Pré, Proto-História (246mil a.e.c.)
Idade Antiga (4000 a.e.c. - 476 d.e.c.)
Idade Média (476 - 1453 d.e.c.)
Idade Moderna (1453 - 1789 d.e.c.)
Idade Contemporânea (1789 - 1946 d.e.c.)
Era da Informação (1946 - Presente)
História da Antiguidade Oriental -  | 1969 |
Larousse Das Civilizaçoes Antigas -  | 2009 |
Um Estudo Crítico da História Vol. I -  | 2001 |
Mesopotâmia a Invenção da Cidade -  | 2003 |
Dos Sumérios a Babel - A Mesopotâmia - Historia, Civilizaçao, Cultura | 2003 |
As Primeiras Civilizações - Da Idade Da Pedra Aos Povos Semitas | 2009 |
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Civilização Romana | Família
O casamento romano e os costumes no século de ouro
É impossível saber, como é natural, o que foi a realidade diária do casamento durante os primeiros tempos de Roma. Relatos dignos de fé apenas começam a lançar alguma luz sobre este domínio, como sobre outros, a partir do século III a.e.c. e. ainda assim, trata-se geralmente de testemunhos que se referem apenas a famílias da aristocracia. Nas diver­sas classes sociais, e quando não se seguiam as tradições patriarcais, a situação real devia apresentar diferenças consideráveis. Todavia, a partir da unificação da cidade, quando patrícios e plebeus passaram a gozar sensivelmente dos mesmos privilégios, as tradições dos primeiros pare­cem ter exercido uma espécie de atração sobre os costumes das famílias dos segundos. Por outro lado, segundo pensamos, as principais diferen­ças, a partir do século III, ocorrem mais em função da fortuna e da res­ponsabilidade política do que de qualquer outro fator. A cidade é go­vernada, nessa altura, por um regime estritamente oligárquico: há as fa­mílias cujos homens se sentam no Senado, assumindo, a intervalos regu­lares, as grandes magistraturas do Estado, e há a massa dos outros cida­dãos, que só vão às assembleias para legitimar as decisões preparadas pelos senadores e eleger os candidatos que lhes são propostos e que escolhem de acordo com o prestígio dos homens que se apresentam como seus garantes. No resto do tempo, são “clientes” destes grandes senho­res. Naturalmente, o casamento não tem a mesma importância para uns e para outros. Temos muito pouca informação sobre a maneira como estas uniões se realizavam na massa do povo, temos um pouco mais quando se trata das outras classes.
Civilização Romana | Família
O casamento romano no período arcáico
Historiadores e poetas afirmam que o casamento foi, durante muitos séculos, uma das instituições mais sólidas e respeitadas da cidade roma­na. Rivalizam no elogio da pureza dos costumes antigos, do tempo em que uma mulher que tivesse ficado viúva não mais consentiria em voltar a casar, em que, por maioria de razão, nunca se levantava a questão do divórcio. Pelo contrário, lamentam o relaxamento progressivo de uma relação que, durante o Império, se tornara de uma extrema fragilidade, enquanto nos bons velhos tempos o seu respeito era considerado a garantia mais firme da grandeza romana e a marca mais incontroversa de uma saúde moral a toda prova. Hoje ainda, muitos historiadores fazem-se eco destas queixas, considerando que uma das razões profundas da decadência de Roma reside no abandono deste velho ideal por onde se orientaram anteriormente os severos camponeses do Lácio. Antes de nos interrogarmos por que razão o casamento romano per­deu a sua solidez ao longo do tempo, convém, decerto, examinar a pró­pria instituição. A instituição do casamento é uma daquelas a que os juristas romanos não só dispensaram maior cuidado, mas também a que se dedicaram a definir e fixar com a mais extraordinária minúcia as consequências legais. O conjunto dos textos que a ela se referem ocupa um lugar considerável nas compilações jurídicas, o que prova a impor­tância atribuída a um ato de que esperavam, em primeiro lugar, a sobre­vivência, mas também, e talvez mais ainda, a estabilidade do Estado.
Civilização Romana | Religião
Cultos sagrados da fertilidade, sexo e amor em Roma - do falo a Vênus
Os Romanos, que gostavam de se dizer o mais “religioso” dos povos e que reconheciam e honravam divindades em número superior a qualquer outro [com exceção talvez dos hititas], não podiam deixar de ser sensíveis ao carácter sagrado deste instinto amoroso, capaz de transformar os seres, de arrancá-los a si mesmos e cujo poder, igualmente sentido pelos homens e por tudo o que vive, submete às suas leis toda a natureza. Não surpreende verificar que o amor tinha as suas divindades, os seus ritos, a sua magia. O culto que se prestava às primeiras, a observância religiosa de práticas cuja origem se perdia na noite dos tempos, tudo isso tinha por finalidade, umas vezes, desenvolver ao máximo ou exaltar as forças criadoras do ato de amor e, outras, controlar ou disciplinar o que nelas se descobria de anárquico e colocá-las ao serviço do bem da cidade. A religião da época clássica, aquela que conhecemos melhor graças aos textos e a numerosos testemunhos de toda a espécie, não manteve muitas vezes senão vestígios, dificilmente detectáveis, destas crenças e destes ritos. Esta ou aquela prática de carácter mágico, nos tempos de Cícero ou de Augusto, já não eram mais do que sequelas folclóricas e não teríamos conservado delas nenhuma lembrança se os “antiquários” de então, ávidos de recolher as coisas estranhas do tempo antigo, não lhes tivessem consagrado algumas linhas nas suas obras, que infelizmente, apenas nos chegaram em estado fragmentário. Frequentemente, também, os polemistas cristãos, em busca de argumentos para "provar" a "imoralidade ou o absurdo" da religião ancestral, transmitiram-nos cuidadosamente detalhes cujo carácter arcaico, às vezes mesmo primitivo, tendia a lançar o descrédito sobre a fé dos seus adversários.
Civilização Romana | Cotidiano
As mulheres e a fundação de Roma
Se é verdade que as lendas de um povo ou de uma raça nos revelam os traços mais profundos e as aspirações da sua alma, as de Roma, pelo lugar que concedem às histórias de amor, sugerem que os duros conquis­tadores do mundo dissimulavam em si uma ternura mais exigente do que eles mesmos se permitiram confessar. A história da sua cidade começa com um romance de amor: a paixão súbita do deus Marte pela “vestal” Reia Sílvia. Mas, se formos mais atrás ainda, até ao tempo em que, sob as muralhas de Tróia, se decidiu a sorte do mundo futuro, foi ainda um romance de amor que determinou o desenrolar dos destinos e no fim do qual começa a fortuna de Roma. Este romance dos primeiros tempos é contado por um Hino Homérico. Na montanha Ida, na Frigia, Anquises guardava os seus rebanhos. Anquises era sobrinho de Laomedonte, que reinava em Tróia. Era belo. Neste tempo, os príncipes, e às vezes os deuses, não desdenhavam fazer-se pastores. Ora, a deusa Afrodite tinha visto Anquises e sentiu-se per­dida de amor por ele. Afrodite não podia resistir a uma paixão. Sem tardar, vai ao encontro do belo pastor e conta-lhe toda uma história que vai inventando. Ela é, diz-lhe, uma filha do rei da Frigia. O deus Hermes raptou-a e levou-a para a montanha. Está muito triste, porque ninguém vem em seu socorro! Anquises compadece-se; a conversa torna-se mais terna. Nessa mesma noite, o belo pastor e a deusa, sob o seu disfarce de mortal, unem-se um ao outro. Afrodite, satisfeita, não finge mais. Reve­ la a sua divindade e anuncia a Anquises que em breve lhe dará um filho, mas recomenda-lhe formalmente que não diga a ninguém que a mãe é a deusa do amor, porque, caso contrário, Zeus, irritado por se descobrirem os segredos dos deuses, fulminaria o indiscreto com o seu raio.
Civilização Romana | Religião
Espiritualidade, religião e filosofia na Roma imperial
Como livrar o indivíduo das inquietações da existência? As diferentes sabedorias, a que chamamos filosofia antiga, não se propunham em princípio outro objetivo, e a religião, por sua vez, não procurava outra coisa, pois geralmente não visava à salvação do além. Esse além era muitas vezes negado ou concebido tão vagamente que não passava da tranquilidade da tumba, do repouso da morte. Filosofia, devoção e além suscitavam poucas angústias. Não é tudo: as respectivas fronteiras desses três domínios eram tão diferentes das que possuem entre nós que essas três palavras não tinham o mesmo sentido de hoje. Quem somos? Que devo fazer? Para onde vamos e o que posso esperar? Essas questões modernas nada têm de natural; nem o pensamento nem a devoção antigos as colocavam; elas nasceram da resposta cristã. O problema antigo e suas subdivisões eram diferentes. Entre nós a filosofia é uma matéria universitária e uma parte da cultura; é um saber que os estudantes aprendem e pelo qual se interessam com curiosidade as pessoas cultas. Os exercícios espirituais e as regras de vida pelas quais um indivíduo pode ordenar sua existência constituem uma parte eminente da religião; o além é outra parte: a ideia de não haver nada após a morte é eminentemente irreligiosa a nossos olhos. Ora, entre os antigos, normas de vida e exercícios espirituais formavam a essência da "filosofia", não da religião, e a religião estava mais ou menos separada das ideias sobre a morte e o além. Havia seitas, mas eram filosóficas, pois a filosofia era a matéria de seitas que propunham convicções e normas de vida a quem isso pudesse interessar; um indivíduo se tornava estoico ou epicurista e se conformava mais ou menos a suas convicções, assim como entre nós se é cristão ou marxista, bom o dever moral de viver a própria fé e militar. Um bom paralelo seria a China antiga, onde seitas doutrinais, confucionisino e taoísmo, propunham suas teorias e normas de vida aos interessados; ou o Japão atual, onde o mesmo homem pode se Interessar por uma seita desse gênero e continuar a observar, mino todo mundo, as práticas do xintoísmo e onde se casa segundo o rito xintoísta, porém morre e é sepultado conforme o rito budista, como se adotasse implicitamente as consoladoras crenças do budismo referentes a um além no qual jamais pensara durante sua existência.
Civilização Romana | Cotidiano
Jogos, banquetes, seitas... os prazeres da vida urbana na Roma Imperial
O estilo dos dois ou três primeiros séculos do Império era feito, portanto, de urbanidade e também de urbanismo. Os notáveis, já sabemos, constituíam uma nobreza citadina, que só morava em suas terras nos calores do verão. Da natureza esses urbanos apreciavam sobretudo os prazeres (amoenitas); percorriam suas profundezas selvagens, em pesadas expedições de caça, somente para demonstrar "virtude", coragem. A natureza segundo seu coração humaniza-se em parques, em jardins; uma paisagem será valorizada se um pequeno santuário na colina ou na ponta do cabo acolher o voto latente do local. Os homens só são plenamente eles mesmos na cidade, e uma cidade não se compõe de ruas familiares e multidões calorosas ou anônimas, e sim de comodidades materiais (commoda), como os banhos públicos, e edifícios que a enalteçam no espírito de seus moradores e dos viajantes e a tornem bem mais que um vulgar conjunto de habitações. "Pode-se chamar de cidade", pergunta Pausânias, "um lugar que não tem edifícios públicos, nem ginásio, nem teatro, nem praça, nem adução de água a nenhuma fonte e onde as pessoas vivem em cabanas iguais às choças (kalybai) penduradas na borda de um barranco?" Um romano não podia ser realmente ele mesmo no campo, só se sentia em casa na cidade. Principalmente se a cidade era cercada de muralhas: caso para a psicologia; os muros são o mais belo enfeite de uma cidade, porque, nesse cinturão, as pessoas se sentem como num home coletivo; as muralhas resultavam então da mentalidade privada. Mesmo não vivendo com medo de ladrões, preferimos aferrolhar a porta à noite; a cidade que tem muros pode igualmente se trancar ao escurecer; em consequência, toda entrada ou saída noturna era suspeita; os mal-intencionados não ousavam apresentar-se à guarda que detinha as chaves de cada porta e viam-se obrigados a descer com a ajuda dos cúmplices, num grande cesto, do alto de uma parte mal vigiada das muralhas
Civilização Romana | Filosofia
Sabedoria popular, moral e ética na Roma imperial
A opinião senatorial lembrava em cada ocasião o que cada indivíduo deveria fazer. Por seu turno, a sabedoria popular ensinava: "O sábio faz isso, o louco faz aquilo". O homem do povo dava lições teóricas aos filhos antecipando-se às falhas dos outros e fazendo um díptico1 do bem e do mal e também da imprudência e da prudência na conduta. A arrogância aristocrática não precisava de lições de sabedoria: ela própria era a lei tão logo abria a boca; os provérbios eram bons para o povo. O rico liberto que foi pai do poeta Horácio mandou o filho à escola a fim de receber a educação liberal que lhe havia faltado, mas ensinou-lhe pessoalmente a doutrina da sabedoria: para incitá-lo a fugir do vício e dos amores adúlteros, citava-lhe o caso de Fulano que fora pilhado em flagrante delito e perdera a reputação; para ensinar-lhe a prudência na gestão do patrimônio, mostrava-lhe como Beltrano acabara a vida na miséria. Pois um homem do povo teme tanto a imprudência quanto a imoralidade: "Como ignorar", dizia-lhe, "que tal ação é ou imoral ou desvantajosa quando o indivíduo que a comete só consegue que falem mal dele?". E citava como exemplo positivo a conduta de um grande personagem oficialmente reconhecido como homem de bem, pois fora nomeado jurado: "Eis aí uma autoridade", dizia. Poeta e pensador, o filho sentia algum parentesco entre essa doutrina oral e as lições escritas da filosofia. O povo também o percebia. Quando lemos nos epitáfios: "Ele nunca seguiu as lições de um filósofo" ou "Aprendeu sozinho todas as veneráveis verdades", não se trata de desprezo pela cultura, e sim de reivindicação de uma cultura igual: o defunto não teve necessidade da filosofia para viver como filósofo, para saber onde estavam o bom e o útil.
Civilização Romana | Cotidiano
A exposição da vida privada na Roma imperial
Existe um direito de todos sobre a conduta de cada um. Notável, plebeu e até senador, um romano não pode ter intimidade pessoal; todos podem se dirigir a todos e julgar a todos; todo mundo se conhece, ou tal presume. O menor particular pode, portanto, dirigir-se ao "público", que, afinal, não passa de determinado número de particulares como ele. Pode, por exemplo, fazer graça para divertir a plateia: todos são cúmplices. Hoje em dia conhecemos o humor dos célebres grafites de Nova York, através dos quais qualquer indivíduo revela aos transeuntes e aos passageiros do metrô suas ideias, seus amores ou simplesmente seu nome e sua existência, escrevendo nas paredes tudo que lhe passa pela cabeça. Fazia-se a mesma coisa em Pompeia: as paredes dessa cidadezinha entre outras estão cobertas de grafites traçados pelos transeuntes que queriam divertir outros transeuntes dando-lhes algo para ler. Curiosamente, idêntica publicidade triunfava também no que é o equivalente antigo de nossos cemitérios: a beira de estrada, que não pertencia a ninguém, e era ali, na saída das cidades, que se erguiam os túmulos. Tão logo cruzava a porta da cidade, o viajante passava entre duas fileiras de sepulturas que procuravam chamar-lhe a atenção. A tumba não se dirige à família, ou aos próximos, mas a todos. Pois a cova, embaixo da terra, era uma coisa, objeto de homenagens fúnebres que a família anualmente prestava ao defunto; a tumba com epitáfio era outra coisa: destinava-se aos passantes. Não vamos raciocinar sobre a enganosa analogia dos epitáfios modernos, essas celebrações sem destinatário que falam diante do céu. Os epitáfios romanos diziam: "Lê, transeunte, qual foi meu papel neste mundo. [...] E agora que me leste, boa viagem. — Salve, tu também." (pois a resposta do transeunte está gravada na pedra). Testemunhos comprovam que quando um antigo queria ler um pouco, bastava-lhe caminhar até uma das saídas da cidade; era menos difícil ler um epitáfio que a escrita cursiva de um livro. Deixo de lado um fato mais tardio, as necrópoles e também as catacumbas pagãs.
Civilização Romana | Direito
O direito privado na Roma imperial
Eis, pois, uma imagem compósita da pessoa privada: um cidadão livre nascido em liberdade, opulento e cuja riqueza não é recente, negociante bem-educado e até culto, homem do ócio, mas com uma dignidade política. Como os diferentes detalhes de sua bela vestimenta, cada um de seus traços é um legado dos acasos do passado histórico greco-romano. Não era preciso que as coações impusessem esse ideal: tratava-se de uma evidência. A arte funerária reflete essa imagem imperiosa, pois fala menos frequentemente de um além do que da condição do falecido e o diz numa linguagem compreensível a todos. De um túmulo a outro, segundo o capricho do talhador de pedra e as preferências do comprador, destaca-se esse ou aquele componente: a opulência do defunto, que faz suas contas, recebe a homenagem dos arrendatários, manda cortar o trigo com ceifadeira mecânica — recente maravilha da engenhosidade humana — ou fica em sua loja; o luxo da defunta, sentada numa poltrona de espaldar alto, onde se enfeita diante de um espelho que uma serva lhe estende e escolhe joias num cofre que outra escrava segura. Muitas vezes a imagem se reduz a uma espécie de emblema: uma sombrinha esculpida no lado de uma lápide informará aos passantes que a falecida dispunha de uma escrava para segurá-la e de ócio para dar seus passeios. Por vezes, antes da toalete, a defunta ergue devotamente a mão, em sinal de homenagem, diante de uma estatueta de Vênus, símbolo do casamento, que uma serva retirou do nicho de imagens sacras (lararium) e lhe apresenta.
Civilização Romana | Cotidiano
Patrimônio, trabalho e seus significados na Roma imperial
A economia romana comportava um importante setor servil; havia também a prisão por dívidas, em que um credor sequestrava o devedor com a mulher e os filhos para fazê-los trabalhar; e um setor do Estado em que os condenados, os escravos do fisco (ou seja, de inumeráveis domínios imperiais) penavam sob as chibatadas dos guardas; muitos cristãos conheceram tal destino. Mas o setor principal continuava juridicamente livre. Pequenos camponeses independentes penavam para pagar os impostos; como escreveu Peter Brown, "o Império Romano deixava o terreno livre para as oligarquias locais de notáveis e confiava-lhes o cuidado de garantir as tarefas administrativas; exigia-lhes pouca coisa pela via fiscal e evitava mostrar-se muito curioso quanto à maneira como os impostos eram extorquidos do campesinato; é a espécie de governo displicente que constituiu o princípio de muita dominação colonial num período recente". Outros camponeses eram meeiros desses notáveis. Trabalhadores agrícolas, assalariados, artesãos cujos serviços eram comprados para determinada tarefa tinham com os empregadores um pacto de compromisso que raramente assumia a forma de contrato escrito (à exceção de casos em que havia um contrato de aprendizagem). Assim como o Código Napoleônico acata a palavra do senhor nas contestações relativas aos salários dos criados, assim também um empregador romano faz justiça se os assalariados o roubam, como se fossem escravos. As cidades são essencialmente os lugares onde os notáveis, como a "nobreza citadina" da Renascença italiana, distribuem os lucros da terra: oposição completa com a Idade Média francesa e sua nobreza de castelões. Ao redor desses notáveis urbanos vivem artesãos e comerciantes que são os fornecedores de tais ricos; era isso uma "cidade" romana (que com uma cidade moderna só tem em comum o nome). Como se reconhecia uma cidade? Pela presença de uma classe ociosa, a dos notáveis. A ociosidade é a peça principal de sua "vida privada"; a Antiguidade foi a época da ociosidade tida como mérito.
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Localização geográfica da Mesopotâmia
Idade Antiga - Antiguidade Oriental - Civilização Suméria - Civilização Acadiana - Civilização Assíria - Civilização Babilônica - Localização geográfica da Mesopotâmia
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Na seqüência dos historiadores gregos, considerou-se durante muito tempo a Mesopotâmia, a bacia do Tigre e do Eufrates, como uma unidade geográfica e histórica. Tal concepção, hoje caduca, não resiste à análise dos fatos. A Mesopotâmia divide-se em quatro regiões de características muito diferentes, constituídas por oasis mais ou menos extensos, arados por estepes secas e pedregosas ou por pântanos.

A Norte, estende-se a Alta Mesopotâmia, suficientemente úmida para que a agricultura possa depender das chuvas de Inverno. Compreende a Assíria, rosário de oasis que se desfia ao longo do Tigre e dos seus afluentes a Djeziré, estepe desolada que serve de pastagem após os períodos chuvas.

Vem, em seguida, o vale do Eufrates e a planície aluvial, sujeitos as cheias caprichosas dos rios, as do Eufrates em Abril e as do Tigre em Maio. A Paisagem é, pois, modulada pelas aluviões. É uma terra fértil; a raridade das chuvas toma, no entanto, necessário um sistema de irrigação complexo e altamente aperfeiçoado. Esta irrigação intensiva acabara entretanto por arruinar os solos fazendo que apareçam à superfície os elementos de sais que se encontram a alguma profundidade.

Mais a Sul, a, região dos grandes pântanos é um autêntico mar de caniços rico em caça e em peixe. É o refúgio dos fugitivos e dos proscritos. Julgou-se durante muito tempo que, na Antiguidade, as costas do golfo deviam encontrar-se mais a Norte do que se encontram nos nossos dias e que, conseqüentemente, as grandes cidades sumérias se situavam à beira do mar. Mas os trabalhos dos geólogos ingleses G.M. Lees e N.R Falcon tendem a fazer admitir uma formação muito mais antiga da região baixa. As cidades ter-se-íam então erguido nas margens de uma laguna de água doce.

Por fim, a Sudeste, no prolongamento da planície, estende-se a Susiana, franja do Elam, banhada pelos cursos do Karum e do Kerkha cujos altos vales abrigam as rotas comerciais que conduzem ao planalto iraniano.

As várias partes da Mesopotâmia apenas tem em comum a ausência quase geral de minérios, de pedra e de madeira de construção. É à argila do solo que a Mesopotâmia vai buscar o tijolo, o seu único material de construção juntamente com a cana.

Importante encruzilhada de estradas, a planície não deixa de lembrar uma grande avenida comercial. Para além do golfo Pérsico, o tráfico marítimo estende-se até ao Indo. Na própria planície, as rotas fluviais são acompanhadas pelas rotas das caravanas que chegam ate à Síria do Norte, às regiões de Katna, de Alepo ou de Karkemish. De Iá partem as principais vias de comunicação para a Ásia Menor, Palestina e Egito, e, ao longo das costas do Líbano, para Chipre, Creta e ilhas do mar Egeu. Compreende-se então como o desejo de possuir um porto seguro no golfo Pérsico pode suscitar conflitos. É obvio que a vontade de controlar o conjunto das rotas; comerciais da planície está na origem da formação dos grandes impérios.

Palavras e significados
Referências Bibliográficas

A.L. OPPENHEIM, Ancient Mesopotâmia, Chicago, 1964;

J. B. PRITCHARD, The Ancient Near East in Pictures: Princeton, 1954.

 

37 Textos publicados
Civilização Suméria
Civilização Hebráica | Religião
Deus e o mal, da mesopotâmia à bíblia

No plano utilitário, uma curiosidade como essa é legitimada pela busca de um remédio: se tenho um severo ataque de dor ciática, tomo um comprimido e a dor se atenua, ou desaparece. Mas, de acordo com a gravidade do mal, é no plano religioso que esse "por quê?" se impõe com mais força, insistência ou angústia. A partir do momento em que é possível remeter tudo o que se passa aqui embaixo a uma causa sobrenatural, ao mesmo tempo inteligente e onipotente; a partir do momento em que se pensa ter diante de si, mesmo invisível, um interlocutor responsável ao qual se pode perguntar "por quê?", ainda que ele não responda, que não responda nunca, e deixe ao interrogador a preocupação de encontrar a resposta - eis o verdadeiro "problema do mal", aquele em que penso aqui.

Civilização Babilônica | Cotidiano
Moral e ética na Mesopotâmia

Tinham os mesopotâmios uma moral? Se entendermos por esse termo o conjunto de regras que devem dirigir a atividade livre dos homens, então é claro que tinham uma moral! Ninguém pode viver normalmente sem que sua atividade livre seja orientada para uma certa felicidade, da coletividade ou de cada pessoa. Se bastasse responder sim ou não à pergunta que dá início a este artigo, ela já estaria inteiramente resolvida.

Civilização Suméria - Família
Amor e sexo na Suméria e Babilônia

Seria bastante surpreendente se, nessa gigantesca confusão, esquadrinhada há mais de um século pelos assiriólogos, não encontrássemos, entre outros tesouros, material que nos permitisse ter uma ideia da vida sexual e amorosa dos antiquíssimos habitantes do país onde nasceu, na virada do quarto para o terceiro milênio antes de nossa era, a primeira grande civilização verdadeiramente digna desse nome, complexa e refinada em todos os domínios da existência.

Civilização Suméria - Religião
O país sem retorno dos mortos

A morte é um tema fúnebre e triste por si só. Contudo, se refletirmos bem, é inofensiva enquanto apenas falarmos dela - um pouco como assistir a uma catástrofe da qual não somos vítimas; tem algo de reconfortante, se não de involuntariamente agradável, para nos expressarmos com um certo cinismo. A morte, dizia um de meus velhos amigos, é algo que acontece com os outros. Esses outros, por ora, são os veneráveis habitantes da Mesopotâmia, os criadores, há seis milênios, de uma alta civilização refinada, complicada, original e inteligente; e também os inventores, há 5 mil anos, do primeiro sistema de escrita: uma escrita extraordinariamente complicada, mas que lhes permitiu fixar lembranças e muitos detalhes de sua vida, além de pensamentos e vários aspectos de sua visão das coisas, relativos aos cerca de trinta séculos de duração de sua história - até as proximidades de nossa era. Graças a isso, e por termos achado em seu território, na época atual, cerca de meio milhão daquelas plaquetas de argila sobre as quais escreviam, podemos consultar esses arcaicos "documentos" e neles reencontrar as ideias e a expressão dos sentimentos de nossos ancestrais identificáveis mais antigos.

Mitologia Grega - Cosmogonia
Mitos de Criação Filosóficos
Reza a lenda que primeiro foi a Escuridão, e da Escuridão surgiu o Caos. Da união entre a Escuridão e o Caos surgiram a Noite, o Dia, Erebo e o Ar. Da união entre a Noite e Erebo surgiram o Destino, a Velhice, a Morte, o Assassinato, a Moderação, o Sono, os Sonhos, a Discórdia, a Miséria, a Aflição, Nemesis, a Alegria, a Amizade, a Misericórdia, as três Parcas e as três Hesperides. Da união entre o Ar e o Dia surgiram a Mãe Terra, o Céu e o Mar. Da união entre o Ar e a Mãe Terra surgiram o Terror, o Ofício, a Raiva, a Luta, as Mentiras, os Juramentos, a Vingança, a lntemperança, a Altercação, o Pacto, o Esquecimento, o Medo, o Orgulho, a Batalha e também Oceano, Metis e outros titãs, o Tártaro e as três Erínias, ou Fúrias. Da união entre a Terra e o Tártaro surgiram os gigantes.
Civilização Suméria - Religião
Sacerdotes e sacerdotisas sumérios
Civilização Suméria - Religião
Dias sagrados e festivais na suméria
Civilização Suméria - Artes
Arte e arquitetura de Ur III
Os gêneros literários são muito variados: coleções de provérbios e de fabulas, hinos aos deuses e aos reis, lamentações sobre as cidades destruídas. Pode supor-se que, se tantos textos são então registrados é porque a tradição religiosa perde forma e vigor. Ao mesmo tempo, o sumério, que sofre a influencia do acadiano, tende a tornar-se a língua de cultura: as longas listas lexicográficas, algumas das quais remontam à época de Uruk ver-se-ão em breve duplicadas com a sua tradução acadiana. O
Civilização Suméria - Economia
Economia de Ur III
No domínio da industria e do artesanato, o Estado tende a reagrupar e organizar a produção em oficinas e fabricas. Os setores mais conhecidos são os da metalurgia e da tecelagem. O bronze é produto corrente, o ferro continua a ser raro. A prata serve de moeda corrente desde há muito tempo, embora a cevada continue a ser o padrão de referencia. O ouro, é reservado aos trabalhos de ourivesaria. Desde a sua fundição até ao acabamento, o metal é trabalhado em oficinas especializadas. A mão-de-obra
Civilização Suméria - Administração
Organização do Imperio de Ur III
As competências dos governadores estendem-se até a manutenção do pessoal subalterno. Este, muito numeroso e variado, exerce no seu conjunto funções de vigilância. As suas relações com o governador são difíceis de apreciar. É igualmente difícil fazer-se uma idéia da hierarquia administrativa: alguns títulos correspondem de fato a atividades temporárias ou ocasionais e a polivalência das funções parece ser pratica corrente. As pequenas aglomerações são dirigidas por um hazannum, uma espécie de
Civilização Suméria - Artes
Arte e arquitetura Acadiana
A literatura suméria continua a ser a mais rica; atribui-se à própria filha de Sargão, Enheduana, uma intensa atividade literária nesta língua. Deve-se-lhe a celebre Exaltação de Inanna e, mas tal fato é muito menos seguro, a compilação de uma coleção de hinos para os templos. Um texto religioso de Nippur é um testemunho particularmente eloqüente do florescimento de escritos mitológicos, mas está infelizmente muito deteriorado. Possuímos, além disso, encantações em Acadiano e em sumério. Por fim
Civilização Suméria - Economia
Economia Acadiana
Os bens da coroa não se reduzem aos despojos acumulados; o rei é também um grande proprietário fundiário e compra grandes extensões de terras, quando elas não são diretamente atribuídas pelo direito de conquista. A inscrição do Obelisco de Manishtusu é um exemplo eloqüente disso mesmo: por cerca de 150 kg de prata - sem contar com os presentes e outras liberalidades - o soberano fez a aquisição de vários domínios cuja superfície total se eleva a mais de 300 ha. Ao mesmo tempo, os reis de Acádia
Civilização Suméria - Administração
Organização do Império Acadiano
As conquistas levam a uma imensa concentração de riquezas muito mais que, a constituição de um Estado poderosamente organizado e estruturado. De uma maneira geral, o império apresenta-se como um grande conjunto heterogêneo que o rei se esforça por administrar com flexibilidade; cada soberano tem de reconquistá-lo quando da sua subida ao trono. O Estado Acadiano é um império em perpétuo devir. Nas regiões possuidoras de um passado histórico já importante, os reis mantém em vigor as estruturas
Civilização Suméria - Economia
Economia e sociedade na suméria
Através das fontes, textos oficiais, contratos de cessão de bens imobiliários, textos administrativos e econômicos, transparece a imagens de um sistema socioeconômico dominado pelo confronto entre duas concepções antinômicas das relações sociais de produção. Em resumo, assiste-se, ao longo do segundo terço do III milênio - e provavelmente já há muito tempo -, ao abandono progressivo de uma economia domestica de auto-subsistência, em que a circulação dos bens, encerrados num tecido de laços muito
Civilização Suméria - Introdução
Proto-História na Mesopotâmia
Na Mesopotâmia, a história destas comunidades é ainda demasiado pouco conhecida para que seja possível traçar um quadro de conjunto. Os nossos conhecimentos neste domínio estão totalmente dependentes das escavações arqueológicas que ainda se encontram nos seus inícios, no que se refere a estas épocas altas. Demasiado raras, reduzidas com freqüência a simples sondagens, carecendo de meios, elas ainda só clarificam alguns momentos, importantes sem dúvida, da ponto-história. A cronologia é
Civilização Suméria - Introdução
Estudo da Mesopotâmia
Só no inicio do século XIX foram empreendidos trabalhos de envergadura. G.F. Grotefend, na seqüência de uma aposta, interpreta com êxito um epitáfio real aquemênida cuja copia, trazida por um viajante holandês um século antes, possui. Foi assim dado o primeiro passo para a decifração das escrituras cuneiformes. Em 1802, publica um alfabeto persa antigo ao qual E. Burnouf e Chr. Lassen acrescentarão às ultimas retificações em 1836 Entretanto, em 1843, H.C. Rawlinson, cônsul geral britânico em
Civilização Suméria - Introdução
Os habitantes da Mesopotâmia
A unidade de habitação, quadro habitual da vida na Mesopotâmia antiga, é a cidade. O florescimento urbano é marcado pelas fundações de cidades de que os textos se fazem eco: Uruk, Acadia, Shubat-enlil, Kalá são exemplos ilustres entre tantos outros. Cada soberano faz questão em dar o seu nome à uma cidade: Dur-Kurigalzu, Kar-Tukulti-minurta, Dur-Sharrukin. O Estado mesopotâmico é, primeiro que tudo, uma cidade, a qual o príncipe está ligado por estreitos laços; é igualmente uma dinastia
Civilização Suméria - Geografia
Localização geográfica da Mesopotâmia
Mais a Sul, a, região dos grandes pântanos é um autêntico mar de caniços rico em caça e em peixe. É o refúgio dos fugitivos e dos proscritos. Julgou-se durante muito tempo que, na Antiguidade, as costas do golfo deviam encontrar-se mais a Norte do que se encontram nos nossos dias e que, conseqüentemente, as grandes cidades sumérias se situavam à beira do mar. Mas os trabalhos dos geólogos ingleses G.M. Lees e N.R Falcon tendem a fazer admitir uma formação muito mais antiga da região baixa. As
Neolítico - Economia
Economia Pré-histórica
A vida econômica e, conseqüentemente, a vida social assentam fundamentalmente nas técnicas de aquisição. A distinção primordial (donde resultam direta ou indiretamente o volume do grupo e as suas relações com o meio natural e o meio humano que o rodeiam) e o que se verifica entre a economia de produção (criação de gado-agricultura). Recoleção e produção dividem a historia humana em dois períodos muito desiguais, um que durou no mínimo dois milhões de anos e que junta numa mesma seqüência todos os Antropianos desde o Australopiteco até ao homo Sapiens inclusive, o outro que ainda só durou menos de 10.000 anos e que marca o passado recente e o presente do homo sapiens. É preciso, de fato, ter presente que, na altura em que acede a economia de produção, a nossa espécie tem já atrás de si um passado de pelo menos 30.000 anos, ocupado nas mesmas condições econômicas que as espécies humanas que nos precederam. Além disso, até aos nossos dias, uma parte numericamente ínfima, mas territorialmente muito importante da humanidade, continuou a viver na economia de recoleção: ainda no inicio do século XIX, uma parte dos povos da Ásia setentrional e da America vivia da apanha, da caça e da pesca, num modo de existência cujo testemunho foi conservado até estes últimos anos pelos Bosquimanos e pelos Pigmeus de África, pelos Australianos e pelos Esquimós.
Paleolítico - Ciências
Técnicas na Pré, Proto-História
O Paleolítico Antigo. - Para o Paleolítico Antigo, o dos Australantropos da África ou o dos seus equivalentes europeus (que continuam ainda por descobrir), o leque técnico é muito pouco aberto; aquilo que os pré-historiadores denominaram a pebble-culture ou
Neolítico - Introdução
Os Impérios despóticos do Bronze
A emergência de entidades políticas poderosamente estruturadas e que estendem o seu domínio sobre um muito vasto território é característica dos primórdios da idade do Bronze no Egito e na Mesopotâmia. É o nascimento do Estado e, para falar mais precisamente, do Estado que nós habituamos a designar convencionalmente, a partir de Marx, como o Estado despótico: terminologia que mantenho aqui como comodidade. Esta emergência mais ou menos simultânea no Egito e na Mesopotâmia, ou seja, nas duas zonas que tinham conhecido no Neolítico um notável florescimento, levanta terríveis problemas ao historiador. Em primeiro lugar, porque apenas nestas duas regiões, quando se sabe que a vitalidade das comunidades neolíticas não é menor na Síria ou na Anatólia, por exemplo?
Civilização Suméria - Religião
Piedade pessoal suméria
Civilização Suméria - Religião
Adivinhação, exorcismo e a cura de doenças na suméria
Civilização Suméria - Religião
Religião Suméria
O universo era concebido como um domínio dos deuses. Esses se agrupavam em um vasto panteão que, no III milênio a.e.c., já. contava centenas de habitantes devidamente catalogados. Existia, naturalmente, uma hierarquia divina cujo lugar supremo foi ocupado primeiramente por An, que possuía seu principal santuário em Uruk. Aos poucos, as poderes de An foram passando para Enlil que se tornou a mais importante divindade sumeriana, ocupando lugar de destaque no culto e nos mitos. Mitos e hinos mais r
Civilização Suméria - Religião
Deuses padroeiros sumérios
Civilização Suméria - Religião
Reis e deuses: o casamento perfeito na suméria
Civilização Suméria - Religião
Templos sumérios
Civilização Suméria - Artes
O legado cultural dos sumérios
Os sumérios talvez sejam mais lembrados devido às suas muitas invenções. Muitas autoridades lhes dão crédito pelas invenções da roda e do torno de oleiro. Seu sistema de escrita cuneiforme foi o primeiro sistema de escrita de que se tem evidência, pré-datando os hieróglifos egípcios em pelo menos 75 anos. Os sumérios estavam entre os primeiros astrônomos, possuindo a primeira visão heliocêntrica de que se tem conhecimento (a próxima apareceria por volta de 1.500 a.C. por parte dos Vedas na Índia
Civilização Suméria - Cotidiano
O surgimento da escrita na Mesopotâmia
A atividade literária dos sumérios foi enorme. Atestam-no as milhares de tabuinhas desenterradas e, apenas em parte, traduzidas pelos sumeriólogos. A arte de escrever era intensamente ensinada na Suméria onde, principalmente a partir da segunda metade do III milênio a.e.c. existia um sistema escolar freqüentado por milhares de escribas. “Havia escribas subalternos e escribas de elevada categoria, escribas ligados ao serviço do rei e escribas a serviço dos templos, escribas especializados em tal
Civilização Suméria - Direito
O Direito na Suméria
As leis penais dos sumérios foram as mais clementes da Mesopotâmia antiga. No Código do Ur-Nammu encontramos a substituição da lei do talião por dispositivos mais humanos, que aplicavam multas em vez do penas corporais. Igualmente o Código do Eshnunna apresenta-nos um sistema de penas baseado sobretudo no principio da indenização legal, isto é, o autor de uma infração deveria indenizar a vítima ou seus substitutos legais. A taxa de composição legal é avaliada em função da infração cometida e do
Civilização Suméria - Ciências
A Ciência na Suméria
Uma curiosa tabuinha de argila, encontrada nas ruínas do Nippur, pode ser considerada o mais antigo manual de medicina conhecido. Esse “manual”, redigido em termos tão especializados que sua tradução exigira colaboração de um sumeriólogo e de um químico, contém preciosas indicações sobre os remédios receitados pelos médicos sumerianos. Na preparação de drogas medicinais a farmácia sumeriana usava substâncias vegetais, animais e minerais. Entre as substâncias minerais empregadas podemos citar o
Civilização Suméria - Artes
A Arte da Suméria
Para compreendermos a importância do estudo das artes dos sumérios, basta lembrar que as mesmas se encontram na base da ante do toda a Ásia Ocidental antiga. A religião foi, entre os sumérios, como entre os egípcios, a grande inspiradora das artes. Esta influência se traduziu especialmente na construção dos templos. “Convém que o deus possa habitar com seu povo, que possa permanecer para ter o tempo de manifestar-se em todo o sentido do termo. Para facilitar este acesso à terra, tudo foi
Civilização Suméria - Economia
A Economia Suméria
O comércio local se fazia no mercado da cidade. Cereais, frutas, animais, peixes secos, bebidas (vinhos e licores), tecidos e mil e um objetos de uso diário estavam entre as mercadorias apresentadas. A insegurança dos caminhos exigia que, para o comércio com as regiões distantes, como os vales do Nilo ou do Indus, os comerciantes se organizassem em caravanas. “A caravana de passo igual, tranqüilo, indiferente às rotas, a qual as pistas e os caminhos mesmo incômodos são suficientes! Os camelos
Civilização Suméria - Cotidiano
A sociedade suméria
Acima das classes sociais da Suméria estava o rei ou o governador da cidade. O rei era considerado “vigário” da divindade, isto é, intermediário entre o deus-rei e a humanidade: era chefe político e religioso ao mesmo tempo. A idéia de que o rei é o deus encarnado introduziu-se mais tarde, talvez por influência egípcia. Patesi (= servidor) era o titulo dado antigamente aos chefes locais; lugal era o título reservado aos reis propriamente ditos. Posteriormente esses dois termos foram empregados
Civilização Suméria - Introdução
A Origem da Civilização Suméria
Ao chegar à Mesopotâmia, os sumérios encontraram provavelmente a cultura Uruk indígena, que influenciou o seu desenvolvimento. No entanto, enquanto a cultura Uruk se difundiu por toda a Mesopotâmia, a cultura suméria se restringiu à Mesopotâmia meridional durante todo o período Jemdat Nasr, e por muito tempo depois. É provável que a liderança organizacional dos sumérios tenha sido a força motriz que transformou as vilas neolíticas existentes em cidades-estado, enquanto a cultura religiosa e
Civilização Suméria - Geografia
Geografia suméria
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Fontes sumérias
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ULTIMAS ATUALIZAÇOES
História
O casamento romano e os costumes no século de ouro
É impossível saber, como é natural, o que foi a realidade diária do casamento durante os primeiros tempos de Roma. Relatos dignos de fé apenas começam a lançar alguma luz sobre este domínio, como sobre outros, a partir do século III a.e.c. e. ainda assim, trata-se geralmente de testemunhos que se referem apenas a famílias da aristocracia. Nas diver­sas classes sociais, e quando não se seguiam as tradições patriarcais, a situação real devia apresentar diferenças consideráveis. Todavia, a partir da unificação da cidade, quando patrícios e plebeus passaram a gozar sensivelmente dos mesmos privilégios, as tradições dos primeiros pare­cem ter exercido uma espécie de atração sobre os costumes das famílias dos segundos. Por outro lado, segundo pensamos, as principais diferen­ças, a partir do século III, ocorrem mais em função da fortuna e da res­ponsabilidade política do que de qualquer outro fator. A cidade é go­vernada, nessa altura, por um regime estritamente oligárquico: há as fa­mílias cujos homens se sentam no Senado, assumindo, a intervalos regu­lares, as grandes magistraturas do Estado, e há a massa dos outros cida­dãos, que só vão às assembleias para legitimar as decisões preparadas pelos senadores e eleger os candidatos que lhes são propostos e que escolhem de acordo com o prestígio dos homens que se apresentam como seus garantes. No resto do tempo, são “clientes” destes grandes senho­res. Naturalmente, o casamento não tem a mesma importância para uns e para outros. Temos muito pouca informação sobre a maneira como estas uniões se realizavam na massa do povo, temos um pouco mais quando se trata das outras classes.
Mitologia
Os oito presságios de Montezuma
Os dez anos que antecederam a chegada dos espanhóis ao México foram férteis de maus presságios, suficientes para ins­talar o pânico na alma de Montezuma, o último soberano inde­pendente dos astecas. Bernardino de Sahagún reproduziu no Códice Florentino os oito presságios: Primeiro presságio: “línguas de fogo” cortaram os céus de Tenochtitlán, vindas do oriente. Largas na base e estreitas na ponta, elas assemelhavam-se a um cometa. O espetáculo impressionante começava à meia-noite e se estendia até o amanhecer, quando as chamas desapareciam sem deixar rastro. As pessoas assustadas "se daban palmadas en los lábios”, ao mesmo tempo em que lançavam gritos de medo e apreensão. Em outras fontes se dão outras formas à língua de fogo, tais como uma mixpantli (“ban­deira de nuvens”), uma coluna de pedra, uma planta incandescida no alto de uma montanha, à maneira da "sarça ardente” bíblica, e até mesmo uma pirâmide de fogo - prodígios mais próprios do Apocalipse de São João que da mentalidade local indígena. Segundo presságio: o segundo presságio ocorreu sob a forma do incêndio do santuário de Huitzilopochtli, no Templo Maior. Em uma época em que os deuses eram tudo, qualquer incidente ocorrido em um templo virava necessariamente um presságio, normalmente funesto. Sahagún diz que "por sua própria conta” o santuário incendiou-se. Quando tentaram apagar o fogo, lan­çando-lhe água, em vez de se apagarem as flamas reavivaram-se ainda mais. “Del todo ardió”, diz o frade.
História
O casamento romano no período arcáico
Historiadores e poetas afirmam que o casamento foi, durante muitos séculos, uma das instituições mais sólidas e respeitadas da cidade roma­na. Rivalizam no elogio da pureza dos costumes antigos, do tempo em que uma mulher que tivesse ficado viúva não mais consentiria em voltar a casar, em que, por maioria de razão, nunca se levantava a questão do divórcio. Pelo contrário, lamentam o relaxamento progressivo de uma relação que, durante o Império, se tornara de uma extrema fragilidade, enquanto nos bons velhos tempos o seu respeito era considerado a garantia mais firme da grandeza romana e a marca mais incontroversa de uma saúde moral a toda prova. Hoje ainda, muitos historiadores fazem-se eco destas queixas, considerando que uma das razões profundas da decadência de Roma reside no abandono deste velho ideal por onde se orientaram anteriormente os severos camponeses do Lácio. Antes de nos interrogarmos por que razão o casamento romano per­deu a sua solidez ao longo do tempo, convém, decerto, examinar a pró­pria instituição. A instituição do casamento é uma daquelas a que os juristas romanos não só dispensaram maior cuidado, mas também a que se dedicaram a definir e fixar com a mais extraordinária minúcia as consequências legais. O conjunto dos textos que a ela se referem ocupa um lugar considerável nas compilações jurídicas, o que prova a impor­tância atribuída a um ato de que esperavam, em primeiro lugar, a sobre­vivência, mas também, e talvez mais ainda, a estabilidade do Estado.
Mitologia
A infância de Lancelot
Liberal e magnifico, o rei Artur distribuía benefícios e pre­sentes a todos os seus súditos. Seu poder e sua fama eram gran­des. No entanto, ele se via constantemente obrigado a combater seus vizinhos, os saxões. os pictos e os scots. Artur triunfava sem­pre, graças a seus cavaleiros, entre os quais alguns se sentavam em torno da Távola Redonda, em que havia um lugar vago, reser­vado para quem conseguisse reconquistar o Graal. Aqueles eram tempos de grandes aventuras. Onde havia pe­rigo, viam-se cavaleiros em suas montarias, desafiando os traidores, protegendo os fracos, recuperando os bons sentimentos dos maus. Certo dia, o rei Artur passeava por Camalot e ficou sabendo que um gigante estava devastando a Pequena Bretanha. Ninguém via o monstro, e dizia-se que ele se escondia em um rochedo cer­cado pelo mar. É o atual monte Saint-Michel, na França. Quando menos se esperava, o tal monstro chegava aterrorizando os habi­tantes da região, que acabaram indo se esconder nas florestas. O rei então chamou seu senescal.
Mitologia
O príncipe predestinado
Havia em tempos um rei do Egito que não tinha um filho e herdeiro. Então sua majestade (vida, força e saúde) pediu aos deuses do seu tempo que lhe dessem um. Os deuses resolveram conceder-lhe o que ele tanto desejava, e ele dormiu, nessa noite, com sua esposa, e esta ficou grávida. Quando a mulher cumpriu os meses do nascimento deu à luz um rapaz. Ao seu nascimento assistiram as [Sete] Hathores, que se reuniram em volta do pequeno príncipe para lhe preverem o futuro. Então as Hathores disseram: «Nasceu em um mau dia, mau, mau, mau. Morrerá por causa de um crocodilo! E se não for por um crocodilo, será por causa de uma serpente! E se não morrer por causa do crocodilo nem por causa da serpente, será com certeza por causa de um cão!»