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Templodeapolo.net > História > Pré, Proto-História > Período Neolítico > Pré, Proto-História > 8500. a.e.c. - A China no período Neolítico

8500 a.e.c. | 4500 a.e.

A China no período Neolítico

História - Pré, Proto-História - Período Neolítico - Civilização Chinesa
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Maurizio Scarpani

A China é uma das regiões do mundo em que é mais antiga a presença do homem, como comprova o achado de centenas de sítios arqueológicos paleolíticos e depósitos de fósseis. Um grande número de utensílios de pedra e fragmentos de ossos permitiu traçar os passos da evolução desde os primeiros hominídeos descendentes do Australopithecus.

O Homo sapiens surgiu durante a última era glacial, há cerca de 40 mil anos, uma enorme distância cronológica de seus antepassados mais remotos, o Homem de Yuanmu (aproximadamente 1,6-1,7 milhões de anos), o de Lantian (700-600 mil anos) e o Homem de Pequim (500-400 mil anos). Entre o décimo e o nono milênio a.e.c. teve início uma mudança radical em suas condições de vida.

A paulatina melhoria do clima tinha levado ao desaparecimento dos glaciares, à formação de férteis vales fluviais e ao afastamento da linha costeira devido ao forte recuo do mar, criando um ambiente adequado para assentamentos estáveis. Foi quando as comunidades de caçadores- pescadores-coletores, até então nômades, se organizaram em povoados sedentários e começaram a se dedicar a agricultura, a criação de animais domésticos e a fabricação de utensílios de cerâmica, dando início à Revolução Neolítica. Um grande número de sítios comprova o surgimento na China das primeiras culturas, batizadas pelos arqueólogos com os nomes dos locais onde foram feita as principais achadas e classificadas principalmente pela tipologia das cerâmicas. Freqüentemente é difícil reconstruir as relações de precedência entre os diferentes assentamentos e sua seqüência no tempo, tendo coexistido diferenças regionais e elementos comuns, indicando uma rede de intercâmbio e uma continuidade evolutiva.

As diferentes cronologias propostas para as culturas neolíticas, às vezes discordantes, dependem fundamentalmente dos diferentes elementos considerados. Assim, portanto, nessa esfera de interação territorial, a civilização chinesa foi se moldando cultural e geograficamente ao longo do tempo.

A fundação do Império, datada de 221 a.e.c., pode ser considerada a consolidação política um longo e complexo processo de integração que, começando com as primeiras comunidades primitivas, levou ao surgimento de um estilo cultural global.

Os mais antigos sítios neolítícos estão nas províncias meridionais de Fujian, Jiangxi, Guangdong, Guangxi e Guizhou (entre o décimo e o nono milênio a.e.c.), e nas regiões do norte ao longo do rio Liao (8500-7000 a.e.c. cultura Xinglongwa e 7000-5000 a.e.c. cultura Xinle). Numerosos achados confirma a criação de assentamentos, a partir do sexto milênio a.e.c., nas regiões centrais, setentrionais e costeiras. As regiões de maior desenvolvimento correspondem à bacia do rio Amarelo (Huangho) ao de seu afluente Wei, e mais ao sul, ao vale do rio Azul (Yang Tsé Kiang). A agricultura era baseada principalmente no cultivo do milheiro nas áreas setentrionais caracterizadas pelo clima seco e do arroz nas regiões meridionais humidas e chuvosas. As culturas setentrionais que se desenvolveram nas províncias de Henan, Hebei, Shaanxi e Sanxi, recebem os nomes dos sítios de Peiligang e Cishan (5500-4900 a.e.c). De acordo com alguns estudiosos pertenciam a essas culturas assentamentos ainda mais antigos. São característicos os utensílios de pedra feitos com técnicas sofisticadas, cerâmica mais comum de cor avermelhada ou marrom, uma economia baseada na criação de cães e porcos e no cultivo do milhero dos tip Setaria itálica e Panicum miliaceum. Os enxovais funerários encontrados em algumas sepulturas indicam a existência de alguma forma de crença religiosa. Nas mesmas regiões se difundiu posteriormente a cultura Yangshao (5000-3000 a.e.c.), a mais bem documentada e a que melhor conhecemos, com mais de mil sítios  distribuídos por uma área extensa, desde Gan Qinghai até o leste ao longo do vale do Rio Amarelo. Um bom exemplo da organização social Yangs é o povoado de Banpo (4800-3600 a.e.c.), em Shaanxi, construído em uma grande área circular cercada por um fosso profundo cavado como proteção.

A disposição das habitações, das despensas subterrâneas e das áreas para animais sugere a ausência de importantes divisões de classe entre os membros da comunidade. As cabanas, assim como as tumbas da necrópole deviam ser muito parecidas em forma e dimensões, à exceção de um grande prédio situado do centro da área coletiva. Foram encontrados potes, jarros, ânforas, vasos de cerâmica vermelha de várias formas, fabricadas sem utilização de tornos e finalizados em lenta rotação, e decorados com motivos geométricos e representações de rostos humanos, peixes e cervos, que têm marcas semelhantes a uma forma primitiva de escrita. O desenvolvimento da fiação e do tecido é documentado pelo achado de rocas de pedra ou cerâmica e por tramas de tecido que ficaram gravadas no fundo de algumas peças de terracota. Em uma fase posterior, chamada de Miaodigou 13900-3000 a.e.c.), predominou a decoração em faixas de linhas onduladas, freqüentemente agindo em espirais abertas. Nas províncias ocidentais de Gansu e Qinghai, em uma região que abrange parte da Mongólia Interior, se desenvolveram, entre 3300 e 2050 a.e.c., sob a influência da cultura Yangshao, as culturas Banshan e Machang. A partir da cultura Majiayao se desenvolveram, posteriormente, a cultura Qijia (2250-1900 a.e.c.). Em Gansu ocidental, a cultura Huoshaogou (1800-1600 a.e.c.), caracterizadas pela produção de objetos e colares de cobre, bronze, prata e ouro. Em Shandong e em algumas partes de Jiangsu, Anhui, Henan e Liaoning se desenvolveu a cultura Dawenkou (5000-2500 a.e.c.), cujas cerâmicas, feitas em tornos, tinham cores diferentes dependendo da argila utilizada e do processo de cozimento empregado. A riqueza do enxoval funerário de algumas tumbas, nas quais foram encontrados sarcófagos de madeira e dezenas de objetos e colares de pedra, osso e jade, revela a existência de uma sociedade muito estratificada. As culturas orientais de Majiabang (5000-3500 a.e.c.) e Hemudu (5000-3300 a.e.c.), surgidas em Jiangsu e Zhejiang setentrional, tinham uma economia baseada na pesca, criação de cães, porcos e búfalos e no cultivo de diversas plantas aquáticas, das quais a mais importante era o arroz do tipo Oryza sativa, cuja transformação em cultura doméstica poderia remontar, segundo informações mais recentes, ao sétimo milênio a.e.c. Seria, portanto, o mais antigo registro do cultivo desse cereal em todo o mundo. No sítio arqueológico de Hemudu foram encontrados restos de casas construídas sobre palafitas. As peças de terracota da cultura Majabang eram de cor marrom, diferentemente das produzidas em Hemudu, que eram negras. Também ao longo do litoral se desenvolveram as culturas Songze (4000-3600 a.e.c.) e Qingliangang (4800-3600 a.e.c.), herdeiras diretas das tradições de Majabang e Hemudu. Os jades de Qingliangang são os mais antigos já encontrados. Igualmente muito importante por sua produção de jade é a cultura Hongshan (3600-2000 a.e.c.), que derivou da cultura Xinle e se desenvolveu em Liaoning e na Mongólia Interior e em cujo contexto foram encontrados conjuntos religiosos de grande interesse, entre os quais o primeiro templo conhecido. Com a cultura Líangzhu (3300-2200a.e.c.), que também floresceu na costa oriental, em Zhejiang e Jiangsu, houve um extraordinário desenvolvimento da lapidação do jade. O refinamento e a perfeição técnica alcançados comprovam a existência de uma elite com poder político e religioso que dotava as sepulturas de objetos de enorme valor, freqüentemente criados para corresponder a uma determinada simbologia funerária, ainda misteriosa para nós. As primeiras organizações de cidade-estado surgiram nesse período ao longo da costa oriental. Os objetos rituais de jade encontrados em grande abundância, sobretudo em algumas tumbas da cultura Liangzhu, representam as insígnias dos grupos de elite que controlavam a estrutura político-administrativa das cidades-estado, símbolos de sua autoridade e de seu carisma. O cultivo do arroz, a produção de objetos de pedra e de uma cerâmica refinada de cor negra, vermelha ou marrom caracterizam a cultura Daxi (5000-3000 a.e.c.), que floresceu no vale do Yang tsé Kiang, em uma área situada entre Sichuan, Hubei e Hunan. Mais ao sul se desenvolveram as culturas Dapenkeng (5000-2500 a.e.c.) e Shixia (2685- 2480 a.e.c.), sendo esta última especialmente importante pela produção de jades finamente lapidados. A cultura Longshan (3000-2000 a.e.c.), em algumas áreas derivada da Yangshao (Longshan de Shaanxi e Longshan de Henan) e em outras da cultura Dawenkou (Longshan de Shandong), se difundiu ao longo da bacia do Rio Amarelo a partir do terceiro milênio a.e.c. Neste contexto  houve um importante desenvolvimento das técnicas de produção, o que significou a passagem do neolítico para a Idade do Bronze. Surgiu a metalurgia, e o torno permitiu a produção de cerâmicas particularmente refinadas, que, cozidas em fornos com baixo teor de oxigênio, ganhavam uma cor negra uniforme e brilhante.

As cerâmicas, freqüentemente sem decoração, têm uma grande variedade de formas. Alguns exemplares delicados demais para ser utilizados normalmente sugerem uma função puramente ritual. A complexidade das sepulturas mais luxuosas e o achado de ossos de animais utilizados para adivinhação sugerem a existência de uma hierarquia social e de uma classe dominante com autoridade religiosa.

A partir da cultura Longshan se desenvolveram, no segundo milênio a.e.c., as civilizações que se tornaram hegemônicas nas regiões da China central durante a Idade do Bronze.

Referências Bibliográficas
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Antropologia
16/11/2014 | 22:19h
A Pré-história e o início das produções culturais
Para compreender a evolução dos hominíneos e do homem, além dos registros fósseis que nos permitem conhecer a estrutura anatômica dessas espécies, os registros de ferramentas, sobretudo os utensílios de pedra, que, por sua natureza, não são tão perecíveis como os de madeira e outros materiais orgânicos, fornecem pistas muito importantes. As ferramentas encontradas junto aos sítios onde se encontram os ossos fósseis informam sobre o estilo de vida, o comportamento e a relação com o meio ambiente e com a sobrevivência desses indivíduos e grupos sociais.
História
10/11/2014 | 01:05h
O Colapso da União Soviética
O colapso da União Soviética e o ressurgimento da Rússia foram eventos marcantes, mas difíceis de descrever com profundidade. As linhas princi­pais são claras, já que grande parte da sua queda ocorreu em público sob escrutínio intenso da população soviética e russa, de jornalistas estrangeiros e dos governos do mundo. Porém, muitas decisões cruciais foram tomadas a portas fechadas e são demasiado recentes para serem objeto de estudo dos historiadores. Muitos dos principais acontecimentos da época já sumiram da memória, e outros foram provavelmente exagerados em relatos popu­lares e nas poucas tentativas acadêmicas de análise. Fontes reais são escas­sas, e autobiografias sensacionalistas e fragmentos de informação não são um bom material historiográfico. Para complicar as coisas, percepções dos eventos fora da Rússia e entre os russos e a maioria das antigas populações soviéticas diferem profundamente. A única coisa que é possível fazer é um esboço dos acontecimentos e de algumas das tendências sociais, políticas e econômicas mais óbvias de um quarto de século de reviravoltas, prestando alguma atenção na compreensão desses eventos e tendências por parte dos russos que os viveram.
História
09/11/2014 | 18:22h
A Guerra Fria
Guerra Fria estendeu-se pela totalidade dos últimos 46 anos da história soviética. Foi um confronto épico que varreu o mundo inteiro, de Berlim a Pequim, às regiões mais remotas da África e da América Latina. Durante a maior parte desse período, a União Soviética parecia ter uma boa chance de "vencer" de alguma forma, e de fato os seus adversários mais histéricos estavam convencidos de que ela era imensamente poderosa. Na realidade, a União Soviética saiu atrasada nessa corrida e nunca chegou perto de derrotar seu novo inimigo, os Estados Unidos. Durante a maior parte dessa época, ela lutou só para acompanhá-lo e sobreviver com seu poder recém-adquirido mais ou menos intacto.
Psicologia
07/11/2014 | 15:32h
A linhagem do Homem: Cérebro e comportamento dos Hominíneos
O sistema nervoso humano, decorrente de sua ancestralidade primata, é dotado de um sistema visual e de um cerebelo particularmente bem desenvolvidos. Em contrapartida, os bulbos olfatórios, relacionados ao sentido do olfato, reduziram-se de modo acentuado nos primatas e mais ainda nos humanos. Em relação aos grandes símios, como chimpanzés e gorilas, o cérebro humano revela lobos parietais relativamente grandes e lobos occipitais relativamente pequenos. As regiões pré-frontais (incluindo as áreas supraorbitais) desenvolveram-se ao máximo no Homo sapiens. Suas conexões fundamentais parecem ser com os lobos temporais e occipitais através dos feixes longitudinais associativos e com estruturas subcorticais como os núcleos da base e partes do sistema límbico.
História
02/11/2014 | 16:46h
A Cultura Soviética
Após a destituição de Kruchev, a nova liderança agiu rápido para pôr fim à campanha antirreligiosa e permitiu que as igrejas continuassem com uma existência modesta e fortemente vigiada que durou até os anos 1980. Lysenko finalmente perdeu seu monopólio do poder na Biologia, seu trabalho foi repu­diado e a genética ressurgiu como disciplina reconhecida. Até o fim da União Soviética, a relação das autoridades com a comunidade científica foi polida e colaborativa, mas não sem tensões sob a superfície. Para os escritores, todavia, o novo regime foi menos positivo.
História
20/10/2014 | 01:39h
A União Soviética na Segunda Guerra Mundial
Logo desde o início, a liderança soviética esperava uma invasão mais cedo ou mais tarde. Essa convicção provinha da situação efetiva da União Sovié­tica desde a revolução, da experiência de intervenção e hostilidade de quase todos os outros Estados e também da sua análise do mundo. Afinal, eles esperavam não só um ataque contra o seu próprio país, mas também uma guerra entre as potências ocidentais, e julgavam provável que a guerra no Ocidente viria primeiro. Sua análise do mundo derivava da visão de Lenin do estado mais atual do capitalismo, que ele estimava ser o período do im­perialismo. Ele acreditava que a Primeira Guerra Mundial fora resultado da concentração crescente do capital nas mãos de um pequeno número de enormes empresas e bancos semimonopolistas, o que levava, por sua vez, a uma competição exacerbada por mercados e recursos. O resultado foi a divisão do mundo entre grandes impérios e o desejo dos retardatários nesse processo, a Alemanha em particular, de redividir o mundo. Portanto, mes­mo sem a existência da URSS, outra guerra era inevitável. Stalin e a elite soviética aceitaram essa concepção do mundo sem nenhuma dúvida, e sua própria experiência histórica na Primeira Guerra Mundial, bem como sua observação das diversas rivalidades no mundo após 1918, somente reforça­ram sua convicção. Por outro lado, eles perceberam que as diferenças (“contradições”) entre as potências capitalistas poderiam ser temporariamente ignoradas numa aliança anticomunista ou que uma ou mais potências oci­dentais poderiam ser poderosas o bastante para atacá-los individualmente. Até 1933, a principal ameaça parecia vir do Império Britânico, a potência aparentemente hegemônica da época. O Exército Vermelho formulou seus planos de guerra presumindo que um ataque viria da Polônia e da Romênia com apoio - ou mesmo participação - dos britânicos (e talvez dos franceses). Os acordos militares defacto com a Alemanha de Weimar foram concebidos em part
Psicologia
15/10/2014 | 09:52h
Evolução Filogenética de algumas estruturas do Sistema Nervoso
Neste texto, são abordadas algumas estruturas e sistemas presentes no cérebro dos animais vertebrados para mostrar como diferentes partes e subsistemas do sistema nervoso central se transformaram ao longo da evolução filogenética. Serão apresentadas uma estrutura responsável pela postura, pelo equilíbrio e pelo movimento (cerebelo), outra responsável pela memória e pelo aprendizado (hipocampo), outra pelo processamento complexo das informações (córtex cerebral) e ainda uma outra estrutura recente só presente nos mamíferos placentários, responsável pela integração de informações entre os hemisférios cerebrais (corpo caloso). Por fim, expõem-se aspectos evolutivos de alguns importantes sistemas de transmissão da atividade neuronal dependentes de mecanismos químicos, os chamados neurotransmissores.
História
09/10/2014 | 13:27h
A estabilização do Partido Comunista e os primeiros passos da União Soviética
O fim da guerra civil apresentou à liderança soviética uma série de novos problemas, alguns imediatos e outros a longo prazo. Mesmo os Exércitos Brancos tendo sido derrotados, o descontentamento interno crescia rapidamente, nutrido pela situação econômica catastrófica e pelo ressentimento contra a ditadura do partido. Em 1920, na província de Tambov, na Rússia central, estourou uma grande revolta do campesinato, em grande parte apolítica mas nem por isso menos fervente. Foram necessárias forças importantes do Exército sob o comando de Tukhachevskii para reprimi-la.
Psicologia
08/10/2014 | 10:15h
Qual a função do choro e das lágrimas?
Enquanto tanto já se conhece sobre outros comportamentos, curiosamente pouco se sabe sobre os mecanismos cerebrais do choro, talvez porque ele seja tão facilmente acompanhado de soluços. O problema é que a ressonância magnética funcional, o método mais usado para visualizar dentro do cérebro as estruturas cuja ativação está relacionada com os mais variados comportamentos, exige perfeita imobilidade do voluntário cujo cérebro é estudado. Um pouco de emoção funciona – algo que dê certa tristeza ou coloque um sorriso no rosto, por exemplo. Mas os estímulos usados não podem levar os voluntários a gargalhadas ou a soluços. Portanto, nada de cócegas ou lágrimas.
História
07/10/2014 | 22:52h
Revolução Russa de 1917, distúbios econômicos, políticos e sociais
A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial não foi um acidente. Depois da Guerra Russo-Japonesa, a política externa da Rússia voltou-se para o oeste. Em 1907, a Rússia concluiu um tratado com sua rival de longa data, a Grã-Bretanha, para estabelecer um domínio conjunto sobre o Irã. Os russos tomaram controle da parte setentrional do país até Teerã, e os britânicos do Sul. Esse compromisso pôs fim à competição imperial anglo-russa na Ásia e fez que a Rússia se tornasse um aliado efetivo da Grã-Bretanha, bem como da França. Os únicos inimigos imagináveis eram a Alemanha e a Áustria. O acordo sobre a Pérsia armou o palco para os eventos de 1914, mas foram as rivalidades imperiais nos Bálcãs que proporcionaram a fagulha para a explosão. Ali, a Rússia enfrentava um Império Otomano ressurgente, aliado com a Alemanha e a Áustria, seguidas pela Bulgária. Nesse ponto, o único aliado da Rússia era a diminuta Sérvia, que estava exatamente no caminho da expansão austro-alemã no Sul. Uma série de crises nos Bálcãs nesses anos mostrou repetidamente a fraqueza da Rússia na região: ela não tinha aliados formais além da Sérvia, nem o poder informal derivado dos laços comerciais estabelecidos pelos alemães e austríacos, bem como os franceses e britânicos. Quando Gavrilo Princip assassinou o arquiduque austríaco em Sarajevo em 1914, Viena lançou um ultimato à Sérvia e a Rússia teve de apoiar a resistência sérvia. A credibilidade básica da Rússia estava em jogo, e o resultado foi a guerra. Ela não havia buscado a guerra, mas desviado em direção à crise, tal como estava fazendo em muitas outras áreas.
Psicologia
07/10/2014 | 14:30h
Pelo prisma da ansiedade
Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).
História
03/10/2014 | 00:45h
A Revolução Russa de 1905
O quarto de século do assassinato de Alexandre II até a Revolução de 1905 foi de estagnação política. A reação do novo governo ao assassinato foi interromper o processo de reforma, afirmar publicamente a necessidade da autocracia e formular planos de contrarreformas. Estes últimos não resultaram em nada, mas o governo aproveitou toda possibilidade de bloquear a crítica, a discussão política e a organização entre o público. Apesar de retomar o patrocínio do desenvolvimento econômico nos anos 1890 sob o ministro das Finanças Sergei Witte, ele recusou-se a reconhecer as implicações da modernização continuada da sociedade, que resultava em parte das suas próprias medidas. O isolamento crescente do governo e sua própria falta interna de coordenação levaram a uma tentativa malograda de imperialismo moderno na Manchúria, tentativa que levou a uma guerra malsucedida com o Japão, que quase derrubou a monarquia.
Psicologia
02/10/2014 | 17:43h
Metacognição, pensar sobre o pensamento
Crenças e opiniões moldam nossa vida de maneira surpreendente. O problema é que, muitas vezes, aquilo que pensamos pode dificultar a tomada de decisões saudáveis e trazer bastante sofrimento emocional e físico. Diversas descobertas recentes, porém, sugerem que o treinamento metacognitivo é capaz de ajudar a amenizar transtornos de ansiedade e até reduzir sintomas psicóticos.
História
02/10/2014 | 11:46h
Ucrânia: mãe de todos os conflitos
A destituição do presidente Viktor Ianukovich acarretou, no último mês de março, a ocupação da Crimeia, república autônoma no seio da Ucrânia, por tropas russas. Desde então, os conflitos entre separatistas pró-Rússia no oeste do país e as tropas oficiais se acirraram e, mesmo com a tentativa de estabelecer um plano de paz desde junho, a solução do impasse parece distante. Esses acontecimentos nos fazem lembrar da importância estratégica dessa região (de maioria russófona) para a Rússia. E, como acontece cada vez que as relações entre os dois países se tensionam, ressurge a questão do estatuto da península da Crimeia. Esse episódio lançou luzes também sobre a situação paradoxal da Ucrânia: o país é, alternadamente, periferia da Europa ocidental e barreira defensiva da Rússia. Não é à toa que esse vasto território (603.000 km²) sempre foi disputado por vizinhos poderosos (a Polônia, o grão-ducado da Lituânia, a Rússia...).
Psicologia
02/10/2014 | 09:56h
O que é um psicopata?
O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática. Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.
Psicologia
01/10/2014 | 22:58h
Drogas e doces e o sistema de recompensa
Inúmeras evidências científicas demonstram que o comer compulsivo e o consumo de drogas envolvem circuitos cerebrais com funcionamento semelhante. Essa constatação tem oferecido nova compreensão da obesidade e aberto caminhos para possibilidades de tratamento. Mas, afinal, que circuitos do cérebro são ativados pela adicção - seja de comida ou de substâncias tóxicas?
Psicologia
01/10/2014 | 16:54h
Como ocorre um insight
É provável que o insight mais famoso da história seja a situação que envolve o grito "Eureca!" de Arquimedes. A lenda conta que o antigo matemático grego foi desafiado a descobrir se a coroa que o rei Hieron II de Siracusa havia encomendado era feita de ouro maciço. Enquanto preparava seu banho, Arquimedes descobriu como medir o volume de um objeto e, portanto, sua densidade, depois de perceber o deslocamento da água ao entrar na banheira. Não sabemos se o fato aconteceu mesmo, mas ele permanece na história porque ilustra perfeitamente como ocorre um insight.
Psicologia
29/09/2014 | 10:57h
Como os conceitos de Freud se popularizaram?
Setenta e cinco anos após a morte do psicanalista Sigmund Freud, conceitos e frases que ele criou estão hoje profundamente arraigados na cultura popular. Como o jargão freudiano se popularizou dessa forma? Existe o Freud da literatura médica - o homem barbudo que fundou a psicanálise. O Freud que é constante fonte de debate entre acadêmicos. Depois existe o outro Freud, o Freud da mesa de bar. Aquele que você talvez mencione quando falar de um sonho, ou de um ato falho, ou de alguém que é meio apegado à mãe. Complexo de Édipo. Negação. Id, ego e superego. Libido. Retenção anal. Mecanismo de defesa. Símbolo fálico. Projeção. Não é só a terminologia de Freud que se espalhou pelo léxico popular - o próprio nome Freud virou um adjetivo.
Psicologia
28/09/2014 | 16:41h
A Evolução Filogenética do Hipocampo
O hipocampo é uma pequena estrutura bilateral que, no homem, localiza-se profunda e internamente em relação aos hemisférios cerebrais, na parte medial dos lobos temporais. Tem o formato curvo e, no logo temporal, situa-se acima do giro para-hipocampal, prolongando a extensão do assoalho do corno temporal dos ventrículos laterais. Quando isolado do cérebro, sua forma aparente assemelha-se a de um cavalo-marinho (dai seu nome hippocampus, que é o nome grego do cavalo-marinho; hippos= cavalo; kampos = monstro marrinho.
História
28/09/2014 | 02:18h
O império russo do séc. XIX d.e.c.
As guerras estrangeiras do Império Russo ao longo dos séculos lançaram as bases para a sua expansão, que viria a incluir toda a Eurásia setentrional. É claro que, pelos padrões britânicos, os resultados não eram impressionantes. A maior parte do Império Russo estava na Sibéria, cuja maior parte era composta de floresta aparentemente impenetrável e tundra. As mais novas conquistas da Rússia na Ásia Central tinham população escassa e eram pobres - nada equivalente à índia ou nem mesmo à Birmânia. O Estado resultante incluía extensas áreas de fronteira com populações não russas, que eram na verdade dois impérios - um terrestre tradicional na Europa e uma tentativa de imitação do exemplo britânico na Ásia Central. A oeste e ao sul, as políticas interna e externa estavam inextricavelmente inter-relacionadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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