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Civilização Persa - Idade Antiga - Antiguidade Oriental
 
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Período Aquemênida | Período Parta | Período Sassânida

 

Período Aquemênida

A economia do império Persa era próspera e saudável. As províncias eram administradas de forma razoável, mediante a combinação de normas gerais com práticas locais. Havia um sistema legal uniforme, que antecipava o conceito romano de uma lei universal, e que incorporava os costumes de cada lugar. As atividades econômicas eram beneficiadas por uma rede de estradas e rotas marítimas, um sistema equilibrado de tributação, um influxo significativo de ouro e um sistema monetário bimetálico que Creso introduzira inicialmente na Lídia. Os salários eram pagos originalmente em produtos - carne, cevada, trigo, vinho - e mais tarde em dinheiro. Em menos de meio século o dinheiro substituiu quase inteiramente os pagamentos em bens.

Em todo o país foram construídos canais, estradas e ganats (canais subterrâneos) para a irrigação das regiões áridas do país. Uma politica agrícola racional, destinada a melhorar o bem-estar do povo, possibilitava a aclimatação de muitas sementes e mudas de árvores, plantas, cereais e animais domésticos trazidos de diferentes partes do império. As florestas eram também usadas de forma racional, e em todo o império os minérios eram explorados extensamente.

A produção agrícola estava centralizada em grandes propriedades. Além de prisioneiros de guerra, o trabalho era executado por servos vinculados a terra, sendo com ela comprados e vendidos. Havia também pequenas propriedades, de importância relativamente pequena. Sobretudo em Fars, a terra de origem dos persas, onde nos primeiros anos do Império não havia imposição de tributos, os camponeses eram proprietários das terras que trabalhavam.

Havia uma abundância de manufaturas. Têxteis, artefatos de madeira, de bronze, objetos preciosos de metal, jóias e cosméticos eram produzidos por servos, nas grandes propriedades rurais, e nas cidades por artesãos livres. O império promovia o desenvolvimento econômico abrindo oportunidades para o comércio com outros países e entre as províncias. Navegadores gregos, fenícios e árabes intercambiavam ativamente mercadorias procedentes da Índia, do golfo Pérsico, da Babilônia e do Egito. Os persas reativaram as atividades bancárias, que na Mesopotâmia tinham existido desde o segundo milênio a.e.c., sofrendo contudo um retrocesso devido aos invasores do princípio da Idade do Ferro. Os bancos faziam empréstimos, aceitavam depósitos, arranjavam investimentos e penhores. Mantinham contas correntes, com dinheiro que podia ser retirado mediante uma espécie de cheque.

Durante o período aquemênida houve uma primeira tentativa de organizar uma economia em escala nacional. Os impostos eram recolhidos por intermédio das satrapias, proporcionando recursos para custear os tribunais, o exército, as obras públicas e a administração do Estado. No coração do Império, os templos e as grandes propriedades continuavam a ser o centro da vida econômica. O Estado procurava proteger os trabalhadores regulamentando os salários, como revelam as tábuas elamitas de Persépolis. Valores monetários eram atribuídos aos bens mais comuns de modo que, mesmo se o seu pagamento fosse feito em produtos, o preço seria o mesmo. O departamento imperial de obras públicas empregava trabalhadores vindos de todas as partes do império e até mesmo de outros países.

Uma das principais atribuições dos sátrapas era a arrecadação de impostos. Estes eram taxados de acordo com as possibilidades das satrapias e podiam ser pagos quer em metal precioso quer in natura. Anualmente era enviado para Susa uma soma fabulosa, parte da qual era entesourada, o que impedia naturalmente que tais riquezas se tomassem produtivas. Tal fato explica que Alexandre pudesse encontrar somas espantosas conservadas no tesouro dos reis persas.

Para facilitar as transações comerciais, Dario, a exemplo do que era feito na Lídia, fez com que se cunhassem moedas de ouro, os famosos "dáricos", nos quais os Aquemênidas são representados na atitude de um arqueiro, com um joelho em terra.

O comércio era praticado, em sua maior parte, por estrangeiros (babilônios, fenícios & judeus), pois os persas davam preferência às atividades agrícolas. Como não existisse praticamente indústria entre os persas, o comércio devia suprir as necessidades da população. Através das estradas passavam as caravanas de comerciantes. Susa era um centro comercial importante para onde convergiam as riquezas do Ocidente e do longínquo Oriente. De Susa a Sardes uma caravana levava noventa dias, mas Os correios reais percorriam o mesmo trajeto em apenas uma semana.

No distante Pendjab, Dario procurou restaurar a vida econômica. Enviou o grego Scyllax com a finalidade de descobrir em que mar desembocava o Indus. Na foz desse rio fundou um porto e o mesmo Scyllax foi encarregado de conduzir uma frota do Golfo Pérsico ate o Mar Vermelho. Após trinta meses de navegação, o almirante grego chegou ao termo de sua viagem. Tal empreendimento levou Dario a ordenar que se completasse ou que se reabrisse o canal que ligava o Nilo ao Mar Vermelho, permitindo a passagem das embarcações do Mediterrâneo para o Mar Vermelho e daí a continuação da viagem ate a Índia ou mais além. Pirenne assim comenta as consequências desse ato de Dario: Doravante a Mesopotâmia não seria mais a grande via do Ocidente para as Índias. O mar iria destronar a terra. O Egito iria ser chamado a desempenhar o papel que tinha dado, até então, sua imensa prosperidade a Babilônia. A sorte do Egito estava fixada: tornava-se o ponto de junção do Ocidente e do Oriente. Dois séculos seriam suficientes para realizar esta profunda revolução na vida econômica do mundo; devia ter como consequências a decadência da Mesopotâmia e o advento do Império Romano.

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Período Parta

Os partas mantiveram o ativo sistema comercial do Irã. Suas boas estradas eram bem mantidas, soldados protegiam as caravanas e o intercâmbio comercial era estimulado - tanto o comércio local como aquele entre o Ocidente e o Oriente. Por exemplo: a cavalaria parta usava armas feitas de aço fabricado na China.

A agricultura persa era dominada pelas grandes propriedades da nobreza. Para todos os fins os camponeses perdiam sua liberdade, pois o país estava dividido entre terras estatais e grandes propriedades. Durante o período helenista declinou o progresso nas ciências agrícolas, mas houve um desenvolvimento da criação de animais domésticos. Nas cidades, costumes liberais facilitavam as condições dos escravos; gregos e iranianos continuaram a misturar-se - uma politica iniciada por Alexandre. As classes sociais se distinguiam pelos seus recursos, e o grego era a língua civilizada por excelência.

Roma e os partas sustentaram o seu conflito tradicional - os romanos pressionando na direção do leste, os partas no sentido contrário. A fronteira era o rio Eufrates, e o Irã foi vitorioso depois de uma longa luta, e de vários ataques pelos nômades setentrionais. A capacidade de resistência a Roma e aos nômades desenvolveu um novo espirito nacional que, mais tarde, seria desenvolvido com os sassânidas. Foi esse espirito que protegeu o mundo civilizado da Ásia Ocidental dos bárbaros vindos do norte.

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Período Sassânida

A Pérsia sassânida tinha uma estrutura social rígida, com o rei no topo e três camadas de aristocracia. A primeira era a dos vassalos, príncipes de importância variada que mantinham seus tronos em troca do reconhecimento da autoridade central do monarca. Esse estrato incluía também os príncipes de sangue real, incumbidos pelo soberano de governar as maiores províncias. Os principados locais declinaram gradualmente, embora representassem a defesa externa do Império.

Uma segunda camada da aristocracia era composta pelos chefes das sete grandes famílias, numero que se manteve ao longo dos séculos desde a época dos aquemênidas. Esta era uma fonte de conflito continuo entre o poder central e os senhores feudais. Suas províncias deviam pagar tributos a esses aristocratas, além dos pagos ao rei, e estavam obrigadas a ceder seus próprios soldados para a defesa da Coroa.

A pequena nobreza, que incluía os ministros e outras altas autoridades, formava o terceiro nível da aristocracia: uma classe em crescimento que representava um contrapeso em relação aos senhores feudais. Abaixo estavam os "homens livres", a nobreza que detinha pequena propriedade e os chefes das aldeias, que proporcionavam um vínculo entre os camponeses e os funcionários imperiais. Abaixo da aristocracia, ou talvez em paralelo, figurava a instituição religiosa, com uma hierarquia própria.

No nível mais baixo da sociedade estavam os camponeses e artesãos, que formavam a grande massa da população, e embora livres de jure eram de facto servos da terra. O Irã dos sassânidas era uma sociedade agrícola, onde a terra era cultivada por servos, sob o controle do Estado e dos estratos superiores da nobreza. Havia também um comércio bastante ativo, em que a seda chinesa, reexportada para o Ocidente, figurava como o produto mais valioso.

Os iranianos desenvolveram práticas bancárias, usando extensamente o equivalente das letras de câmbio. Iranianos e judeus operavam uma rede de bancos que apoiava o importante comércio internacional, favorecido pelo Estado e que lhe proporcionava uma renda importante. Era o Estado que mantinha e policiava as estradas, com estações de repouso e abrigos para caravanas, fornecimento de água e construção de canais. Havia alguns monopólios, e o mais importante era o da seda crua adquirida na China, e tecida também na Síria e em Bizâncio; os sassânidas criaram uma indústria rival no seu território, com oficinas em Susa, Gundeshapur e Shushtar.

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Referências Bibliográficas

BRAUDEL Fernand Les Memoires de la Mediterranée: Ed. Fallois Paris, 1998;

COOGAN M. D., ed. Oxford History of the Biblical World: New York, Oxford University Press, 1998;

RORTY Richard Truth and Progress - Philosophical Papers: Cambridge University Press, 1990.

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História
20/10/2014 | 01:39h
A União Soviética na Segunda Guerra Mundial
Logo desde o início, a liderança soviética esperava uma invasão mais cedo ou mais tarde. Essa convicção provinha da situação efetiva da União Sovié­tica desde a revolução, da experiência de intervenção e hostilidade de quase todos os outros Estados e também da sua análise do mundo. Afinal, eles esperavam não só um ataque contra o seu próprio país, mas também uma guerra entre as potências ocidentais, e julgavam provável que a guerra no Ocidente viria primeiro. Sua análise do mundo derivava da visão de Lenin do estado mais atual do capitalismo, que ele estimava ser o período do im­perialismo. Ele acreditava que a Primeira Guerra Mundial fora resultado da concentração crescente do capital nas mãos de um pequeno número de enormes empresas e bancos semimonopolistas, o que levava, por sua vez, a uma competição exacerbada por mercados e recursos. O resultado foi a divisão do mundo entre grandes impérios e o desejo dos retardatários nesse processo, a Alemanha em particular, de redividir o mundo. Portanto, mes­mo sem a existência da URSS, outra guerra era inevitável. Stalin e a elite soviética aceitaram essa concepção do mundo sem nenhuma dúvida, e sua própria experiência histórica na Primeira Guerra Mundial, bem como sua observação das diversas rivalidades no mundo após 1918, somente reforça­ram sua convicção. Por outro lado, eles perceberam que as diferenças (“contradições”) entre as potências capitalistas poderiam ser temporariamente ignoradas numa aliança anticomunista ou que uma ou mais potências oci­dentais poderiam ser poderosas o bastante para atacá-los individualmente. Até 1933, a principal ameaça parecia vir do Império Britânico, a potência aparentemente hegemônica da época. O Exército Vermelho formulou seus planos de guerra presumindo que um ataque viria da Polônia e da Romênia com apoio - ou mesmo participação - dos britânicos (e talvez dos franceses). Os acordos militares defacto com a Alemanha de Weimar foram concebidos em part
Psicologia
15/10/2014 | 09:52h
Evolução Filogenética de algumas estruturas do Sistema Nervoso
Neste texto, são abordadas algumas estruturas e sistemas presentes no cérebro dos animais vertebrados para mostrar como diferentes partes e subsistemas do sistema nervoso central se transformaram ao longo da evolução filogenética. Serão apresentadas uma estrutura responsável pela postura, pelo equilíbrio e pelo movimento (cerebelo), outra responsável pela memória e pelo aprendizado (hipocampo), outra pelo processamento complexo das informações (córtex cerebral) e ainda uma outra estrutura recente só presente nos mamíferos placentários, responsável pela integração de informações entre os hemisférios cerebrais (corpo caloso). Por fim, expõem-se aspectos evolutivos de alguns importantes sistemas de transmissão da atividade neuronal dependentes de mecanismos químicos, os chamados neurotransmissores.
História
09/10/2014 | 13:27h
A estabilização do Partido Comunista e os primeiros passos da União Soviética
O fim da guerra civil apresentou à liderança soviética uma série de novos problemas, alguns imediatos e outros a longo prazo. Mesmo os Exércitos Brancos tendo sido derrotados, o descontentamento interno crescia rapidamente, nutrido pela situação econômica catastrófica e pelo ressentimento contra a ditadura do partido. Em 1920, na província de Tambov, na Rússia central, estourou uma grande revolta do campesinato, em grande parte apolítica mas nem por isso menos fervente. Foram necessárias forças importantes do Exército sob o comando de Tukhachevskii para reprimi-la.
Psicologia
08/10/2014 | 10:15h
Qual a função do choro e das lágrimas?
Enquanto tanto já se conhece sobre outros comportamentos, curiosamente pouco se sabe sobre os mecanismos cerebrais do choro, talvez porque ele seja tão facilmente acompanhado de soluços. O problema é que a ressonância magnética funcional, o método mais usado para visualizar dentro do cérebro as estruturas cuja ativação está relacionada com os mais variados comportamentos, exige perfeita imobilidade do voluntário cujo cérebro é estudado. Um pouco de emoção funciona – algo que dê certa tristeza ou coloque um sorriso no rosto, por exemplo. Mas os estímulos usados não podem levar os voluntários a gargalhadas ou a soluços. Portanto, nada de cócegas ou lágrimas.
História
07/10/2014 | 22:52h
Revolução Russa de 1917, distúbios econômicos, políticos e sociais
A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial não foi um acidente. Depois da Guerra Russo-Japonesa, a política externa da Rússia voltou-se para o oeste. Em 1907, a Rússia concluiu um tratado com sua rival de longa data, a Grã-Bretanha, para estabelecer um domínio conjunto sobre o Irã. Os russos tomaram controle da parte setentrional do país até Teerã, e os britânicos do Sul. Esse compromisso pôs fim à competição imperial anglo-russa na Ásia e fez que a Rússia se tornasse um aliado efetivo da Grã-Bretanha, bem como da França. Os únicos inimigos imagináveis eram a Alemanha e a Áustria. O acordo sobre a Pérsia armou o palco para os eventos de 1914, mas foram as rivalidades imperiais nos Bálcãs que proporcionaram a fagulha para a explosão. Ali, a Rússia enfrentava um Império Otomano ressurgente, aliado com a Alemanha e a Áustria, seguidas pela Bulgária. Nesse ponto, o único aliado da Rússia era a diminuta Sérvia, que estava exatamente no caminho da expansão austro-alemã no Sul. Uma série de crises nos Bálcãs nesses anos mostrou repetidamente a fraqueza da Rússia na região: ela não tinha aliados formais além da Sérvia, nem o poder informal derivado dos laços comerciais estabelecidos pelos alemães e austríacos, bem como os franceses e britânicos. Quando Gavrilo Princip assassinou o arquiduque austríaco em Sarajevo em 1914, Viena lançou um ultimato à Sérvia e a Rússia teve de apoiar a resistência sérvia. A credibilidade básica da Rússia estava em jogo, e o resultado foi a guerra. Ela não havia buscado a guerra, mas desviado em direção à crise, tal como estava fazendo em muitas outras áreas.
Psicologia
07/10/2014 | 14:30h
Pelo prisma da ansiedade
Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).
História
03/10/2014 | 00:45h
A Revolução Russa de 1905
O quarto de século do assassinato de Alexandre II até a Revolução de 1905 foi de estagnação política. A reação do novo governo ao assassinato foi interromper o processo de reforma, afirmar publicamente a necessidade da autocracia e formular planos de contrarreformas. Estes últimos não resultaram em nada, mas o governo aproveitou toda possibilidade de bloquear a crítica, a discussão política e a organização entre o público. Apesar de retomar o patrocínio do desenvolvimento econômico nos anos 1890 sob o ministro das Finanças Sergei Witte, ele recusou-se a reconhecer as implicações da modernização continuada da sociedade, que resultava em parte das suas próprias medidas. O isolamento crescente do governo e sua própria falta interna de coordenação levaram a uma tentativa malograda de imperialismo moderno na Manchúria, tentativa que levou a uma guerra malsucedida com o Japão, que quase derrubou a monarquia.
Psicologia
02/10/2014 | 17:43h
Metacognição, pensar sobre o pensamento
Crenças e opiniões moldam nossa vida de maneira surpreendente. O problema é que, muitas vezes, aquilo que pensamos pode dificultar a tomada de decisões saudáveis e trazer bastante sofrimento emocional e físico. Diversas descobertas recentes, porém, sugerem que o treinamento metacognitivo é capaz de ajudar a amenizar transtornos de ansiedade e até reduzir sintomas psicóticos.
História
02/10/2014 | 11:46h
Ucrânia: mãe de todos os conflitos
A destituição do presidente Viktor Ianukovich acarretou, no último mês de março, a ocupação da Crimeia, república autônoma no seio da Ucrânia, por tropas russas. Desde então, os conflitos entre separatistas pró-Rússia no oeste do país e as tropas oficiais se acirraram e, mesmo com a tentativa de estabelecer um plano de paz desde junho, a solução do impasse parece distante. Esses acontecimentos nos fazem lembrar da importância estratégica dessa região (de maioria russófona) para a Rússia. E, como acontece cada vez que as relações entre os dois países se tensionam, ressurge a questão do estatuto da península da Crimeia. Esse episódio lançou luzes também sobre a situação paradoxal da Ucrânia: o país é, alternadamente, periferia da Europa ocidental e barreira defensiva da Rússia. Não é à toa que esse vasto território (603.000 km²) sempre foi disputado por vizinhos poderosos (a Polônia, o grão-ducado da Lituânia, a Rússia...).
Psicologia
02/10/2014 | 09:56h
O que é um psicopata?
O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática. Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.
Psicologia
01/10/2014 | 22:58h
Drogas e doces e o sistema de recompensa
Inúmeras evidências científicas demonstram que o comer compulsivo e o consumo de drogas envolvem circuitos cerebrais com funcionamento semelhante. Essa constatação tem oferecido nova compreensão da obesidade e aberto caminhos para possibilidades de tratamento. Mas, afinal, que circuitos do cérebro são ativados pela adicção - seja de comida ou de substâncias tóxicas?
Psicologia
01/10/2014 | 16:54h
Como ocorre um insight
É provável que o insight mais famoso da história seja a situação que envolve o grito "Eureca!" de Arquimedes. A lenda conta que o antigo matemático grego foi desafiado a descobrir se a coroa que o rei Hieron II de Siracusa havia encomendado era feita de ouro maciço. Enquanto preparava seu banho, Arquimedes descobriu como medir o volume de um objeto e, portanto, sua densidade, depois de perceber o deslocamento da água ao entrar na banheira. Não sabemos se o fato aconteceu mesmo, mas ele permanece na história porque ilustra perfeitamente como ocorre um insight.
Psicologia
29/09/2014 | 10:57h
Como os conceitos de Freud se popularizaram?
Setenta e cinco anos após a morte do psicanalista Sigmund Freud, conceitos e frases que ele criou estão hoje profundamente arraigados na cultura popular. Como o jargão freudiano se popularizou dessa forma? Existe o Freud da literatura médica - o homem barbudo que fundou a psicanálise. O Freud que é constante fonte de debate entre acadêmicos. Depois existe o outro Freud, o Freud da mesa de bar. Aquele que você talvez mencione quando falar de um sonho, ou de um ato falho, ou de alguém que é meio apegado à mãe. Complexo de Édipo. Negação. Id, ego e superego. Libido. Retenção anal. Mecanismo de defesa. Símbolo fálico. Projeção. Não é só a terminologia de Freud que se espalhou pelo léxico popular - o próprio nome Freud virou um adjetivo.
Psicologia
28/09/2014 | 16:41h
A Evolução Filogenética do Hipocampo
O hipocampo é uma pequena estrutura bilateral que, no homem, localiza-se profunda e internamente em relação aos hemisférios cerebrais, na parte medial dos lobos temporais. Tem o formato curvo e, no logo temporal, situa-se acima do giro para-hipocampal, prolongando a extensão do assoalho do corno temporal dos ventrículos laterais. Quando isolado do cérebro, sua forma aparente assemelha-se a de um cavalo-marinho (dai seu nome hippocampus, que é o nome grego do cavalo-marinho; hippos= cavalo; kampos = monstro marrinho.
História
28/09/2014 | 02:18h
O império russo do séc. XIX d.e.c.
As guerras estrangeiras do Império Russo ao longo dos séculos lançaram as bases para a sua expansão, que viria a incluir toda a Eurásia setentrional. É claro que, pelos padrões britânicos, os resultados não eram impressionantes. A maior parte do Império Russo estava na Sibéria, cuja maior parte era composta de floresta aparentemente impenetrável e tundra. As mais novas conquistas da Rússia na Ásia Central tinham população escassa e eram pobres - nada equivalente à índia ou nem mesmo à Birmânia. O Estado resultante incluía extensas áreas de fronteira com populações não russas, que eram na verdade dois impérios - um terrestre tradicional na Europa e uma tentativa de imitação do exemplo britânico na Ásia Central. A oeste e ao sul, as políticas interna e externa estavam inextricavelmente inter-relacionadas.
História
26/09/2014 | 11:48h
A era de ouro da cultura russa
O desenvolvimento da sociedade russa durante a era das reformas afetou profundamente a cultura russa, tanto por mudar o ambiente institucional da cultura como por despertar novos impulsos intelectuais e artísticos. Para quase todas as esferas de pensamento e criação, esse período foi a primeira grande era da cultura russa, e a primeira que levou essa cultura a um público além de suas fronteiras. Nos anos 1880, a Rússia havia se tornado parte do mundo, não somente como potência política fundamental, mas como protagonista das artes e até da ciência.
História
25/09/2014 | 17:12h
A industrialização da Rússia e o nascimento do marxismo
A cidade de São Petersburgo serviu de exemplo quanto à transformação da Rússia nas décadas seguintes à emancipação dos servos. À medida que o século XIX avançava, ela transformou-se de capital administrativa de edi­fícios governamentais e residências aristocráticas com um porto marítimo num centro industrial capital atendido por ferrovias, além do porto em expansão contínua e do antigo sistema de canais.
Psicologia
25/09/2014 | 10:49h
Brincar é coisa séria
Todo mundo sabe: medicamentos tarja preta, comercializados com prescrição médica, são usados principalmente para controlar sofrimentos psíquicos. As pílulas que prometem apaziguar a ansiedade e a depressão são vendidas aos bilhões pela indústria farmacêutica. De fato, em muitos casos, remédio é necessário – mas em outros tantos poderia ser dispensado desde que fossem tomadas outras medidas para aplacar as dores da alma. E o que se espera desses remédios? Que restituam a saúde, tragam alívio, ajam rapidamente e apaziguem a angústia. O documentário brasileiro Tarja branca – A revolução que faltava, produzido pela Maria Farinha Filmes, recorre ao termo “tarja” justamente para apresentar um contraponto – sem efeitos colaterais ou necessidade de receita – como outra saída para lidar com a tristeza e a falta de criatividade, na contramão de um caminho que vem de fora para dentro, em forma de pílulas.
História
22/09/2014 | 11:51h
Século XIX, o século das reformas do Estado Russo
A derrota da Rússia na Guerra da Crimeia causou um tremendo choque po­lítico no país. Não era a proporção da derrota, mas a revelação da fraqueza de um sistema político que prezava seu conservadorismo único no cenário europeu e seu suposto poderio militar, acima de tudo. Foi a autocracia que foi derrotada, ainda mais porque o longo cerco de Sebastopol demonstrou para muitos russos que o Exército ainda tinha espírito para lutar, um espírito coibido pelo atraso da sociedade e do governo. O atraso da Rússia não era somente resultado da evolução lenta da economia e da sociedade sob a tutela do tsar Nicolau. O maior problema era que o mundo estava mudando muito rápido em meados do século XIX, e as mudanças mais rápidas esta­vam acontecendo na Grã-Bretanha, o principal rival imperial da Rússia. As ferrovias estavam transformando a paisagem em toda a Europa Ocidental e nos Estados Unidos, baseando-se em e estimulando a modernização acele­rada da produção de ferro e aço, elevando assim a produção a novas alturas. Além das ferrovias, todos os tipos de máquinas foram criados - máquinas a vapor aprimoradas, equipamento de telégrafo e imensos navios com cas­co metálico.
Psicologia
20/09/2014 | 17:51h
Os Mamíferos, animais de cérebros grandes e complexos
Estima-se que os primeiros mamíferos (os morganucodontídeos oxunegazostro-don) surgiram há cerca de 220 a 200 milhões de anos. Os mamíferos originaram-se de répteis sinapsídeos do grupo dos cinodontes. Estes eram caçadores ativos, com altas taxas metabólicas, heterodontia (dentes com distintas funções) e dentes com raízes e mandíbula com menos ossos do que a média dos répteis. Supõe-se que as linhagens que deram origem aos mamíferos eram de animais noturnos (como os sinapsídeos), o que também se relaciona a uma audição e a um olfato mais desenvolvidos nos mamíferos mais basais. Assim, os primeiros mamíferos teriam surgido no Triássico superior e no Jurássico inferior, sendo animais pequenos (que lembram pequenos ratos), de alimentação carnívora ou insetívora. Os mamíferos apresentaram como novidade evolutiva um método especial de gerar suas crias, que já nascem relativamente maduras e, além disso, de poder alimentá-las, isto é, amamentá-las com leite logo ao nascer.