meridionais humidas e chuvosas. As culturas setentrionais que se desenvolveram nas províncias de Henan, Hebei, Shaanxi e Sanxi, recebem os nomes dos sítios de Peiligang e Cishan (5500-4900 a.e.c). De acordo com alguns estudiosos pertenciam a essas culturas assentamentos ainda mais antigos. São característicos os utensílios de pedra feitos com técnicas sofisticadas, cerâmica mais comum de cor avermelhada ou marrom, uma economia baseada na criação de cães e porcos e no cultivo do milhero dos tip Setaria itálica e Panicum miliaceum. Os enxovais funerários encontrados em algumas sepulturas indicam a existência de alguma forma de crença religiosa. Nas mesmas regiões se difundiu posteriormente a cultura Yangshao (5000-3000 a.e.c.), a mais bem documentada e a que melhor conhecemos, com mais de mil sítios  distribuídos por uma área extensa, desde Gan Qinghai até o leste ao longo do vale do Rio Amarelo. Um bom exemplo da organização social Yangs é o povoado de Banpo (4800-3600 a.e.c.), em Shaanxi, construído em uma grande área circular cercada por um fosso profundo cavado como proteção.

A disposição das habitações, das despensas subterrâneas e das áreas para animais sugere a ausência de importantes divisões de classe entre os membros da comunidade. As cabanas, assim como as tumbas da necrópole deviam ser muito parecidas em forma e dimensões, à exceção de um grande prédio situado do centro da área coletiva. Foram encontrados potes, jarros, ânforas, vasos de cerâmica vermelha de várias formas, fabricadas sem utilização de tornos e finalizados em lenta rotação, e decorados com motivos geométricos e representações de rostos humanos, peixes e cervos, que têm marcas semelhantes a uma forma primitiva de escrita. O desenvolvimento da fiação e do tecido é documentado pelo achado de rocas de pedra ou cerâmica e por tramas de tecido que ficaram gravadas no fundo de algumas peças de terracota. Em uma fase posterior, chamada de Miaodigou 13900-3000 a.e.c.), predominou a decoração em faixas de linhas onduladas, freqüentemente agindo em espirais abertas. Nas províncias ocidentais de Gansu e Qinghai, em uma região que abrange parte da Mongólia Interior, se desenvolveram, entre 3300 e 2050 a.e.c., sob a influência da cultura Yangshao, as culturas Banshan e Machang. A partir da cultura Majiayao se desenvolveram, posteriormente, a cultura Qijia (2250-1900 a.e.c.). Em Gansu ocidental, a cultura Huoshaogou (1800-1600 a.e.c.), caracterizadas pela produção de objetos e colares de cobre, bronze, prata e ouro. Em Shandong e em algumas partes de Jiangsu, Anhui, Henan e Liaoning se desenvolveu a cultura Dawenkou (5000-2500 a.e.c.), cujas cerâmicas, feitas em tornos, tinham cores diferentes dependendo da argila utilizada e do processo de cozimento empregado. A riqueza do enxoval funerário de algumas tumbas, nas quais foram encontrados sarcófagos de madeira e dezenas de objetos e colares de pedra, osso e jade, revela a existência de uma sociedade muito estratificada. As culturas orientais de Majiabang (5000-3500 a.e.c.) e Hemudu (5000-3300 a.e.c.), surgidas em Jiangsu e Zhejiang setentrional, tinham uma economia baseada na pesca, criação de cães, porcos e búfalos e no cultivo de diversas plantas aquáticas, das quais a mais importante era o arroz do tipo Oryza sativa, cuja transformação em cultura doméstica poderia remontar, segundo informações mais recentes, ao sétimo milênio a.e.c. Seria, portanto, o mais antigo registro do cultivo desse cereal em todo o mundo. No sítio arqueológico de Hemudu foram encontrados restos de casas construídas sobre palafitas. As peças de terracota da cultura Majabang eram de cor marrom, diferentemente das produzidas em Hemudu, que eram negras. Também ao longo do litoral se desenvolveram as culturas Songze (4000-3600 a.e.c.) e Qingliangang (4800-3600 a.e.c.), herdeiras diretas das tradições de Majabang e Hemudu. Os jades de Qingliangang são os mais antigos já encontrados. Igualmente muito importante por sua produção de jade é a cultura Hongshan (3600-2000 a.e.c.), que derivou da cultura Xinle e se desenvolveu em Liaoning e na Mongólia Interior e em cujo contexto foram encontrados conjuntos religiosos de grande interesse, entre os quais o primeiro templo conhecido. Com a cultura Líangzhu (3300-2200a.e.c.), que também floresceu na costa oriental, em Zhejiang e Jiangsu, houve um extraordinário desenvolvimento da lapidação do jade. O refinamento e a perfeição técnica alcançados comprovam a existência de uma elite com poder político e religioso que dotava as sepulturas de objetos de enorme valor, freqüentemente criados para corresponder a uma determinada simbologia funerária, ainda misteriosa para nós. As primeiras organizações de cidade-estado surgiram nesse período ao longo da costa oriental. Os objetos rituais de jade encontrados em grande abundância, sobretudo em algumas tumbas da cultura Liangzhu, representam as insígnias dos grupos de elite que controlavam a estrutura político-administrativa das cidades-estado, símbolos de sua autoridade e de seu carisma. O cultivo do arroz, a produção de objetos de pedra e de uma cerâmica refinada de cor negra, vermelha ou marrom caracterizam a cultura Daxi (5000-3000 a.e.c.), que floresceu no vale do Yang tsé Kiang, em uma área situada entre Sichuan, Hubei e Hunan. Mais ao sul se desenvolveram as culturas Dapenkeng (5000-2500 a.e.c.) e Shixia (2685- 2480 a.e.c.), sendo esta última especialmente importante pela produção de jades finamente lapidados. A cultura Longshan (3000-2000 a.e.c.), em algumas áreas derivada da Yangshao (Longshan de Shaanxi e Longshan de Henan) e em outras da cultura Dawenkou (Longshan de Shandong), se difundiu ao longo da bacia do Rio Amarelo a partir do terceiro milênio a.e.c. Neste contexto  houve um importante desenvolvimento das técnicas de produção, o que significou a passagem do neolítico para a Idade do Bronze. Surgiu a metalurgia, e o torno permitiu a produção de cerâmicas particularmente refinadas, que, cozidas em fornos com baixo teor de oxigênio, ganhavam uma cor negra uniforme e brilhante.

As cerâmicas, freqüentemente sem decoração, têm uma grande variedade de formas. Alguns exemplares delicados demais para ser utilizados normalmente sugerem uma função puramente ritual. A complexidade das sepulturas mais luxuosas e o achado de ossos de animais utilizados para adivinhação sugerem a existência de uma hierarquia social e de uma classe dominante com autoridade religiosa.

A partir da cultura Longshan se desenvolveram, no segundo milênio a.e.c., as civilizações que se tornaram hegemônicas nas regiões da China central durante a Idade do Bronze.

Referências Bibliográficas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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