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A religião na China Antiga

 

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Mitologia Chinesa, Civilização Chinesa, Religião, Taóismo, Budismo, Nu Wa, Imperador de Jade
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Por Nanon Gardin

Na mitologia chinesa, aquilo que começa por surpreender é a grande semelhança entre o mundo dos deuses e o dos homens. A hierarquia e a organização burocrática da sociedade criada pelos imperadores e pelo seu exercito de funcionários, bem como o seu funcionamento baseado em um sistema de recompensas e castigos, existem tanto no império celeste como no império terrestre. O Imperador de Jade usa as mesmas vestes que o imperador terrestre, e a arquitetura do seu palácio reflete a da Cidade Proibida. Contudo, segundo crenças muito antigas, estes deuses muito humanos são acompanhados por seres míticos, como o dragão e a fênix, ou por animais reais divinizados, como a tartaruga ou o tigre. A única coisa que não é estável neste mundo organizado é a própria noção de divindade. Os mortais podem tornar-se deuses e estes podem trocar de posições, podem ser despromovidos ou, pelo contrario, subir na hierarquia.

Outro dado especifico das crenças chinesas é o relacionamento quase universal de todos os níveis da existência, do microcosmos e do macrocosmos: cada elemento do individuo esta ligado a um elemento da natureza, e as invenções atribuídas aos deuses são geralmente inspiradas em coisas vistas na natureza. Por exemplo, Yu, o Grande, ao observar uma teia de aranha, inventou a rede de pesca e, ao observar o efeito dos incêndios florestais, descobriu a cozedura dos alimentos. A própria invenção dos oito trigramas divinos, descritos no Yijing (I Ching, Livro das Mutações, inicios do I milênio a.e.c., transcrito na dinastia Han), que desempenham um papel divinatório considerável no pensamento chinês, foi inspirada a Yu (ou a Fuxi, o Primeiro Augusto, segundo algumas versões) pela contemplação das configurações observáveis no céu e na terra, a fim de ordenar ó4 hexagramas (ou seja, 8 x 8 hexagramas), ó4 situações de mutações ou de evoluções primordiais, que permitem que a estabilidade e a paz reinem no império e no coração do homem. Outra característica é o fato de a cosmologia chinesa se basear no numero cinco, numero propicio que rege o microcosmos humano (cinco sentidos, cinco extremidades, cinco partes do corpo, etc.) e os elementos (madeira, fogo, terra, metal e agua), a que se associam cinco estações e cinco direções, que são os quatro pontos cardeais e o centro. Cinco montanhas sagradas cobrem o território da China, entre as quais os montes Kunlun, residência dos deuses.

 

As três grandes religiões

A China é o país da tolerância religiosa. Geralmente associadas a filosofias, três religiões fundam o pensamento chinês: o taoísmo, o confucionismo e o budismo. Ao lado destas grandes correntes de pensamento, subsistiram crenças muito antigas, que se vivem quotidianamente na China, na forma de animais fantásticos ou de divindades protetoras do homem, do lar ou da região, ou ainda na forma de praticas divinatórias, em que a astrologia desempenha um papel predominante. Assim, o dragão, animal simbólico da China, tem como antepassada uma serpente, que já era venerada pelos habitantes da China vários milênios a.e.c. O budismo implanta-se na China a partir do século 1 d.e.c., na época em que o seu país de origem, a Índia, o abandona para regressar ao hinduísmo. Na China, o culto dirige-se principalmente a duas manifestaçõs de Buda: Mile Fo (Buda Risonho), o gordo buda do futuro, que corresponde ao Maitreya indiano, cujo advento assinalara o inicio de uma era de pureza e de apaziguamento das paixões, e Amituo Fo (Buda da Luz Infinita, Amithaba em sânscrito), o Buda que promete aos homens que invocam o seu nome renascer na Terra Pura, sentado numa flor de lótus, acompanhado pela deusa da compaixão Guanyin (aquela que vê e ouve, que corresponde ao bodisatva indiano Avalokiteshvara). O budismo e o confucionismo afastam-se dos cultos tradicionais autóctones, mas manifestam grande tolerância a seu respeito.

O confucionismo, doutrina de Estado imposta por Han Wudi, fundador da dinastia Han (206 a.e.c. - 220 d.e.c.), dominara a vida social e os costumes ao longo de toda a história da China, ate a fundação da Republica da China, em 1911. A base da doutrina de Confúcio, que viveu no século VI a.e.c., consiste num sistema de uma lógica imparável, assente em um humanismo coletivista: o desenvolvimento do saber permite aceder a sinceridade no pensamento, que leva a reforma do coração e, por isso, a cultura da personalidade. As famílias que vivem segundo estes princípios asseguram o bom governo dos Estados e, portanto, a felicidade e a paz do império.

O taoísmo, baseado no Dao (ou Tao, segundo a transcrição antiga), a via da boa conduta, assenta principalmente nos escritas de Lao zi (Lao Tse), reunidos no Daodejing (Tao-te Ching, O Livro do Caminho e da Virtude). Esta filosofia, contemporânea da de Confúcio, desenvolve uma ética libertaria e baseia-se na noção dos equilíbrios entre o yin (principio feminino) e o yang (principio masculino), que influenciara profundamente a medicina chinesa e o desenvolvimento pessoal. Por outro lado, o taoísmo esta na origem da maioria das divindades que constituem a base do panteão chinês.

 

Os Textos

A mitologia chinesa transmite-se sobretudo oralmente, de 2000 a 500 a.e.c., e não deixou de se modificar e enriquecer com as transcrições e versões romanescas ulteriores. As primeiras versões escritas dos mitos aparecem no período feudal, por volta do século III a.e.c., em obras filosóficas como o Zhuangzi ou o Huainanzi, ou ainda em relatos de viagens, como o Chan bai Ching (Clássico das Montanhas e dos Mares), antologia de informações geográficas e de lendas da Antiguidade chinesa realizada durante a dinastia Han. Muitos destes mitos foram popularizados por dois grandes romances da época Ming: Xiyuji (Viagem ao Ocidente), de Wu Cheng'en (c. 1500-c. 1582), e o Fengshen Yanyi (Gesta da Investidura dos Deuses).

As lendas sobre os Ba Man (Pa Hsien, os Oito Imortais) foram também transcritas no século XVII por Wu Yuantai, no seu romance Ba xian chi chu dong yu zi (Peregrinação ao Leste). A literatura mítica chinesa baseia-se na história lendária da China. Deste modo, alguns heróis e chefes da Antiguidade, como Fuxi, Shennong, Huangdi (o imperador Amarelo) e Yu são, simultaneamente, "antepassados", heróis lendários e divindades.

Os grandes textos destacam o valor do sacrifício, a revolta contra a opressão, o amor, as boas ações e a preven4ção do crime. Os sentimentos humanos e a moral ocupam neles um lugar de primeiro plano. Estes textos distinguem-se por grande concisão e eficácia, como mostra a historia de Yu Gong, o velho que queria mover as montanhas, conto moral frequentemente citado por Mao Zedong para ilustrar o valor do esforço coletivo, extraído do Lie Zi (Verdadeiro Clássico do Vazio Perfeito), um dos três grandes clássicos do taoísmo.

 

Yu Gong move a montanha

Ha muito tempo, vivia em Jizhu um velho com 90 anos chamado Yu Gong (que significa "velho louco"). Yu Gong tinha filhos e netos. Apesar da sua idade, continuava a trabalhar diariamente no campo, de manha à noite. Duas altas montanhas, o Taihang e o Wangwu, tornavam muito difícil o acesso a sua casa. Certo dia, reuniu toda a família e propôs aos filhos abater as montanhas e construir uma estrada desde o sul do Henan até a borda do rio. Todos os filhos concordaram. Mas, Xiam Yi, a sua velha companheira, inquietou-se: "Meu velho esposo, parece-me bem que se retirem essas duas montanhas, estou totalmente de acordo. Mas já não es jovem e não és capaz de erguer montanhas como o gigante Kui Fu. Além disso, onde colocaremos a terra e as pedras?" Em coro, os filhos replicaram: "O pai esta velho mas nos somos jovens! Só teremos de transportara terra ate ao mar, não e difícil!" Inspirados pela vontade e obstinação de Yu Gong, puseram-se todos ao trabalho. Os vizinhos vieram ajuda-los. O trabalho era muito duro, pois havia uma grande distancia entre as montanhas e o mar. Apesar de tudo, Yu Gong e os seus filhos nunca pararam de escavar.

Um belo dia, um velho chamado Zhi Su, que significa "velho sábio", parou a borda do rio para fazer troça dele: "Que loucura, com a tua idade, não és capaz sequer de levantar um cabelo a esta montanha, quanto mais toda esta terra e estas pedras!" O velho louco soltou um suspiro e respondeu: sua vaidade cega-te. Uma viúva ou uma criança raciocinam melhor do que tu! Pensa: quando eu morrer, existirão os meus filhos e os meus netos, bem como as gerações futuras. A montanha, por seu lado, não crescerá. Por que razão será então impossível aplana-la?"

 

Origem do mundo

Reunindo dois mitos da criação do mundo, o mito de Pangu introduz, simultaneamente, o ovo original e o corpo de um gigante comprimido no seu interior. Esta imagem de uma matéria comprimida que explode e da origem ao mundo faz lembrar o big bang.

O ovo teve origem no caos. No seu interior, Pangu desenvolve-se durante 18000 anos. Depois de se ter tornado gigante, abre os braços e a casca parte-se. As partes mais leves do ovo elevam-se e formam o céu, enquanto que as partes mais pesadas se tornam na terra, os dois aspectos do yin e yang. Originalmente imagens da luz e das trevas, o yin e yang acabaram por representar forças opostas: o yang é a virilidade, a atividade, o calor, a dureza; o yin e a feminilidade, a passividade, o frio, a humidade e a suavidade. Por vezes antagônicos (vida e morte, bem e mal), o yin e yang são também complementares e indissociáveis um do outro.

Para impedir que o céu e a terra se juntem, Pangu cresce mais dez pés por dia e mantém-los afastados durante mais 18000 anos; o céu esta então afastado da terra em 30000 pés. Satisfeito com o seu trabalho, Pangu deita-se na terra e morre. Do seu corpo nascem então todos os elementos: do seu sopro, o vento e as nuvens, da sua voz o trovão, dos seus olhos o Sol e a Lua, dos seus braços e pernas as quatro direções e do seu tronco as montanhas. Os seus ossos e dentes tornam-se as pedras e os minérios preciosos, a sua pele a erva e as plantas, o seu suor a chuva e o orvalho, e os seus cabelos as estrelas. Dos vários parasitas presentes no seu corpo formam-se os homens.

 

A criação do homem

Segundo alguns mitos, o homem nasceu então das pulgas de Pangu. Outro mito atribui a sua origem a obra de Nu Wa, irmã esposa do primeiro imperador lendário, Fuxi.

Vinda ao mundo após a separação da terra e do céu, Nu Wa depressa começa a sofrer de solidão. Certo dia, vendo o seu reflexo num lago, teve a ideia de fabricar figurinhas de terra a sua imagem. No entanto, como este trabalho lhe ocupava muito tempo, teve a ideia de mergulhar um cordel na lama e de faze-lo girar sobre si. Das gotas de lama que caíram no chão formaram-se seres humanos. Nu Wa criou assim rapidamente uma multidão de homens que povoaram a terra. Os homens que ela moldou na argila amarela eram belos e nobres, e os que nasceram das gotas de lama eram mais ou menos bem feitos. E assim que se explica a diversidade humana.

 

O dilúvio ou a Grande Inundação

Vários mitos chineses fazem referencia a um diluvio ou a uma inundação enorme. Uma dessas lendas, contada por Sima Qian (c. 145-86 a.e.c.), narra as ações de Yu, o Grande, herói lendário e rei demiurgo da China antiga, que conseguiu vazar as aguas que haviam invadido o mundo.

A epopeia de Yu narra numerosas aventuras que colocam em cena seres míticos, mas o seu principal mérito consiste no fato de ter concluído os trabalhos iniciados pelo seu pai, que, por ordem do imperador, trabalhara durante nove anos na evacuação das águas sem ter terminado a tarefa e fora depois banido e esquartejado, sacrifício que marcou o inicio de uma nova era. Durante 13 anos de trabalho duro, Yu esforçou-se por acabar com o diluvio e canalizar todas as aguas que haviam invadido a terra. Yu beneficiou da ajuda de uma tartaruga gigante, que, sozinha, transportava montanhas de terra no seu dorso. Um dragão alado, Ying, marcava com a cauda o traçado dos futuros canais e dragava vários rios num dia. Por fim, gigantes benfazejos fendiam as montanhas e deitavam as terras para o mar. Graças a "terra que se dilata", Yu fechou as 233 559 nascentes das grandes aguas e edificou quatro montanhas insubmersíveis. O herói usou as mãos e os pés neste trabalho titânico, fendendo a montanha, escavando canais e edificando barragens. A sua pele secou e ficou tão magro e fraco que deixou de poder andar. Mas cumpriu a tarefa tão bem que, no fim, toda a agua da inundação foi evacuada para o mar. Na sua luta contra as aguas, Yu concluiu uma aliança com o deus do rio Amarelo, que lhe deu o Quadro do Rio, uma espécie de diagrama emblemático onde o mundo é representado por um quadrado magico.

Em seguida, Yu reordenou o mundo, percorrendo-o em todos os sentidos ate as suas extremidades. Saltitava, arrastando uma perna, esgotado devido aos seus grandes trabalhos. O "passo de Yu", dança magica com que Yu organiza o mundo, foi praticado pelos sacerdotes tauistas durante séculos. Depois de ter medido o espaço, Yu gravou um mapa em nove caldeirões de bronze, que todos os soberanos posteriores se esforçaram em vão por encontrar.

A estória altamente moral de Yu, marcava pela perseverança e pela determinação, faz dele o modelo ideal do funcionário zeloso. Diz-se, nomeadamente, que, durante os seus grandes trabalhos, passou três vezes em frente a sua casa, mas sem entrar, pois considerava a sua missão infinitamente mais importante do que a vida familiar. O imperador Shun ficou toão impressionado com a virtude e com o trabalho de Yu que o escolheu para seu sucessor. Yu tornou-se assim o primeiro imperador da mítica dinastia dos Xia (2205-2197 a.e.c.) e foi divinizado como deus governador das Aguas. Atualmente, o seu mausoléu, perto de Xhaoxing, na província de Zhejiang, continua a ser muito visitado.

 

O Panteão Chinês

O panteão chinês impressiona desde logo pela importância da hierarquia e pelo fato de os deuses não serem propriamente diferentes dos homens. Organizado à imagem da sociedade chinesa, apresenta-se como uma administração muito estruturada, em que cada divindade tem o seu próprio palácio ou domínio em um dos diferentes níveis do céu, beneficiando de uma equipe de funcionários, de um exercito e de atribuições precisas. Os deuses e os seus colaboradores efetuam tarefas administrativas, fazem listas e registos, prestam contas à divindades superiores, que, por sua vez, prestam contas uma vez por ano ao Imperador de Jade, o soberano absoluto. O próprio dragão, animal sagrado dos Chineses, é um funcionário encarregado de velar sobre as Aguas da terra, oceanos, rios e ribeiros em geral. As divindades principais, na ordem hierárquica, são: o Céu, a Terra, os antepassados imperiais, os deuses dos Cereais, Confúcio, a Lua e o Sol.

 

O Imperador de Jade

No nível superior do Céu e da hierarquia divina, o Imperador de Jade ou Pai-Ceu, personificado por um dragão dourado, reside em um palácio semelhante ao do imperador terrestre. Nesse palácio, dispõe de um grande corpo de funcionários e de um exercito, que lhe permite combater os espíritos malévolos. A sua esposa real, a rainha-mãe Wang, tem a função, entre outras, de organizar os banquetes dos deuses, onde são consumidos os pêssegos da imortalidade. O Imperador de Jade usa o chapéu dos imperadores, uma tabuinha de madeira na qual estão pendurados 13 berloques de perolas. Duas vezes por ano, nos solstícios de inverno e de verão, o imperador terrestre vai oferecer-lhe sacrifícios no templo do Céu, um dos monumentos mais impressionantes de Pequim. Uma procissão solene acompanha o imperador ate a grande escadaria de mármore, que ele sobe para se prosternar na vasta sala circular e oferecer ao seu augusto representante celeste peças de seda e objetos de jade, carnes e libações.

 

Os Reis-Dragões

Os Reis-Dragões, diretamente colocados sob a autoridade do Imperador de Jade, estão encarregados de distribuir a chuva sobre a Terra. Os quatro grandes Reis-Dragões, que habitam em palácios de cristal no Céu, são responsáveis pelos Quatro Mares que rodeiam a Terra, sobre os quais velam com o seu exercito de caranguejos e peixes. No entanto, existem numerosos Reis-Dragões locais que reinam sobre todos os poços, rios, fontes e canais da China. Em caso de seca, as pessoas dirigem orações e fazem oferendas a estas divindades e, quando a chuva regressa, organizam-se grandes festas em sua honra.

 

Wenchang, o deus da literatura e dos exames

A propósito da China da dinastia Ming, um Ocidental fez esta observação: "Todo o reino é governado por filósofos." Diretamente ligado a organização burocrática e ao culto da literatura e da escrita, o deus da Literatura ou dos Letrados, Wenchang, tem o poder de favorecer o sucesso nos exames imperiais. Os concursos de admissão na função publica, organizados em todo o país pelo imperador, representaram sempre uma grande oportunidade de ascensão social. Wenchang é geralmente representado de pé, em cima de uma tartaruga, tendo na mão direita um pincel e, na mão esquerda, um alqueire, que lhe serve para avaliar os méritos do candidato aos exames. Com efeito, está encarregado de nomear o primeiro classificado no concurso organizado pelo Imperador de Jade. No plano terrestre, podemos ver aquela tartaruga na laje de mármore que separa os dois lances de escadas que levam ao Palácio Imperial, onde o imperador concedia audiências aos candidatos. O primeiro a subir os degraus ficava naturalmente à altura da cabeça da tartaruga, e por isso que Wenchang e representado de pé em cima da cabeça de uma tartaruga.

 

O Sol e a Lua

Na China, o Sol foi objeto de um culto oficial ate inicios do século XX. No entanto, contrariamente ao deus Sol dos Incas ou ao deus Rá dos Egípcios, está longe de ocupar o primeiro nível da hierarquia divina. Em contrapartida, os Chineses prestam culto a Lua, que é festejada no meio do outono, no decimo quinto dia do oitavo mês do calendário lunar. O herói Yi, o arqueiro divino, e a sua esposa Cheng He estão intimamente ligados a história da Lua e do Sol.

No principio havia dez sóis, que, com o seu pai Di Jun e a sua mãe Xi He, habitavam uma amoreira gigante, chamada Fusang, nas aguas do paraíso do Leste. Estas aguas estavam sempre em ebulição, pois os sóis banhavam-se nelas todos os dias. Um de cada vez, todos os dias os dez sóis revezavam-se no céu para iluminarem o mundo, enquanto que os seus irmãos descansavam nos ramos da amoreira. No entanto, certo dia, os dez irmãos revoltaram-se contra a rotina estabelecida pelo pai e resolveram ir todos juntos divertir-se no céu. Para os habitantes da Terra, foi uma verdadeira catástrofe. O mundo tornou-se incandescente, impossível de habitar, e a vegetação começou a morrer. O imperador Yao, que reinava então sobre a terra, suplicou a Di Jun que acabasse com aquele flagelo. Di Jun refletiu durante algum tempo e decidiu enviar o seu melhor arqueiro, Yi, à Terra. Confiou-lhe um arco magico, com a missão de assustar os sóis. Mas, horrorizado com a visão da situação terrível em que os humanos se encontravam, Yi disparou uma flecha contra um dos sóis. Uma chuva de faulhas douradas caiu por toda a parte, e um corvo de três patas caiu no chão. Um após outro, Yi abateu assim nove sóis e a temperatura voltou ao normal.

Indignado com a morte dos filhos, Di Jun decidiu castigar Yi. Exilou-o definitivamente na Terra com a sua mulher Cheng He e tornou-os mortais. Como Cheng He se lamentava de ter perdido a imortalidade, Yi decidiu pedir o elixir da vida a rainha do Ocidente, que vivia nos montes Kunlun com os outros deuses. Depois de ter superado varias provas difíceis, chegou a residência da rainha, que aceitou dar-lhe uma dose suficiente para lhe assegurar a imortalidade e à sua mulher. Mas avisou Yi de que se uma única pessoa tomasse toda a dose, subiria até as altas esferas do mundo. Quando Yi regressou, Cheng He só tinha uma ideia na cabeça: beber todo o conteúdo do frasco para ir visitar as regiões superiores. Certo dia em que Yi se ausentou, a mulher executou finalmente o seu projeto e foi logo transportada para a Lua. Descobriu ai uma lebre, sentada debaixo da árvore da imortalidade, ocupada a fabricar eternamente o elixir da vida, e um velho, que passava o tempo a tentar cortar a árvore.

Cheng He passou então a residir na Lua com os seus dois companheiros. É representada como uma jovem muito beta. É frequentemente evocada nos romances e nas poesias, que falam de uma mulher "bela como Cheng He vinda da Lua".

 

Os Oito Imortais

Os Ba Xian (Pa Hsien), os Oito Imortais, não são propriamente deuses, mas homens que, pela sua devoção, virtude e pratica da via taoista obtiveram a imortalidade e vivem com os deuses nos montes Kunlun, no centro da Terra. A cada mil anos, a rainha-mãe Wang, esposa do Imperador de Jade, convida-os para um grande festim, no qual são servidos os pêssegos da imortalidade.

Estas personagens bonacheironas, consideradas protetores eficazes, tornaram-se divindades extremamente populares a partir da dinastia Song (960-1279).

Os Oito Imortais são os mestres da arte marcial da ebriedade, zui baxian, cujo código se inspira no Quajing Quan fa Beiyao, um livro do século XVII onde figura o cântico dos Oito Imortais. Esta arte marcial continua hoje a ser uma das formas do kung-fu, uma técnica de agilidade e de descontração na qual se imitam as varias atitudes que caracterizam cada um dos Oito Imortais.

"Sob o efeito do álcool, Zhong Lijuan executa a dança da ebriedade com o seu leque.

O imortal bêbedo Gulao desloca-se escarranchado na sua mula, montado ao contrario.

Com a cabeça pesada e o passo ligeiro, parece bêbedo, como se caminhasse na lama;

O terceiro imortal, Xiangzi, toca a sua flauta de ferro.

Não está seguro da sua esquerda nem da sua direita, e não distingue o alto do baixo;

Aquele que gosta de tocar as castanholas, o espirito melancólico;

Cao Gujiu, vestido como de madrugada, executa a dança da ebriedade [...]»

 

Cao Gujiu, criado na corte, refugiou-se na montanha para seguir a via do Tao. É representado com roupas de corte, com tabuinhas na mão.

Han Xiangzi, representado com uma flauta, padroeiro dos músicos e dos agricultores, faz as flores desabrocharem.

He Xiangu, a única mulher do grupo dos Imortais, asceta taoista protetora das moças, tem uma flor de Iótus na mão.

Lan Caihe, espécie de fogo sagrado, protetor dos pobres, é representado vestido com uma túnica azul, calçado apenas com um sapato, e um alaúde. Li Tieguai (Li com bengala de ferro), protetor dos doentes, abriga-se no corpo de um mendigo. É representado ébrio, com uma bengala e uma cabaça cheia de álcool.

Lu Dongbin, filósofo moralista e aluno de Zhong Lijuan, é representado a segurar uma espada, que aprendeu a manejar com Zhong Lijuan. A sua bondade é tão famosa que um proverbio chinês diz: "o cação morde Lu Dongbin", que significa que só alguém sem qualquer juízo pode morder o melhor dos homens.

Zhang Gulao desloca-se em uma mula branca, que é capaz de dobrar e guardar em uma folha de papel. É o padroeiro dos pintores e dos calígrafos.

Zhong Lijuan, o gorducho, distribui aos pobres o cobre que transformou em prata. Tem um leque que lhe serve para reanimar as almas dos mortos e na mão, segura um pêssego da imortalidade.

 

Os deuses da felicidade

Não se pode falar de mitologia chinesa sem evocar os deuses mais populares do país, presentes na maioria dos lares chineses na forma de estatuetas ou de imagens coloridas guardadas em um móvel a altura dos olhos. "No céu existem três estrelas boas, na terra, existem fu, lu e shu", diz um provérbio chinês. Lu representa a elevação social e a abundância. Por vezes, tem nos braços uma criança que simboliza a esperança. Fu, deus da felicidade e da prosperidade, um pouco maior do que os outros, e sempre colocado ao centro. Tem nos braços um rolo de ouro que representa a riqueza. Shu, o deus da saúde e da longevidade, é representado na forma de um velho com a testa alta e crânio calvo, tendo em uma mão uma bengala e, na outra, um pêssego da imortalidade.

 

OS ELIXIRES DA IMORTALIDADE  Soma, ambrosia, hidromel e pessegos...

Só será estranho que os deuses, para conservarem a sua qualidade de imortais, tenham de beber regularmente uma bebida especifica? É que, além disso, esse elixir precioso lhes possa ser roubado? Esta exigência vital da natureza divina não será o equivalente do Conhecimento, ao qual os homens, no Genesis, só podem aceder segundo a dosagem prescrita por Deus, e não foi por terem transgredido essa dose, ao descobrirem a fonte do bem e do mal, que perderem o direito a imortalidade?

O Odrerir dos deuses escandinavos, elixir de imortalidade, mas também da inspiração poética, é conservado no fundo de uma gruta guardada por um gigante. O próprio Odin teve de recorrer a astucia para se apoderar desse elixir: assumiu a forma de uma águia e levou-o para o palácio dos Aesir (Asgard).

Píndaro conta que Tântalo, por ter roubado do Olimpo a ambrosia que queria dar aos mortais, sofre eternamente de fome e sede no Tártaro.

Na Índia, o deus Indra eleva-se ao céu no dorso da águia Garuda para roubar o soma, que consumira depois em quantidades enormes, o que lhe dará forças para destruir as fortalezas dos demônios, mas também para desencadear o diluvio do qual apenas Manu será salvo. Apos o diluvio, Indra da o soma a Manu, para que os homens perpetuem a cerimonia do soma, que lhes alimenta o fervor e o poder criador.

Quanto aos pêssegos da imortalidade da mitologia chinesa, servem para fabricar a pílula que Cheng He engole para viver eternamente.

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França | Família
O nascimento do sentimento de família na Europa medieval
O tema remonta, por conseguinte, a um passado remoto. Ele se manteve e até mesmo se desenvolveu durante a Idade Média. Ressalvando o anacronismo da expressão, poderíamos dizer, grosso modo, mas sem deformar a verdade, que a iconografia “profana” medieval consiste acima de tudo no tema dos ofícios. É importante que durante tanto tempo o ofício tenha parecido às pessoas ser a principal atividade da vida quotidiana, uma atividade cuja lembrança se associava ao culto funerário da época galo-romana e à concepção erudita do mundo da Idade Média, nos calendários das catedrais. Sem dúvida, isso parece perfeitamente natural aos historiadores modernos. Mas terão eles se indagado quantos hoje em dia prefeririam esquecer seu ofício e gostariam de deixar uma outra imagem de si mesmos? Em vão tentamos introduzir algum lirismo nos aspectos funcionais da vida contemporânea; o resultado é uma espécie de academicismo sem raízes populares. O homem de hoje não escolheria seu ofício, mesmo que gostasse dele, para
França | Educação
A vida escolástica e a educação na França e Europa medieval
Este texto é consagrado aos aspectos da história da educação que revelam o progresso do sentimento da infância na mentalidade comum: como a escola e o colégio que, na Idade Média, eram reservados a um pequeno número de clérigos e misturavam as diferentes idades dentro de um espírito de liberdade de costumes, se tornaram no inicio dos tempos modernos um meio de isolar cada vez mais as crianças durante um período de formação tanto moral como intelectual, de adestrá-las, graças a uma disciplina mais autoritária, e, desse modo, separá-las da sociedade dos adultos. Essa evolução do século XV ao XVIII não se deu sem resistências. Os traços comuns da Idade Média persistiram por longo tempo, até mesmo no interior do colégio, e, a fortiori, na camada não escolarizada da população.
França | Família
História social das brincadeiras e jogos na França e na Europa a partir do séc. XIII
Graças ao diário do médico Heroard, podemos imaginar como era a vida de uma criança no inicio do século XVII, como eram suas brincadeiras, e a que etapas de seu desenvolvimento físico e mental cada uma delas correspondia. Embora essa criança fosse um Delfim da França, o futuro Luis XIII, seu caso permanece típico, pois na corte de Henrique IV as crianças reais, legitimas ou bastardas, recebiam o mesmo tratamento que todas as outras crianças nobres, não existindo ainda uma diferença absoluta entre os palácios reais e os castelos fidalgos. A não ser pelo fato de nunca ter ido ao colégio, frequentado já por uma parte da nobreza, o jovem Luis XIII foi educado como seus companheiros. Recebeu aulas de manejo de armas e de equitação do mesmo M. de Pluvinel, que, em sua academia, formava a juventude nobre nas artes da guerra. As ilustrações do manual de equitação de M. de Pluvinel, as belas gravuras de C. de Pos, mostram o jovem Luis XIII exercitando-se a cavalo. Na segunda metade do século XVII, isso já não acontecia mais: o culto monárquico separava mais cedo - na realidade, desde a primeira infância - o pequeno príncipe dos outros mortais, mesmo os de berço nobre.
França | Família
A evolução da vestimenta das crianças na França
A indiferença marcada que existiu até o século XIII - a não ser quando se tratava de Nossa Senhora menina - pelas características próprias da infância não aparece apenas no mundo das imagens: o traje da época comprova o quanto a infância era então pouco particularizada na vida real. Assim que a criança deixava os cueiros, ou seja, a faixa de tecido que era enrolada em torno de seu corpo, ela era vestida como os outros homens e mulheres de sua condição
Civilização Romana | Educação
A educação em Roma
Essa educação doméstica busca a formação da consciência moral. O adulto educado que ela quer criar é o homem capaz de renúncia de si próprio, de devotamento de sua pessoa à comunidade. São as virtudes do campesinato de todos os tempos e lugares, o que dirige a primitiva educação de Roma, que exalta em verso e prosa a austeridade, a vida simples, o amor ao trabalho como supremo bem do homem, e o horror ao luxo e à ociosidade. Ao contrário do que aconteceu cedo em Atenas, em Roma não há de início qualquer tipo de cuidado com a pura formação física e intelectual do cidadão ocioso, ocupado com pensar, governar e guerrear. A educação de uma comunidade dedicada ao trabalho com a terra foi durante séculos uma formação do homem para o trabalho e a vida, para a cidadania da comunidade igualada pelo trabalho.
Civilização Grega | Educação
A educação na Grécia antiga
Todas as grandes sociedades ocidentais que, como Atenas e Roma, emergiram de seus bandos errantes, de suas primeiras tribos de clãs de pastores ou camponeses, aprenderam a lidar com a educação do mesmo modo como qualquer outro grupo humano, em qualquer outro tempo. Tal como entre os índios das Seis Nações, os primeiros assuntos e problemas da educação grega foram os dos ofícios simples dos tempos de paz e de guerra. O que se ensina e aprende entre os primeiros pastores, mesmo quando eles começaram rusticamente a enobrecer, envolve o saber da agricultura e do pastoreio, do artesanato de subsistência cotidiana e da arte. Tudo isso misturado, sem muitos mistérios, com os princípios de honra, de solidariedade e, mais do que tudo, de fidelidade à polis, a cidade grega onde começa e acaba a vida do cidadão livre e educado. Esta educação grega é, portanto, dupla, e carrega dentro dela a oposição que até hoje a nossa educação não resolveu. Ali estão normas de trabalho que, quando reproduzidas como um saber que se ensina para que se faça, os gregos acabaram chamando de tecne e que, nas suas formas mais rústicas e menos enobrecidas, ficam relegadas aos trabalhadores manuais, livres ou escravos. Ali estão normas de vida que, quando reproduzidas como um saber que se ensina para que se viva e seja um tipo de homem livre e, se possível, nobre, os gregos acabaram chamando de teoria. Este saber que busca no homem livre o seu mais pleno desenvolvimento e uma plena participação na vida da polis é o próprio ideal da cultura grega e é o que ali se tinha em mente quando se pensava na educação.
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