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Civilização Asteca | Religião
A eternidade da alma Asteca

Existem várias interpretações, segundo a escatologia asteca. Para Alfredo López Austin, a geografia do mundo asteca está dividida em três planos - subterrâneo, terreno e celestial -, todos ligados pela árvore cósmica de Tamoanchán, chamada Xochtlicacín (De Onde Brotam as Flores). O plano subterrâneo, onde estão fincadas as raízes da árvore, se chama Chicnauhmictlín (O Nono Lugar do Inframundo). O plano terrestre, ocupado pelo tronco da árvore, se chama, por sua vez, Tlalticpac (A Superfície da Terra), e se compõe de quatro planos. E, finalmente, onde estão esparramados os galhos mais altos, situa-se o Chicnauhtopin (Os Nove Lugares Celestiais). No começo dos tempos, por dentro do tronco, fluíam as energias do céu e do inframundo, enroscadas, mas não misturadas. Com o pecado dos deuses, entretanto, rompeu-se o tronco e as duas seivas, superior e inferior ou "quente e fria”, segundo a terminologia mítica -, misturaram-se, dando origem ao caos mortífero da vida terrena.

Civilização Asteca | Religião
Os céus e os submundos astecas

Diz a lenda que ele se originou de parte do monstro Cipactli, um crocodilo gigante que foi esquartejado pelos deuses. Parte dele se converteu na Terra e parte no céu, que foi erguido por quatro deuses ou gigantes e sustentado por pilares, a fim de não tornar a se juntar à Terra. Cipactli foi homenageado no calendário mágico (tonalpohualli) como o primeiro dos vinte signos do "zodíaco" asteca. 
Mas que forma passou a possuir a Terra após essa gênese violenta? Jean Marcilly diz que, para os astecas, a Terra é um disco chato, cruzado pelos pontos cardeais, sendo o ponto de confluência de duas pirâmides, cujos vértices principais se tocam. A pirâmide de cima são os céus; a de baixo, os inframundos. A de cima recebe as horas do dia; a de baixo, as horas da noite.
Ao redor do Tlalticpac (Terra) está um rio chamado Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove")

Civilização Asteca | Religião
Os paraísos astecas

Existem duas cosmografias míticas no universo asteca. A primeira é a horizontal delimitada pelos cinco pontos cardeais (o centro também é considerado um deles). Cada qual está associado a um deus e também a uma infinidade e outros atributos, impossíveis de serem enumerados aqui, tal a sua quantidade e complexidade. Em se tratando de mitologia asteca, não existem verdade firmadas, mas interpretações diversas e apenas aproximativas. A representação dos pontos cardeiais em forma de cruz, recorrente na iconografia asteca, era um dos conceitos fundamentais do misticismo ameríndio pré-colombiano. Cada um dos quadrantes possuía a sua simbologia própria:

Civilização Asteca | Religião
O Xamã asteca

No antigo México, o xamã era considerado um membro altamente respeitado da comunidade e desempenhava uma função vital como intermediário entre o mundo espiritual e o mundo natural. Os xamãs não escolhiam esta carreira - ou já nasciam xamãs, ou eram chamados através de sonhos e visões. Uma parte importante das crenças astecas era a interligação entre todas as coisas – vivas e mortas - e o papel do xamã consistia em trabalhar com a energia do mundo para lá da percepção quotidiana. A pulque, uma bebida alcoólica feita a partir da piteira, era muito usada nas cerimônias pois tinha um efeito alucinógeno como peyote e datura (outras variedades de catos mexicanos). As máscaras, os cânticos, os tambores, as matracas e outros instrumentos também eram usados para ajudar o xamã a atingir um estado de consciência alterado. Atualmente, as práticas dos xamãs na tradição cultural antiga invocam os mitos e as divindades do passado. Podem prescrever ervas medicinais, encontrar almas perdidas, ler o futuro ou proceder a purificações numa casa ou num indivíduo que tenha sido enfeitiçado.

Civilização Asteca | Ciências
A pedra calendário Asteca

Os Astecas davam grande importância ao estudo da matemática e da astronomia e desenvolveram complexos sistemas de contagem do tempo. O conceito de tempo que tinham era mais cíclico que linear e era dependente e controlado por forças divinas. Os Astecas dispunham de dois calendários concomitantes: um de 260 dias movendo-se no sentido dos ponteiros do relógio (coincidindo com o tempo de gestação humana), e um de 365 dias movendo-se em sentido contrário. Construído no século xv, a famosa Pedra do Calendário (também conhecida como Pedra do Sol) foi descoberta em 1790 na capital asteca de Tenochtitlan, hoje Cidade do México. A pedra mede 3,5 m de diâmetro, pesa 25,5 toneladas e é ricamente esculpida em basalto. No centro da Pedra do Calendário reconhece-se a face do deus do Sol Tonatiuh. Criador do Quinto Sol. Os quatro quadrados que o rodeiam representam as quatro eras anteriores (ou «sóis») que foram destruídas por animais, vento, fogo e água. Na orla e da pedra estão duas serpentes sagradas, que simbolizam a natureza cíclica e em espiral da dança da vida.

Civilização Asteca | Religião
O universo tripartido Asteca

No centro do universo asteca - o local de encontro do Céu, Terra e Sudmundo - era a cidade capital de Tenochtitlan. Segundo a lenda, o povo local era conhecido por Tenochca, mas o deus da guerra Huitzilopochtli deu-lhes um novo nome, Mexica, e ordenou-lhes que construíssem a capital numa ilha no meio do Lago Texcoco. No coração da cidade erguia-se o magnífico Grande Templo, dedicado a Huitzilopochtli e o deus asteca da chuva, chamado Tlaloc.

Civilização Asteca | Religião
A Religião Asteca após a conquista espanhola

Nos anos seguintes a 1521, a conversão dos povos nativos da Mesoamerica continuou, mas era mais aparente que real. Registros de 1536 a 1540 revelaram que tais costumes pre-colombianos como a concubinagem, idolatria e sacrifício humano ainda eram praticados. Em 1565, os bispos espanhóis da Cidade do Mexico reclamavam da facilidade com que os nativos se revertiam para os rituais pre-conquista, escondendo ídolos atrás de altares em igrejas recem-construidas, fazendo uso de alucinógenos e invocando o simbolismo das cores antigas. Os padres franciscanos tomaram Tezcatlipoca não apenas como a divindade asteca principal, mas também como Lucifer cuja influência maligna era vista entre os povos indígenas.

Civilização Asteca | Força Militar
A guerra Asteca

A antiga milícia mexicana era diferente em vários aspectos fundamentais dos seus equivalentes europeus. Os astecas, como os seus contemporaneos na Mesoamerica, não fomentavam a guerra para conquistar e integrar território, ou converter os derrotados para sua própria religião. Sua motivação era derrotar os inimigos para poder cobrar impostos deles e capturar prisioneiros para rituais de sacrifício aos deuses. Administrar as áreas conquistadas era caro e pouco prático, por isso os astecas governavam indiretamente por meio de chefes locais e alianças políticas por casamento. A recompensa dessa abordagem era a fabulosa riqueza que jorrava em Tenochtitlan. A matança em campo de batalha e a destruição da terra eram "autoderrotantes" para esse fim. Porem, havia exceções. A morte na guerra era frequente e as cidades, as vezes, eram destruídas e sua população dizimada para servir de aviso as outras.

Civilização Asteca | Família
A Família Asteca

O nascimento de uma criança era uma ocasião de alegria e perigo, ambos físicos e espirituais. Os bebes eram trazidos a luz por parteiras profissionais que rezavam para Chalchiuhtlicue, a deusa da fertilidade e da maternidade. Se o bebe fosse menino, o cordão umbilical era dado aos guerreiros para ser enterrado em campos de batalha; se fosse menina, era colocado embaixo de uma lareira, simbolizando suas futuras tarefas domesticas. O nome de um bebe recém-nascido era escolhido após uma consulta dos pais aos sacerdotes que determinavam as influencias sobrenaturais associadas com o tempo e com a data de nascimento. Se a data de nascimento fosse julgada de sorte, o bebe era nomeado no dia seguinte; se agourenta, uma data mais propícia era escolhida. Logo após o nascimento eram presenteados com miniaturas de sua futura vida adulta. Alguns meninos eram presenteados com o escudo de um guerreiro, outros com ferramentas de ourives, enquanto as meninas ganhavam uma vassoura ou uma roca cheia de malha de algodão. Meninos e meninas eram bem-vindos igualmente nas famílias astecas e descritos carinhosamente como "colares preciosos" ou "belas penas".

Civilização Asteca | Cotidiano
A Sociedade Asteca

A sociedade asteca estava baseada e caracterizada nos direitos, privilegios, costumes e emblemas de cada classe. No topo estava o imperador sagrado, conhecido como Huey Tlatoani, ou Primeiro Orador. Como era a pessoa mais importante da sociedade asteca, ele governava como representação divina de Tezcatlipoca. Em vestimentas tipicamente astecas, a posição do imperador não era herdada, mas sim obtida por meio da eleição com um conselho de nobres, os homens mais aptos da família real. Uma vez escolhido, cada novo imperador passava por uma longa serie de rituais que incluíam a Guerra da Coroação, para provar suas habilidades militares. O Codex Florentino descreve esses eventos, especialmente o imperador realizando rituais de discursos para Tezcatlipoca nos quais ele pedia força e liderança. Uma vez coroado, o novo imperador era carregado em um trono de jaguares e águias onde tinha seu corpo perfurado com uma presa de jaguar em uma oferta de sangue que o ligava eternamente aos deuses.

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Religião Fenícia
Civilização Fenícia - Idade Antiga - Antiguidade Oriental
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Fontes | Religião fenícia segundo os textos de Ras Shamra | Religião fenícia na Baixa Época | O Culto | A vida além túmulo

Fontes

Existe tuna tríplice fonte para o estudo da religião fenícia: o A.T., os autores antigos gregos e latinos, e as descobertas arqueológicas.

A.T. Através das páginas candentes do A.T. a religião fenícia aparece-nos condenada pelo Monoteísmo hebraico por causa de sua abominável idolatria. Quem não conhece, só para citar um exemplo, o dramático e vitorioso desafio do profeta Elias aos sacerdotes de Baal introduzidos por Jezabel, a princesa de Tiro?

Autores antigos - Uma das principais obras antigas citadas no estudo da religião fenícia é o trabalho de Filon, escritor grego nascido na Fenícia pelo ano 42 da era cristã. Filon traduziu as obras de um sacerdote fenício do século XI a.e.c.. chamado Sanchoniathon. Infelizmente FIlon só nos é conhecido através de fragmentos citados por diversos autores entre os quais figura Eusébio, a pai da História Eclesiástica.

Escavações arqueológicas - Os textos de Ras Shamra constituem, naturalmente, as principais fontes arqueológicas. Com efeito, as escavações realizadas na antiga Ugarit ampliaram muito nossos conhecimentos sobre as idéias religiosas dos fenícios. (Os textos de Ras Shamra nos fazem conhecer a religião fenícia arcaica, pois, se a redação das tabuinhas remonta a segunda metade do século XV, seu conteúdo encerra mitos e lendas extremamente antigos, por mais modificados que tenham sido através dos séculos. E esta religião parece nitidamente do tipo asiânico pela parte preponderante que dá aos ritos agrários e às divindades da essência de par de fertilidade e de fecundidade.

Um estudo, mesmo sumário, da religião fenícia deve distinguir duas épocas diferentes: a primeira, que nos é descrita pelas tabuinhas de Ras Shamra, remonta ao II milênio a.e.c.; a segunda é a chamada baixa-época e mostra-nos a religião fenícia já sob a influência grega.

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A religião fenícia segundo os textos do Ras Shamra

Vamos citar, a título de exemplo, alguns deuses do panteão fenício tal qual o encontramos nos textos da antiga Ugarit. No cimo do panteão está o deus El-Dagon que possui as atribuições de presidir o curso dos rios e anunciar as chuvas. Em segundo lugar, temos o deus Baal; esse nome, que significa mestre, senhor, designa, nos textos de Ras Shamra, um deus determinado que equivale ao Adad dos mesopotâmicos (Hadad dos sírios). É o deus das alturas, da tempestade, do raio e também da chuva benfazeja ou devastadora. Segundo um dos mitos do Ras Shamra, Baal não possuía ainda templo enquanto que os demais deuses já tinham seu edifício de culto; tal fato parece indicar que Baal era um deus local, pré-fenício, tendo sido posteriormente incluído no panteão. Aliyan, filho de Baal, regia as fontes subterrâneas e os cursos d'água. Anat, virgem guerreira, irmã de Aliyan, lembra Ishtar dos assírios. Mot, antagonista de Allyan, lembra o Nergal dos babilônios; sol do meio-dia, destruidor de toda vegetação e deus dos infernos.

Através dos textos do Ras Shamra, encontramos na origem do panteão fenício, Os deuses característicos dos asiânicos que precederam, na Fenícia como no resto da Ásia Ocidental, a chegada dos semitas. A religião da Fenícia arcaica é, pois, mais um dado importante, ao lado da religião suméria e da religião hitita, para uma reconstituição da religião primitiva da Ásia Ocidental.

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A religião fenícia na Baixa Época

Limitar-nos-emos a citação dos principais componentes do numeroso panteão dessa Época. Esses deuses eram cultuados em diversos lugares, mas cada cidade possuía seu próprio patrono. Os fenícios chamavam seus deuses alonim (plural de el = deus) ou então baalim (plural do baal = senhor). Note-se que esta palavra, além do designar o grande deus Baal dos textos de Ras Shamra, era também empregada para designar separadamente os nomes dos deuses de diversos lugares. Assim, por exemplo, Melqart é o baal de Tiro... Vejamos, agora, algumas divindades e a região de que eram protetoras e onde recebiam culto especial.

Melqart como já exposto, era o baal de Tiro. Seu nome significa "deus da cidade"; os autores gregos e as inscrições bilíngues assimilaram-no à Héracles. A princesa Jezabel introduziu seu culto no reino de Israel, o que lhe valeu as maldições do profeta Elias. Propagado pelos tirios, o culto do Melqart teve fervorosos adeptos no Chipre, Egito e em Cartago.

Dagon era a baal do litoral fenício. Conhecemo-lo no A. T. através da história de Sansão; era cultuado principalmente em Asdod.

Eshmun, deus de Sidon, era identificado pelos autores gregos com Asclépios.

Em Gebal e em Beirut prestava-se culto a uma baalat (feminino de baal). A deusa de Gebal, Ashtart, era, a personificação da fecundidade, deusa da maternidade e da fertilidade, a deusa-mãe.

Além de seu deus protetor, cada cidade fenícia possuía outras divindades nacionais e estrangeiras, principalmente mesopotâmicas, egípcias e gregas. Ao lado do culto aos deuses propriamente ditos, os fenícios veneravam as montanhas, as águas, as pedras e as árvores sagradas. Estas eram consideradas habitações dos deuses.

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O culto

Os santuários fenícios eram construídos de preferência em lugares elevados. O templo consistia essencialmente em um recinto sagrado situado em pleno ar livre e possuindo, ao centro, uma capela ou uma pedra sagrada. Diante da capela ou da pedra havia um altar para os sacrifícios. Uma fonte e um bosque completavam o ambiente.

Nesses templos existia um numeroso clero dividido em diversas categorias de acordo com a função desempenhada. Encontramos, assim, os adivinhos que proferiam oráculos, os barbeiros sagrados encarregados de cortar o cabelo dos que o dedicassem aos deuses, etc. O pessoal dos templos era completado pelos hieródulos dos dois sexos que se dedicavam à prostituição sagrada. Conhecemos mal o funcionamento e a razão de ser dessa instituição contra a qual a Bíblia e os escritores da Igreja protestaram várias vezes com violência.

Os fenícios ofereciam a seus deuses sacrifícios de animais como bois, cervos, bodes, cordeiros, pássaros, etc. Havia, igualmente, libações de óleo, leite e vinho. Quando o sacrifício era de grande importância, costumava ser comemorado por meio de uma estela votiva. O que nos causa espanto e horror é o sacrifício de crianças. Tal costume nefando, atestado por Filon, Deodoro e pelas próprias escavações arqueológicas, persistiu segundo Tertuliano, em plena era cristã.

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A vida de além-túmulo

Os fenícios acreditavam na vida de além-túmulo. A alma humana, separada do corpo, levava uma vida sem prazeres entre outras "sombras". A sobrevivência da alma, entretanto, estava intimamente relacionada com a sorte do cadáver, dai as precauções tomadas para a conservação do mesmo. Sepultavam-no com objetos de uso corrente do morto tais coma lâmpadas, vasos e jóias. Para evitar os contumazes violadores de sepulturas, procuravam-se lugares escondidos e abrigados: poços profundos e cavernas. Os epitáfios, ao mesmo tempo que asseguravam a ausência do quaisquer tesouros nos sarcófagos, continham sérias ameaças e maldições contra os que ousassem profanar a paz dos mortos. Vejamos este interessante exemplo de inscrição funerária do rei Tabnit, encontrada em Sidon:

"Eu, Tabnit, sacerdote de Ashtart, rei dos Sidônios, filho do Eshmunazar, sacerdote de Ashtart, rei dos Sidônios, descanso nesta caixa. Quem quer que sejas, que encontrares esta caixa, não abras meu túmulo, não me perturbes, pois não existe aqui prata, não existe aqui ouro, tem espécie alguma do vasos. Despojado, em repouso sozinho nesta caixa. Oh! Não abras meu túmulo e não me perturbes, pois é uma coisa abominável a Ashtart, e se te ousares abrir meu túmulo e se tu ousares perturbar-me, que não tenhas nem progenitura entre os vivos sob o sol, nem leito de repouso como as rephaim (sombras)".

Os fenícios adquiriram o hábito, certamente por influência dos egípcios, de mumificar pelo menos os cadáveres das pessoas mais importantes. Não é possível dizer com certeza a época em que tal costume foi introduzido na Fenícia, pois as condições climatéricas não favoreceram, como no Egito, a conservação indefinida das múmias.

Como a religião mesopotâmica, a religião fenícia estava desprovida de conceito de recompensa ou castigo no além, relacionados com o procedimento na vida terrena. As práticas religiosas visavam a conciliar a boa vontade e a proteção dos deuses para uma vida longa e feliz neste mundo. Essa mentalidade está bem expressa na seguinte inscrição em que um rei de Biblos invoca a senhora de Biblos para que faça com que ele viva, que prolongue seus dias e seus anos, porque é um rei justo, que ela lhe faça graça aos olhos dos deuses e aos olhos de seu povo.

Referências Bibliográficas

CONTENAU, G. La civilisation Phénicienne. Nouvelle édition revue. Payot, Paris 1944.

9 Textos publicados
Civilização Fenícia
Civilização Fenícia | Geografia
Localização geográfica fenícia

O território habitado pelos fenícios era uma pequena faixa de terra limitada ao norte pelo golfo de Issus situado alem do rio Eleutero (hoje Nahr-el-Kebir), ao sul pelo monte Carmelo, a leste pelo Mediterrâneo e a oeste pela cadeia do Libano.

Esta última, cujo nome significa branco, forma uma muralha de difícil acesso com altitudes que vão, em alguns pontos, além dos três mil metros. Seus prolongamentos atingem o próprio litoral, e aí terminam abruptamente dividindo a pequena Fenícia em setores isolados, tomando a via marítima quase o único meio de comunicação interna. Esta configuração é uma das razões pelas quais a Fenícia não formou jamais um verdadeiro reino mas uma série de pequenos estados que se revezavam na hegemonia.

Os fenícios edificavam suas cidades nos cabos, de preferência nos que estivessem próximos de alguma ilha, pois tal situação possibilitava, em caso de guerra, um seguro abrigo para as populações e facilitava igualmente a existência de mais de um ancoradouro para as embarcações.

A Fenícia era cortada por pequenos rios, que transbordavam na estação das chuvas e permaneciam semi-secos durante o verão. As árvores frutíferas eram abundantes: oliveiras, sicômoros, figueiras, videiras, etc. Um papiro da época de Ramsés II descreve as florestas impenetráveis do Líbano. Nessas florestas encontravam-se carvalhos, nogueiras, pinheiros, ciprestes e principalmente o cedro; este era muito abundante e espalhava um odor característico que podia ser pressentido ao longe, fato este que deu ao Líbano o nome de "montanha dos perfumes".

Nas pequenas planícies que se estendiam entre a montanha e o mar e na própria encosta da serra, os fenícios cultivavam cereais, legumes e o linho; deviam conhecer o algodão cujas sementes foram encontradas em alguns túmulos egípcios, mas não é certo que tenham aclimatado essa planta em seu país.

Entre os animais domésticos criados pelos fenícios enumeremos: o asno, o boi, a ovelha, a cabra, etc.; o cavalo e o camelo surgiram provavelmente na primeira metade do segundo milênio a.e.c. O mar oferecia peixe em abundância. Nas florestas do Líbano existiam feras como a pantera, o urso, o lobo, a hiena, etc.

Civilização Fenícia | Introdução
Todos os caminhos passam pela fenícia

O viajante que, partindo do Egito, pretendesse chegar a Babilônia, deveria, em primeiro lugar, atingir a atual região de Alepo, antiga Haleb na Síria, região para a qual convergiam as estradas que levavam do Eufrates Médio ao litoral mediterrâneo. Dois caminhos conduziam do vale do Nilo àquela importante encruzilhada: um, por terra, percorria o istmo, o deserto, as estepes palestinenses e a Síria interior; outro, mais fácil e menos perigoso, consistia no percurso marítimo até o litoral fenício e daí, ainda por mar ou já por terra, até os desfiladeiros que levam diretamente à. AIta Siria.

Quem, viajando para o Ocidente, tencionasse vencer a distância entre a Mesopotâmia e o Mediterrâneo, deveria subir o Eufrates até a parte mais ocidental do grande arco que o rio descreve e prosseguir até a região de Haleb (Alepo); dai, para alcançar qualquer das ilhas do Egeu ou a península helênica, a Líbia ou o Egito, o caminho mais viável conduzia necessariamente aos portos da costa fenicia.

Compreende-se, assim, facilmente, o papel de excepcional importância que, devido à sua situação geográfica em relação ao território ocupado pelos grandes impérios, o pequeno país dos fenícios desempenhou na história Antiga do Oriente Próximo. Egípcios, hititas, assírios, babilônios e persas percorreram sucessivamente as rotas acima descritas e sentiram a necessidade da colaboração espontânea ou forçada do pequeno mas audaz povo de comerciantes e navegantes em todos os empreendimentos bélicos de envergadura em que se empenharam.

Um fato interessante a notar é que, se os fenícios, impotentes diante desses imperialismos orientais, tiveram muitas vezes que admitir sua incorporação, sob ponto de vista politico, ao ritmo dos dominadores do momento, reagiram e mantiveram uma notável independência cultural. Um fato digno de nota é que a conformação espiritual dos países fenicio-sirios não será jamais afetada sensivelmente pelos episódios de suas incorporações a essas organizações imperiais diversas. Ao contrário, observa-se que esses asiáticos invadiram e enriqueceram a cultura de seus conquistadores.

Civilização Fenícia - Introdução
Legado Fenício
Navegantes e comerciantes, os fenícios aperfeiçoaram a arte náutica e introduziram uma nova mentalidade em povos distantes, pela venda dos produtos de sua indústria ou da indústria de outras regiões, produtos esses intimamente relacionados com a elevação do nível de vida material; o comércio fenício levou o conforto, o bem-estar a povos das mais diferentes raças e regiões do Mundo Antigo. Mas os fenícios não transportavam somente mercadorias; com os artigos de comércio infiltravam-se os aspectos
Civilização Fenícia - Religião
Religião Fenícia
Os fenícios acreditavam na vida de além-túmulo. A alma humana, separada do corpo, levava uma vida sem prazeres entre outras -sombras-. A sobrevivência da alma, entretanto, estava intimamente relacionada com a sorte do cadáver, dai as precauções tomadas para a conservação do mesmo. Sepultavam-no com objetos de uso corrente do morto tais coma lâmpadas, vasos e jóias. Para evitar os contumazes violadores de sepulturas, procuravam-se lugares escondidos e abrigados: poços profundos e cavernas
Civilização Fenícia - Artes
Arte Fenícia
O que caracteriza as manifestações artísticas dos fenícios é, em geral, a falta de originalidade. Essa falta encontra sua explicação em dois fatos. Em primeiro lugar, os fenícios eram um povo utilitarista que se preocupava constantemente com a realização de bons negócios e a consequente obtenção de lucros compensadores. O -time is money- já era, naquela época, uma norma de vida. É a mentalidade comercial, via de regra, não gera clima propicio para as criações originais e para o desenvolvimento
Civilização Fenícia - Artes
Literatura fenícia
As descobertas efetuadas em Ras Shamra constituíram fonte preciosa pra o conhecimento da literatura fnícia. Com efeito, essa literatura, esquecida durante milênios, revelou-se através do material encontrado, que fazia parte da biblioteca dos templos de Ugarit, como um rico patrimônio cultural. Entre as centenas de tabuinhas, existem documentos diplomáticos, administrativos, documentos de arquivos reais, correspondência comercial e particular, hinos e textos mitológicos. Com relação a esses
Civilização Fenícia - Cotidiano
Alfabeto fenício
A principal característica do alfabeto fenício é seu consonantismo. Os fenícios não escreviam as vogais das palavras: só grafavam as consoantes. Tal fato que, a primeira vista, nos parece estranho, torna-se compreensível quando levamos em considerarão a predominância, nos vocábulos das línguas semíticas, da raiz triconsonantal; este grupo abstrato de consoantes encerra a idéia fundamental do vocábulo e de seus derivados. A essa estrutura fundamental ajuntam-se vogais, prefixos e sufixos que
Civilização Fenícia - Cotidiano
Estrutura político-social fenícia
A população das cidades era constituída, em grande parte, de numeroso proletariado urbano que se dedicava às diversas ocupações industriais. Em algumas cidades fenícias, encontramos colônias estrangeiras. Marinheiros e mercadores, que percorriam mares e terras distantes, completavam o cosmopolitismo dos portos fenícios. A população rural vivia sob rigorosa opressão, os lavradores só eram parceiros, felás, e tinham que entregar ao Estado ou aos antigos cidadãos a quarta parte dos produtos e, em
Civilização Fenícia - Cotidiano
O povo Fenício
Os fenícios não constituíam um povo heterogêneo somente sob o ponto de vista racial; a origem de sua cultura também o é: Assim como na Mesopotâmia não se pode estudar o babilônio sem encontrar o sumério (protótipos sumerianos para as leis babilônicas do Código de Hammurabi, protótipos sumerianos da maior parte das grandes epopeias religiosas da Babilônia), na Fenícia encontramos sob o cananeu, o asiânico e o egeu. Nas duas extremidades do crescente fértil, como o assiriólogo Clay chamava o
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Antropologia
Seres humanos: macacos ou anjos?
No auge do debate sobre a evolução, foi perguntado a Benjamin Disraeli se ele achava que o homem era um macaco ou um anjo. Ele respondeu, ao que parece com convicção: “Agora, estou do lado dos anjos”. A maioria das pessoas não tem tanta certeza. Embora muitos fundamentalistas religiosos e uns poucos darwinianos empedernidos espelhem a certeza de Disraeli, para a maior parte das pessoas a questão continua sendo um grande imponderável. A compaixão inspirada pela humanidade latente que espreita nos olhos de um gorila é testemunho das estreitas afinidades que os humanos têm com os macacos. E, no entanto, é bem fácil perceber a magnitude da distância, ao compararmos as rudes vocalizações de um chimpanzé com a poesia de Shakes­peare. Macaco algum poderia aspirar à tecnologia do mundo da informática, ou à complexa organização social até mesmo de uma pequena comunidade humana, com sua trama de parentesco, amizade ou de maquinações políticas.