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Civilização Asteca | Religião
A eternidade da alma Asteca

Existem várias interpretações, segundo a escatologia asteca. Para Alfredo López Austin, a geografia do mundo asteca está dividida em três planos - subterrâneo, terreno e celestial -, todos ligados pela árvore cósmica de Tamoanchán, chamada Xochtlicacín (De Onde Brotam as Flores). O plano subterrâneo, onde estão fincadas as raízes da árvore, se chama Chicnauhmictlín (O Nono Lugar do Inframundo). O plano terrestre, ocupado pelo tronco da árvore, se chama, por sua vez, Tlalticpac (A Superfície da Terra), e se compõe de quatro planos. E, finalmente, onde estão esparramados os galhos mais altos, situa-se o Chicnauhtopin (Os Nove Lugares Celestiais). No começo dos tempos, por dentro do tronco, fluíam as energias do céu e do inframundo, enroscadas, mas não misturadas. Com o pecado dos deuses, entretanto, rompeu-se o tronco e as duas seivas, superior e inferior ou "quente e fria”, segundo a terminologia mítica -, misturaram-se, dando origem ao caos mortífero da vida terrena.

Civilização Asteca | Religião
Os céus e os submundos astecas

Diz a lenda que ele se originou de parte do monstro Cipactli, um crocodilo gigante que foi esquartejado pelos deuses. Parte dele se converteu na Terra e parte no céu, que foi erguido por quatro deuses ou gigantes e sustentado por pilares, a fim de não tornar a se juntar à Terra. Cipactli foi homenageado no calendário mágico (tonalpohualli) como o primeiro dos vinte signos do "zodíaco" asteca. 
Mas que forma passou a possuir a Terra após essa gênese violenta? Jean Marcilly diz que, para os astecas, a Terra é um disco chato, cruzado pelos pontos cardeais, sendo o ponto de confluência de duas pirâmides, cujos vértices principais se tocam. A pirâmide de cima são os céus; a de baixo, os inframundos. A de cima recebe as horas do dia; a de baixo, as horas da noite.
Ao redor do Tlalticpac (Terra) está um rio chamado Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove")

Civilização Asteca | Religião
Os paraísos astecas

Existem duas cosmografias míticas no universo asteca. A primeira é a horizontal delimitada pelos cinco pontos cardeais (o centro também é considerado um deles). Cada qual está associado a um deus e também a uma infinidade e outros atributos, impossíveis de serem enumerados aqui, tal a sua quantidade e complexidade. Em se tratando de mitologia asteca, não existem verdade firmadas, mas interpretações diversas e apenas aproximativas. A representação dos pontos cardeiais em forma de cruz, recorrente na iconografia asteca, era um dos conceitos fundamentais do misticismo ameríndio pré-colombiano. Cada um dos quadrantes possuía a sua simbologia própria:

Civilização Asteca | Religião
O Xamã asteca

No antigo México, o xamã era considerado um membro altamente respeitado da comunidade e desempenhava uma função vital como intermediário entre o mundo espiritual e o mundo natural. Os xamãs não escolhiam esta carreira - ou já nasciam xamãs, ou eram chamados através de sonhos e visões. Uma parte importante das crenças astecas era a interligação entre todas as coisas – vivas e mortas - e o papel do xamã consistia em trabalhar com a energia do mundo para lá da percepção quotidiana. A pulque, uma bebida alcoólica feita a partir da piteira, era muito usada nas cerimônias pois tinha um efeito alucinógeno como peyote e datura (outras variedades de catos mexicanos). As máscaras, os cânticos, os tambores, as matracas e outros instrumentos também eram usados para ajudar o xamã a atingir um estado de consciência alterado. Atualmente, as práticas dos xamãs na tradição cultural antiga invocam os mitos e as divindades do passado. Podem prescrever ervas medicinais, encontrar almas perdidas, ler o futuro ou proceder a purificações numa casa ou num indivíduo que tenha sido enfeitiçado.

Civilização Asteca | Ciências
A pedra calendário Asteca

Os Astecas davam grande importância ao estudo da matemática e da astronomia e desenvolveram complexos sistemas de contagem do tempo. O conceito de tempo que tinham era mais cíclico que linear e era dependente e controlado por forças divinas. Os Astecas dispunham de dois calendários concomitantes: um de 260 dias movendo-se no sentido dos ponteiros do relógio (coincidindo com o tempo de gestação humana), e um de 365 dias movendo-se em sentido contrário. Construído no século xv, a famosa Pedra do Calendário (também conhecida como Pedra do Sol) foi descoberta em 1790 na capital asteca de Tenochtitlan, hoje Cidade do México. A pedra mede 3,5 m de diâmetro, pesa 25,5 toneladas e é ricamente esculpida em basalto. No centro da Pedra do Calendário reconhece-se a face do deus do Sol Tonatiuh. Criador do Quinto Sol. Os quatro quadrados que o rodeiam representam as quatro eras anteriores (ou «sóis») que foram destruídas por animais, vento, fogo e água. Na orla e da pedra estão duas serpentes sagradas, que simbolizam a natureza cíclica e em espiral da dança da vida.

Civilização Asteca | Religião
O universo tripartido Asteca

No centro do universo asteca - o local de encontro do Céu, Terra e Sudmundo - era a cidade capital de Tenochtitlan. Segundo a lenda, o povo local era conhecido por Tenochca, mas o deus da guerra Huitzilopochtli deu-lhes um novo nome, Mexica, e ordenou-lhes que construíssem a capital numa ilha no meio do Lago Texcoco. No coração da cidade erguia-se o magnífico Grande Templo, dedicado a Huitzilopochtli e o deus asteca da chuva, chamado Tlaloc.

Civilização Asteca | Religião
A Religião Asteca após a conquista espanhola

Nos anos seguintes a 1521, a conversão dos povos nativos da Mesoamerica continuou, mas era mais aparente que real. Registros de 1536 a 1540 revelaram que tais costumes pre-colombianos como a concubinagem, idolatria e sacrifício humano ainda eram praticados. Em 1565, os bispos espanhóis da Cidade do Mexico reclamavam da facilidade com que os nativos se revertiam para os rituais pre-conquista, escondendo ídolos atrás de altares em igrejas recem-construidas, fazendo uso de alucinógenos e invocando o simbolismo das cores antigas. Os padres franciscanos tomaram Tezcatlipoca não apenas como a divindade asteca principal, mas também como Lucifer cuja influência maligna era vista entre os povos indígenas.

Civilização Asteca | Força Militar
A guerra Asteca

A antiga milícia mexicana era diferente em vários aspectos fundamentais dos seus equivalentes europeus. Os astecas, como os seus contemporaneos na Mesoamerica, não fomentavam a guerra para conquistar e integrar território, ou converter os derrotados para sua própria religião. Sua motivação era derrotar os inimigos para poder cobrar impostos deles e capturar prisioneiros para rituais de sacrifício aos deuses. Administrar as áreas conquistadas era caro e pouco prático, por isso os astecas governavam indiretamente por meio de chefes locais e alianças políticas por casamento. A recompensa dessa abordagem era a fabulosa riqueza que jorrava em Tenochtitlan. A matança em campo de batalha e a destruição da terra eram "autoderrotantes" para esse fim. Porem, havia exceções. A morte na guerra era frequente e as cidades, as vezes, eram destruídas e sua população dizimada para servir de aviso as outras.

Civilização Asteca | Família
A Família Asteca

O nascimento de uma criança era uma ocasião de alegria e perigo, ambos físicos e espirituais. Os bebes eram trazidos a luz por parteiras profissionais que rezavam para Chalchiuhtlicue, a deusa da fertilidade e da maternidade. Se o bebe fosse menino, o cordão umbilical era dado aos guerreiros para ser enterrado em campos de batalha; se fosse menina, era colocado embaixo de uma lareira, simbolizando suas futuras tarefas domesticas. O nome de um bebe recém-nascido era escolhido após uma consulta dos pais aos sacerdotes que determinavam as influencias sobrenaturais associadas com o tempo e com a data de nascimento. Se a data de nascimento fosse julgada de sorte, o bebe era nomeado no dia seguinte; se agourenta, uma data mais propícia era escolhida. Logo após o nascimento eram presenteados com miniaturas de sua futura vida adulta. Alguns meninos eram presenteados com o escudo de um guerreiro, outros com ferramentas de ourives, enquanto as meninas ganhavam uma vassoura ou uma roca cheia de malha de algodão. Meninos e meninas eram bem-vindos igualmente nas famílias astecas e descritos carinhosamente como "colares preciosos" ou "belas penas".

Civilização Asteca | Cotidiano
A Sociedade Asteca

A sociedade asteca estava baseada e caracterizada nos direitos, privilegios, costumes e emblemas de cada classe. No topo estava o imperador sagrado, conhecido como Huey Tlatoani, ou Primeiro Orador. Como era a pessoa mais importante da sociedade asteca, ele governava como representação divina de Tezcatlipoca. Em vestimentas tipicamente astecas, a posição do imperador não era herdada, mas sim obtida por meio da eleição com um conselho de nobres, os homens mais aptos da família real. Uma vez escolhido, cada novo imperador passava por uma longa serie de rituais que incluíam a Guerra da Coroação, para provar suas habilidades militares. O Codex Florentino descreve esses eventos, especialmente o imperador realizando rituais de discursos para Tezcatlipoca nos quais ele pedia força e liderança. Uma vez coroado, o novo imperador era carregado em um trono de jaguares e águias onde tinha seu corpo perfurado com uma presa de jaguar em uma oferta de sangue que o ligava eternamente aos deuses.

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Olmecas: Riqueza e poder na Mesoamérica
História - Idade Antiga - Antiguidade Americana - América Pré-colombiana - Olmecas - Economia Olmeca
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Fabianna Zani (red.)

Entre 900 e 400 a.e.c., o centro do império olmeca foi La Venta, cidade erguida em uma enorme planície na região do atual estado de Tabasco, no México. Nesse período, calcula-se que viviam em todas as cidades olmecas cerca de 350 mil pessoas.

A base da economia, também como na época de San Lorenzo, era a agricultura. As colheitas eram generosas. Ao longo das margens dos rios fertilizadas pelas cheias, plantava-se ilho, feijão, abóbora e chili - pimenta muito apreciada na época e hoje típica da culinária mexicana. A dieta era complementada pela caça e pesca, além da coleta sistemática de frutas e tubérculos silvestres. A agricultura era do tipo coivara, com a prática de queimadas para limpar o terreno e adubá-lo com as cinzas para o próximo plantio.

O excedente da safra era comercializado com outros povos. O escambo de alimentos logo evoluiu para transações mais sofisticadas, que incluíam pedras preciosas e semipreciosas, com o jade, com o qual era confeccionadas belas imagens.

As práticas comerciais tornaram a sociedade hierarquizada, com sofisticada organização política e social. Além de integração, havia migração entre as cidades e nasceram novos tipos de profissionais, como escultores, tecelões, lapidadores, construtores e soldados.

No auge do império, são surpreendentes os conhecimentos demonstrados pelos olmecas em áreas como astronomia, engenharia e matemática - há evidências de que eles conheciam o zero, um número neutro, que permite chegar ao conceito de dezenas, centenas, milhares e assim por diante.

 

Obras faraônicas

A engenhosidade olmeca levou à edificação, em La Venta, das mais avançadas obras arquitetônicas e artísticas da América de então. Merece destaque uma pirâmide de 32 metros de altura, formada por várias camadas de argila colorida comprimida, todo amparado por lajotas de pedra calcária. No local, novas cabeças monumentais foram erigidas, de proporções ainda maiores do que as de San Lorenzo. Na base da pirâmide, havia esculturas talhadas com imaens de soberanos ou deuses enfeitados com penas e peles de jaguar.

Os estudiosos acreditam que La Venta era um lugar sagrado. Além das cabeças colossais, os arqueólogos encontraram no local centenas de cabeças e objetos relacionados a cultos religiosos. Também foi encontrada uma tumba contendo machados de jade muito afiados, provavelmente usados em rituais de sacrifício. Sinais de sacrifício humano também podem ser observados em algumas estátuas que mostram crianças mortais nos braços de sacerdotes. Esses rituais macabros se concentraram por volta de 400 a.e.c., quando o império entrou em declínio.

Nessa época, assim como San Lorenzo, La Venta foi destruída. Os olmecas aos poucos abandonaram a cidade, talvez forçados por mudanças nos cursos da águas do rios da região. Os sobreviventes acabaram por perder sua identidade como povo, juntaram-se a outros grupos e ficaram em Três Zapotes até 200 a.e.c., desta vez de forma discreta, sem erigir esculturas imensas. O impacto dos olmecas na cultura americana, no entanto, foi enorme. Basta ver seus herdeiros, teotihuacanos, toltecas, zapotecas e maias, que aperfeiçoaram o calendário, a escrita, as ruas de uma engenharia ímpar e os ensinamentos agrícolas.

 

É bola na linha

Nem tudo era trabalho duro no cotidiano dos olmecas. Foram eles que provavelmente inventaram os "jogos de bola" pré-colombianos, amplamente registrados entre maias e astecas. Foram descobertas perto de Sn Lorenzo antigas bolas feitas de uma espécie de borracha natural, chamada "hule". Em la Venta, o achado foram quadras para a prática dos tais jogos. Cada time contava com sete guerreiros e a regra era simples: a bola deveria ser rebatida com o corpo, sem usar as mãos, até ultrapassar determinada linha. Certamente, as partidas eram emocionantes e os atletas, muito dedicados. Mas não havia o que se poderia chamar de espírito esportivo: o time perdedor era em geral, sacrificado. Na cultura olmeca, os guerreiros, como homens fortes, não admitiam a derrota, sinal de fraqueza que não podiam se dar ao luxo de ostentar.

Referências Bibliográficas
2 Textos publicados
Olmecas
Olmecas | Economia
Olmecas: Riqueza e poder na Mesoamérica

Entre 900 e 400 a.e.c., o centro do império olmeca foi La Venta, cidade erguida em uma enorme planície na região do atual estado de Tabasco, no México. Nesse período, calcula-se que viviam em todas as cidades olmecas cerca de 350 mil pessoas.

A base da economia, também como na época de San Lorenzo, era a agricultura. As colheitas eram generosas. Ao longo das margens dos rios fertilizadas pelas cheias, plantava-se ilho, feijão, abóbora e chili - pimenta muito apreciada na época e hoje típica da culinária mexicana. A dieta era complementada pela caça e pesca, além da coleta sistemática de frutas e tubérculos silvestres. A agricultura era do tipo coivara, com a prática de queimadas para limpar o terreno e adubá-lo com as cinzas para o próximo plantio.

O excedente da safra era comercializado com outros povos. O escambo de alimentos logo evoluiu para transações mais sofisticadas, que incluíam pedras preciosas e semipreciosas, com o jade, com o qual era confeccionadas belas imagens.

As práticas comerciais tornaram a sociedade hierarquizada, com sofisticada organização política e social. Além de integração, havia migração entre as cidades e nasceram novos tipos de profissionais, como escultores, tecelões, lapidadores, construtores e soldados.

No auge do império, são surpreendentes os conhecimentos demonstrados pelos olmecas em áreas como astronomia, engenharia e matemática - há evidências de que eles conheciam o zero, um número neutro, que permite chegar ao conceito de dezenas, centenas, milhares e assim por diante.

 

Obras faraônicas

A engenhosidade olmeca levou à edificação, em La Venta, das mais avançadas obras arquitetônicas e artísticas da América de então. Merece destaque uma pirâmide de 32 metros de altura, formada por várias camadas de argila colorida comprimida, todo amparado por lajotas de pedra calcária. No local, novas cabeças monumentais foram erigidas, de proporções ainda maiores do que as de San Lorenzo. Na base da pirâmide, havia esculturas talhadas com imaens de soberanos ou deuses enfeitados com penas e peles de jaguar.

Os estudiosos acreditam que La Venta era um lugar sagrado. Além das cabeças colossais, os arqueólogos encontraram no local centenas de cabeças e objetos relacionados a cultos religiosos. Também foi encontrada uma tumba contendo machados de jade muito afiados, provavelmente usados em rituais de sacrifício. Sinais de sacrifício humano também podem ser observados em algumas estátuas que mostram crianças mortais nos braços de sacerdotes. Esses rituais macabros se concentraram por volta de 400 a.e.c., quando o império entrou em declínio.

Nessa época, assim como San Lorenzo, La Venta foi destruída. Os olmecas aos poucos abandonaram a cidade, talvez forçados por mudanças nos cursos da águas do rios da região. Os sobreviventes acabaram por perder sua identidade como povo, juntaram-se a outros grupos e ficaram em Três Zapotes até 200 a.e.c., desta vez de forma discreta, sem erigir esculturas imensas. O impacto dos olmecas na cultura americana, no entanto, foi enorme. Basta ver seus herdeiros, teotihuacanos, toltecas, zapotecas e maias, que aperfeiçoaram o calendário, a escrita, as ruas de uma engenharia ímpar e os ensinamentos agrícolas.

 

É bola na linha

Nem tudo era trabalho duro no cotidiano dos olmecas. Foram eles que provavelmente inventaram os "jogos de bola" pré-colombianos, amplamente registrados entre maias e astecas. Foram descobertas perto de Sn Lorenzo antigas bolas feitas de uma espécie de borracha natural, chamada "hule". Em la Venta, o achado foram quadras para a prática dos tais jogos. Cada time contava com sete guerreiros e a regra era simples: a bola deveria ser rebatida com o corpo, sem usar as mãos, até ultrapassar determinada linha. Certamente, as partidas eram emocionantes e os atletas, muito dedicados. Mas não havia o que se poderia chamar de espírito esportivo: o time perdedor era em geral, sacrificado. Na cultura olmeca, os guerreiros, como homens fortes, não admitiam a derrota, sinal de fraqueza que não podiam se dar ao luxo de ostentar.

Civilização Maia | Introdução
As origens da Civilização Maia

A presença do homem no continente americano não parece ultrapassar de 30 a 40 mil anos. Portanto, o indígena americano teria suas origens em outros lugares, o que traria uma justificativa suplementar ao emprego da expressão "Novo Mundo". Provavelmente foi a Ásia que forneceu o essencial desse contingente humano, numa época em que os gelos recobriam o estreito de Bhering, constituindo uma imensa ponte que durante milênios permitiu a passagem de contínuas vagas migratórias, atraídas sem duvida pelos múltiplos recursos dessas terras novas - principalmente a caça. A existência dessa via de penetração pelo noroeste não exclui de modo algum a possibilidade de contatos marítimos se terem produzido, em épocas menos remotas, através do oceano Pacifico, mais provavelmente do que pelo Atlântico.

Os primordios da vida sedentária e da agricultura | O impacto Olmeca | Antecedentes da Civilização Maia

O conjunto do continente americano tendo sido, desse modo, povoado através dos tempos, ali se descobrem, pouco a pouco, as evidencias de uma vida primitiva, cuja subsistência está assegurada pela caça, pesca e coleta de plantas e frutos nativos, atividades as vezes exercidas separadamente por pequenos grupos mais ou menos especializados. A cestaria e a tecelagem de diversas fibras vegetais contam-se entre as mais antigas tradições desses "microbandos". Traços cada vez mais abundantes de artefatos de pedra, sobretudo pontas de projeteis em pedra lascada, permitem-nos reconstituir, como ocorre em Tepexpan e outros sítios do planalto Central mexicano, certas peripécias da caça ao mamute e outras espécies pré-históricas.

O recuo dos gelos, em torno do VIII milênio a.e.c., acarretará inúmeras modificações radicais. De um lado, interrompida a passagem para a Ásia, o continente americano fica praticamente isolado do resto do mundo e - no que diz respeito ao essencial de sua evolução cultural posterior- entregue a si mesmo, exceto por contatos marítimos muito esporádicos, anteriores à "descoberta" do Novo Mundo. Se essas hipóteses forem exatas, como afirma a maior parte dos especialistas, será necessário, portanto, considerar esses nove ou dez últimos milênios de desenvolvimento cultural pre-colombiano como se tendo produzido quase que inteiramente em compartimento estanque.

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Os primórdios da vida sedentária e da agricultura

Assim, tendo as transformações climáticas e ecológicas provocado o desaparecimento de numerosas espécies animais e colocado ao homem novos problemas de sobrevivência, assiste-se em muitas regiões da Mesoamerica, a partir de 7000 a.e.c., a um encaminhamento progressivo no sentido da vida sedentária. Achando-se as possibilidades de caça em geral diminuídas, a coleta tende a se expandir, transformando-se gradativamente em agricultura após muitos milênios. Fazem assim sua aparição, de maneira bastante modesta, entre 7000 a.e.c. e 5200 a.e.c., alimentos como o milho, o feijão (marrom ou preto) e certas espécies de cucurbitáceas: a famosa "trilogia" que se encontrara depois a base da dieta mesoamericana, condimentada por pimentas de varias espécies e progressivamente complementada por tomate, abacate e batata-doce, assim como pela mandioca e outros tubérculos, além de certos animais domésticos, como o peru e o ixcuintli (variedade mexicana de cão), mais os múltiplos recursos naturais que continuarão a ser extraídos segundo a fauna e a flora de cada região.

Dentre todos esses recursos, o milho se tornará - por excelência - o alimento básico da Mesoamerica, a tal ponto que se lhe atribuirá um papel determinante em certas lendas relativas a criação do mundo e, dentro da mitologia de cada povo, aparecerá deificado sob aspectos bastante diversos. Essa é a razão por que, quando nos debruçamos sobre o problema das origens e domesticação do milho nessas regiões do antigo México, facilmente temos tendência a falar de uma verdadeira "invenção", de um "milagre" do milho. Miraculosa é, de fato, a persistência com a qual, de uma forma sem duvida mais instintiva do que consciente, o homem soube fazer dessa minúscula planta, através de milênios de cruzamentos e cuidados, as esplendidas espigas que conhecemos hoje em dia.

A esse processo de domesticação - no qual o próprio homem se torna cada vez mais subordinado à própria planta de que cuida e cujo destino modifica - acrescentemos outro fator que leva o homem a se fixar de maneira permanente: a necessidade que sente de honrar os seus mortos, enterrando seus despojos nas proximidades dos locais de residência. Esse culto dos mortos - que traduz a necessidade de eternidade e implica quase necessariamente a crença em um "outro mundo" melhor - não faro senão afirmar-se inteiramente, codificando-se através dos séculos e se enriquecendo de oferendas cada vez mais abundantes.

Voltemos, porém, aos problemas relativos a melhoria dos recursos alimentares. Das minúsculas espigas de milhos de 3 a 5cm de comprimento, que outrora bastava mastigar quando ainda tenras, passou-se gradualmente, por enxerto, seleção, etc., as espécies maiores e mais bem adaptadas, das quais se extrai, depois do cozimento e por meio de pedras de moer, uma pasta extremamente nutritiva. Paralelamente a diversificação e ao enriquecimento progressivo dos recursos agrícolas e dos instrumentos de trabalho, intensifica-se o fenômeno da sedentarizarão. Os primeiros vestígios de povoações semipermanentes aparecem entre 3400 e 2300 a.e.c., na região entre o Tamaulipas, os vales do Tehuacan e de Oaxaca, e a zona lacustre do planalto Central mexicano. É dessa ultima região, aliás, que provém a mais antiga figura de terracota conhecida na Mesoamerica, e cuja execução remontaria a 2300 a.e.c., quando essa prática já era conhecida há vários séculos na América do Sul, na zona costeira de Valdivia, no Equador. Embora de aspecto bastante desgastado, essa figura feminina prenuncia pelo menos uma tradição que, dependendo da região, se perpetuará às vezes por longo tempo: ela antecipa, com efeito, as abundantes estatuetas femininas que se encontrarão sobretudo durante o período pré-clássico, e nas quais parece manifestar-se um culto de tipo agrário a fertilidade.

Será necessário, contudo, esperar ainda muitos séculos para se assistir ao surgimento da cerâmica propriamente dita, cuja elaboração irá marcar, com o advento do período dito "pré-clássico" ou "formativo", o acesso de novos grupos a um certo modo de vida sedentário. As etapas evolutivas dessa transformação estão ainda muito longe de serem conhecidas, e é apenas de modo aproximativo que se fixa a fase pré-clássica "antiga" entre os anos 1800 e 1300 a.e.c. A altura de 1500 a.e.c., não somente se multiplicam os povoados semi-sedentários nas regiões já mencionadas, como ainda outros haviam feito, ou logo fariam, sua aparição nos atuais Estados de Veracruz e Tabasco (no litoral do golfo do México) e na parte meridional da área Maia (sobretudo na encosta do Pacifico do Chiapas, da Guatemala e de El Salvador), de onde continuarão a se expandir, durante o "pre-clássico médio" (1300 - 800 a.e.c.) em direção ao norte de Belize, assim como para as zonas lacustres das planícies centrais e para alguns pontos isolados da península de Yucatán. Com toda a objetividade, portanto, está fora de questão, nessa fase, falar de uma civilização, "maia" propriamente dita, pois o povoamento da área maia apenas iniciava seu período de gestação, e os raros povoados semipermanentes inauguravam eles próprios um modo de vida ainda muito rudimentar.

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O impacto olmeca

Entretanto, é essa mesma fase pré-clássica "media" que irá contemplar, na região pantanosa do golfo do México (nos limites entre os Estados de Veracruz e Tabasco), a primeira chama cultural espetacular na Mesoamerica: a dos Olmecas, que não somente influenciará, com sua marca profunda, um grande numero de povos contemporâneos, como também suas reminiscências atuarão como poderoso fermento cultural que se reencontrará, séculos mais tarde, como ponto de partida do grande impulso clássico, ai compreendido o dos Maias.

Precariamente conhecidos ate 1940, a partir dai os Olmecas se tornaram objeto de estudos bem avançados, a tal ponto que, talvez por reação, se adquiriu a tendência a superestimá-los, atribuindo-lhes papel exclusivo e determinante como "cultura matriz" em face do mundo clássico ulterior. Certamente, não é chegado ainda o tempo para uma justa avaliação, em vista do estado exageradamente fragmentário de nossos conhecimentos sobre muitas fases da evolução mesoamericana. Contudo, e forçoso admitir que, por enquanto, comparado aos demais complexos culturais de seu tempo, o fenômeno olmeca só pode ser classificado como extraordinário. Com efeito, lá onde, entre os anos 1500 e 1200 a.e.c., se encontravam na Mesoamerica apenas uns raros núcleos de povoamento agrícola capazes de sustentar uma economia relativamente estável, uma estrutura social atingindo o estagio tribal e um esboço de religião (do gênero "xamanistico"), escassamente ultrapassando o simples culto dos mortos, tem-se a impressão de um fantástico "salto adiante", de uma profunda explosão cultural, ao vermos surgir subitamente, entre os anos 1200 e 900 a.e.c., os primeiros centros cerimoniais olmecas, como San Lorenzo e La Venta.

Situados nessa região de terras baixas e pantanosas, sobre elevações de terreno, podendo transformar-se eventualmente em ilhotas no período das cheias, esses centros cerimoniais já testemunham um gigantesco esforço de terraplenagem, modificando, às vezes profundamente, a topografia natural. Transporta-se no dorso dos homens o barro das ribanceiras para confeccionar adobes, nivelar esplanadas, aplainar terrenos ou dar forma a uma "pirâmide"; preveem-se reservatórios artificiais para as estações secas, comunicando-se entre si, algumas vezes em níveis diferentes, por meio de uma rede de canais constituída de grandes elementos em pedra trazidos das montanhas mais próximas, distando as vezes de 100 a 150km em linha reta, a custa de esforços consideráveis.

Enormes blocos de basalto, atingindo de 15 a 25 toneladas, são arduamente extraídos das pedreiras; depois transportados, não menos penosamente - por meio de alavancas, toras e cordas - até as embarcações destinadas a transporta-los, por via fluvial ou marítima, ao canteiro de obras, onde serão entalhados e depois polidos sem auxilio de qualquer instrumento metálico, pois a tecnologia mesoamericana jamais ultrapassou o estagio equivalente ao "Neolítico". Quantos meses, anos talvez, foram necessários aos escultores olmecas para produzir as famosas çabeças colossais, os "altares", as "estelas" e outras esculturas monumentais, cuja qualidade de execução em nada deixa transparecer suas terríveis limitações técnicas?...

A escultura em alto-relevo e em baixo-relevo, que se conta entre as mais antigas e perfeitas expressões monumentais da arte pre-colombiana, constitui um dos fenômenos marcantes da revolução cultural olmeca e faz parecer bem modestas, comparativamente, às figuras de argila moldadas por certos povos contemporâneos. E se acrescentarmos a escultura também o trabalho em pedras duras de grão fino, tais como o jade, a jadeita, a serpentina e a dorita, com as quais se fazem estatuetas admiravelmente polidas, sem falar em uma cerâmica muito elaborada para a época, além das primeiras estatuetas ocas em terracota, compreenderemos o impacto que essa arte olmeca produziu, levando-se em conta não somente a novidade de seu aspecto, mas ainda, e sobretudo, seu conteúdo esotérico e suas implicações sociopolíticas.

Pois uma metamorfose tão profunda e tão rápida sequer encontrou paralelo na Mesoamerica. De uma estrutura tribal mais ou menos estável (e relativamente igualitária, ao que parece), temos a impressão, na "área nuclear" olmeca, da súbita passagem a um estagio de "chefias" ou de "Estado", emergindo lá onde uma certa elite dirigente controla, com punhos de aço, o trabalho de uma mão-de-obra abundante. Poder-se-ia explicar de outra forma a eclosão ordenada e planificada desses sítios olmecas que, em muitos aspectos, e apesar de uma arquitetura feita de simples terra compactada, representam os primeiros verdadeiros cerimoniais mesoamericanas?... Em La Venta, por exemplo, encontra-se sobre o eixo central norte-sul, na extremidade de uma grande praça cerimonial delimitada a cada lado por duas longas plataformas simétricas, uma gigantesca "pirâmide" de 120m de diâmetro e 30m de altura, inteiramente feita pela mão do homem, e cuja forma (aparentemente intencional) sugere a de um cone vulcânico erodido. Confrontando-a, na outra extremidade da praça, a aproximadamente 150m de distância, eleva-se uma pirâmide de dimensões mais modestas, constituída por elementos em degraus, que prefiguram a maior parte das pirâmides mesoamericanas ulteriores, cujo acesso se faz através de uma vasta plataforma elevada, apoiada a fachada principal e cercada por uma paliçada.

Esse exemplo, por si só, anuncia bem os princípios do urbanismo clássico mesoamericano, ou seja, a organização dos grandes espaços exteriores. Em outras palavras: a arte de manejar as massas - isto é, pirâmides, plataformas e montículos diversas de modo a enquadrar e definir as praças e os locais cerimoniais (as manifestações públicas do culto mesoamericano se realizavam invariavelmente ao ar livre); o tianguis ou mercado a céu aberto, assim como outros espaços destinados às atividades cívicas ou rituais (tais como os campos para jogos de bola, cuja existência, naqueles tempos remotos, é ainda bastante contestada); o emprego de uma simetria relativa e de grande eixos visuais, apontando com frequência no sentido de um elemento particularmente importante, implicando, provavelmente, a orientação mesma de certos eixos uma astronomia emergente desde esta época. Acrescentemos a isso o sentido geralmente equilibrado das proporções (mais evidente no urbanismo do que na escultura) e uma aptidão para gerir o monumental. Observemos, a proposito, que a pirâmide, a qual constitui a expressão por excelência desse cerimonialismo monumental, já se acha presente. Destinada antes de tudo a realçar o santuário, ela domina, com sua massa imponente, as demais construções, não sendo ainda naquele momento o templo propriamente dito, nem os "palácios" nem outros espaços cobertos mais do que simples tendas feitas de materiais perecíveis, como deveriam, aliás, permanecer durante mais de um milênio, ate praticamente o alvorecer do período clássico.

Basta reconstruir de forma hipotética as grandes tendas ricamente decoradas e recolocar as esculturas monumentais nos antigos locais cerimoniais ou ao longo dos principais eixos visuais para se imaginar o quadro dentro do qual se movimentavam as multidões que, abandonando por certo tempo sua cabana e sua milpa (ou campo de milho), acorriam através de quilômetros ao centro, fosse para trocar seus produtos na praça do tianguis, onde às vezes podiam obter objetos trazidos de regiões afastadas, seja para se reunir junto a uma pirâmide ou a plataforma cerimonial a fim de assistir as diversas manifestações do culto - ou delas-participar -, como nas procissões, danças rituais, sacrifícios etc. Animado momentaneamente por essa presença e por esse rumor, o centro cerimonial recai em seguida na calma dos dias comuns, então habitado de modo permanente (ou rotativo?) apenas pelas famílias da elite dirigente, combinando talvez funções civis e religiosas, como também alguns guerreiros, artesãos (e comerciantes?), servidores e escravos.

Tem-se discutido muito sobre a existência, desde essa época, de uma sociedade de estrutura teocrática, que seria já, em essência, o modelo reputado como dominante no mundo clássico. Se essa questão ainda permanece nebulosa, podemos ao menos arriscar algumas observações gerais sobre as mudanças ocorridas entre 1200 e 900 a.e.c., sob influencia direta ou indireta dos Olmecas. É então, com efeito, que se assiste a instalação - ou a consolidação definitiva - de inúmeros mecanismos que desempenharão papel determinante dentro do "sistema mesoamericano", tal como o enriquecimento dos recursos alimentares tanto pela intensificação e diversificação da agricultura como pela troca inter-regional de produtos; a diversificação progressiva das atividades, conduzindo a certas formas de especialização e a uma estrutura social mais complexa, mais hierarquizada, e onde intervém a busca do prestigio junto com a aquisição de produtos de luxo trazidos as vezes de regiões extremamente distantes (como testemunha a "rota do jade", que se estendia para o oeste ate a bacia do Balsas, no Guerrero, e para o leste, ladeando a costa do Pacifico, ate a bacia do Motagua). Mencionemos, além disso, os inegáveis progressos no domínio da tecnologia, das artes plásticas, do urbanismo etc., assim como os prováveis primórdios de uma astronomia (associada a utilização de um calendário e a cristalização de certas concepções religiosas).

Ultrapassando o estagio do simples xamanismo, os Olmecas criam uma mitologia poderosamente dominada por um ser semi-humano, semi-felino - o "homem jaguar", do qual derivarão, talvez, no meio de outros povos, divindades como o deus da chuva (o Cocijo dos Zapotecas, o Chac dos Maias, o Tialoc do altiplano mexicano ou o Tajin de Veracruz setentrional) ou as numerosas divindades do milho e da vegetação. Alguns autores chegam ao ponto de identificar, na iconografia olmeca, divindades mais sofisticadas (como Xipe, deus da primavera e da renovação, revestido da pele de uma vitima esfolada; ou Ehecad, deus do vento com bico de passado). Outros nele reconhecem os atributos da Deusa-Mãe, divindade da terra, associada ao culto das cavernas, lugares sagrados que simbolizam as múltiplas gargantas abertas pelas quais se chega ao mundo inferior... Qualquer que seja, porém, a verdade no que concerne a essas "discussões teológicas", temos a impressão exata, desta vez, de nos estarmos confrontando com entidades mitológicas de nível nitidamente mais elevado, tanto por sua complexidade formal como pelo poder evocador que delas emana, muito além de um simples culto de ancestrais ou da fertilidade.

Apos termos passado em revista os traços essenciais da evolução cultural olmeca, veremos como certos aspectos dessa contribuição se fazem sentir em outras regiões, seja como resultado de simples troca, seja sob a pressão de invasões militares destinadas a assegurar "cabeças-de-ponte" ou "pontos de troca". E assim que, entre as vias de penetração olmecas mais importantes, uma delas se comunica pelo sul com o planalto Mexicano através dos Estados de Puebla e Morelos, de onde desde em direção a Guerrero, depois de se ter bifurcado próximo ao vale do México; uma segunda atravessa a Sierra para alcançar a regido de Oaxaca; e uma terceira - a que mais nos interessa no caso atual - atinge o sul da área maia, onde se divide em varias ramificações, uma das quais ultrapassa mesmo as fronteiras habituais da Mesoamerica, avançando ate a Costa Rica e o Panamá.

No que diz respeito a área central propriamente dita, as primeiras etapas do avanço cultural de 1200 a 900 a.e.c. entre San Lorenzo e La Venta, prosseguindo ate aproximadamente 400 a.e.c. em outras localidades, tais como Tres Zapotes e Cerro de las Mesas. Se desde o inicio as influencias olmecas no exterior afetam as regiões já mencionadas, no geral, porem, não será antes da fase "recente" do período pré-clássico (a partir de 800 a.e.c. e até o inicio de nossa era), apos um período de incubação mais ou menos longo segundo as varias regiões, que se farão sentir as repercussões profundas dessa contribuição, dando origem a novas tradições regionais, embrião das civilizações clássicas. Assim, no vale do México, apesar da clara presença olmeca em Ayotla e Tlatilco, o imponente centro cerimonial de Cuicuilco, cuja grande pirâmide de 150m de base prenuncia Teotihuacan, desponta apenas nos anos 600 a.e.c., enquanto no vale de Oaxaca, superando as demais regiões, Monte Alban empreende, entre 800 e 600 a.e.c., uma longa e frutífera trajetória cultural cobrindo aproximadamente dois milênios, que constitui um recorde na Mesoamerica. Entre os Maias, por fim, desabrochando subitamente, o período de gestação e ainda mais complexo do que no vale do México.

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Antecedentes da civilização maia

É chegado o momento de falar dos Maias, começando por uma visão geral das regiões onde irá se desenvolver sua civilização. Situada na confluência entre a América do Norte e a América Central, tendo por eixo a península de Yucatan, a região maia apresenta, do ponto de vista geográfico, duas grandes divisões designadas comumente com os nomes de Terras Altas e Terras Baixas, sem mencionar as "sub-regiões". Do ponto de vista de sua evolução cultural está subdividida em três partes: meridional, central e setentrional. A área meridional, que compreende essencialmente as Terras Altas da Guatemala, de clima temperado e úmido, assim como a faixa muito úmida da costa do Pacifico, estende-se do Chiapas a El Salvador. Essa zona meridional, apesar da fertilidade e dos numerosos recursos naturais, das facilidades de comunicação e do papel particularmente determinante que desempenhou durante as fases formativas da civilização maia, não figura além do período clássico senão de maneira marginal, a tal ponto que muitas obras consagradas a civilização maia dispensam-se de lhe fazer referência.

As Terras Baixas (situadas na maior parte abaixo de 600m de altitude e raramente ultrapassando os 100 ou 200m) dividem-se em duas partes: as Terras Baixas do Sul, ou área central, cobertas quase exclusivamente por uma floresta tropical mais ou menos densa e muito úmida, estendendo-se desde a planície costeira de Tabasco (no golfo do México) ate Belize e Honduras, no litoral do mar do Caribe, passando por Peten (que ocupa todo o Norte da Guatemala), verdadeiro coração do mundo maia clássico; e as Terras Baixas do Norte, ou área setentrional, representando praticamente toda a península de Yucatan, essa enorme formação calcaria, apenas ondulada em algumas partes é quase totalmente desprovida de cursos de agua superficiais, na qual se passa progressivamente do clima úmido para o clima árido, na medida em que nos deslocamos em direção a noroeste.

É nessas Terras Baixas - embora bem menos favorecidas pela natureza - que se produziu, em todo o esplendor e diversidade, o fenômeno clássico maia, e sobretudo (no que concerne a alguns de seus aspectos mais característicos) na área central, que alguns autores consideravam ainda há pouco tempo como o domínio quase exclusivo de um "antigo Império Maia", enquanto a área setentrional se via reduzida injustamente à condição de sucessora tardia ou simples teatro de um efêmero "Novo Império".

Como vimos, as primeiras aldeias semipermanentes em território maia não antecedem de muito o ano 1500 a.e.c. Uma das mais antigas manifestações artísticas dessa vida sedentária e o surgimento dos estilos de cerâmica denominados "Barra" e "Ocos", originários das regiões costeiras do Chiapas e da Guatemala; estilos que se distinguem pela forma esférico-achatada e pela rica ornamentação em estrias. É então que se intensifica, em direção a El Salvador, esse processo de sedentarização; novos grupos emigram então para Belize e outros pontos isolados das Terras Baixas, especialmente ao longo dos cursos de agua ou ao redor de lagos e lagunas. Salvo, porem, umas raras exceções, será necessário aguardar o inicio da fase pré-clássica recente (em torno de 800 a.e.c.) para assistir a um povoamento mais intensivo e generalizado das Terras Baixas onde, um milênio depois, florescera a civilização clássica.

Os povos que constituíam o grupo maia provinham, aparentemente, do oeste dos Estados Unidos, tendo-se estabelecido na área meridional maia no III milênio a.e.c. Falavam, em sua origem, um idioma da família do Totonaque e do Zoque. Durante o período pré-clássico, enquanto um ramo se separava para se fixar a noroeste do golfo do México, onde se transformaria nos Astecas, outros grupos começavam a ocupar as Terras Baixas, dando origem ao Yucateca (que deveria continuar sendo falado em toda a península de Yucatan) e a outros ramos, dentre os quais o Chol e seus derivados. O Chol seria provavelmente a língua básica da área central, deslocando-se o Tzeltal em direção a oeste e conservando-se o Quiche como ramo principal das Terras Altas. Portanto, podemos supor, mesmo ao risco de simplificar, que durante o período clássico a área central falava essencialmente dialetos derivados de um tronco comum Chol, enquanto o Yucateca dominava a totalidade da área setentrional.

Desde os anos 600-400 a.e.c., uma simbiose parece ter-se operado entre três regiões: a área olmeca, Monte Alban (no vale do Oaxaca) e o sul da área maia. Desse fenômeno, que se prolongará até aproximadamente o inicio de nossa era, a área olmeca sairá definitivamente diminuída de sua preponderância cultural e política, e vera sua própria identidade diluir-se aos poucos em beneficio frequente de outras regiões, que reforçarão suas tendências particularistas. Assim, Monte Alban se distinguirá durante essa fase por um impulso vigoroso, dominando por certo tempo, ao menos em parte, o panorama cultural mesoamericano.

Rivalizando com os últimos centros cerimoniais olmecas - tais como Três Zapotes e Cerro de las Mesas -, Monte Alban efetivamente empreende, a partir dessa época, o remanejamento do cume das montanhas que se elevam acima do vale de Oaxaca, aplainando gigantescas esplanadas artificiais e construindo os primeiros edifícios "sólidos" do que se tornará, através dos séculos, o mais impressionante centro cerimonial e, ao mesmo tempo, uma das maiores necrópoles da Mesoamerica. Utilizando a pedra para consolidar os montículos artificiais e para construir os primeiros esboços de muros e colunas, desenvolvem também o emprego da argamassa de cal, assim como do estuque para revestimentos exteriores. Por essa época, e de forma bem mais clara do que entre os Olmecas, aparecem ai muitos deuses nitidamente diferenciados, todos masculinos: Cocijo, o deis da chuva; Pitao-Cozobi, o deus do milho (e seus animais totemicos, o jaguar e o morcego); Hue-hueteotl, o velho deus do fogo; Xipe, o deus que se recobre da pele de uma vitima esfolada; e Quetzalcóatl, a serpente de plumas. Finalmente, sobre certos baixos-relevos de "Dazantes" e outros monólitos esculpidos, figuram os primeiros textos glificos conhecidos da Mesoamerica (enquanto certos monumentos olmecas mais antigos, em contraste, mostram somente esboços de glifos).

A área maia meridional inaugura, por sua vez, seu período mais fecundo. Desde Chiapa de Corzo, Tonala e Izapa (no Chiapas), ate Chalchuapa (em El Salvador), passando por Abaj Takalik,

Chocola, El Baul, Monte Alto e Kaminaljuyu (na Guatemala), implanta-se um cerimonialismo monumental que, sob vários aspectos, será o preludio do fenômeno clássico maia das Terras Baixas, ao mesmo tempo em que constituirá o elemento de ligação com a herança olmeca. As recentes descobertas em Abaj Takalik atestam significativamente esse processo. Entretanto, essa fase, que vai de aproximadamente 600 a.e.c. ate 150 a.e.c., com frequêencia designada (talvez incorretamente) pelo nome de "Izapa" - um dos seus locais mais representativos - apresenta desse cerimonialismo um numero expressivo de características próprias, algumas das quais variam de um sitio a outro. Dois grandes centros cerimoniais distinguem-se durante essa fase por sua atividade criadora: Izapa, por sua serie ininterrupta de monolitos esculpidos em baixo-relevo, e Kaminaljuyu, pela amplitude e pelo número de montículos, que o tornam um dos mais importantes sítios pré-clássicos.

Desde o inicio desse período, Izapa começa a erigir estelas (geralmente acompanhadas de "altares"), costume que parece provir em linha direta dos Olmecas. Como acontecia entre estes, os contornos dos blocos de basalto não necessitam ser regulares, ainda que, devido a sua face plana e ampliada, mais sua silhueta quase sempre alongada e vagamente arredondada no cume, essas estelas já anunciem o protótipo maia clássico. Conservam, não obstante, um "sabor" muito olmeca em relação a determinadas convenções artísticas, ou seja: a representação das pernas e a atitude geral de seus personagens; as mascaras com sobrancelhas "espantosas" e o lábio superior fortemente marcado, com frequência proeminente, cujas comissuras se recurvam para baixo, a moda dos perfis olmecas do homem jaguar" ou do "dragão"; a frequência dos sinais em "U" ou de faixas diagonais (paralelas ou em forma de cruz); a presença de animais mitológicos combinando traços de serpente, jaguar e seres voadores; o próprio dinamismo das cenas, que demonstram, entretanto, um caráter anedótico mais acentuado do que na arte olmeca. As cenas, por outro lado, são compostas de forma mais flexível; e um dos traços distintivos desse estilo "Izapa" é a abundancia de elementos - lábios, sobrancelhas, olhos em espiral e outros motivos - terminando em volutas, assim como um certo caráter geral curvilíneo, "ondulante", que prenuncia a sensualidade da arte maia da área central. Notemos, por fim, nas cenas fortemente impregnadas de uma atmosfera mística e em geral encerradas entre uma faixa superior "celeste" e um plano inferior "terrestre", a presença de seres alados ou personagens fantásticos que parecem descer do céu, ou cuja fisionomia, inclinando-se para baixo, contempla a cena a partir do angulo superior.

Contrariamente a tradição olmeca, o alto-relevo está ausente aqui (como alias continuara entre os Maias do período clássico) com exceção de uns poucos altares zoomórficos de Izapa, de pequenas esculturas em forma de cogumelo, de "silhuetas" de contornos entalhados e de grandes monolitos da região de Monte Alto, cujo estilo, embora bastante tosco, liga-se apenas muito vagamente aos padrões olmecas. Trata-se portanto, e essencialmente, de uma arte do baixo-relevo que, embora antecipe certos aspectos da arte maia propriamente dita, possui um estilo nitidamente a parte. Com variantes locais, esse estilo atinge a plenitude no inicio de nossa era, refluindo seus traços vigorosos, por um fenômeno de feed-back, ate a região olmeca em Monte Alban, e até mesmo além, em Chalcatzingo, no Morelos. Se Izapa se distingue pelo dinamismo de suas cenas mitológicas, Kaminaljuyu - com suas representações mais próximas do individuo, onde já se pressente uma inclinação marcada para as plumas e outros ornamentos corporais - impõe-se pela qualidade estética de suas estelas e prenuncia mais diretamente a arte das Terras Baixas.

Do ponto de vista arquitetônico - embora suas construções sejam feitas ainda de simples terra compactada à maneira olmeca -, Kaminaljuyu ultrapassa Izapa em numero (aproximadamente 200) e volume de montículos artificiais, tornando-se um dos lugares mais impressionantes do final do período pré-clássico (entre 300 e 150 a.e.c.). Antecipando um costume que logo se estenderá aos Maias das Terras Baixas, algumas dessas construções - que se apresentavam exteriormente como plataformas cerimoniais ou como pirâmides em degraus destinadas a elevar um santuário - escondiam de fato imponentes sepulturas repletas de oferendas de uma riqueza excepcional: objetos diversos, joias em osso, mica, obsidiana, jade etc., assim como centenas de exemplares de cerâmica, constituindo uma das mais belas amostras das suas principais variedades da época: a de estilo "Miraflores", de origem essencialmente regional, e a chamada "Usulutan", proveniente da província de mesmo nome em El Salvador, mais a leste. Durante a fase "Miraflores" - período de afirmação e consolidação cultural por excelência -, encaminha-se a criação definitiva de um sistema de numeração e escrita glifica que desempenhará um papel muito importante no destino da civilização maia, ainda que suas origens pareçam situar-se fora das Terras Baixas, segundo o estado atual de nossos conhecimentos. Embora ainda seja temerário adiantar qualquer afirmação sobre as origens desse sistema tipicamente mesoamericano e único em todo o continente, podemos ao menos assinalar o fato de que os vestígios conhecidos ate agora situam-se aproximadamente no interior do triangulo compreendido entre Três Zapotes (na área olmeca), Monte Alban (em Oaxaca) e Chalchuapa (em El Salvador). Frequentemente tênues, dispõem-se esses vestígios ao longo do I milênio a.e.c., começando por certos algarismos (barras e pontos), sinais e esboços de glifos ocorrendo de forma intermitente sobre raros monumentos olmecas. A partir de 600-400 a.e.c., aparecem os glifos sobre numerosos baixos-relevos em Monte Alban, organizados em colunas verticais, as vezes representando algarismos. No inicio de nossa época, apresentam-se enfim sob a forma convencional, chamada de "Conta-Longa" ou "Series Iniciais", que se tornara a modalidade corrente entre os Maias desde o inicio do período clássico, e da qual permanecerão, dai em diante, como detentores praticamente exclusivos.

Assim, paradoxalmente, os primeiros exemplos conhecidos de "escrita" maia aparecem por ordem cronológica: em Chiapa de Corzo, na depressão central do Chiapas, zona considerada marginal, a oeste da área maia propriamente dita (estela 2, datada do ano 36 a.e.c.); em Três Zapotes, dentro da região olmeca (estela C, ano 31 a.e.c.); e em Abaj Takalik (estela 1, ano 40), na área meridional maia; assim como a estatueta olmeca de Tuxtla (ano 162); sem falar de alguns outros monumentos da época em que as inscrições são incompletas ou ilegíveis. Por outro lado, a primeira data conhecida na área maia central (a da estela 29 de Tika) não se antecede ao ano 292, ou seja, 328 anos após a mais antiga data glifica interpretada ate o presente. Todavia, convém observar que, se a maioria dos monumentps mencionados liga-se, do ponto de vista estilístico, a arte de Izapa e a fase "Miraflores", nenhuma inscrição glifica desse gênero foi ate hoje encontrada entre as próprias esculturas de Izapa; como também não conhecemos em Kaminaljuyu senão vestígios de textos glificos de interpretação problemática, como é o caso da excepcional estela 10, infelizmente mutilada ao extremo.

No inicio da nossa era, quando se esvai definitivamente a presença olmeca e Monte Alban prossegue na sua longa trajetória cultural, um novo colosso levanta-se no vale do Mexico, assegurando a substituição de Cuicuilco, no sudoeste do vale, que acabava de desaparecer, traçada por enormes rios de lava. Afirmando desde essa época a sua vocação para o monumental, Teotihuacan se encontra, então, em plena construção de sua pirâmide do Sol, que, com seus 225 metros de base e seu sólido revestimento em pedra e depois em estuque, permanecera na história mesoamericana como a mais grandiosa jamais edificada em uma única etapa (e não, como tantas outras, em resultado de uma serie de adições e superposições). Desde ai, já estão lançadas as bases para um plano urbanístico que fará da "Cidade dos Deuses" não apenas a primeira e mais imponente das verdadeiras cidades que conheceu o mundo pré-colombiano, mas também o mais vigoroso centro cultural e religioso durante a quase totalidade do período clássico, de onde se irradiarão influências em todas as direções, inclusive a área maia. Com Teotihuacan, com efeito, assiste-se a instauração de uma nova ordem de coisas, dentro da qual, após eclipses relativamente breves, o planalto Central mexicano exercera certa hegemonia, direta ou indireta, sobre territórios mais ou menos vastos. Tal será o caso dos Toltecas, no inicio do II milênio a.e.c., e depois dos Astecas, pouco antes da conquista espanhola; sem falar do governo centralizado que se acha plantado no sitio mesmo de Mexico-Tenochtitlan, a antiga capital asteca, desde a época colonial ate nossos dias. Curioso o destino do planalto Mexicano: habitado desde os tempos pré-históricos e testemunha dos primórdios da sedentarização, tendo visto suceder-se uma serie de povos de origens bastante diversas, parece desde sempre destinado, por assim dizer - e apesar das importantes mudanças ecológicas e das radicais vicissitudes politicas -, a exercer um papel preponderante na historia do México. Enquanto ao longe se ergue a majestosa Teotihuacan, alguns lugares pré-clássicos das Terras Baixas maias, enfrentando por certo tempo o desafio de uma natureza particularmente difícil, preparam-se pacientemente para fazer sua entrada na cena mesoamericana, lançando as bases desse fenômeno infinitamente delicado e precioso que foi a civilização maia clássica.

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