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Sacrifícios humanos maias

 

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História - Idade Antiga - Antiguidade Americana - Civilização Maia - Sacrifício Humano - Ritual de sacrifício humano
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Por Márcia Gimenez & Mônica Martinez

O povo maia acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana eles se dedicavam à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas, como flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados. Mas o ritual mais importante eram os sacrifícios de animais e de seres humanos. Os deuses, pensavam os maias, precisavam de sangue - a energia vital e sagrada. Todas as cidades possuíam um centro cerimonial onde eram realizados os rituais de adoração aos deuses. Grandes cerimônias públicas, realizadas em todo o império, estavam relacionadas com o calendário - eram festejadas datas como o Ano Novo, por exemplo - e incluíam os rituais de fertilidade, iniciativos, de adivinhação e curandeirismo, além dos referentes aos ciclos da vida: gravidez, nascimento, infância, puberdade, casamento e morte. Nos rituais de sacrifício, as vítimas eram escravos, inimigos capturados ou mulheres virgens.

 

JOGO MACABRO

Um dos principais ritos de sacrifício humano era uma espécie de jogo de bola, simbolizando a luta de contrários cósmicos. Esses contrários podiam ser o sol e a lua, as forças do dia contra as da noite. O jogo sempre estava relacionado com a luta sagrada de princípios astrais para a manutenção da vida.

Era precedido por uma procissão, seguida da decapitação de um prisioneiro ou escravo. Sua cabeça era usada como bola, simbolizando o astro que era venerado. Tinha início então o jogo, que imitava os movimentos do astro no céu. Ao realizá-lo os maias acreditavam que abasteciam o universo de magia, e assim garantiam a continuidade da vida.

Os sacrifícios humanos se intensificaram na cultura maia no período denominado pós-clássico (depois do ano 900), quando recebeu forte influência dos toltecas. As práticas mais comuns eram extrair o coração da vítima, executá-la com flechadas ou mesmo afogá-la em um canal ou rio.

 

A VIDA APÓS A MORTE

Os funerais eram muito importantes para preparar os indivíduos para a última grande passagem da vida. Crentes na imortalidade da alma, os maias cuidavam para que a viagem do morto até seu destino final - que variava de acordo com sua conduta em vida - fosse bem-sucedida. Segundo a tradição religiosa, durante essa última viagem o morto precisava ser alimentado e tinha de levar consigo os objetos que usara em vida. Por isso, as sepulturas de grandes senhores eram abastecidas com jóias, uma máscara que servia de identificação e um punhado de jade na boca para preservar o espírito. Os luxos incluíam ainda a presença, nos túmulos, de acompanhantes: escravos e mulheres eram sacrificados durante os ritos funerários.

Palavras e Significados:
Referências e Notas:
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Mitos maias de criação

Os mitos de origem maia, como na maioria dos relatos cosmogónicos da Mesoamerica, estavam relacionados principalmente com sacrifícios, fertilidade e com o estabelecimento de um decreto sagrado para um sistema de hierarquia social dominada pela elite governante. Nosso conhecimento sobre esses eventos memoráveis provem mais de indícios escritos de culturas muito posteriores a maia, do que dos próprios maias clássicos. Esses relatos foram filtrados durante o período colonial espanhol que produzia documentos híbridos - parte maia, parte espanhola. Uma leitura atenta a esses relatos permitiu que alguns desses eventos escritos fossem identificados com a civilização maia primitiva, especialmente em cenas representadas na arte maia clássica em lindas cerâmicas pintadas.

Civilização Maia | Religião
Sacrifícios humanos maias
O povo maia acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana eles se dedicavam à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas, como flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados. Mas o ritual mais importante eram os sacrifícios de animais e de seres humanos. Os deuses, pensavam os maias, precisavam de sangue - a energia vital e sagrada. Todas as cidades possuíam um centro cerimonial onde eram realizados os rituais de adoração aos deuses. Grandes cerimônias públicas, realizadas em todo o império, estavam relacionadas com o calendário - eram festejadas datas como o Ano Novo, por exemplo - e incluíam os rituais de fertilidade, iniciativos, de adivinhação e curandeirismo, além dos referentes aos ciclos da vida: gravidez, nascimento, infância, puberdade, casamento e morte. Nos rituais de sacrifício, as vítimas eram escravos, inimigos capturados ou mulheres virgens.
Civilização Maia | Religião
A religião Maia
No território que é hoje a Guatemala, Honduras e a Península de Yucatan, do México, desenvolveu-se a civilização maia que atingiu o seu auge entre 250 e 900 d.e.c. Era uma sociedade muito organizada e sofisticada, como está patente em Palenque e Chichén Itzá na Península Yucatan e em Tikal na Guatemala. A maior parte do que sabemos a respeito da vida espiritual do povo maia provém de alguns livros, a que chamamos códigos, que não foram destruídos pelos conquistadores espanhóis, e do Popol Vuh, o principal texto sagrado dos Maias. Eles acreditavam em forças invisíveis que estavam presentes em toda a natureza, no equilíbrio entre as trevas e a luz e no ciclo eterno da morte e regeneração.
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Civilização Maia | Artes
Cultura maia primitiva
A era mais primitiva da civilização maia é conhecida como pré-clássica e data de 2000 a.e.c. a 250 d.e.c. Um de seus exemplos mais primitivos de vida estabelecida em vilarejos na tradição maia vem do sítio de Cuello em Belize, cuja fase Swasey data de 1200-900 a.e.c. Diversas características culturais maias típicas estavam neste lugar no final do período: casas agrupadas ao redor de um pátio central; mortos enterrados embaixo aos pisos das casas; milho como alimento principal; a característica cerâmica vermelha, geralmente na forma de pratos e tigelas. Deste ponto em diante, outras características que marcaram a civilização maia posterior começam a aparecer, como a obsidiana e o jade - ambos trazidos ao local por comerciantes.
Civilização Maia | Ciências
Os códices maias
Quatro sistemas de escrita foram desenvolvidos na Meso-América: zapoteca, mixteca, maia e asteca. Delas, a maia era a mais elaborada. O sistema não foi obra pura deste povo, mas influenciado por uma civilização anterior, a dos olmecas, que existiu na região do México entre 1500 e 400 a.e.c. A escrita maia era aparentemente não alfabética, composta por cerca de 1 mil glifos (caracteres), que ora representam sons, ora símbolos. Ou seja, já apresentava elementos de uma linguagem fonética. Até pouco, tempo, apenas 180 destes sinais haviam sido identificados - hoje, com a ajuda do computador, já foram decifrados cerca de 500.
Civilização Maia | Ciências
Astronomia e matematica maia
Os cálculos astronômicos de notável exatidão eram possíveis porque, além de bons observadores, os maias eram ótimos matemáticos. Muitos historiadores consideram os maias os primeiros a inventar o conceito de abstração matemática, que equivale ao zero. Os registros mais antigos de um símbolo hindu para zero remontam ao século IV, mas não é possível precisar o seu uso. Na cultura maia, ao contrário, o uso de um símbolo para zero era sistemático, para indicar a ausência de quaisquer unidades das várias ordens do sistema de base vinte. O número era representado como uma pequena noz estriada.
Civilização Maia | Ciências
A contagem do tempo maia
Ao olhar uma folhinha pendurada na parede ou anotar um compromisso na agenda, ninguém pensa em como foi difícil para as primeiras civilizações montar seus calendários. Controlar o tempo em um único dia é relativamente fácil, já que ele começa com o nascer e termina com o pôr-do-sol. A tarefa é muito mais complicada a longo prazo. Há atividades, como os plantios e festividades religiosas, que demandam o controle da passagem do tempo em períodos mais extensos. Os astrônomos maias, por exemplo, desenvolveram dois calendários principais, que usavam sobrepostos.
Civilização Maia | Ciências
Invenções maias
Ao longo de sua história, os maias desenvolveram uma cultura riquíssima. Quando se estuda essa fascinante trajetória, é inegável a admiração ao constatar o nível de desenvolvimento científico alcançado por sua civilização. A elaboração de um calendário, o desenvolvimento de um complexo sistema matemático e de uma escrita e a arquitetura peculiar são legados de inestimável valor que estimulam a conhecer melhor a história da América antes da chegada dos conquistadores europeus. Além desses avanços, os maias ainda são responsáveis por outras inovações que se espalharam pelo mundo e chegaram até os dias atuais. Em suas pinturas, os artistas produziam uma tinta azul com tonalidade única, muito utilizada principalmente no período clássico. A cor, que acabou conhecida como azul maia, era diferente da tonalidade conseguida por pintores do velho continente. Enquanto os europeus utilizavam suas tintas corantes à base de lápis-lazúli ou cobre, o inventivo povo americano utilizava o anil, extraído de uma planta chamada índigo, natural da região e de outras zonas de clima quente.
Civilização Maia | Família
A família maia
Os homens maias comuns eram os responsáveis pela agricultura, atividade praticada por todos os integrantes da família. O dia de uma típica família maia começava por volta das 4 horas da manhã, quando seus integrantes se dirigiam ao campo para o trabalho. As primeiras obrigações eram cortar árvores e construir cercas com os troncos - para evitar que veados e antas comessem as mudas - e revolver e arar o solo com varas endurecidas no fogo. Os mais jovens cuidavam da tarefa. A etapa seguinte era semear os campos com o milho. Quando as plantações do cereal já haviam crescido até a altura dos joelhos, os agricultores plantavam feijões perto das mudas, para enriquecer o solo.
Civilização Maia | Ciências
A medicina maia
A civilização maia alcançou grande desenvolvimento na área da medicina. Eles possuíam profundo conhecimento sobre ervas e também utilizavam medicamentos de origem animal e mineral. Com seus estudos, conseguiram determinar as causas de várias doenças, apontando formas de cura e até mesmo de prevenção. A melhor forma de analisar a ciência médica deste povo é não perder seu contexto religioso. Para os maias, maus comportamentos ocasionavam o desequilíbrio corporal, que consequentemente levava à enfermidade. Crentes de que o equilíbrio dos indivíduos assegurava a manutenção da harmonia de todo o ambiente, eles buscavam a saúde como forma de garantir a própria sobrevivência da sociedade.
Mitologia Maia | Cosmogonia
Popol Vuh, a estória da criação maia
A versão do Popol Vuh que conhecemos foi redigida 30 anos após a conquista espanhola. O seu autor foi provavelmente um religioso maia desejoso de colocar por escrito uma narrativa oral e pictográfica muito antiga. Foi escrita em língua maia, mas em caracteres latinos. O manuscrito foi descoberto pelo padre Francisco Ximenez em inícios do século XVIII, que ele obteve das mãos dos índios Quiché da região de Chichicastenango. A história original pode remontar até 2000 anos a.e.c. A primeira parte conta a gênese do mundo, que se assemelha à da Bíblia. Do nada das origens, os deuses decidiram fazer um mundo povoado de humanos que os adorem. Em primeiro lugar, criam a terra, as montanhas, a flora e a fauna. «Tendo acabado de as formar, disseram: "Falem, gritem, chilreiem; que cada um faça ouvir a sua linguagem segundo a sua espécie e a sua variedade [...] Digam os vossos nomes, louvem-nos, a nós, ao vosso pai e à vossa mãe [...]".» Em seguida, criaram os primeiros homens com argila. Mas estes homens moles e fracos eram incapazes de sobreviver e de se multiplicar. Como esta primeira tentativa se revelara infrutífera, os deuses fabricaram uma nova humanidade em madeira; mas estes homens de madeira depressa se mostraram vaidosos e preguiçosos e acabaram por secar. Os deuses enviaram então um dilúvio de resina, onde todos os homens se afogaram, e o mundo foi invadido por uma multidão de monstros.
Civilização Maia | Cotidiano
Estrutura social maia
Os maias dividiam-se em províncias autônomas que eram verdadeiras cidades-estado semelhantes às cidades gregas do período clássico. Nelas, a maior autoridade era o halach vinic, que governava em nome de um deus. Ele concentrava as funções religiosa, militar e política. Seu cargo era hereditário e era ele quem escolhia, entre os membros da nobreza, os funcionários que o ajudariam na administração da cidade. Esses homens de confiança comandavam os soldados, fiscalizavam o pagamento de impostos, chefiavam o conselho local e ainda eram responsáveis pela aplicação das leis. Os comerciantes de grande porte também tinham bastante prestígio social. Os sacerdotes eram muito valorizados na comunidade. Desempenhavam funções de destaque, presidindo os cultos religiosos e fazendo as oferendas - o que incluía os sacrifícios humanos. Eram também responsáveis pela transmissão das tradições e pela direção da vida intelectual do povo, estudando e ensinando matérias importantes, como astronomia. O acúmulo de poder fazia com que fossem muito respeitados - e também temidos.
Civilização Maia | Artes
Os murais maias de Bonampak
Como em outras culturas da Mesoamérica, para os maias a criação artística era uma forma de se assemelhar aos deuses. As obras de arte também tinham uma função disciplinadora: por meio delas, os governantes mostravam aos homens comuns em quem os deuses haviam depositado sua sacralidade. Com esse expediente, que reforçava a grandeza de suas linhagens, eles provavam que tinham o direito de governar os demais e se manter no poder. Assim, os temas principais de pinturas e esculturas são os soberanos, sempre representados ao lado de deuses. As pinturas eram feitas predominantemente em murais e objetos de cerâmica, usando diversas técnicas. Uma das obras-primas da arte maia é o Templo das Pinturas de Bonampak.
Outras civilizações
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Ritual de Sacrifício humano

Ritual de sacrifício humano maia.

Ritual de sacrifício humano

Gravura representando ritual de sacrifício humano.

Outros textos
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França | Educação
A vida escolástica e a educação na França e Europa medieval
Este texto é consagrado aos aspectos da história da educação que revelam o progresso do sentimento da infância na mentalidade comum: como a escola e o colégio que, na Idade Média, eram reservados a um pequeno número de clérigos e misturavam as diferentes idades dentro de um espírito de liberdade de costumes, se tornaram no inicio dos tempos modernos um meio de isolar cada vez mais as crianças durante um período de formação tanto moral como intelectual, de adestrá-las, graças a uma disciplina mais autoritária, e, desse modo, separá-las da sociedade dos adultos. Essa evolução do século XV ao XVIII não se deu sem resistências. Os traços comuns da Idade Média persistiram por longo tempo, até mesmo no interior do colégio, e, a fortiori, na camada não escolarizada da população.
França | Família
História social das brincadeiras e jogos na França e na Europa a partir do séc. XIII
Graças ao diário do médico Heroard, podemos imaginar como era a vida de uma criança no inicio do século XVII, como eram suas brincadeiras, e a que etapas de seu desenvolvimento físico e mental cada uma delas correspondia. Embora essa criança fosse um Delfim da França, o futuro Luis XIII, seu caso permanece típico, pois na corte de Henrique IV as crianças reais, legitimas ou bastardas, recebiam o mesmo tratamento que todas as outras crianças nobres, não existindo ainda uma diferença absoluta entre os palácios reais e os castelos fidalgos. A não ser pelo fato de nunca ter ido ao colégio, frequentado já por uma parte da nobreza, o jovem Luis XIII foi educado como seus companheiros. Recebeu aulas de manejo de armas e de equitação do mesmo M. de Pluvinel, que, em sua academia, formava a juventude nobre nas artes da guerra. As ilustrações do manual de equitação de M. de Pluvinel, as belas gravuras de C. de Pos, mostram o jovem Luis XIII exercitando-se a cavalo. Na segunda metade do século XVII, isso já não acontecia mais: o culto monárquico separava mais cedo - na realidade, desde a primeira infância - o pequeno príncipe dos outros mortais, mesmo os de berço nobre.
França | Família
A evolução da vestimenta das crianças na França
A indiferença marcada que existiu até o século XIII - a não ser quando se tratava de Nossa Senhora menina - pelas características próprias da infância não aparece apenas no mundo das imagens: o traje da época comprova o quanto a infância era então pouco particularizada na vida real. Assim que a criança deixava os cueiros, ou seja, a faixa de tecido que era enrolada em torno de seu corpo, ela era vestida como os outros homens e mulheres de sua condição
Civilização Romana | Educação
A educação em Roma
Essa educação doméstica busca a formação da consciência moral. O adulto educado que ela quer criar é o homem capaz de renúncia de si próprio, de devotamento de sua pessoa à comunidade. São as virtudes do campesinato de todos os tempos e lugares, o que dirige a primitiva educação de Roma, que exalta em verso e prosa a austeridade, a vida simples, o amor ao trabalho como supremo bem do homem, e o horror ao luxo e à ociosidade. Ao contrário do que aconteceu cedo em Atenas, em Roma não há de início qualquer tipo de cuidado com a pura formação física e intelectual do cidadão ocioso, ocupado com pensar, governar e guerrear. A educação de uma comunidade dedicada ao trabalho com a terra foi durante séculos uma formação do homem para o trabalho e a vida, para a cidadania da comunidade igualada pelo trabalho.
Civilização Grega | Educação
A educação na Grécia antiga
Todas as grandes sociedades ocidentais que, como Atenas e Roma, emergiram de seus bandos errantes, de suas primeiras tribos de clãs de pastores ou camponeses, aprenderam a lidar com a educação do mesmo modo como qualquer outro grupo humano, em qualquer outro tempo. Tal como entre os índios das Seis Nações, os primeiros assuntos e problemas da educação grega foram os dos ofícios simples dos tempos de paz e de guerra. O que se ensina e aprende entre os primeiros pastores, mesmo quando eles começaram rusticamente a enobrecer, envolve o saber da agricultura e do pastoreio, do artesanato de subsistência cotidiana e da arte. Tudo isso misturado, sem muitos mistérios, com os princípios de honra, de solidariedade e, mais do que tudo, de fidelidade à polis, a cidade grega onde começa e acaba a vida do cidadão livre e educado. Esta educação grega é, portanto, dupla, e carrega dentro dela a oposição que até hoje a nossa educação não resolveu. Ali estão normas de trabalho que, quando reproduzidas como um saber que se ensina para que se faça, os gregos acabaram chamando de tecne e que, nas suas formas mais rústicas e menos enobrecidas, ficam relegadas aos trabalhadores manuais, livres ou escravos. Ali estão normas de vida que, quando reproduzidas como um saber que se ensina para que se viva e seja um tipo de homem livre e, se possível, nobre, os gregos acabaram chamando de teoria. Este saber que busca no homem livre o seu mais pleno desenvolvimento e uma plena participação na vida da polis é o próprio ideal da cultura grega e é o que ali se tinha em mente quando se pensava na educação.
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Relacionamento econômico entre Brasil e Portugal na era colonial
As duas esferas do império continuaram a operar, mas depois dos desastres do século XVII a economia do Estado da índia tornou-se uma operação de contenção. Verificou-se alguma recuperação na década de 1680 e, sempre que foi bem administrado e se puderam evitar guerras dispendiosas, o Estado da índia manteve-se um empreendimento lucrativo, ainda que constantemente ameaçado na sua estabilidade. As incursões de rivais estrangeiros, que perturbaram os antigos circuitos comerciais, e a queda de fortes e feitorias foram em parte acompanhados de perdas para as forças locais, particularmente devido à expansão dos Maratas, entre 1739 e 1741, que reduziu o controle português da região em redor de Goa, Damão e Diu. Nem sequer a posterior expansão portuguesa para os «Novos Territórios», nas décadas de 1740 a 1760, conseguiu restaurar a saúde econômica, essencialmente arruinada no século anterior pela perda do comércio da carreira e do comércio regional. Embora continuassem a chegar a Lisboa especiarias e outros produtos asiáticos, os Portugueses agarraram-se a um império reduzido na índia como «ponto de Honra e de Religião», como observou o governador britânico de Bombaim, em 1737.
Portugal | Economia
A economia portuguesa nos primórdios do império marítimo
Na cidade do Porto, na zona da foz do Douro, existe uma fortaleza batizada em honra de São Francisco Xavier e à qual as gentes locais dão o nome de «Castelo do Queijo» devido à sua forma. No salão principal há um documento que explica que a fortaleza foi dedicada, no século XVII, ao santo missionário por ele ter conquistado «tantas almas para a Igreja e tantas léguas para Portugal». Esta união da intenção missionária com a aquisição territorial foi uma caraterística essencial da expansão portuguesa - tal como na criação de outros impérios - e deve sempre ter-se em conta a multiplicidade de incentivos inerentes à construção imperial. Contudo, apesar do atual interesse nos impérios enquanto arenas de exibição cultural, gratificação sexual e exotismo, a construção dos impérios do início da época moderna assentou primariamente em considerações de ordem econômica. Portugal afigura-se quase um exemplo clássico do antigo conceito mercantilista de John Locke: «Num país que não tenha minas há apenas duas maneiras de enriquecer: através da conquista ou do comércio.» Portugal enveredou pelas duas vias. Os seus adversários muçulmanos na índia diriam mais tarde que os Portugueses «conquistaram um império como cavaleiros e perderam-no como vendedores ambulantes», mas a verdade é que se saíram melhor sempre que combinaram a conquista e o comércio com o povoamento e a produção.
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Os primórdios da ciência no Portugal quatrocentista
A origem e o desenvolvimento das ideias científicas que circulavam em Portugal no tempo dos Descobrimentos têm alimentado páginas muito interessantes de historiografia e revelado excelentes abordagens que não raramente resvalaram para a polêmica. O que não admira, porque esta discussão trava-se em um território com armadilhas, onde a anacronia se implanta com armas e bagagens. Por este tempo a formação dos conceitos é demasiado frágil e a sua capacidade semântica permanece ainda pouco esclarecida. Em primeiro lugar a atitude científica ainda não existe, e a própria palavra ciência, existindo, não tinha o sentido que hoje lhe atribuímos. Depois, permanece como tentação, quantas vezes assumida pelos historiadores, a idéia de que a progressão no Atlântico e na costa africana resultou de um ou vários planos estratégicos, o mais célebre dos quais seria o plano das Índias atribuído ao Infante D. Henrique.
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Roma e o amor
Ao longo de toda a história romana, das origens da sua cidade até ao fim da dinastia júlio-claudiana, pareceu-nos que os Roma­nos tiveram em relação ao amor uma atitude ambígua: desconfiavam dele como de uma loucura, um desvario momentâneo, mas, ao mesmo tempo, estavam fascinados pela sua força, que lhes fazia pressentir o seu carácter divino. O amor está demasiado intimamente ligado ao drama e ao mistério da vida para que se possa pura e simplesmente negá-lo. Mas é também destruidor das cidades e das almas. Os homens temem menos as suas investidas, mas as mulheres podem tão facilmente deixar-se le­var por ele e pôr em perigo, no seu desvario, a pureza da sua linhagem! Se os homens se podem permitir encarar o amor com ligeireza, este mesmo ato é, para uma mulher, uma iniciação perturbadora que trans­forma todo o seu ser. Toda a moral e toda a prática do amor se explicam em Roma por esta dupla convicção.
Civilização Romana | Família
Casamentos arranjados, interesses e política na Roma republicana
Durante a República, são os homens que têm o protagonismo, são eles que, ostensivamente, têm nas mãos a vida da cidade. As combinações políticas, no Senado e nas assembleias, a escolha dos magistrados, a condução das guerras, a administração das províncias e os grandes processos, tudo isso é tratado na praça pública ou na cúria, em todo caso, fora da casa, e os velhos romanos ter-se-iam julgado desonrados se alguém os tivesse acusado seriamente de orientar a sua conduta pela opinião das suas mulheres. Ocasionalmente, na verdade, um orador podia dizer como graça: “Todos os homens, em toda a parte, governam as mulheres; nós, nós governamos todos os homens, mas, por nossa vez, obedecemos às mulheres”1. Todavia, isto era apenas um gracejo de letrado misógino, que parafraseava um dito tomado a Temístocles. O próprio Catão (porque é a ele que se atribui a honra desta tirada) gostava de contar que só se arrependera três vezes durante a sua vida, de uma ação que cometera: a primeira, quando fez por mar uma viagem que teria podido fazer por terra, a segunda, quando, durante um dia inteiro, negligenciou redigir um testamento e a terceira e última quando confiou um dia um segredo à sua mulher2. No entanto, Catão era o melhor dos maridos e o melhor dos pais. Depois de terminadas as suas tarefas, ajudava ao banho e ao enfaixar do seu filho, que a sua própria mulher alimentava e criava. Pensava que um marido que batesse na mulher ou um pai que maltratasse o filho cometia um verdadeiro sacrilégio3. Todavia, isso não o impedia de separar completamente a sua vida pública da sua vida familiar: o romano “ideal”, de que Catão queria ser a encarnação, devia ter duas faces, como o deus Jano. Uma face ficava voltada para o exterior: era a do homem, a face virada ao público; a outra, completamente diferente, devia ser conhecida apenas dos familiares. Este dualismo das existências era um dever. Seria “imoral” não lhe obedecer.
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    Os Espartanos tinham a organização social mais antiga, que datava do século VI a.e.c. No território da Lacônia, mantinham sob seu comando dois povos distintos: os hilotas, que ficavam entre e a servidão e a escravidão, aravam a terra e fomeciam alimentos aos espartanos; e os periecos, homens livres, mas submetidos ao controle dos espartanos, que fabricavam e com

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