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Civilização - 31/10/2012
Sacrifícios humanos maias

 

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O povo maia acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana eles se dedicavam à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas, como flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados. Mas o ritual mais importante eram os sacrifícios de animais e de seres humanos. Os deuses, pensavam os maias, precisavam de sangue - a energia vital e sagrada. Todas as cidades possuíam um centro cerimonial onde eram realizados os rituais de adoração aos deuses. Grandes cerimônias públicas, realizadas em todo o império, estavam relacionadas com o calendário - eram festejadas datas como o Ano Novo, por exemplo - e incluíam os rituais de fertilidade, iniciativos, de adivinhação e curandeirismo, além dos referentes aos ciclos da vida: gravidez, nascimento, infância, puberdade, casamento e morte. Nos rituais de sacrifício, as vítimas eram escravos, inimigos capturados ou mulheres virgens.

 

JOGO MACABRO

Um dos principais ritos de sacrifício humano era uma espécie de jogo de bola, simbolizando a luta de contrários cósmicos. Esses contrários podiam ser o sol e a lua, as forças do dia contra as da noite. O jogo sempre estava relacionado com a luta sagrada de princípios astrais para a manutenção da vida.

Era precedido por uma procissão, seguida da decapitação de um prisioneiro ou escravo. Sua cabeça era usada como bola, simbolizando o astro que era venerado. Tinha início então o jogo, que imitava os movimentos do astro no céu. Ao realizá-lo os maias acreditavam que abasteciam o universo de magia, e assim garantiam a continuidade da vida.

Os sacrifícios humanos se intensificaram na cultura maia no período denominado pós-clássico (depois do ano 900), quando recebeu forte influência dos toltecas. As práticas mais comuns eram extrair o coração da vítima, executá-la com flechadas ou mesmo afogá-la em um canal ou rio.

 

A VIDA APÓS A MORTE

Os funerais eram muito importantes para preparar os indivíduos para a última grande passagem da vida. Crentes na imortalidade da alma, os maias cuidavam para que a viagem do morto até seu destino final - que variava de acordo com sua conduta em vida - fosse bem-sucedida. Segundo a tradição religiosa, durante essa última viagem o morto precisava ser alimentado e tinha de levar consigo os objetos que usara em vida. Por isso, as sepulturas de grandes senhores eram abastecidas com jóias, uma máscara que servia de identificação e um punhado de jade na boca para preservar o espírito. Os luxos incluíam ainda a presença, nos túmulos, de acompanhantes: escravos e mulheres eram sacrificados durante os ritos funerários.

Palavras e Significados:
Referências e notas:
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Civilização Maia | Religião
Mitos maias de criação

Os mitos de origem maia, como na maioria dos relatos cosmogónicos da Mesoamerica, estavam relacionados principalmente com sacrifícios, fertilidade e com o estabelecimento de um decreto sagrado para um sistema de hierarquia social dominada pela elite governante. Nosso conhecimento sobre esses eventos memoráveis provem mais de indícios escritos de culturas muito posteriores a maia, do que dos próprios maias clássicos. Esses relatos foram filtrados durante o período colonial espanhol que produzia documentos híbridos - parte maia, parte espanhola. Uma leitura atenta a esses relatos permitiu que alguns desses eventos escritos fossem identificados com a civilização maia primitiva, especialmente em cenas representadas na arte maia clássica em lindas cerâmicas pintadas.

Civilização Maia | Religião
Sacrifícios humanos maias

O povo maia acreditava que a função do ser humano na terra era venerar os deuses. Sem o homem para realizar os rituais adequados, os deuses morreriam, o que acarretaria o desaparecimento do universo. Por conta disso, na vida cotidiana eles se dedicavam à realização das mais diferentes cerimônias, nas quais, para alimentar e apaziguar os deuses, eram comuns as oferendas, como flores, frutas e alimentos, que chegavam a ser preparados.

Civilização Maia | Religião
A religião Maia

 maior parte do que sabemos a respeito da vida espiritual do povo maia provém de alguns livros, a que chamamos códigos, que não foram destruídos pelos conquistadores espanhóis, e do Popol Vuh, o principal texto sagrado dos Maias. Eles acreditavam em forças invisíveis que estavam presentes em toda a natureza, no equilíbrio entre as trevas e a luz e no ciclo eterno da morte e regeneração.

Civilização Maia | Outros tópicos
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Civilização Maia | Artes
Cultura maia primitiva

A era mais primitiva da civilização maia é conhecida como pré-clássica e data de 2000 a.e.c. a 250 d.e.c. Um de seus exemplos mais primitivos de vida estabelecida em vilarejos na tradição maia vem do sítio de Cuello em Belize, cuja fase Swasey data de 1200-900 a.e.c. Diversas características culturais maias típicas estavam neste lugar no final do período: casas agrupadas ao redor de um pátio central; mortos enterrados embaixo aos pisos das casas; milho como alimento principal; a característica cerâmica vermelha, geralmente na forma de pratos e tigelas. Deste ponto em diante, outras características que marcaram a civilização maia posterior começam a aparecer, como a obsidiana e o jade - ambos trazidos ao local por comerciantes.

Civilização Maia | Ciências
Os códices maias

Quatro sistemas de escrita foram desenvolvidos na Meso-América: zapoteca, mixteca, maia e asteca. Delas, a maia era a mais elaborada. O sistema não foi obra pura deste povo, mas influenciado por uma civilização anterior, a dos olmecas, que existiu na região do México entre 1500 e 400 a.e.c. A escrita maia era aparentemente não alfabética, composta por cerca de 1 mil glifos (caracteres), que ora representam sons, ora símbolos. Ou seja, já apresentava elementos de uma linguagem fonética. Até pouco, tempo, apenas 180 destes sinais haviam sido identificados - hoje, com a ajuda do computador, já foram decifrados cerca de 500.

Civilização Maia | Ciências
Astronomia e matematica maia

Não foi à toa que os maias criaram um calendário superpreciso. Notáveis observadores dos céus, eles se valeram de outros movimentos sincronizados, como a evolução dos astros, para fixar as marcações dos dias, meses, anos e espaços de tempo maiores.

No seu trânsito anual, o sol cruza periodicamente o equador celeste a cada 365,2422 dias - o que define as estações no planeta Terra. Outro marcador importante é a lua. O ciclo de suas quatro fases - cujas mudanças são causadas pela iluminação do astro pelo sol vistas da Terra resulta no mês lunar, que dura exatamente 29,53 dias.

Além de estudar o movimento destes dois importantes astros, os maias conheciam ainda o trânsito de Vênus, que era estimado em aproximadamente 584 dias (na realidade possui 583,92 dias). E chegaram a registrar posições e órbitas de estrelas e outros planetas.

Civilização Maia | Ciências
A contagem do tempo maia

Ao olhar uma folhinha pendurada na parede ou anotar um compromisso na agenda, ninguém pensa em como foi difícil para as primeiras civilizações montar seus calendários. Controlar o tempo em um único dia é relativamente fácil, já que ele começa com o nascer e termina com o pôr-do-sol.

A tarefa é muito mais complicada a longo prazo. Há atividades, como os plantios e festividades religiosas, que demandam o controle da passagem do tempo em períodos mais extensos. Os astrônomos maias, por exemplo, desenvolveram dois calendários principais, que usavam sobrepostos.

Civilização Maia | Ciências
Invenções maias

Ao longo de sua história, os maias desenvolveram uma cultura riquíssima. Quando se estuda essa fascinante trajetória, é inegável a admiração ao constatar o nível de desenvolvimento científico alcançado por sua civilização. A elaboração de um calendário, o desenvolvimento de um complexo sistema matemático e de uma escrita e a arquitetura peculiar são legados de inestimável valor que estimulam a conhecer melhor a história da América antes da chegada dos conquistadores europeus. Além desses avanços, os maias ainda são responsáveis por outras inovações que se espalharam pelo mundo e chegaram até os dias atuais. Em suas pinturas, os artistas produziam uma tinta azul com tonalidade única, muito utilizada principalmente no período clássico. A cor, que acabou conhecida como azul maia, era diferente da tonalidade conseguida por pintores do velho continente. Enquanto os europeus utilizavam suas tintas corantes à base de lápis-lazúli ou cobre, o inventivo povo americano utilizava o anil, extraído de uma planta chamada índigo, natural da região e de outras zonas de clima quente.

Civilização Maia | Família
A família maia

Os homens maias comuns eram os responsáveis pela agricultura, atividade praticada por todos os integrantes da família. O dia de uma típica família maia começava por volta das 4 horas da manhã, quando seus integrantes se dirigiam ao campo para o trabalho. As primeiras obrigações eram cortar árvores e construir cercas com os troncos - para evitar que veados e antas comessem as mudas - e revolver e arar o solo com varas endurecidas no fogo. Os mais jovens cuidavam da tarefa.

Civilização Maia | Ciências
A medicina maia

O conhecimento dos maias sobre medicina e saúde foi recuperado na época da colonização espanhola graças ao trabalho de missionários e cronistas que buscaram informações junto aos próprios maias remanescentes do império. Figura importante nesse processo foi Diego de Landa que, apesar de haver mandado queimar, durante um auto de fé, diversos documentos seguramente reveladores, depois tentou recuperar valiosos conhecimentos da cultura maia em seu relato Relações das coisas de Yucatán. No texto, Landa faz descrições minuciosas sobre o grande desenvolvimento da medicina maia.

Mitologia Maia | Cosmogonia
Popol Vuh, a estória da criação maia
A versão do Popol Vuh que conhecemos foi redigida 30 anos após a conquista espanhola. O seu autor foi provavelmente um religioso maia desejoso de colocar por escrito uma narrativa oral e pictográfica muito antiga. Foi escrita em língua maia, mas em caracteres latinos. O manuscrito foi descoberto pelo padre Francisco Ximenez em inícios do século XVIII, que ele obteve das mãos dos índios Quiché da região de Chichicastenango. A história original pode remontar até 2000 anos a.e.c. A primeira parte conta a gênese do mundo, que se assemelha à da Bíblia. Do nada das origens, os deuses decidiram fazer um mundo povoado de humanos que os adorem. Em primeiro lugar, criam a terra, as montanhas, a flora e a fauna. «Tendo acabado de as formar, disseram: "Falem, gritem, chilreiem; que cada um faça ouvir a sua linguagem segundo a sua espécie e a sua variedade [...] Digam os vossos nomes, louvem-nos, a nós, ao vosso pai e à vossa mãe [...]".» Em seguida, criaram os primeiros homens com argila. Mas estes homens moles e fracos eram incapazes de sobreviver e de se multiplicar. Como esta primeira tentativa se revelara infrutífera, os deuses fabricaram uma nova humanidade em madeira; mas estes homens de madeira depressa se mostraram vaidosos e preguiçosos e acabaram por secar. Os deuses enviaram então um dilúvio de resina, onde todos os homens se afogaram, e o mundo foi invadido por uma multidão de monstros.
Civilização Maia | Cotidiano
Estrutura social maia

Os maias dividiam-se em províncias autônomas que eram verdadeiras cidades-estado semelhantes às cidades gregas do período clássico. Nelas, a maior autoridade era o halach vinic, que governava em nome de um deus. Ele concentrava as funções religiosa, militar e política. Seu cargo era hereditário e era ele quem escolhia, entre os membros da nobreza, os funcionários que o ajudariam na administração da cidade.

Civilização Maia | Artes
Os murais maias de Bonampak

Como em outras culturas da Mesoamérica, para os maias a criação artística era uma forma de se assemelhar aos deuses. As obras de arte também tinham uma função disciplinadora: por meio delas, os governantes mostravam aos homens comuns em quem os deuses haviam depositado sua sacralidade. Com esse expediente, que reforçava a grandeza de suas linhagens, eles provavam que tinham o direito de governar os demais e se manter no poder. Assim, os temas principais de pinturas e esculturas são os soberanos, sempre representados ao lado de deuses.

Outras civilizações
Civilização Árabe
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Civilização Celta
Civilização Chinesa
Civilização Cretense
Civilização Egípcia
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Civilização Etrusca
Civilização Fenícia
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Civilização Hitita
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Civilização Micênica
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Mesolítico
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Portugal
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Ritual de Sacrifício humano

Ritual de sacrifício humano maia.

Ritual de sacrifício humano

Gravura representando ritual de sacrifício humano.

Outros textos
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Portugal | Economia
A economia portuguesa nos primórdios do império marítimo
Na cidade do Porto, na zona da foz do Douro, existe uma fortaleza batizada em honra de São Francisco Xavier e à qual as gentes locais dão o nome de «Castelo do Queijo» devido à sua forma. No salão principal há um documento que explica que a fortaleza foi dedicada, no século XVII, ao santo missionário por ele ter conquistado «tantas almas para a Igreja e tantas léguas para Portugal». Esta união da intenção missionária com a aquisição territorial foi uma caraterística essencial da expansão portuguesa - tal como na criação de outros impérios - e deve sempre ter-se em conta a multiplicidade de incentivos inerentes à construção imperial. Contudo, apesar do atual interesse nos impérios enquanto arenas de exibição cultural, gratificação sexual e exotismo, a construção dos impérios do início da época moderna assentou primariamente em considerações de ordem econômica. Portugal afigura-se quase um exemplo clássico do antigo conceito mercantilista de John Locke: «Num país que não tenha minas há apenas duas maneiras de enriquecer: através da conquista ou do comércio.» Portugal enveredou pelas duas vias. Os seus adversários muçulmanos na índia diriam mais tarde que os Portugueses «conquistaram um império como cavaleiros e perderam-no como vendedores ambulantes», mas a verdade é que se saíram melhor sempre que combinaram a conquista e o comércio com o povoamento e a produção.
Portugal | Ciências
Os primórdios da ciência no Portugal quatrocentista
A origem e o desenvolvimento das ideias científicas que circulavam em Portugal no tempo dos Descobrimentos têm alimentado páginas muito interessantes de historiografia e revelado excelentes abordagens que não raramente resvalaram para a polêmica. O que não admira, porque esta discussão trava-se em um território com armadilhas, onde a anacronia se implanta com armas e bagagens. Por este tempo a formação dos conceitos é demasiado frágil e a sua capacidade semântica permanece ainda pouco esclarecida. Em primeiro lugar a atitude científica ainda não existe, e a própria palavra ciência, existindo, não tinha o sentido que hoje lhe atribuímos. Depois, permanece como tentação, quantas vezes assumida pelos historiadores, a idéia de que a progressão no Atlântico e na costa africana resultou de um ou vários planos estratégicos, o mais célebre dos quais seria o plano das Índias atribuído ao Infante D. Henrique.
Civilização Romana | Família
Roma e o amor
Ao longo de toda a história romana, das origens da sua cidade até ao fim da dinastia júlio-claudiana, pareceu-nos que os Roma­nos tiveram em relação ao amor uma atitude ambígua: desconfiavam dele como de uma loucura, um desvario momentâneo, mas, ao mesmo tempo, estavam fascinados pela sua força, que lhes fazia pressentir o seu carácter divino. O amor está demasiado intimamente ligado ao drama e ao mistério da vida para que se possa pura e simplesmente negá-lo. Mas é também destruidor das cidades e das almas. Os homens temem menos as suas investidas, mas as mulheres podem tão facilmente deixar-se le­var por ele e pôr em perigo, no seu desvario, a pureza da sua linhagem! Se os homens se podem permitir encarar o amor com ligeireza, este mesmo ato é, para uma mulher, uma iniciação perturbadora que trans­forma todo o seu ser. Toda a moral e toda a prática do amor se explicam em Roma por esta dupla convicção.
Civilização Romana | Família
Casamentos arranjados, interesses e política na Roma republicana
Durante a República, são os homens que têm o protagonismo, são eles que, ostensivamente, têm nas mãos a vida da cidade. As combinações políticas, no Senado e nas assembleias, a escolha dos magistrados, a condução das guerras, a administração das províncias e os grandes processos, tudo isso é tratado na praça pública ou na cúria, em todo caso, fora da casa, e os velhos romanos ter-se-iam julgado desonrados se alguém os tivesse acusado seriamente de orientar a sua conduta pela opinião das suas mulheres. Ocasionalmente, na verdade, um orador podia dizer como graça: “Todos os homens, em toda a parte, governam as mulheres; nós, nós governamos todos os homens, mas, por nossa vez, obedecemos às mulheres”1. Todavia, isto era apenas um gracejo de letrado misógino, que parafraseava um dito tomado a Temístocles. O próprio Catão (porque é a ele que se atribui a honra desta tirada) gostava de contar que só se arrependera três vezes durante a sua vida, de uma ação que cometera: a primeira, quando fez por mar uma viagem que teria podido fazer por terra, a segunda, quando, durante um dia inteiro, negligenciou redigir um testamento e a terceira e última quando confiou um dia um segredo à sua mulher2. No entanto, Catão era o melhor dos maridos e o melhor dos pais. Depois de terminadas as suas tarefas, ajudava ao banho e ao enfaixar do seu filho, que a sua própria mulher alimentava e criava. Pensava que um marido que batesse na mulher ou um pai que maltratasse o filho cometia um verdadeiro sacrilégio3. Todavia, isso não o impedia de separar completamente a sua vida pública da sua vida familiar: o romano “ideal”, de que Catão queria ser a encarnação, devia ter duas faces, como o deus Jano. Uma face ficava voltada para o exterior: era a do homem, a face virada ao público; a outra, completamente diferente, devia ser conhecida apenas dos familiares. Este dualismo das existências era um dever. Seria “imoral” não lhe obedecer.
Civilização Romana | Família
Amores em liberdade: Concubinas e cortesãs romanas
Legalmente, cada romano tinha apenas uma esposa. Este princípio nunca foi posto em causa. Afirmado desde a origem, manteve-se através dos séculos e o diploma que se entregava aos soldados desmobilizados, uma vez terminado o seu serviço, autorizava-os a transformar em casamento legítimo as uniões (toleradas, mas não reconhecidas) que tivessem contraído durante a vida militar, na condição de se limitarem a uma só. No entanto, nem as leis nem os costumes se preocuparam em forçar, ou sequer em incitar, os maridos à fidelidade. Os amores passageiros, os que começavam e se desfaziam fora dos ritos, eram permitidos, desde que não atentassem contra a honra de uma mulher casada ou de uma “filha de família”. Um discurso de Catão dizia sem rodeios
Civilização Romana | Família
O casamento romano e os costumes no século de ouro
É impossível saber, como é natural, o que foi a realidade diária do casamento durante os primeiros tempos de Roma. Relatos dignos de fé apenas começam a lançar alguma luz sobre este domínio, como sobre outros, a partir do século III a.e.c. e. ainda assim, trata-se geralmente de testemunhos que se referem apenas a famílias da aristocracia. Nas diver­sas classes sociais, e quando não se seguiam as tradições patriarcais, a situação real devia apresentar diferenças consideráveis. Todavia, a partir da unificação da cidade, quando patrícios e plebeus passaram a gozar sensivelmente dos mesmos privilégios, as tradições dos primeiros pare­cem ter exercido uma espécie de atração sobre os costumes das famílias dos segundos. Por outro lado, segundo pensamos, as principais diferen­ças, a partir do século III, ocorrem mais em função da fortuna e da res­ponsabilidade política do que de qualquer outro fator. A cidade é go­vernada, nessa altura, por um regime estritamente oligárquico: há as fa­mílias cujos homens se sentam no Senado, assumindo, a intervalos regu­lares, as grandes magistraturas do Estado, e há a massa dos outros cida­dãos, que só vão às assembleias para legitimar as decisões preparadas pelos senadores e eleger os candidatos que lhes são propostos e que escolhem de acordo com o prestígio dos homens que se apresentam como seus garantes. No resto do tempo, são “clientes” destes grandes senho­res. Naturalmente, o casamento não tem a mesma importância para uns e para outros. Temos muito pouca informação sobre a maneira como estas uniões se realizavam na massa do povo, temos um pouco mais quando se trata das outras classes.
Civilização Romana | Família
O casamento romano no período arcáico
Historiadores e poetas afirmam que o casamento foi, durante muitos séculos, uma das instituições mais sólidas e respeitadas da cidade roma­na. Rivalizam no elogio da pureza dos costumes antigos, do tempo em que uma mulher que tivesse ficado viúva não mais consentiria em voltar a casar, em que, por maioria de razão, nunca se levantava a questão do divórcio. Pelo contrário, lamentam o relaxamento progressivo de uma relação que, durante o Império, se tornara de uma extrema fragilidade, enquanto nos bons velhos tempos o seu respeito era considerado a garantia mais firme da grandeza romana e a marca mais incontroversa de uma saúde moral a toda prova. Hoje ainda, muitos historiadores fazem-se eco destas queixas, considerando que uma das razões profundas da decadência de Roma reside no abandono deste velho ideal por onde se orientaram anteriormente os severos camponeses do Lácio. Antes de nos interrogarmos por que razão o casamento romano per­deu a sua solidez ao longo do tempo, convém, decerto, examinar a pró­pria instituição. A instituição do casamento é uma daquelas a que os juristas romanos não só dispensaram maior cuidado, mas também a que se dedicaram a definir e fixar com a mais extraordinária minúcia as consequências legais. O conjunto dos textos que a ela se referem ocupa um lugar considerável nas compilações jurídicas, o que prova a impor­tância atribuída a um ato de que esperavam, em primeiro lugar, a sobre­vivência, mas também, e talvez mais ainda, a estabilidade do Estado.
Civilização Romana | Religião
Cultos sagrados da fertilidade, sexo e amor em Roma - do falo a Vênus
Os Romanos, que gostavam de se dizer o mais “religioso” dos povos e que reconheciam e honravam divindades em número superior a qualquer outro [com exceção talvez dos hititas], não podiam deixar de ser sensíveis ao carácter sagrado deste instinto amoroso, capaz de transformar os seres, de arrancá-los a si mesmos e cujo poder, igualmente sentido pelos homens e por tudo o que vive, submete às suas leis toda a natureza. Não surpreende verificar que o amor tinha as suas divindades, os seus ritos, a sua magia. O culto que se prestava às primeiras, a observância religiosa de práticas cuja origem se perdia na noite dos tempos, tudo isso tinha por finalidade, umas vezes, desenvolver ao máximo ou exaltar as forças criadoras do ato de amor e, outras, controlar ou disciplinar o que nelas se descobria de anárquico e colocá-las ao serviço do bem da cidade. A religião da época clássica, aquela que conhecemos melhor graças aos textos e a numerosos testemunhos de toda a espécie, não manteve muitas vezes senão vestígios, dificilmente detectáveis, destas crenças e destes ritos. Esta ou aquela prática de carácter mágico, nos tempos de Cícero ou de Augusto, já não eram mais do que sequelas folclóricas e não teríamos conservado delas nenhuma lembrança se os “antiquários” de então, ávidos de recolher as coisas estranhas do tempo antigo, não lhes tivessem consagrado algumas linhas nas suas obras, que infelizmente, apenas nos chegaram em estado fragmentário. Frequentemente, também, os polemistas cristãos, em busca de argumentos para "provar" a "imoralidade ou o absurdo" da religião ancestral, transmitiram-nos cuidadosamente detalhes cujo carácter arcaico, às vezes mesmo primitivo, tendia a lançar o descrédito sobre a fé dos seus adversários.
Civilização Romana | Cotidiano
As mulheres e a fundação de Roma
Se é verdade que as lendas de um povo ou de uma raça nos revelam os traços mais profundos e as aspirações da sua alma, as de Roma, pelo lugar que concedem às histórias de amor, sugerem que os duros conquis­tadores do mundo dissimulavam em si uma ternura mais exigente do que eles mesmos se permitiram confessar. A história da sua cidade começa com um romance de amor: a paixão súbita do deus Marte pela “vestal” Reia Sílvia. Mas, se formos mais atrás ainda, até ao tempo em que, sob as muralhas de Tróia, se decidiu a sorte do mundo futuro, foi ainda um romance de amor que determinou o desenrolar dos destinos e no fim do qual começa a fortuna de Roma. Este romance dos primeiros tempos é contado por um Hino Homérico. Na montanha Ida, na Frigia, Anquises guardava os seus rebanhos. Anquises era sobrinho de Laomedonte, que reinava em Tróia. Era belo. Neste tempo, os príncipes, e às vezes os deuses, não desdenhavam fazer-se pastores. Ora, a deusa Afrodite tinha visto Anquises e sentiu-se per­dida de amor por ele. Afrodite não podia resistir a uma paixão. Sem tardar, vai ao encontro do belo pastor e conta-lhe toda uma história que vai inventando. Ela é, diz-lhe, uma filha do rei da Frigia. O deus Hermes raptou-a e levou-a para a montanha. Está muito triste, porque ninguém vem em seu socorro! Anquises compadece-se; a conversa torna-se mais terna. Nessa mesma noite, o belo pastor e a deusa, sob o seu disfarce de mortal, unem-se um ao outro. Afrodite, satisfeita, não finge mais. Reve­ la a sua divindade e anuncia a Anquises que em breve lhe dará um filho, mas recomenda-lhe formalmente que não diga a ninguém que a mãe é a deusa do amor, porque, caso contrário, Zeus, irritado por se descobrirem os segredos dos deuses, fulminaria o indiscreto com o seu raio.
Civilização Romana | Religião
Espiritualidade, religião e filosofia na Roma imperial
Como livrar o indivíduo das inquietações da existência? As diferentes sabedorias, a que chamamos filosofia antiga, não se propunham em princípio outro objetivo, e a religião, por sua vez, não procurava outra coisa, pois geralmente não visava à salvação do além. Esse além era muitas vezes negado ou concebido tão vagamente que não passava da tranquilidade da tumba, do repouso da morte. Filosofia, devoção e além suscitavam poucas angústias. Não é tudo: as respectivas fronteiras desses três domínios eram tão diferentes das que possuem entre nós que essas três palavras não tinham o mesmo sentido de hoje. Quem somos? Que devo fazer? Para onde vamos e o que posso esperar? Essas questões modernas nada têm de natural; nem o pensamento nem a devoção antigos as colocavam; elas nasceram da resposta cristã. O problema antigo e suas subdivisões eram diferentes. Entre nós a filosofia é uma matéria universitária e uma parte da cultura; é um saber que os estudantes aprendem e pelo qual se interessam com curiosidade as pessoas cultas. Os exercícios espirituais e as regras de vida pelas quais um indivíduo pode ordenar sua existência constituem uma parte eminente da religião; o além é outra parte: a ideia de não haver nada após a morte é eminentemente irreligiosa a nossos olhos. Ora, entre os antigos, normas de vida e exercícios espirituais formavam a essência da "filosofia", não da religião, e a religião estava mais ou menos separada das ideias sobre a morte e o além. Havia seitas, mas eram filosóficas, pois a filosofia era a matéria de seitas que propunham convicções e normas de vida a quem isso pudesse interessar; um indivíduo se tornava estoico ou epicurista e se conformava mais ou menos a suas convicções, assim como entre nós se é cristão ou marxista, bom o dever moral de viver a própria fé e militar. Um bom paralelo seria a China antiga, onde seitas doutrinais, confucionisino e taoísmo, propunham suas teorias e normas de vida aos interessados; ou o Japão atual, onde o mesmo homem pode se Interessar por uma seita desse gênero e continuar a observar, mino todo mundo, as práticas do xintoísmo e onde se casa segundo o rito xintoísta, porém morre e é sepultado conforme o rito budista, como se adotasse implicitamente as consoladoras crenças do budismo referentes a um além no qual jamais pensara durante sua existência.
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    As circunstancias da ascensão de Diocleciano foram melodramáticas até para o século III; disse-se que havia denunciado e golpeado com suas próprias mãos o prefeito pretoriano de Numeriano, Aper, diante da assembléia do exercito. Isso sucedeu em 284. Diocleciano foi proclamado imperador em Nicomedia no final do verão do mesmo ano. Na primavera seguinte, derrotou