Pré, Proto-História (246mil a.e.c.)
Idade Antiga (4000 a.e.c. - 476 d.e.c.)
Idade Média (476 - 1453 d.e.c.)
Idade Moderna (1453 - 1789 d.e.c.)
Idade Contemporânea (1789 - 1946 d.e.c.)
Era da Informação (1946 - Presente)
Mitologias do Mundo - Histórias das | 2011 |
A Civilização Maia -  | 1987 |
Américas Antigas - As grandes civilizações | 2005 |
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Civilização Asteca | Religião
A eternidade da alma Asteca

Existem várias interpretações, segundo a escatologia asteca. Para Alfredo López Austin, a geografia do mundo asteca está dividida em três planos - subterrâneo, terreno e celestial -, todos ligados pela árvore cósmica de Tamoanchán, chamada Xochtlicacín (De Onde Brotam as Flores). O plano subterrâneo, onde estão fincadas as raízes da árvore, se chama Chicnauhmictlín (O Nono Lugar do Inframundo). O plano terrestre, ocupado pelo tronco da árvore, se chama, por sua vez, Tlalticpac (A Superfície da Terra), e se compõe de quatro planos. E, finalmente, onde estão esparramados os galhos mais altos, situa-se o Chicnauhtopin (Os Nove Lugares Celestiais). No começo dos tempos, por dentro do tronco, fluíam as energias do céu e do inframundo, enroscadas, mas não misturadas. Com o pecado dos deuses, entretanto, rompeu-se o tronco e as duas seivas, superior e inferior ou "quente e fria”, segundo a terminologia mítica -, misturaram-se, dando origem ao caos mortífero da vida terrena.

Civilização Asteca | Religião
Os céus e os submundos astecas

Diz a lenda que ele se originou de parte do monstro Cipactli, um crocodilo gigante que foi esquartejado pelos deuses. Parte dele se converteu na Terra e parte no céu, que foi erguido por quatro deuses ou gigantes e sustentado por pilares, a fim de não tornar a se juntar à Terra. Cipactli foi homenageado no calendário mágico (tonalpohualli) como o primeiro dos vinte signos do "zodíaco" asteca. 
Mas que forma passou a possuir a Terra após essa gênese violenta? Jean Marcilly diz que, para os astecas, a Terra é um disco chato, cruzado pelos pontos cardeais, sendo o ponto de confluência de duas pirâmides, cujos vértices principais se tocam. A pirâmide de cima são os céus; a de baixo, os inframundos. A de cima recebe as horas do dia; a de baixo, as horas da noite.
Ao redor do Tlalticpac (Terra) está um rio chamado Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove")

Civilização Asteca | Religião
Os paraísos astecas

Existem duas cosmografias míticas no universo asteca. A primeira é a horizontal delimitada pelos cinco pontos cardeais (o centro também é considerado um deles). Cada qual está associado a um deus e também a uma infinidade e outros atributos, impossíveis de serem enumerados aqui, tal a sua quantidade e complexidade. Em se tratando de mitologia asteca, não existem verdade firmadas, mas interpretações diversas e apenas aproximativas. A representação dos pontos cardeiais em forma de cruz, recorrente na iconografia asteca, era um dos conceitos fundamentais do misticismo ameríndio pré-colombiano. Cada um dos quadrantes possuía a sua simbologia própria:

Civilização Asteca | Religião
O Xamã asteca

No antigo México, o xamã era considerado um membro altamente respeitado da comunidade e desempenhava uma função vital como intermediário entre o mundo espiritual e o mundo natural. Os xamãs não escolhiam esta carreira - ou já nasciam xamãs, ou eram chamados através de sonhos e visões. Uma parte importante das crenças astecas era a interligação entre todas as coisas – vivas e mortas - e o papel do xamã consistia em trabalhar com a energia do mundo para lá da percepção quotidiana. A pulque, uma bebida alcoólica feita a partir da piteira, era muito usada nas cerimônias pois tinha um efeito alucinógeno como peyote e datura (outras variedades de catos mexicanos). As máscaras, os cânticos, os tambores, as matracas e outros instrumentos também eram usados para ajudar o xamã a atingir um estado de consciência alterado. Atualmente, as práticas dos xamãs na tradição cultural antiga invocam os mitos e as divindades do passado. Podem prescrever ervas medicinais, encontrar almas perdidas, ler o futuro ou proceder a purificações numa casa ou num indivíduo que tenha sido enfeitiçado.

Civilização Asteca | Ciências
A pedra calendário Asteca

Os Astecas davam grande importância ao estudo da matemática e da astronomia e desenvolveram complexos sistemas de contagem do tempo. O conceito de tempo que tinham era mais cíclico que linear e era dependente e controlado por forças divinas. Os Astecas dispunham de dois calendários concomitantes: um de 260 dias movendo-se no sentido dos ponteiros do relógio (coincidindo com o tempo de gestação humana), e um de 365 dias movendo-se em sentido contrário. Construído no século xv, a famosa Pedra do Calendário (também conhecida como Pedra do Sol) foi descoberta em 1790 na capital asteca de Tenochtitlan, hoje Cidade do México. A pedra mede 3,5 m de diâmetro, pesa 25,5 toneladas e é ricamente esculpida em basalto. No centro da Pedra do Calendário reconhece-se a face do deus do Sol Tonatiuh. Criador do Quinto Sol. Os quatro quadrados que o rodeiam representam as quatro eras anteriores (ou «sóis») que foram destruídas por animais, vento, fogo e água. Na orla e da pedra estão duas serpentes sagradas, que simbolizam a natureza cíclica e em espiral da dança da vida.

Civilização Asteca | Religião
O universo tripartido Asteca

No centro do universo asteca - o local de encontro do Céu, Terra e Sudmundo - era a cidade capital de Tenochtitlan. Segundo a lenda, o povo local era conhecido por Tenochca, mas o deus da guerra Huitzilopochtli deu-lhes um novo nome, Mexica, e ordenou-lhes que construíssem a capital numa ilha no meio do Lago Texcoco. No coração da cidade erguia-se o magnífico Grande Templo, dedicado a Huitzilopochtli e o deus asteca da chuva, chamado Tlaloc.

Civilização Asteca | Religião
A Religião Asteca após a conquista espanhola

Nos anos seguintes a 1521, a conversão dos povos nativos da Mesoamerica continuou, mas era mais aparente que real. Registros de 1536 a 1540 revelaram que tais costumes pre-colombianos como a concubinagem, idolatria e sacrifício humano ainda eram praticados. Em 1565, os bispos espanhóis da Cidade do Mexico reclamavam da facilidade com que os nativos se revertiam para os rituais pre-conquista, escondendo ídolos atrás de altares em igrejas recem-construidas, fazendo uso de alucinógenos e invocando o simbolismo das cores antigas. Os padres franciscanos tomaram Tezcatlipoca não apenas como a divindade asteca principal, mas também como Lucifer cuja influência maligna era vista entre os povos indígenas.

Civilização Asteca | Força Militar
A guerra Asteca

A antiga milícia mexicana era diferente em vários aspectos fundamentais dos seus equivalentes europeus. Os astecas, como os seus contemporaneos na Mesoamerica, não fomentavam a guerra para conquistar e integrar território, ou converter os derrotados para sua própria religião. Sua motivação era derrotar os inimigos para poder cobrar impostos deles e capturar prisioneiros para rituais de sacrifício aos deuses. Administrar as áreas conquistadas era caro e pouco prático, por isso os astecas governavam indiretamente por meio de chefes locais e alianças políticas por casamento. A recompensa dessa abordagem era a fabulosa riqueza que jorrava em Tenochtitlan. A matança em campo de batalha e a destruição da terra eram "autoderrotantes" para esse fim. Porem, havia exceções. A morte na guerra era frequente e as cidades, as vezes, eram destruídas e sua população dizimada para servir de aviso as outras.

Civilização Asteca | Família
A Família Asteca

O nascimento de uma criança era uma ocasião de alegria e perigo, ambos físicos e espirituais. Os bebes eram trazidos a luz por parteiras profissionais que rezavam para Chalchiuhtlicue, a deusa da fertilidade e da maternidade. Se o bebe fosse menino, o cordão umbilical era dado aos guerreiros para ser enterrado em campos de batalha; se fosse menina, era colocado embaixo de uma lareira, simbolizando suas futuras tarefas domesticas. O nome de um bebe recém-nascido era escolhido após uma consulta dos pais aos sacerdotes que determinavam as influencias sobrenaturais associadas com o tempo e com a data de nascimento. Se a data de nascimento fosse julgada de sorte, o bebe era nomeado no dia seguinte; se agourenta, uma data mais propícia era escolhida. Logo após o nascimento eram presenteados com miniaturas de sua futura vida adulta. Alguns meninos eram presenteados com o escudo de um guerreiro, outros com ferramentas de ourives, enquanto as meninas ganhavam uma vassoura ou uma roca cheia de malha de algodão. Meninos e meninas eram bem-vindos igualmente nas famílias astecas e descritos carinhosamente como "colares preciosos" ou "belas penas".

Civilização Asteca | Cotidiano
A Sociedade Asteca

A sociedade asteca estava baseada e caracterizada nos direitos, privilegios, costumes e emblemas de cada classe. No topo estava o imperador sagrado, conhecido como Huey Tlatoani, ou Primeiro Orador. Como era a pessoa mais importante da sociedade asteca, ele governava como representação divina de Tezcatlipoca. Em vestimentas tipicamente astecas, a posição do imperador não era herdada, mas sim obtida por meio da eleição com um conselho de nobres, os homens mais aptos da família real. Uma vez escolhido, cada novo imperador passava por uma longa serie de rituais que incluíam a Guerra da Coroação, para provar suas habilidades militares. O Codex Florentino descreve esses eventos, especialmente o imperador realizando rituais de discursos para Tezcatlipoca nos quais ele pedia força e liderança. Uma vez coroado, o novo imperador era carregado em um trono de jaguares e águias onde tinha seu corpo perfurado com uma presa de jaguar em uma oferta de sangue que o ligava eternamente aos deuses.

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Sacrifícios humanos maias
História - Idade Antiga - Antiguidade Americana - Civilização Maia - Sacrifício Humano - Ritual de sacrifício humano
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O povo maia acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana eles se dedicavam à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas, como flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados. Mas o ritual mais importante eram os sacrifícios de animais e de seres humanos. Os deuses, pensavam os maias, precisavam de sangue - a energia vital e sagrada. Todas as cidades possuíam um centro cerimonial onde eram realizados os rituais de adoração aos deuses. Grandes cerimônias públicas, realizadas em todo o império, estavam relacionadas com o calendário - eram festejadas datas como o Ano Novo, por exemplo - e incluíam os rituais de fertilidade, iniciativos, de adivinhação e curandeirismo, além dos referentes aos ciclos da vida: gravidez, nascimento, infância, puberdade, casamento e morte. Nos rituais de sacrifício, as vítimas eram escravos, inimigos capturados ou mulheres virgens.

 

JOGO MACABRO

Um dos principais ritos de sacrifício humano era uma espécie de jogo de bola, simbolizando a luta de contrários cósmicos. Esses contrários podiam ser o sol e a lua, as forças do dia contra as da noite. O jogo sempre estava relacionado com a luta sagrada de princípios astrais para a manutenção da vida.

Era precedido por uma procissão, seguida da decapitação de um prisioneiro ou escravo. Sua cabeça era usada como bola, simbolizando o astro que era venerado. Tinha início então o jogo, que imitava os movimentos do astro no céu. Ao realizá-lo os maias acreditavam que abasteciam o universo de magia, e assim garantiam a continuidade da vida.

Os sacrifícios humanos se intensificaram na cultura maia no período denominado pós-clássico (depois do ano 900), quando recebeu forte influência dos toltecas. As práticas mais comuns eram extrair o coração da vítima, executá-la com flechadas ou mesmo afogá-la em um canal ou rio.

 

A VIDA APÓS A MORTE

Os funerais eram muito importantes para preparar os indivíduos para a última grande passagem da vida. Crentes na imortalidade da alma, os maias cuidavam para que a viagem do morto até seu destino final - que variava de acordo com sua conduta em vida - fosse bem-sucedida. Segundo a tradição religiosa, durante essa última viagem o morto precisava ser alimentado e tinha de levar consigo os objetos que usara em vida. Por isso, as sepulturas de grandes senhores eram abastecidas com jóias, uma máscara que servia de identificação e um punhado de jade na boca para preservar o espírito. Os luxos incluíam ainda a presença, nos túmulos, de acompanhantes: escravos e mulheres eram sacrificados durante os ritos funerários.

Referências Bibliográficas
14 Textos publicados
Civilização Maia
Civilização Maia | Artes
Cultura maia primitiva

A era mais primitiva da civilização maia é conhecida como pré-clássica e data de 2000 a.e.c. a 250 d.e.c. Um de seus exemplos mais primitivos de vida estabelecida em vilarejos na tradição maia vem do sítio de Cuello em Belize, cuja fase Swasey data de 1200-900 a.e.c. Diversas características culturais maias típicas estavam neste lugar no final do período: casas agrupadas ao redor de um pátio central; mortos enterrados embaixo aos pisos das casas; milho como alimento principal; a característica cerâmica vermelha, geralmente na forma de pratos e tigelas. Deste ponto em diante, outras características que marcaram a civilização maia posterior começam a aparecer, como a obsidiana e o jade - ambos trazidos ao local por comerciantes.

Grandes mudanças na região maia começaram a acontecer entre 600-400 a.e.c. durante a chamada fase Mamon. É nesse ponto que da parte norte de Yucatan a regido sul de Peten tipos diferentes de cerâmica assumem uniformidade em sua matéria-prima e formas, indicando um alto grau de cultura comum na região, apesar aos diversos locais geográficos. Nesse período, diferente de qualquer um outro na mesoamerica, não houve grandes construções publicas. Porém, entre o fim da fase Mamon em aproximadamente 400 a.e.c. e início da era maia clássica em cerca de 250 a.e.c., o mundo maia foi transformado.

Uma abordagem pan-maia da arte e iconografia baseadas em ideias religiosas amplamente difundidas fica no coração do que aconteceu nessa época, chamada pelos arqueólogos de Período Posterior Pré-clássico. Os traços distintos da civilização maia clássica subsequente ficam evidentes pela primeira vez: grande arquitetura publica, recintos cerimoniais adornados com símbolos de governo divino, escrita hieroglífica, sistema de notação barra-e-traço e estelas entalhadas em pedra como sinal de propaganda real monumental. Muitos desses desenvolvimentos requereram habilidades intelectuais e organizacionais praticas, não menos na expansão da agricultura hidráulica que se tornaria a base econômica da expansão das cidades maias. Por exemplo, entre 200 a.e.c. e 100 d.e.c., habitantes da cidade maia de Edzna construíram um canal de 12 quilômetros de comprimento, ligados a sete canais menores e diversos reservatórios. No total deve ter levado 1,7 milhão de dias de trabalho para ser construído.

A grande escala da imaginação maia, e sua consciência de materiais culturais maiores e menores, é impressionante. As grandes cidades cresceram em população a partir de áreas circunvizinhas atraídas parcialmente pela perspectiva de trabalho, comida e proteção oferecidas pela elite emergente que a empregava para a construção de templos-piramidais monumentais, e edificações vizinhas no coração cerimonial da nova comunidade. Esses novos empreendimentos em massa são representados por sítios como Seibal, Nohmul, Calakmul e Tikal. A maior cidade pré-clássica, contudo, era El Mirador cujas grandes pirâmides de Monos e El Tigre foram construídas por volta de 150 a.e.c. com uma altura de 55 metros, e a pirâmide Danta que pode ser a construção maia mais alta. Estas e outras construções contemporâneas foram adornadas com grandes máscaras de stucco de seres sobrenaturais, flanqueadas por figuras de jaguar, e orientadas para se beneficiar dos movimentos dos corpos celestiais e assim parecerem associando os céus com a terra em rituais designados a exaltar a natureza divina de seus governantes.

As dimensões políticas dessa ideologia emergente e visão de mundo também se manifestam através do tempo, visíveis em grandes estelas de pedra entalhadas com representações de governantes acompanhadas de inscrições hieroglíficas e cálculos no sistema matemático de barra-e-ponto. A Estela 2 em El Mirador e Estelas 2 e 5 em Abaj Takalik são exemplos primitivos do que depois se tornaria uma prática comum. Fica claro que na região maia muitos centros pré-clássicos continuaram ate o Período Clássico Inicial sem grandes mudanças sociais ou políticas.

Civilização Maia | Religião
Mitos maias de criação

Os mitos de origem maia, como na maioria dos relatos cosmogónicos da Mesoamerica, estavam relacionados principalmente com sacrifícios, fertilidade e com o estabelecimento de um decreto sagrado para um sistema de hierarquia social dominada pela elite governante. Nosso conhecimento sobre esses eventos memoráveis provem mais de indícios escritos de culturas muito posteriores a maia, do que dos próprios maias clássicos. Esses relatos foram filtrados durante o período colonial espanhol que produzia documentos híbridos - parte maia, parte espanhola. Uma leitura atenta a esses relatos permitiu que alguns desses eventos escritos fossem identificados com a civilização maia primitiva, especialmente em cenas representadas na arte maia clássica em lindas cerâmicas pintadas.

Sem dúvida, o documento mais importante e influente dessas fontes escritos híbridas sobre a origem maia e o Popol Vuh, ou livro do conselho, uma obra-prima única da literatura maia. Foi descoberto durante o século XVIII, entre os maias de Quiche das terras altas da Guatemala, e traduzido para o espanhol. É considerado pelos especialistas como uma cópia de um hieróglifo original, agora perdido, feita no período colonial. Seus três temas principais são: a criação do mundo, o conto épico dos Gêmeos Heróis e as origens das dinastias de Quiche.

O Popol Vuh conta as criações malsucedidas anteriores - neste caso três, envolvendo animais, pessoas de lama e pessoas de madeira -, as quais acabaram destruídas. Ele então relata as aventuras dos Gêmeos Heróis chamados de Hunaphu e Xbalanque. Essas são figuras traiçoeiras que derrotaram os senhores do além-mundo de Xibalba em um jogo de bola cósmico e ascenderam para se tornar Sol e Lua. Este relato nos leva a uma quarta e ultima criação, em que os deuses moldam os humanos a partir do medo - estes são os quatro fundadores da linhagem Quiche.

Para começar, os relatos dos maias de Quiche sobre o primeiro amanhecer do mundo descrevem o aparecimento do Sol, da Lua e das estrelas nos termos da mitologia e da Astronomia. Em sua visão, os primeiros povos foram os fundadores das quatro linhagens de Quiche. Eles ficavam satisfeitos ao observar Vênus surgir sobre o Sol no céu oriental. Desembrulhavam três tipos de incenso de resina que haviam trazido, e então os queimavam na direção oeste. Conforme a fumaça espiralava rumo ao céu, eles choravam de alegria e antecipação ao amanhecer iminente. Conforme o Sol subia, todos os animais do mundo se reuniam nos picos das montanhas e fixavam seu olhar no oeste.

Todos ficavam felizes quando o Sol surgia. O primeiro a gritar era o papagaio, então a águia, o abutre, o jaguar e o puma. Conforme o calor do Sol aumentava, ele secava a superfície da terra e transformava os animais em pedra. Dizia-se que se o primeiro jaguar, puma e cascavel não tivessem sido queimados pelo Sol, os humanos não teriam sossego com essas bestas perigosas hoje em die. O Sol deixou somente seu reflexo cósmico apos o primeiro amanhecer, e hoje o Sol visível é somente este disco brilhante - uma lembrança gloriosa do primeiro amanhecer.

Embora muito do Popol Vuh esteja relacionado com as varias tentativas da criação do mundo, ele também reconta as aventuras de dois pares de gêmeos. São estes gêmeos e suas aventuras cósmicas que parecem ser representados em tantas obras-de-arte maias. A história começa quando os gêmeos chamados Hun Hunahpu ("1-Caçador") e Vucub Hunahpu ("7-Caçador"), são convocados para o além-mundo de Xibalba - "o local do medo" - por seus horríveis governantes de nomes horripilantes como "1-Morte", "Cetro de Ossos" e "Garras Sangrentas". Na chegada, os irmãos falharam em uma prova após a outra, até finalmente serem derrotados em jogo de bola com os deuses do além-mundo, e foram decapitados. Seus restos foram enterrados em um campo de bola, com exceção da cabeça de Hun Hunahpu, que foi pendurada em um cabaceiro.

Uma jovem deusa do além-mundo chamada Xquic visita a arvore e seu estranho fruto, que a copa cospe em sua mão fazendo-a engravidar dos Heróis Gêmeos, Hunahpu ("Caçador") e Xbalanque ("Cervo Jaguar"). Seu pai fica ultrajado e tenta sacrificá-la; mas ela escapa para o mundo da superfície da terra e vive com a mãe de Hun Hunahpu até finalmente dar à luz. Durante a infância, os gêmeos exibiam grande esperteza e clareza de ideias, tornando-se jogadores talentosos, atiradores e trapaceiros. Eles confrontam e derrotam não somente a arara antropomórfica Vucub Caquix, cujos dentes de jóia brilhavam tanto que ela mesma se considerava o Sol, mas também os dois meios-irmãos a quem eles transformaram em macacos.

Seu constante jogo de bola, contudo, perturbava os senhores do além-mundo, então Hunahpu e Xbalanque são enviados a uma jornada a Xibalba. Sua mãe e avó tem medo de que o mesmo destino de seu pai e do esteja reservado a eles. Em um gesto típico mesoamericano, cheio de ressonâncias simbólicas, os gêmeos plantam sementes de milho no chão da terra de sua casa, dizendo aos seus familiares preocupados que se eles sobrevivessem o milho brotaria e se falecessem o milho morreria.

Os gêmeos chegam a Xibalba onde eles jogam bola todas as noites com os senhores do além-mundo que, depois dos jogos, tentam sacrificar os gêmeos sem sucesso e são constantemente sobrepujados. A cada noite e dada uma nova tarefa aos Gêmeos Heróis, as quais eles completam, ao contrário das expectativas. Quando mandavam que mantivessem cigarros acesos a noite toda colavam vaga-lumes nas pontas; na Casa do Jaguar não eram comidos, pois ofereciam ao felino a carne fresca de outros animais; e na Casa do Frio mantinham-se aquecidos impedindo a entrada da chuva e do vento. Porém, uma noite, na Casa do Morceço, Hunahpu teve sua cabeça decaptada por um morcego-vampiro e, embora Xbalanque a tenha substituído por uma abóbora pintada de maneira real, os deuses usaram a cabeça para substituir a bola de borracha no próximo jogo. Xbalanque inventa uma artimanha em que um coelho personifica a bola e foge saltitando, despistando os deuses o suficiente para recuperar a cabeça do irmão e traze-lo de volta a vida.

No fim, os gêmeos permitem-se ser mortos pulando em um fogaréu, e reaparecem em Xibalba disfarçados de magos. Eles enganam os deuses com truques de mágica, matando e depois devolvendo a vida a um cão, e a um humano, como ao próprio Hunahpu. Os Gêmeos Heróis favorecem, mas não ressuscitam as divindades, e punem os Deuses da Morte sobreviventes dizendo a eles que, daquele momento em diante, poderiam apenas devorar os seres humanos culpados e violentos. Os gêmeos retornam ao campo de bola e remontam seu pai, prometendo que ele seria relembrado e consultado em rituais, antes de ascenderem ao céu como Sol e Lua.

Embora o Popol Vuh seja um documento do início do período colonial, a maioria dos peritos considera que ele incorpora crenças maias muito antigas, talvez ate do período clássico primitivo. Os eventos que envolvem os combates dos Gêmeos Heróis com os Senhores do além-mundo foram interpretados como a representação da busca pelo milho no início de um tema mítico - milho sendo plantado de onde a humanidade foi finalmente criada. Na cerâmica pintada do período maia clássico posterior, há cenas lindamente feitas que foram interpretadas como um retrato de Hun Hunahpu sendo o Deus do Milho e surgindo da terra, ressuscitado pelos seus filhos, os Gêmeos Heróis, depois da derrota cósmica dos deuses do além-mundo - uma imagem ritual que simboliza o aparecimento anual da plantação de milho crescendo do interior da terra.

A cerâmica e os ossos entalhados que eram enterrados em sepulturas de alta estirpe também representam cenas que mostram a jornada da alma após a morte. A sepultura do rei de Tikal, Hasaw Ka'an K'awil, tinha ossos entalhados com imagens do governante morto sendo levado de canoa para o além-mundo, retomando as viagens ao além-mundo dos Gêmeos Heróis. Cerâmicas funerárias pintadas retratam episódios que parecem ter sido tirados do Popol Vuh e incluem cenas que mostram a cabeça decepada de Hun Hunahpu tornando à vida apos a decapitação da cabeça de Hunahpu pelo vampiro Camazotz, e encontros entre os Heróis Gêmeos e Itzamndum episodio perdido, ou pelo menos não transmitido ao Popol Vuh.

Civilização Maia - Ciências
Os códices maias

Quatro sistemas de escrita foram desenvolvidos na Meso-América: zapoteca, mixteca, maia e asteca. Delas, a maia era a mais elaborada. O sistema não foi obra pura deste povo, mas influenciado por uma civilização anterior, a dos olmecas, que existiu na região do México entre 1500 e 400 a.e.c. A escrita maia era aparentemente não alfabética, composta por cerca de 1 mil glifos (caracteres), que ora representam sons, ora símbolos. Ou seja, já apresentava elementos de uma linguagem fonética. Até pouco, tempo, apenas 180 destes sinais haviam sido identificados - hoje, com a ajuda do computador, já foram decifrados cerca de 500.

Civilização Maia - Ciências
Astronomia e matematica maia

Não foi à toa que os maias criaram um calendário superpreciso. Notáveis observadores dos céus, eles se valeram de outros movimentos sincronizados, como a evolução dos astros, para fixar as marcações dos dias, meses, anos e espaços de tempo maiores.

No seu trânsito anual, o sol cruza periodicamente o equador celeste a cada 365,2422 dias - o que define as estações no planeta Terra. Outro marcador importante é a lua. O ciclo de suas quatro fases - cujas mudanças são causadas pela iluminação do astro pelo sol vistas da Terra resulta no mês lunar, que dura exatamente 29,53 dias.

Além de estudar o movimento destes dois importantes astros, os maias conheciam ainda o trânsito de Vênus, que era estimado em aproximadamente 584 dias (na realidade possui 583,92 dias). E chegaram a registrar posições e órbitas de estrelas e outros planetas.

Civilização Maia - Ciências
A contagem do tempo maia

Ao olhar uma folhinha pendurada na parede ou anotar um compromisso na agenda, ninguém pensa em como foi difícil para as primeiras civilizações montar seus calendários. Controlar o tempo em um único dia é relativamente fácil, já que ele começa com o nascer e termina com o pôr-do-sol.

A tarefa é muito mais complicada a longo prazo. Há atividades, como os plantios e festividades religiosas, que demandam o controle da passagem do tempo em períodos mais extensos. Os astrônomos maias, por exemplo, desenvolveram dois calendários principais, que usavam sobrepostos.

Civilização Maia - Ciências
Invenções maias

Ao longo de sua história, os maias desenvolveram uma cultura riquíssima. Quando se estuda essa fascinante trajetória, é inegável a admiração ao constatar o nível de desenvolvimento científico alcançado por sua civilização. A elaboração de um calendário, o desenvolvimento de um complexo sistema matemático e de uma escrita e a arquitetura peculiar são legados de inestimável valor que estimulam a conhecer melhor a história da América antes da chegada dos conquistadores europeus. Além desses avanços, os maias ainda são responsáveis por outras inovações que se espalharam pelo mundo e chegaram até os dias atuais. Em suas pinturas, os artistas produziam uma tinta azul com tonalidade única, muito utilizada principalmente no período clássico. A cor, que acabou conhecida como azul maia, era diferente da tonalidade conseguida por pintores do velho continente. Enquanto os europeus utilizavam suas tintas corantes à base de lápis-lazúli ou cobre, o inventivo povo americano utilizava o anil, extraído de uma planta chamada índigo, natural da região e de outras zonas de clima quente.

Civilização Maia - Família
A família maia

Os homens maias comuns eram os responsáveis pela agricultura, atividade praticada por todos os integrantes da família. O dia de uma típica família maia começava por volta das 4 horas da manhã, quando seus integrantes se dirigiam ao campo para o trabalho. As primeiras obrigações eram cortar árvores e construir cercas com os troncos - para evitar que veados e antas comessem as mudas - e revolver e arar o solo com varas endurecidas no fogo. Os mais jovens cuidavam da tarefa.

Civilização Maia - Ciências
A medicina maia

O conhecimento dos maias sobre medicina e saúde foi recuperado na época da colonização espanhola graças ao trabalho de missionários e cronistas que buscaram informações junto aos próprios maias remanescentes do império. Figura importante nesse processo foi Diego de Landa que, apesar de haver mandado queimar, durante um auto de fé, diversos documentos seguramente reveladores, depois tentou recuperar valiosos conhecimentos da cultura maia em seu relato Relações das coisas de Yucatán. No texto, Landa faz descrições minuciosas sobre o grande desenvolvimento da medicina maia.

Civilização Maia - Cotidiano
Estrutura social maia

Os maias dividiam-se em províncias autônomas que eram verdadeiras cidades-estado semelhantes às cidades gregas do período clássico. Nelas, a maior autoridade era o halach vinic, que governava em nome de um deus. Ele concentrava as funções religiosa, militar e política. Seu cargo era hereditário e era ele quem escolhia, entre os membros da nobreza, os funcionários que o ajudariam na administração da cidade.

Civilização Maia - Artes
Os murais maias de Bonampak

Como em outras culturas da Mesoamérica, para os maias a criação artística era uma forma de se assemelhar aos deuses. As obras de arte também tinham uma função disciplinadora: por meio delas, os governantes mostravam aos homens comuns em quem os deuses haviam depositado sua sacralidade. Com esse expediente, que reforçava a grandeza de suas linhagens, eles provavam que tinham o direito de governar os demais e se manter no poder. Assim, os temas principais de pinturas e esculturas são os soberanos, sempre representados ao lado de deuses.

Civilização Maia - Religião
Sacrifícios humanos maias

O povo maia acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana eles se dedicavam à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas, como flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados.

Civilização Maia - Religião
A religião Maia

 maior parte do que sabemos a respeito da vida espiritual do povo maia provém de alguns livros, a que chamamos códigos, que não foram destruídos pelos conquistadores espanhóis, e do Popol Vuh, o principal texto sagrado dos Maias. Eles acreditavam em forças invisíveis que estavam presentes em toda a natureza, no equilíbrio entre as trevas e a luz e no ciclo eterno da morte e regeneração.

Civilização Maia - Introdução
As origens da Civilização Maia
Pré-História - Economia
Economia Pré-histórica
As informações que o pré-historiador possui sobre as técnicas de aquisição dos homens do Paleolítico são truncadas e com bastante freqüência ambíguas, particularmente no que se refere ao Paleolítico Antigo. Possuímos, pelas ossadas abandonadas nos habitats, a lista dos animais caçados, sem que tenhamos documentos muito claros sobre as técnicas que permitiram capturá-los ou abatê-los e, por outro lado, sempre através de vestígios ósseos, pode reconstituir-se o consumo de carne, ao passo que a
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ULTIMAS ATUALIZAÇOES
História
O príncipe esquecido
Um personagem que foi importante como forte candidato no apagar das luzes do Império, hoje está quase totalmente esquecido, não fosse o notável livro de Mary Del Priore O príncipe maldito (ed. Objetiva, 2006). Era o belo jovem príncipe D. Pedro Augusto de Saxe Coburgo, neto de D. Pedro II e filho de sua segunda filha, d. Leopoldina, casada com o príncipe Augusto (Gusty) Saxe Coburgo. No entanto, o título de “príncipe maldito” parece impróprio, já que ele nada fez que provocasse maldição, nem maldades.
Psicologia
Aspectos históricos da neuropsicologia e o problema mente-cérebro
No lado diametralmente oposto do espectro de posições sobre a relação mente-cérebro, encontra-se o eliminativismo ou materialismo eliminativo. Uma das princi­pais teses do eliminativismo é a de que a folk psychology (psicologia popular) trabalha com categorizações falsas, terminologias herdadas de um passado remoto que pre­cisam ser eliminadas para um progresso da compreensão da relação cérebro-mente. As­sim como a teoria do phlogiston foi supera­ da cientificamente e tornada obsoleta pelas pesquisas empíricas em oxidação, também muitas classes de supostos estados mentais seriam apenas ilusões. Ainda que permane­çam em nosso vocabulário explicativo, esses entia non-gratia não possuiriam qualquer capacidade causal, nem sequer existiriam, tal como bruxas, almas, elán vital, etc. Entre as entidades mentais que essa linha de pen­samento pretende eliminar, encontram-se, por exemplo, atitudes preposicionais: rela­ções entre conteúdos proposicionais e uma determinada postura mental com implica­ções práticas (p. ex., acreditar, desejar, espe­rar) (P. M. Churchland, 1981; P. S. Churchland, 1986). Também foi proposto por eliminativistas (Dennett, 1992) que a no­ção de qualia (sensações e experiências co­mo estados subjetivos qualitativos) poderia ter um caráter ilusório e não ter a existência que lhes é atribuída na psicologia popular.
Psicologia
O lugar do ser humano na natureza e na evolução
O modo tradicional de concluir os livros sobre a evolução humana é discorrer sobre as maneiras nas quais nosso passado evolucionário é impor­tante para a compreensão do mundo atual. Isso não é tão difícil se o livro for como o African Genesis, de Ardrey, cujo tema - a evolução de um macaco assassino para um humano assassino - tornava fácil a defesa da ideia de que é importante entender o aspecto violento da natureza humana. No caso de muitos dos livros de antropologia mais tradicionais, essa argumentação seria impossível, uma vez que eles, com frequência, afirmam que o principal padrão verificado na evolução humana é o de que os humanos vêm gradualmente se libertando do jugo da seleção natural, e que os efeitos do meio ambiente sobre eles vêm se reduzindo. Se os humanos moldam sua evolução mais que a evolução molda os humanos, o papel do passado teria algum interesse mas pouca importância.
História
Guerras Púnicas
As Guerras Púnicas marcaram um período crucial na história de Roma, quando passou de potência puramente italiana, em 265, a força dominante no Mediterrâneo, em 146, um processo que a História de Polibio tem como propósito explicar. Nesta altura, estavam já criadas seis províncias ultramarinas: Sicília, Sardenha e Córsega, Hispânia Citerior, Hispânia Ulterior, África e Macedônia. A exceção desta última, todas foram adquiridas através do conflito com Cartago. Em finais do século, foram criadas
Antropologia
Evolução humana: Por que a África?
A evolução é sempre associada ao tempo. Afinal, a evolução é um processo que ocorre ao longo do tempo, e são os extraordinariamente longos períodos de tempo em questão que despertam nossa imaginação. Dinossauros que existiram por cem milhões de anos ou hominídeos que evoluíram ao longo de sete milhões de anos, são essas as coisas que tornam a evolução diferente dos demais ramos da ciência ou da vida cotidiana. A pergunta sobre se haveria períodos de tempo geológico mais interessantes que outros ocorre com facilidade.