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Olmecas: Riqueza e poder na Mesoamérica
Economia
História - Idade Antiga - Antiguidade Americana - América Pré-colombiana - Olmecas - Economia Olmeca
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Fabianna Zani (red.)

Entre 900 e 400 a.e.c., o centro do império olmeca foi La Venta, cidade erguida em uma enorme planície na região do atual estado de Tabasco, no México. Nesse período, calcula-se que viviam em todas as cidades olmecas cerca de 350 mil pessoas.

A base da economia, também como na época de San Lorenzo, era a agricultura. As colheitas eram generosas. Ao longo das margens dos rios fertilizadas pelas cheias, plantava-se ilho, feijão, abóbora e chili - pimenta muito apreciada na época e hoje típica da culinária mexicana. A dieta era complementada pela caça e pesca, além da coleta sistemática de frutas e tubérculos silvestres. A agricultura era do tipo coivara, com a prática de queimadas para limpar o terreno e adubá-lo com as cinzas para o próximo plantio.

O excedente da safra era comercializado com outros povos. O escambo de alimentos logo evoluiu para transações mais sofisticadas, que incluíam pedras preciosas e semipreciosas, com o jade, com o qual era confeccionadas belas imagens.

As práticas comerciais tornaram a sociedade hierarquizada, com sofisticada organização política e social. Além de integração, havia migração entre as cidades e nasceram novos tipos de profissionais, como escultores, tecelões, lapidadores, construtores e soldados.

No auge do império, são surpreendentes os conhecimentos demonstrados pelos olmecas em áreas como astronomia, engenharia e matemática - há evidências de que eles conheciam o zero, um número neutro, que permite chegar ao conceito de dezenas, centenas, milhares e assim por diante.

 

Obras faraônicas

A engenhosidade olmeca levou à edificação, em La Venta, das mais avançadas obras arquitetônicas e artísticas da América de então. Merece destaque uma pirâmide de 32 metros de altura, formada por várias camadas de argila colorida comprimida, todo amparado por lajotas de pedra calcária. No local, novas cabeças monumentais foram erigidas, de proporções ainda maiores do que as de San Lorenzo. Na base da pirâmide, havia esculturas talhadas com imaens de soberanos ou deuses enfeitados com penas e peles de jaguar.

Os estudiosos acreditam que La Venta era um lugar sagrado. Além das cabeças colossais, os arqueólogos encontraram no local centenas de cabeças e objetos relacionados a cultos religiosos. Também foi encontrada uma tumba contendo machados de jade muito afiados, provavelmente usados em rituais de sacrifício. Sinais de sacrifício humano também podem ser observados em algumas estátuas que mostram crianças mortais nos braços de sacerdotes. Esses rituais macabros se concentraram por volta de 400 a.e.c., quando o império entrou em declínio.

Nessa época, assim como San Lorenzo, La Venta foi destruída. Os olmecas aos poucos abandonaram a cidade, talvez forçados por mudanças nos cursos da águas do rios da região. Os sobreviventes acabaram por perder sua identidade como povo, juntaram-se a outros grupos e ficaram em Três Zapotes até 200 a.e.c., desta vez de forma discreta, sem erigir esculturas imensas. O impacto dos olmecas na cultura americana, no entanto, foi enorme. Basta ver seus herdeiros, teotihuacanos, toltecas, zapotecas e maias, que aperfeiçoaram o calendário, a escrita, as ruas de uma engenharia ímpar e os ensinamentos agrícolas.

 

É bola na linha

Nem tudo era trabalho duro no cotidiano dos olmecas. Foram eles que provavelmente inventaram os "jogos de bola" pré-colombianos, amplamente registrados entre maias e astecas. Foram descobertas perto de Sn Lorenzo antigas bolas feitas de uma espécie de borracha natural, chamada "hule". Em la Venta, o achado foram quadras para a prática dos tais jogos. Cada time contava com sete guerreiros e a regra era simples: a bola deveria ser rebatida com o corpo, sem usar as mãos, até ultrapassar determinada linha. Certamente, as partidas eram emocionantes e os atletas, muito dedicados. Mas não havia o que se poderia chamar de espírito esportivo: o time perdedor era em geral, sacrificado. Na cultura olmeca, os guerreiros, como homens fortes, não admitiam a derrota, sinal de fraqueza que não podiam se dar ao luxo de ostentar.

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