Pré, Proto-História (246mil a.e.c.)
Idade Antiga (4000 a.e.c. - 476 d.e.c.)
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Fogo Persa - O Primeiro império mundial e a batalha pelo ocidente | 2008 |
História da Suméria -  | 2009 |
História da Antiguidade Oriental -  | 1969 |
Um Estudo Crítico da História Vol. I -  | 2001 |
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Civilização Romana | Família
O casamento romano e os costumes no século de ouro
É impossível saber, como é natural, o que foi a realidade diária do casamento durante os primeiros tempos de Roma. Relatos dignos de fé apenas começam a lançar alguma luz sobre este domínio, como sobre outros, a partir do século III a.e.c. e. ainda assim, trata-se geralmente de testemunhos que se referem apenas a famílias da aristocracia. Nas diver­sas classes sociais, e quando não se seguiam as tradições patriarcais, a situação real devia apresentar diferenças consideráveis. Todavia, a partir da unificação da cidade, quando patrícios e plebeus passaram a gozar sensivelmente dos mesmos privilégios, as tradições dos primeiros pare­cem ter exercido uma espécie de atração sobre os costumes das famílias dos segundos. Por outro lado, segundo pensamos, as principais diferen­ças, a partir do século III, ocorrem mais em função da fortuna e da res­ponsabilidade política do que de qualquer outro fator. A cidade é go­vernada, nessa altura, por um regime estritamente oligárquico: há as fa­mílias cujos homens se sentam no Senado, assumindo, a intervalos regu­lares, as grandes magistraturas do Estado, e há a massa dos outros cida­dãos, que só vão às assembleias para legitimar as decisões preparadas pelos senadores e eleger os candidatos que lhes são propostos e que escolhem de acordo com o prestígio dos homens que se apresentam como seus garantes. No resto do tempo, são “clientes” destes grandes senho­res. Naturalmente, o casamento não tem a mesma importância para uns e para outros. Temos muito pouca informação sobre a maneira como estas uniões se realizavam na massa do povo, temos um pouco mais quando se trata das outras classes.
Civilização Romana | Família
O casamento romano no período arcáico
Historiadores e poetas afirmam que o casamento foi, durante muitos séculos, uma das instituições mais sólidas e respeitadas da cidade roma­na. Rivalizam no elogio da pureza dos costumes antigos, do tempo em que uma mulher que tivesse ficado viúva não mais consentiria em voltar a casar, em que, por maioria de razão, nunca se levantava a questão do divórcio. Pelo contrário, lamentam o relaxamento progressivo de uma relação que, durante o Império, se tornara de uma extrema fragilidade, enquanto nos bons velhos tempos o seu respeito era considerado a garantia mais firme da grandeza romana e a marca mais incontroversa de uma saúde moral a toda prova. Hoje ainda, muitos historiadores fazem-se eco destas queixas, considerando que uma das razões profundas da decadência de Roma reside no abandono deste velho ideal por onde se orientaram anteriormente os severos camponeses do Lácio. Antes de nos interrogarmos por que razão o casamento romano per­deu a sua solidez ao longo do tempo, convém, decerto, examinar a pró­pria instituição. A instituição do casamento é uma daquelas a que os juristas romanos não só dispensaram maior cuidado, mas também a que se dedicaram a definir e fixar com a mais extraordinária minúcia as consequências legais. O conjunto dos textos que a ela se referem ocupa um lugar considerável nas compilações jurídicas, o que prova a impor­tância atribuída a um ato de que esperavam, em primeiro lugar, a sobre­vivência, mas também, e talvez mais ainda, a estabilidade do Estado.
Civilização Romana | Religião
Cultos sagrados da fertilidade, sexo e amor em Roma - do falo a Vênus
Os Romanos, que gostavam de se dizer o mais “religioso” dos povos e que reconheciam e honravam divindades em número superior a qualquer outro [com exceção talvez dos hititas], não podiam deixar de ser sensíveis ao carácter sagrado deste instinto amoroso, capaz de transformar os seres, de arrancá-los a si mesmos e cujo poder, igualmente sentido pelos homens e por tudo o que vive, submete às suas leis toda a natureza. Não surpreende verificar que o amor tinha as suas divindades, os seus ritos, a sua magia. O culto que se prestava às primeiras, a observância religiosa de práticas cuja origem se perdia na noite dos tempos, tudo isso tinha por finalidade, umas vezes, desenvolver ao máximo ou exaltar as forças criadoras do ato de amor e, outras, controlar ou disciplinar o que nelas se descobria de anárquico e colocá-las ao serviço do bem da cidade. A religião da época clássica, aquela que conhecemos melhor graças aos textos e a numerosos testemunhos de toda a espécie, não manteve muitas vezes senão vestígios, dificilmente detectáveis, destas crenças e destes ritos. Esta ou aquela prática de carácter mágico, nos tempos de Cícero ou de Augusto, já não eram mais do que sequelas folclóricas e não teríamos conservado delas nenhuma lembrança se os “antiquários” de então, ávidos de recolher as coisas estranhas do tempo antigo, não lhes tivessem consagrado algumas linhas nas suas obras, que infelizmente, apenas nos chegaram em estado fragmentário. Frequentemente, também, os polemistas cristãos, em busca de argumentos para "provar" a "imoralidade ou o absurdo" da religião ancestral, transmitiram-nos cuidadosamente detalhes cujo carácter arcaico, às vezes mesmo primitivo, tendia a lançar o descrédito sobre a fé dos seus adversários.
Civilização Romana | Cotidiano
As mulheres e a fundação de Roma
Se é verdade que as lendas de um povo ou de uma raça nos revelam os traços mais profundos e as aspirações da sua alma, as de Roma, pelo lugar que concedem às histórias de amor, sugerem que os duros conquis­tadores do mundo dissimulavam em si uma ternura mais exigente do que eles mesmos se permitiram confessar. A história da sua cidade começa com um romance de amor: a paixão súbita do deus Marte pela “vestal” Reia Sílvia. Mas, se formos mais atrás ainda, até ao tempo em que, sob as muralhas de Tróia, se decidiu a sorte do mundo futuro, foi ainda um romance de amor que determinou o desenrolar dos destinos e no fim do qual começa a fortuna de Roma. Este romance dos primeiros tempos é contado por um Hino Homérico. Na montanha Ida, na Frigia, Anquises guardava os seus rebanhos. Anquises era sobrinho de Laomedonte, que reinava em Tróia. Era belo. Neste tempo, os príncipes, e às vezes os deuses, não desdenhavam fazer-se pastores. Ora, a deusa Afrodite tinha visto Anquises e sentiu-se per­dida de amor por ele. Afrodite não podia resistir a uma paixão. Sem tardar, vai ao encontro do belo pastor e conta-lhe toda uma história que vai inventando. Ela é, diz-lhe, uma filha do rei da Frigia. O deus Hermes raptou-a e levou-a para a montanha. Está muito triste, porque ninguém vem em seu socorro! Anquises compadece-se; a conversa torna-se mais terna. Nessa mesma noite, o belo pastor e a deusa, sob o seu disfarce de mortal, unem-se um ao outro. Afrodite, satisfeita, não finge mais. Reve­ la a sua divindade e anuncia a Anquises que em breve lhe dará um filho, mas recomenda-lhe formalmente que não diga a ninguém que a mãe é a deusa do amor, porque, caso contrário, Zeus, irritado por se descobrirem os segredos dos deuses, fulminaria o indiscreto com o seu raio.
Civilização Romana | Religião
Espiritualidade, religião e filosofia na Roma imperial
Como livrar o indivíduo das inquietações da existência? As diferentes sabedorias, a que chamamos filosofia antiga, não se propunham em princípio outro objetivo, e a religião, por sua vez, não procurava outra coisa, pois geralmente não visava à salvação do além. Esse além era muitas vezes negado ou concebido tão vagamente que não passava da tranquilidade da tumba, do repouso da morte. Filosofia, devoção e além suscitavam poucas angústias. Não é tudo: as respectivas fronteiras desses três domínios eram tão diferentes das que possuem entre nós que essas três palavras não tinham o mesmo sentido de hoje. Quem somos? Que devo fazer? Para onde vamos e o que posso esperar? Essas questões modernas nada têm de natural; nem o pensamento nem a devoção antigos as colocavam; elas nasceram da resposta cristã. O problema antigo e suas subdivisões eram diferentes. Entre nós a filosofia é uma matéria universitária e uma parte da cultura; é um saber que os estudantes aprendem e pelo qual se interessam com curiosidade as pessoas cultas. Os exercícios espirituais e as regras de vida pelas quais um indivíduo pode ordenar sua existência constituem uma parte eminente da religião; o além é outra parte: a ideia de não haver nada após a morte é eminentemente irreligiosa a nossos olhos. Ora, entre os antigos, normas de vida e exercícios espirituais formavam a essência da "filosofia", não da religião, e a religião estava mais ou menos separada das ideias sobre a morte e o além. Havia seitas, mas eram filosóficas, pois a filosofia era a matéria de seitas que propunham convicções e normas de vida a quem isso pudesse interessar; um indivíduo se tornava estoico ou epicurista e se conformava mais ou menos a suas convicções, assim como entre nós se é cristão ou marxista, bom o dever moral de viver a própria fé e militar. Um bom paralelo seria a China antiga, onde seitas doutrinais, confucionisino e taoísmo, propunham suas teorias e normas de vida aos interessados; ou o Japão atual, onde o mesmo homem pode se Interessar por uma seita desse gênero e continuar a observar, mino todo mundo, as práticas do xintoísmo e onde se casa segundo o rito xintoísta, porém morre e é sepultado conforme o rito budista, como se adotasse implicitamente as consoladoras crenças do budismo referentes a um além no qual jamais pensara durante sua existência.
Civilização Romana | Cotidiano
Jogos, banquetes, seitas... os prazeres da vida urbana na Roma Imperial
O estilo dos dois ou três primeiros séculos do Império era feito, portanto, de urbanidade e também de urbanismo. Os notáveis, já sabemos, constituíam uma nobreza citadina, que só morava em suas terras nos calores do verão. Da natureza esses urbanos apreciavam sobretudo os prazeres (amoenitas); percorriam suas profundezas selvagens, em pesadas expedições de caça, somente para demonstrar "virtude", coragem. A natureza segundo seu coração humaniza-se em parques, em jardins; uma paisagem será valorizada se um pequeno santuário na colina ou na ponta do cabo acolher o voto latente do local. Os homens só são plenamente eles mesmos na cidade, e uma cidade não se compõe de ruas familiares e multidões calorosas ou anônimas, e sim de comodidades materiais (commoda), como os banhos públicos, e edifícios que a enalteçam no espírito de seus moradores e dos viajantes e a tornem bem mais que um vulgar conjunto de habitações. "Pode-se chamar de cidade", pergunta Pausânias, "um lugar que não tem edifícios públicos, nem ginásio, nem teatro, nem praça, nem adução de água a nenhuma fonte e onde as pessoas vivem em cabanas iguais às choças (kalybai) penduradas na borda de um barranco?" Um romano não podia ser realmente ele mesmo no campo, só se sentia em casa na cidade. Principalmente se a cidade era cercada de muralhas: caso para a psicologia; os muros são o mais belo enfeite de uma cidade, porque, nesse cinturão, as pessoas se sentem como num home coletivo; as muralhas resultavam então da mentalidade privada. Mesmo não vivendo com medo de ladrões, preferimos aferrolhar a porta à noite; a cidade que tem muros pode igualmente se trancar ao escurecer; em consequência, toda entrada ou saída noturna era suspeita; os mal-intencionados não ousavam apresentar-se à guarda que detinha as chaves de cada porta e viam-se obrigados a descer com a ajuda dos cúmplices, num grande cesto, do alto de uma parte mal vigiada das muralhas
Civilização Romana | Filosofia
Sabedoria popular, moral e ética na Roma imperial
A opinião senatorial lembrava em cada ocasião o que cada indivíduo deveria fazer. Por seu turno, a sabedoria popular ensinava: "O sábio faz isso, o louco faz aquilo". O homem do povo dava lições teóricas aos filhos antecipando-se às falhas dos outros e fazendo um díptico1 do bem e do mal e também da imprudência e da prudência na conduta. A arrogância aristocrática não precisava de lições de sabedoria: ela própria era a lei tão logo abria a boca; os provérbios eram bons para o povo. O rico liberto que foi pai do poeta Horácio mandou o filho à escola a fim de receber a educação liberal que lhe havia faltado, mas ensinou-lhe pessoalmente a doutrina da sabedoria: para incitá-lo a fugir do vício e dos amores adúlteros, citava-lhe o caso de Fulano que fora pilhado em flagrante delito e perdera a reputação; para ensinar-lhe a prudência na gestão do patrimônio, mostrava-lhe como Beltrano acabara a vida na miséria. Pois um homem do povo teme tanto a imprudência quanto a imoralidade: "Como ignorar", dizia-lhe, "que tal ação é ou imoral ou desvantajosa quando o indivíduo que a comete só consegue que falem mal dele?". E citava como exemplo positivo a conduta de um grande personagem oficialmente reconhecido como homem de bem, pois fora nomeado jurado: "Eis aí uma autoridade", dizia. Poeta e pensador, o filho sentia algum parentesco entre essa doutrina oral e as lições escritas da filosofia. O povo também o percebia. Quando lemos nos epitáfios: "Ele nunca seguiu as lições de um filósofo" ou "Aprendeu sozinho todas as veneráveis verdades", não se trata de desprezo pela cultura, e sim de reivindicação de uma cultura igual: o defunto não teve necessidade da filosofia para viver como filósofo, para saber onde estavam o bom e o útil.
Civilização Romana | Cotidiano
A exposição da vida privada na Roma imperial
Existe um direito de todos sobre a conduta de cada um. Notável, plebeu e até senador, um romano não pode ter intimidade pessoal; todos podem se dirigir a todos e julgar a todos; todo mundo se conhece, ou tal presume. O menor particular pode, portanto, dirigir-se ao "público", que, afinal, não passa de determinado número de particulares como ele. Pode, por exemplo, fazer graça para divertir a plateia: todos são cúmplices. Hoje em dia conhecemos o humor dos célebres grafites de Nova York, através dos quais qualquer indivíduo revela aos transeuntes e aos passageiros do metrô suas ideias, seus amores ou simplesmente seu nome e sua existência, escrevendo nas paredes tudo que lhe passa pela cabeça. Fazia-se a mesma coisa em Pompeia: as paredes dessa cidadezinha entre outras estão cobertas de grafites traçados pelos transeuntes que queriam divertir outros transeuntes dando-lhes algo para ler. Curiosamente, idêntica publicidade triunfava também no que é o equivalente antigo de nossos cemitérios: a beira de estrada, que não pertencia a ninguém, e era ali, na saída das cidades, que se erguiam os túmulos. Tão logo cruzava a porta da cidade, o viajante passava entre duas fileiras de sepulturas que procuravam chamar-lhe a atenção. A tumba não se dirige à família, ou aos próximos, mas a todos. Pois a cova, embaixo da terra, era uma coisa, objeto de homenagens fúnebres que a família anualmente prestava ao defunto; a tumba com epitáfio era outra coisa: destinava-se aos passantes. Não vamos raciocinar sobre a enganosa analogia dos epitáfios modernos, essas celebrações sem destinatário que falam diante do céu. Os epitáfios romanos diziam: "Lê, transeunte, qual foi meu papel neste mundo. [...] E agora que me leste, boa viagem. — Salve, tu também." (pois a resposta do transeunte está gravada na pedra). Testemunhos comprovam que quando um antigo queria ler um pouco, bastava-lhe caminhar até uma das saídas da cidade; era menos difícil ler um epitáfio que a escrita cursiva de um livro. Deixo de lado um fato mais tardio, as necrópoles e também as catacumbas pagãs.
Civilização Romana | Direito
O direito privado na Roma imperial
Eis, pois, uma imagem compósita da pessoa privada: um cidadão livre nascido em liberdade, opulento e cuja riqueza não é recente, negociante bem-educado e até culto, homem do ócio, mas com uma dignidade política. Como os diferentes detalhes de sua bela vestimenta, cada um de seus traços é um legado dos acasos do passado histórico greco-romano. Não era preciso que as coações impusessem esse ideal: tratava-se de uma evidência. A arte funerária reflete essa imagem imperiosa, pois fala menos frequentemente de um além do que da condição do falecido e o diz numa linguagem compreensível a todos. De um túmulo a outro, segundo o capricho do talhador de pedra e as preferências do comprador, destaca-se esse ou aquele componente: a opulência do defunto, que faz suas contas, recebe a homenagem dos arrendatários, manda cortar o trigo com ceifadeira mecânica — recente maravilha da engenhosidade humana — ou fica em sua loja; o luxo da defunta, sentada numa poltrona de espaldar alto, onde se enfeita diante de um espelho que uma serva lhe estende e escolhe joias num cofre que outra escrava segura. Muitas vezes a imagem se reduz a uma espécie de emblema: uma sombrinha esculpida no lado de uma lápide informará aos passantes que a falecida dispunha de uma escrava para segurá-la e de ócio para dar seus passeios. Por vezes, antes da toalete, a defunta ergue devotamente a mão, em sinal de homenagem, diante de uma estatueta de Vênus, símbolo do casamento, que uma serva retirou do nicho de imagens sacras (lararium) e lhe apresenta.
Civilização Romana | Cotidiano
Patrimônio, trabalho e seus significados na Roma imperial
A economia romana comportava um importante setor servil; havia também a prisão por dívidas, em que um credor sequestrava o devedor com a mulher e os filhos para fazê-los trabalhar; e um setor do Estado em que os condenados, os escravos do fisco (ou seja, de inumeráveis domínios imperiais) penavam sob as chibatadas dos guardas; muitos cristãos conheceram tal destino. Mas o setor principal continuava juridicamente livre. Pequenos camponeses independentes penavam para pagar os impostos; como escreveu Peter Brown, "o Império Romano deixava o terreno livre para as oligarquias locais de notáveis e confiava-lhes o cuidado de garantir as tarefas administrativas; exigia-lhes pouca coisa pela via fiscal e evitava mostrar-se muito curioso quanto à maneira como os impostos eram extorquidos do campesinato; é a espécie de governo displicente que constituiu o princípio de muita dominação colonial num período recente". Outros camponeses eram meeiros desses notáveis. Trabalhadores agrícolas, assalariados, artesãos cujos serviços eram comprados para determinada tarefa tinham com os empregadores um pacto de compromisso que raramente assumia a forma de contrato escrito (à exceção de casos em que havia um contrato de aprendizagem). Assim como o Código Napoleônico acata a palavra do senhor nas contestações relativas aos salários dos criados, assim também um empregador romano faz justiça se os assalariados o roubam, como se fossem escravos. As cidades são essencialmente os lugares onde os notáveis, como a "nobreza citadina" da Renascença italiana, distribuem os lucros da terra: oposição completa com a Idade Média francesa e sua nobreza de castelões. Ao redor desses notáveis urbanos vivem artesãos e comerciantes que são os fornecedores de tais ricos; era isso uma "cidade" romana (que com uma cidade moderna só tem em comum o nome). Como se reconhecia uma cidade? Pela presença de uma classe ociosa, a dos notáveis. A ociosidade é a peça principal de sua "vida privada"; a Antiguidade foi a época da ociosidade tida como mérito.
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Economia Persa
Civilização Persa - Idade Antiga - Antiguidade Oriental
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Período Aquemênida | Período Parta | Período Sassânida

 

Período Aquemênida

A economia do império Persa era próspera e saudável. As províncias eram administradas de forma razoável, mediante a combinação de normas gerais com práticas locais. Havia um sistema legal uniforme, que antecipava o conceito romano de uma lei universal, e que incorporava os costumes de cada lugar. As atividades econômicas eram beneficiadas por uma rede de estradas e rotas marítimas, um sistema equilibrado de tributação, um influxo significativo de ouro e um sistema monetário bimetálico que Creso introduzira inicialmente na Lídia. Os salários eram pagos originalmente em produtos - carne, cevada, trigo, vinho - e mais tarde em dinheiro. Em menos de meio século o dinheiro substituiu quase inteiramente os pagamentos em bens.

Em todo o país foram construídos canais, estradas e ganats (canais subterrâneos) para a irrigação das regiões áridas do país. Uma politica agrícola racional, destinada a melhorar o bem-estar do povo, possibilitava a aclimatação de muitas sementes e mudas de árvores, plantas, cereais e animais domésticos trazidos de diferentes partes do império. As florestas eram também usadas de forma racional, e em todo o império os minérios eram explorados extensamente.

A produção agrícola estava centralizada em grandes propriedades. Além de prisioneiros de guerra, o trabalho era executado por servos vinculados a terra, sendo com ela comprados e vendidos. Havia também pequenas propriedades, de importância relativamente pequena. Sobretudo em Fars, a terra de origem dos persas, onde nos primeiros anos do Império não havia imposição de tributos, os camponeses eram proprietários das terras que trabalhavam.

Havia uma abundância de manufaturas. Têxteis, artefatos de madeira, de bronze, objetos preciosos de metal, jóias e cosméticos eram produzidos por servos, nas grandes propriedades rurais, e nas cidades por artesãos livres. O império promovia o desenvolvimento econômico abrindo oportunidades para o comércio com outros países e entre as províncias. Navegadores gregos, fenícios e árabes intercambiavam ativamente mercadorias procedentes da Índia, do golfo Pérsico, da Babilônia e do Egito. Os persas reativaram as atividades bancárias, que na Mesopotâmia tinham existido desde o segundo milênio a.e.c., sofrendo contudo um retrocesso devido aos invasores do princípio da Idade do Ferro. Os bancos faziam empréstimos, aceitavam depósitos, arranjavam investimentos e penhores. Mantinham contas correntes, com dinheiro que podia ser retirado mediante uma espécie de cheque.

Durante o período aquemênida houve uma primeira tentativa de organizar uma economia em escala nacional. Os impostos eram recolhidos por intermédio das satrapias, proporcionando recursos para custear os tribunais, o exército, as obras públicas e a administração do Estado. No coração do Império, os templos e as grandes propriedades continuavam a ser o centro da vida econômica. O Estado procurava proteger os trabalhadores regulamentando os salários, como revelam as tábuas elamitas de Persépolis. Valores monetários eram atribuídos aos bens mais comuns de modo que, mesmo se o seu pagamento fosse feito em produtos, o preço seria o mesmo. O departamento imperial de obras públicas empregava trabalhadores vindos de todas as partes do império e até mesmo de outros países.

Uma das principais atribuições dos sátrapas era a arrecadação de impostos. Estes eram taxados de acordo com as possibilidades das satrapias e podiam ser pagos quer em metal precioso quer in natura. Anualmente era enviado para Susa uma soma fabulosa, parte da qual era entesourada, o que impedia naturalmente que tais riquezas se tomassem produtivas. Tal fato explica que Alexandre pudesse encontrar somas espantosas conservadas no tesouro dos reis persas.

Para facilitar as transações comerciais, Dario, a exemplo do que era feito na Lídia, fez com que se cunhassem moedas de ouro, os famosos "dáricos", nos quais os Aquemênidas são representados na atitude de um arqueiro, com um joelho em terra.

O comércio era praticado, em sua maior parte, por estrangeiros (babilônios, fenícios & judeus), pois os persas davam preferência às atividades agrícolas. Como não existisse praticamente indústria entre os persas, o comércio devia suprir as necessidades da população. Através das estradas passavam as caravanas de comerciantes. Susa era um centro comercial importante para onde convergiam as riquezas do Ocidente e do longínquo Oriente. De Susa a Sardes uma caravana levava noventa dias, mas Os correios reais percorriam o mesmo trajeto em apenas uma semana.

No distante Pendjab, Dario procurou restaurar a vida econômica. Enviou o grego Scyllax com a finalidade de descobrir em que mar desembocava o Indus. Na foz desse rio fundou um porto e o mesmo Scyllax foi encarregado de conduzir uma frota do Golfo Pérsico ate o Mar Vermelho. Após trinta meses de navegação, o almirante grego chegou ao termo de sua viagem. Tal empreendimento levou Dario a ordenar que se completasse ou que se reabrisse o canal que ligava o Nilo ao Mar Vermelho, permitindo a passagem das embarcações do Mediterrâneo para o Mar Vermelho e daí a continuação da viagem ate a Índia ou mais além. Pirenne assim comenta as consequências desse ato de Dario: Doravante a Mesopotâmia não seria mais a grande via do Ocidente para as Índias. O mar iria destronar a terra. O Egito iria ser chamado a desempenhar o papel que tinha dado, até então, sua imensa prosperidade a Babilônia. A sorte do Egito estava fixada: tornava-se o ponto de junção do Ocidente e do Oriente. Dois séculos seriam suficientes para realizar esta profunda revolução na vida econômica do mundo; devia ter como consequências a decadência da Mesopotâmia e o advento do Império Romano.

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Período Parta

Os partas mantiveram o ativo sistema comercial do Irã. Suas boas estradas eram bem mantidas, soldados protegiam as caravanas e o intercâmbio comercial era estimulado - tanto o comércio local como aquele entre o Ocidente e o Oriente. Por exemplo: a cavalaria parta usava armas feitas de aço fabricado na China.

A agricultura persa era dominada pelas grandes propriedades da nobreza. Para todos os fins os camponeses perdiam sua liberdade, pois o país estava dividido entre terras estatais e grandes propriedades. Durante o período helenista declinou o progresso nas ciências agrícolas, mas houve um desenvolvimento da criação de animais domésticos. Nas cidades, costumes liberais facilitavam as condições dos escravos; gregos e iranianos continuaram a misturar-se - uma politica iniciada por Alexandre. As classes sociais se distinguiam pelos seus recursos, e o grego era a língua civilizada por excelência.

Roma e os partas sustentaram o seu conflito tradicional - os romanos pressionando na direção do leste, os partas no sentido contrário. A fronteira era o rio Eufrates, e o Irã foi vitorioso depois de uma longa luta, e de vários ataques pelos nômades setentrionais. A capacidade de resistência a Roma e aos nômades desenvolveu um novo espirito nacional que, mais tarde, seria desenvolvido com os sassânidas. Foi esse espirito que protegeu o mundo civilizado da Ásia Ocidental dos bárbaros vindos do norte.

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Período Sassânida

A Pérsia sassânida tinha uma estrutura social rígida, com o rei no topo e três camadas de aristocracia. A primeira era a dos vassalos, príncipes de importância variada que mantinham seus tronos em troca do reconhecimento da autoridade central do monarca. Esse estrato incluía também os príncipes de sangue real, incumbidos pelo soberano de governar as maiores províncias. Os principados locais declinaram gradualmente, embora representassem a defesa externa do Império.

Uma segunda camada da aristocracia era composta pelos chefes das sete grandes famílias, numero que se manteve ao longo dos séculos desde a época dos aquemênidas. Esta era uma fonte de conflito continuo entre o poder central e os senhores feudais. Suas províncias deviam pagar tributos a esses aristocratas, além dos pagos ao rei, e estavam obrigadas a ceder seus próprios soldados para a defesa da Coroa.

A pequena nobreza, que incluía os ministros e outras altas autoridades, formava o terceiro nível da aristocracia: uma classe em crescimento que representava um contrapeso em relação aos senhores feudais. Abaixo estavam os "homens livres", a nobreza que detinha pequena propriedade e os chefes das aldeias, que proporcionavam um vínculo entre os camponeses e os funcionários imperiais. Abaixo da aristocracia, ou talvez em paralelo, figurava a instituição religiosa, com uma hierarquia própria.

No nível mais baixo da sociedade estavam os camponeses e artesãos, que formavam a grande massa da população, e embora livres de jure eram de facto servos da terra. O Irã dos sassânidas era uma sociedade agrícola, onde a terra era cultivada por servos, sob o controle do Estado e dos estratos superiores da nobreza. Havia também um comércio bastante ativo, em que a seda chinesa, reexportada para o Ocidente, figurava como o produto mais valioso.

Os iranianos desenvolveram práticas bancárias, usando extensamente o equivalente das letras de câmbio. Iranianos e judeus operavam uma rede de bancos que apoiava o importante comércio internacional, favorecido pelo Estado e que lhe proporcionava uma renda importante. Era o Estado que mantinha e policiava as estradas, com estações de repouso e abrigos para caravanas, fornecimento de água e construção de canais. Havia alguns monopólios, e o mais importante era o da seda crua adquirida na China, e tecida também na Síria e em Bizâncio; os sassânidas criaram uma indústria rival no seu território, com oficinas em Susa, Gundeshapur e Shushtar.

Palavras e significados
Referências Bibliográficas

BRAUDEL Fernand Les Memoires de la Mediterranée: Ed. Fallois Paris, 1998;

COOGAN M. D., ed. Oxford History of the Biblical World: New York, Oxford University Press, 1998;

RORTY Richard Truth and Progress - Philosophical Papers: Cambridge University Press, 1990.

26 Textos publicados
Civilização Persa
Civilização Persa | Artes
Arte Persa
A arte aquemênida era uma arte cortesã, representando o monarca e os grandes chefes; mas os aquemênidas gostavam da arte grega, e utilizavam artistas e operários jônicos, trazendo também muitas estátuas da Grécia. Os artesãos persas produziam belas peças de bronze, mas fundamentalmente a arte persa se inspirava em outras fontes: a Babilônia, o Egito e a Jônia. Essa arte alcançou o seu auge com Dario, mas sua falta de originalidade a manteve inalterada até o fim. Como a última fase da arte parta
Civilização Persa | Administração
Estrutura Administrativa Persa
O Grande Vizir ou Primeiro-ministro chefiava o governo sassânida, controlando-o em nome do rei e de acordo com as suas instruções. Chefiava os ministérios (divans), dirigidos por secretários, administradores competentes, e por vezes era também o comandante do exército. Os principais divans eram: a chancelaria, os departamentos de despachos, de títulos e nomeações, da justiça, da guerra e das finanças. Este último reunia um grande número de contadores, coletores de tributos e agentes. O grosso da
Civilização Persa - Força Militar
Estrutura Militar Persa
Não havia no Império um exército regular. Os nobres eram cavaleiros e guerreiros, dedicados às caçadas e à guerra. Cada senhor feudal tinha seu próprio exército, além dos servos, e em caso de guerra se colocava a serviço do rei. Usando armaduras de ferro (os catafracti), os nobres formavam a cavalaria pesada; os de menor status forneciam a cavalaria ligeira, munida de arco-e-flecha (os sagitari). Usava-se também camelos: na batalha de Carrae participaram um milhar desses. A infantaria, composta
Civilização Elamita - Introdução
Legado dos Elamitas
O Elam tem uma História tem longa, História essa que se insere perfeitamente, desde épocas remotas, no quadro histórico da Mesopotâmia. Entre as civilizações do planalto e as que floresceram nos vales do Tigre e do Eufrates, houve, desde cedo, uma interpenetração cultural, por exemplo, no terreno religioso, artístico, linguístico e gráfico. Susa, politicamente fora da Mesopotâmia como capital do Elam, mas a ela pertencendo geograficamente, constitui um exemplo típico dessa mistura de elementos
Civilização Persa - Direito
Direito Persa
O rei era o supremo juiz, sobretudo em matéria penal. Em matéria civil encontramos, já sob o reinado de Cambises, juízes nomeados pelo soberano. É conhecido o caso de Sesamnés, juiz real condenado a morte por haver recebido dinheiro a fim de pronunciar uma sentença injusta: após sua morte, arrancaram-lhe a pele e forraram com a mesma a cadeira em que costumava sentar para exercer suas funções. Tal punição praticada por ordem de Cambises foi repetida sob Artaxerxes I, que mandou esfolar vivos
Civilização Persa - Religião
Religião Persa
Os persas pré-zoroastrianos cultuavam seus deuses com sacrifícios de sangue que deviam ser ministrados pelos Magos, uma fraternidade, provavelmente de origem meda, que detinha certos privilégios políticos e religiosos. Além de conduzir as cerimônias religiosas e os sacrifícios, os outros deveres importantes dos Magos eram manter aceso o fogo sagrado, fazer predições com o auxílio da haoma, uma bebida inebriante e, com base nos bons e maus presságios, presidir os ritos funerários, que consistiam
Civilização Persa - Cotidiano
Língua Persa
O Império Aquemênida englobava muitos povos diferentes, e havia uma variedade correspondente de línguas locais. Três delas eram usadas amplamente em toda a Pérsia: o antigo persa, idioma iraniano originado no sudoeste do Irã e considerado língua oficial; o elamita, usado com frequência porque a maioria dos escribas tinha essa etnia; e o aramaico, que se tornou aos poucos a língua franca não só da Pérsia mas de todo o antigo Oriente Médio. O persa e o elamita eram escritos em cuneiforme; o aramai
Civilização Persa - Economia
Economia Persa
Os iranianos desenvolveram práticas bancárias, usando extensamente o equivalente das letras de câmbio. Iranianos e judeus operavam uma rede de bancos que apoiava o importante comércio internacional, favorecido pelo Estado e que lhe proporcionava uma renda importante. Era o Estado que mantinha e policiava as estradas, com estações de repouso e abrigos para caravanas, fornecimento de água e construção de canais. Havia alguns monopólios, e o mais importante era o da seda crua adquirida na China, e
Civilização Persa - Introdução
A Civilização Persa
Durante mil anos houve uma continuidade básica das condições em que vivia a população. No entanto, certas práticas sociais e administrativas, adotadas no período Aquemênida na era helenística, só persistiram no campo, já que as características principais das sociedades helenísticas se manifestaram apenas na cultura urbana e nas formas urbanas de governo. A fase parta, embora ainda influenciada pela helenística que a precedeu, restaurou elementos da tradição aquemênida original e preparou os
Neolítico - Introdução
Da Proto-história à história
O Oriente Próximo é uma das primeiras regiões do mundo com manifestações do neolítico, descobertas em Karim, Shahir e Shanidar. Aldeamentos neolíticos plenamente desenvolvidos, do fim do oitavo milênio a.e.c., foram encontrados perto das montanhas Zagros, em Jarme, Sarab, All Kosh superior e Guran superior. Por volta do ano 6OOO a.e.c. a lavoura em torno das aldeias, com padrões sofisticados, se havia difundido por boa parte do planalto iraniano e na planície do Cusistão. A fase neolítica do Irã
Civilização Persa - Geografia
Dimensões do Império persa
A antiga civilização persa se originou no planalto iraniano, de onde se irradiou para o oeste até o vale da Mesopotâmia; para o leste até os rios Oxus e Indus. Ao norte, chegou ate o Cáspio e o mar Negro, e ao sul ate o Mediterrâneo, o deserto núbio, ao sul do Egito, o deserto da Arábia e o golfo Pérsico. Ao longo do eixo que vai do mar Cáspio ao golfo Pérsico, a cadeia de Elburz marca a fronteira setentrional, com seu pico mais elevado, o monte Demavend, de mais de 5.6OO metros. As montanhas do
Civilização Persa - Fontes
Fontes para o estudo da Pérsia
Desde 1897, uma expedição francesa explora as ruinas de Susa. Essas explorações revelaram a existência de diferentes níveis culturais entre os quais figuram as necrópoles elamitas. Em Tepe Sialk, perto de Kashan, em pleno planalto iraniano, o arqueólogo francês Roman Ghirshman, a partir de 1933, reconstituiu a vida de uma cidade desde suas primeiras instalações sedentárias sobre o planalto até os primeiros séculos do milênio que precedeu a era cristã. Em Tepe Giyan, nas proximidades de Nehavend
Civilização Lídia - Introdução
Legado cultural lídio
A penetração dos gregos no reino lídio, atraídos certamente pela magia do ouro abundante, fez com que os mesmos aproveitassem também o legado cultural. Tomaram eles mais do que os tesouros: a Lídia, bem próxima de suas cidades da Ásia, foi certamente, um dos caminhos, e indubitavelmente o principal, pelo qual entraram em contato com o Oriente. Técnicas artesanais e artísticas, idéias e práticas religiosas, temas míticos, observações cientificas: bem pesada foi a soma do seus empréstimos. Isto
Civilização Lídia - Religião
Religião Lídia
A religião dos lídios apresenta semelhança com a religião de outros povos da Ásia Menor, como v.g., no que diz respeito ao culto da natureza. Entre as principais divindades figuravam Medeus, Cibele e Atis. Cibele era a grande deusa da Frigia, chamada também a mão dos deuses, venerada na Grécia e, mais tarde em Roma. Atis era igualmente um deus frigio cujo culto atrairia, séculos depois, as multidões em Roma. No culta às divindades, a música desempenhava importante papel;a prostituição das jovens
Civilização Lídia - Artes
Arte Lídia
Heródoto dá-nos uma descrição do túmulo de Aliates, pai de Creso: Porém uma obra oferece o solo da Lídia de maior grandeza, com exceção das obras do Egito e da Babilônia. É o sepulcro de Aliates, pai de Creso, com uma base de grandes pedras que é uma verdadeira colina. Fizeram-na os mercadores, os artesãos e as prostitutas. Em meu tempo havia ainda colunas de monumento, em número de cinco nas quais se encontravam gravadas inscrições indicando a parte do monomonto que cada um havia edificado
Civilização Lídia - Cotidiano
Língua e escrita Lídia
O idioma lídio, que pode ser estudado graças a uma inscrição bilíngue lídio-aramaica, classifica-se entre as línguas asiânicas. A escrita usada polos lídios era alfabética, sendo que a maior parte de suas 26 letras provem do grego. Os lídios escreviam normalmente da direita para a esquerda mas, às vezos, também em sentido contrário. Ao que parece, as frequentes relações entre o reino da Lídia e Delfos tiveram influência na origem do alfabeto lídio, de um alfabeto lídio, de um alfabeto ocidental
Civilização Lídia - Economia
Economia Lídia
Um rápido estudo da sociedade Lídia revela-nos a existência de uma nobreza territorial que residia em casas rurais que os gregos denominavam -torres- e que se assemelhavam a castelos fortificados por vezes imensamente ricos a ponto de fascinarem o rei persa Xerxes. Ao lado dessa aristocracia encontramos nas cidades uma florescente burguesia composta de banqueiros e negociantes; acrescentamos os artesãos e ainda os rudes habitantes das montanhas entre os quais se recrutavam os caravaneiros e os
Civilização Lídia - Introdução
História da Lídia
Heródoto menciona a existência de trinta reis que haviam reinado em Sardes antes dos persas, e que se distribuíam em três dinastias da seguinte maneira: quatro à dinastia dos Atíadas, vinte e dois a dos Heráclidas e quatro a dos Mérmnadas. Vamos começar esta breve exposição da História politica da Lídia com Giges que, auxiliado por mercenários de Milasa e pelo dinheiro de Efeso, destronou e matou Candaules, o último soberano da dinastia dos Heráclidas. Giges (687-652 a.e.c.) deu a seu reino o
Civilização Lídia - Cotidiano
O povo lídio
A Lídia antiga estava situada no oeste da Ásia Menor e limitava-se ao norte pela Misia, a leste pela Frigia, ao sul pela Cária e a oeste polo Mar Egeu. Já os antigos celebravam a riqueza dessa região: Os lídios, assegurava Aristágoras, o milesiano, habitam um excelente pais e possuem uma imensa quantidade de prata. A fertilidade de suas terras, apesar do flagelo das secas, o ouro das areias do Pactolo, o rio do Sardes, e a produtividade das minas de suas montanhas tornavam a Lídia uma região
Civilização Lídia - Introdução
Introdução ao estudo dos lídios
No mosaico de povos que habitaram outrora a Asia Menor, os lídios ocupam um lugar proeminente não tanto pela duração de sua História politica, mas sobretudo pelas estreitas relações que mantiveram com os gregos. Entre ambos os povos houve uma reciproca e importante influência. Para aquilatarmos o valor do intercâmbio entre essas duas civilizações, lembremos, por ora, que os lídios foram os herdeiros da civilização hitita e, portanto, desempenharam o papel de transmissores ao Ocidente de um
Civilização Meda - Introdução
História dos Medos
Nos pedidos de oráculos feitos por Assarhaddon da Assíria ao deus Shamash transparece o receio provocado pela ameaça dos citas, cimérios e medos. Segundo Heródoto, os medos estavam divididos em tribos que foram unificadas definitivamente por Déjoces (722 a.e.c.?), escolhido como rei por seus compatriotas. O novo soberano escolheu a cidade de Hamadã (chamada Ecbátana pelos gregos) para sede do governo. A nova capital foi cuidadosamente fortificada com sete muralhas concêntricas e de alturas
Civilização Elamita - Religião
Religião Elamita
Na época do grande conquistador Sbilhak-Inshushinak, Inshushinak, outrora simples deus local de Susa, tornou-se a divindade suprema do reino elamita, com grande número de templos espalhados em diversas localidades. Quando Assurbanipal devastou o Elam mandou retirar as estátuas de inúmeras divindades as quais os reis elamitas rendiam culto e transportá-las para a Mesopotâmia em companhia de seus sacerdotes e objetos de culto. Pela primeira vez na História, a estátua de Inshushinak foi levada para
Civilização Elamita - Artes
Arte Elamita
Apesar da inevitável influência dos sumérios e acadianos, a arte Elamita apresenta mesmo assim traços de originalidade. Na metade do segundo milênio assinalamos o elevado grau de perfeição atingido pelos trabalhos executados em metal, como, por exemplo, vasos de bronze, etc. O artista elamita usava para a ornamentação figuras geométricas, plantas, animais, cenas de caças, etc. O gosto do maravilhoso se traduz na composição de animais fantásticos, como o leão alado, a águia metade ave e metade
Civilização Elamita - Direito
Direito Elamita
Encontramos documentos relativos ao direito familiar os quais nos instruem sobre o casamento, a adoção (o adotante faz doação dos seus bens ao adotado dentro dos limites impostos pela lei, mas não adquire direito sobre os bens anteriormente possuídos pelo mesmo), as doações de bens imóveis (existem doações gravadas com encargos especiais como, por exemplo, a filha beneficiada deveria alimentar o pai), partição de bens feita pelos pais ainda vivos entre seus herdeiros, etc.
Civilização Elamita - Economia
Economia Elamita
Um estudo das fontes arqueológicas relativas à época dos altos comissários revela-nos a existência de intensa atividade econômica que abrangia trabalhos de irrigação para a obtenção de melhor produção agrícola, construção de canais e de pontes para facilitar o transporte da mesma. Centenas de tabuinhas da época da influência acadiana em Susa dão-nos conta da divisão do trabalho entre grande número de profissões e da existência de textos de contabilidade que nos informam sobre a remuneração dos
Civilização Elamita - Introdução
História do Elam
A História guardou o nome de diversos reis dessa cidade. Assim, por exemplo, Idaddu I, interessante personagem que fez um verdadeiro cursus honorum desde simples ishakku de Susa a shakkanakku do Elam, e, finalmente, rei de Simash. Tan-Ruhuratir, filho do precedente, começou também sua carreira como ishakku de Susa; é interessante notar sua aliança matrimonial com Mekubi, filha de Bilalama, rei de Eshnunna. Idaddu II, décimo rei da dinastia, fora também ishakku de Susa e deixou nessa cidade a
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ULTIMAS ATUALIZAÇOES
História
O casamento romano e os costumes no século de ouro
É impossível saber, como é natural, o que foi a realidade diária do casamento durante os primeiros tempos de Roma. Relatos dignos de fé apenas começam a lançar alguma luz sobre este domínio, como sobre outros, a partir do século III a.e.c. e. ainda assim, trata-se geralmente de testemunhos que se referem apenas a famílias da aristocracia. Nas diver­sas classes sociais, e quando não se seguiam as tradições patriarcais, a situação real devia apresentar diferenças consideráveis. Todavia, a partir da unificação da cidade, quando patrícios e plebeus passaram a gozar sensivelmente dos mesmos privilégios, as tradições dos primeiros pare­cem ter exercido uma espécie de atração sobre os costumes das famílias dos segundos. Por outro lado, segundo pensamos, as principais diferen­ças, a partir do século III, ocorrem mais em função da fortuna e da res­ponsabilidade política do que de qualquer outro fator. A cidade é go­vernada, nessa altura, por um regime estritamente oligárquico: há as fa­mílias cujos homens se sentam no Senado, assumindo, a intervalos regu­lares, as grandes magistraturas do Estado, e há a massa dos outros cida­dãos, que só vão às assembleias para legitimar as decisões preparadas pelos senadores e eleger os candidatos que lhes são propostos e que escolhem de acordo com o prestígio dos homens que se apresentam como seus garantes. No resto do tempo, são “clientes” destes grandes senho­res. Naturalmente, o casamento não tem a mesma importância para uns e para outros. Temos muito pouca informação sobre a maneira como estas uniões se realizavam na massa do povo, temos um pouco mais quando se trata das outras classes.
Mitologia
Os oito presságios de Montezuma
Os dez anos que antecederam a chegada dos espanhóis ao México foram férteis de maus presságios, suficientes para ins­talar o pânico na alma de Montezuma, o último soberano inde­pendente dos astecas. Bernardino de Sahagún reproduziu no Códice Florentino os oito presságios: Primeiro presságio: “línguas de fogo” cortaram os céus de Tenochtitlán, vindas do oriente. Largas na base e estreitas na ponta, elas assemelhavam-se a um cometa. O espetáculo impressionante começava à meia-noite e se estendia até o amanhecer, quando as chamas desapareciam sem deixar rastro. As pessoas assustadas "se daban palmadas en los lábios”, ao mesmo tempo em que lançavam gritos de medo e apreensão. Em outras fontes se dão outras formas à língua de fogo, tais como uma mixpantli (“ban­deira de nuvens”), uma coluna de pedra, uma planta incandescida no alto de uma montanha, à maneira da "sarça ardente” bíblica, e até mesmo uma pirâmide de fogo - prodígios mais próprios do Apocalipse de São João que da mentalidade local indígena. Segundo presságio: o segundo presságio ocorreu sob a forma do incêndio do santuário de Huitzilopochtli, no Templo Maior. Em uma época em que os deuses eram tudo, qualquer incidente ocorrido em um templo virava necessariamente um presságio, normalmente funesto. Sahagún diz que "por sua própria conta” o santuário incendiou-se. Quando tentaram apagar o fogo, lan­çando-lhe água, em vez de se apagarem as flamas reavivaram-se ainda mais. “Del todo ardió”, diz o frade.
História
O casamento romano no período arcáico
Historiadores e poetas afirmam que o casamento foi, durante muitos séculos, uma das instituições mais sólidas e respeitadas da cidade roma­na. Rivalizam no elogio da pureza dos costumes antigos, do tempo em que uma mulher que tivesse ficado viúva não mais consentiria em voltar a casar, em que, por maioria de razão, nunca se levantava a questão do divórcio. Pelo contrário, lamentam o relaxamento progressivo de uma relação que, durante o Império, se tornara de uma extrema fragilidade, enquanto nos bons velhos tempos o seu respeito era considerado a garantia mais firme da grandeza romana e a marca mais incontroversa de uma saúde moral a toda prova. Hoje ainda, muitos historiadores fazem-se eco destas queixas, considerando que uma das razões profundas da decadência de Roma reside no abandono deste velho ideal por onde se orientaram anteriormente os severos camponeses do Lácio. Antes de nos interrogarmos por que razão o casamento romano per­deu a sua solidez ao longo do tempo, convém, decerto, examinar a pró­pria instituição. A instituição do casamento é uma daquelas a que os juristas romanos não só dispensaram maior cuidado, mas também a que se dedicaram a definir e fixar com a mais extraordinária minúcia as consequências legais. O conjunto dos textos que a ela se referem ocupa um lugar considerável nas compilações jurídicas, o que prova a impor­tância atribuída a um ato de que esperavam, em primeiro lugar, a sobre­vivência, mas também, e talvez mais ainda, a estabilidade do Estado.
Mitologia
A infância de Lancelot
Liberal e magnifico, o rei Artur distribuía benefícios e pre­sentes a todos os seus súditos. Seu poder e sua fama eram gran­des. No entanto, ele se via constantemente obrigado a combater seus vizinhos, os saxões. os pictos e os scots. Artur triunfava sem­pre, graças a seus cavaleiros, entre os quais alguns se sentavam em torno da Távola Redonda, em que havia um lugar vago, reser­vado para quem conseguisse reconquistar o Graal. Aqueles eram tempos de grandes aventuras. Onde havia pe­rigo, viam-se cavaleiros em suas montarias, desafiando os traidores, protegendo os fracos, recuperando os bons sentimentos dos maus. Certo dia, o rei Artur passeava por Camalot e ficou sabendo que um gigante estava devastando a Pequena Bretanha. Ninguém via o monstro, e dizia-se que ele se escondia em um rochedo cer­cado pelo mar. É o atual monte Saint-Michel, na França. Quando menos se esperava, o tal monstro chegava aterrorizando os habi­tantes da região, que acabaram indo se esconder nas florestas. O rei então chamou seu senescal.
Mitologia
O príncipe predestinado
Havia em tempos um rei do Egito que não tinha um filho e herdeiro. Então sua majestade (vida, força e saúde) pediu aos deuses do seu tempo que lhe dessem um. Os deuses resolveram conceder-lhe o que ele tanto desejava, e ele dormiu, nessa noite, com sua esposa, e esta ficou grávida. Quando a mulher cumpriu os meses do nascimento deu à luz um rapaz. Ao seu nascimento assistiram as [Sete] Hathores, que se reuniram em volta do pequeno príncipe para lhe preverem o futuro. Então as Hathores disseram: «Nasceu em um mau dia, mau, mau, mau. Morrerá por causa de um crocodilo! E se não for por um crocodilo, será por causa de uma serpente! E se não morrer por causa do crocodilo nem por causa da serpente, será com certeza por causa de um cão!»