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Arte hebraica

 

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Restringir-nos-emos apenas às realizações arquitetônicas dos hebreus. Os hebreus construíram palácios suntuosíssimos, como os do Salomão e Herodes, e possantes fortificações como, por exemplo, as muralhas do Jerusalém.

Mas a grande obra arquitetônica de Israel foi o templo de Jerusalém, ponto em que se concentrou o pensamento religioso dos judeus durante muitos séculos. Construído primeiramente por Salomão, destruído por Nabucodonosor, reconstruído após o exílio da Babilônia sem os esplendores da construção salomônica, atingiu o máximo da magnificência sob Herodes, o Grande, que não poupou esforços para captar a confiança e a simpatia de Seus súditos judeus.

Vamos estudar essa obra famosa em suas diversas fases.

Davi acumulara matéria-prima e tesouros (1 Paralipômenos, 22,3,4 e 14) para a construção do templo. Salomão realizou-a. A construção iniciada talvez no ano 959 a.e.c durou mais de sete anos. Hiram da Fenícia forneceu não somente madeira (cedros e ciprestes) mas trabalhadores especializados como canteiros o carpinteiros.

O local escolhido para a construção foi a parte setentrional da colina oriental. O templo propriamente dito compreendia três partes: o vestíbulo. duas salas chamadas respectivamente o Santo e o Santo dos Santos. O vestíbulo media cerca de 1O metros de largura por 5 de comprimento; diante do mesmo encontravam-se duas colunas de bronze finamente trabalhadas. O vestíbulo comunicava-se com o Santo; este Segundo compartimento possuía a forma retangular com cerca de 2O metros por 1O; encontravam-se aí o altar dos perfumes, sobre o qual era queimado incenso, a mesa dos pães da proposição e os dez candelabros de ouro cujas lâmpadas ardiam constantemente.

O Santo dos Santos era uma sala cúbica medindo cerca de 1O metros por lado. Neste recinto encontrava-se a Área da Aliança com dois gigantescos querubins feitos de madeira revestida de ouro, e com cerca de cinco metros de altura.

A ornamentação do interior do templo era riquíssima: paredes e teto estavam revestidos de madeira de cedro e ornados com entalhes de relevo representando querubins, palmas e flores. O pavimento era feito de madeira de cipreste. O ouro estava por toda parte:

"E nada havia no templo que não estivesse coberto de ouro; e até cobriu de ouro o altar do oráculo" (3 Reis, 6,22).

Junto ao edifício do templo havia construções destinadas aos sacerdotes e levitas em serviço.

Dois adros circundavam o templo: o primeiro se estendia diante do vestíbulo e estava reservado aos sacerdotes: no centro desse adro se elevava o altar dos holocaustos; entre o altar e o vestíbulo existia um vasto recipiente chamado mar de bronze que repousava sobre doze touros repartidos em quatro grupos de três; este reservatório servia para as abluções dos sacerdotes. O segundo adro, separado do anterior por um muro, era destinado ao povo e só foi concluído muito mais tarde.

O templo pés-exilico. - O segundo templo foi construído após o exilío da Babilônia. Os trabalhos duraram cerca de cinco anos e foram concluídos em 515 a.e.c. Embora tivessem procurado imitar o templo de Salomão, a nova construção ficava muito aquém da antiga, principalmente quanto à suntuosidade.

O templo de Herodes. O templo de pós-exílio foi restaurado e transformado por Herodes, o Grande. A obra de restauração durou de 2O ate 9 a.e.c. Na realidade, até 64 d.e.c. ainda se trabalhava no templo.

As principais fontes para o estudo dessa construção gigantesca que Flávio José chama o edifício mais magnifico que existia sob o sol, são: os escritos do próprio Flávio José, o Talmud e o Novo Testamento.

O templo estava formado por um duplo quadrilátero: o primeiro era o adro dos gentios rodeado por uma imensa galeria que a leste tinha o nome de "pórtico de Salomão" e ao sul de "pórtico real". No ângulo noroeste do adro dos gentios, sobre uma rocha, levantava-se ameaçadora a fortaleza Antônia, guarnecida pelos romanos. O adro interno comunicava com o adro dos gentios através de nove portas; esse adro interno estava subdividido em "adro das mulheres" e "adro dos israeIitas" só acessível aos homens. Isolado do adro dos homens por uma balaustrada de mármore, encontrava-se o adro dos sacerdotes, no meio do qual se erguia o enorme altar dos holocaustos, construído de pedras brutas e medindo 25 metros de lado e 8 do altura. Mais acima é que se achava o templo propriamente dito, dividido em três partes: o vestíbulo, o Santo e o Santo dos Santos.

No Santo havia o candelabro de sete braços, a mesa dos pães de proposição e o altar de perfumes sobre o qual o sacerdote designado pela sorte vinha cada dia oferecer incenso (Lucas 1,8-1O).

Um véu separava o Santo do "Santo dos Santos", local em que outrora se guardava a Arca da Aliança.

O templo do Herodes a todos impressionava pela riqueza e imponência de suas linhas. Flávio José relata-nos:

"O exterior dele era maravilhoso para os olhos e para o espirito. O teto estava coberto de folhas do ouro de modo que, ao despontar do sol, parecia de fogo. Ao estrangeiro que vinha de longe o templo se apresentava como uma montanha de neve, por causa dos blocos de mármore do sua construção".

Palavras e Significados:
Referências e notas:

CURTIS, Mario Giordani. História da Antiguidade Oriental 13ª Edição: Petrópolis, Editora Vozes, 2006;

RICCIOTTI, Giuseppe. Storia d'Israele. I. Dalle origini all'esilio. Quinta edizione: Societa editrice internazionale, Torino.

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Brasil | Economia
Relacionamento econômico entre Brasil e Portugal na era colonial
As duas esferas do império continuaram a operar, mas depois dos desastres do século XVII a economia do Estado da índia tornou-se uma operação de contenção. Verificou-se alguma recuperação na década de 1680 e, sempre que foi bem administrado e se puderam evitar guerras dispendiosas, o Estado da índia manteve-se um empreendimento lucrativo, ainda que constantemente ameaçado na sua estabilidade. As incursões de rivais estrangeiros, que perturbaram os antigos circuitos comerciais, e a queda de fortes e feitorias foram em parte acompanhados de perdas para as forças locais, particularmente devido à expansão dos Maratas, entre 1739 e 1741, que reduziu o controle português da região em redor de Goa, Damão e Diu. Nem sequer a posterior expansão portuguesa para os «Novos Territórios», nas décadas de 1740 a 1760, conseguiu restaurar a saúde econômica, essencialmente arruinada no século anterior pela perda do comércio da carreira e do comércio regional. Embora continuassem a chegar a Lisboa especiarias e outros produtos asiáticos, os Portugueses agarraram-se a um império reduzido na índia como «ponto de Honra e de Religião», como observou o governador britânico de Bombaim, em 1737.
Portugal | Economia
A economia portuguesa nos primórdios do império marítimo
Na cidade do Porto, na zona da foz do Douro, existe uma fortaleza batizada em honra de São Francisco Xavier e à qual as gentes locais dão o nome de «Castelo do Queijo» devido à sua forma. No salão principal há um documento que explica que a fortaleza foi dedicada, no século XVII, ao santo missionário por ele ter conquistado «tantas almas para a Igreja e tantas léguas para Portugal». Esta união da intenção missionária com a aquisição territorial foi uma caraterística essencial da expansão portuguesa - tal como na criação de outros impérios - e deve sempre ter-se em conta a multiplicidade de incentivos inerentes à construção imperial. Contudo, apesar do atual interesse nos impérios enquanto arenas de exibição cultural, gratificação sexual e exotismo, a construção dos impérios do início da época moderna assentou primariamente em considerações de ordem econômica. Portugal afigura-se quase um exemplo clássico do antigo conceito mercantilista de John Locke: «Num país que não tenha minas há apenas duas maneiras de enriquecer: através da conquista ou do comércio.» Portugal enveredou pelas duas vias. Os seus adversários muçulmanos na índia diriam mais tarde que os Portugueses «conquistaram um império como cavaleiros e perderam-no como vendedores ambulantes», mas a verdade é que se saíram melhor sempre que combinaram a conquista e o comércio com o povoamento e a produção.
Portugal | Ciências
Os primórdios da ciência no Portugal quatrocentista
A origem e o desenvolvimento das ideias científicas que circulavam em Portugal no tempo dos Descobrimentos têm alimentado páginas muito interessantes de historiografia e revelado excelentes abordagens que não raramente resvalaram para a polêmica. O que não admira, porque esta discussão trava-se em um território com armadilhas, onde a anacronia se implanta com armas e bagagens. Por este tempo a formação dos conceitos é demasiado frágil e a sua capacidade semântica permanece ainda pouco esclarecida. Em primeiro lugar a atitude científica ainda não existe, e a própria palavra ciência, existindo, não tinha o sentido que hoje lhe atribuímos. Depois, permanece como tentação, quantas vezes assumida pelos historiadores, a idéia de que a progressão no Atlântico e na costa africana resultou de um ou vários planos estratégicos, o mais célebre dos quais seria o plano das Índias atribuído ao Infante D. Henrique.
Civilização Romana | Família
Roma e o amor
Ao longo de toda a história romana, das origens da sua cidade até ao fim da dinastia júlio-claudiana, pareceu-nos que os Roma­nos tiveram em relação ao amor uma atitude ambígua: desconfiavam dele como de uma loucura, um desvario momentâneo, mas, ao mesmo tempo, estavam fascinados pela sua força, que lhes fazia pressentir o seu carácter divino. O amor está demasiado intimamente ligado ao drama e ao mistério da vida para que se possa pura e simplesmente negá-lo. Mas é também destruidor das cidades e das almas. Os homens temem menos as suas investidas, mas as mulheres podem tão facilmente deixar-se le­var por ele e pôr em perigo, no seu desvario, a pureza da sua linhagem! Se os homens se podem permitir encarar o amor com ligeireza, este mesmo ato é, para uma mulher, uma iniciação perturbadora que trans­forma todo o seu ser. Toda a moral e toda a prática do amor se explicam em Roma por esta dupla convicção.
Civilização Romana | Família
Casamentos arranjados, interesses e política na Roma republicana
Durante a República, são os homens que têm o protagonismo, são eles que, ostensivamente, têm nas mãos a vida da cidade. As combinações políticas, no Senado e nas assembleias, a escolha dos magistrados, a condução das guerras, a administração das províncias e os grandes processos, tudo isso é tratado na praça pública ou na cúria, em todo caso, fora da casa, e os velhos romanos ter-se-iam julgado desonrados se alguém os tivesse acusado seriamente de orientar a sua conduta pela opinião das suas mulheres. Ocasionalmente, na verdade, um orador podia dizer como graça: “Todos os homens, em toda a parte, governam as mulheres; nós, nós governamos todos os homens, mas, por nossa vez, obedecemos às mulheres”1. Todavia, isto era apenas um gracejo de letrado misógino, que parafraseava um dito tomado a Temístocles. O próprio Catão (porque é a ele que se atribui a honra desta tirada) gostava de contar que só se arrependera três vezes durante a sua vida, de uma ação que cometera: a primeira, quando fez por mar uma viagem que teria podido fazer por terra, a segunda, quando, durante um dia inteiro, negligenciou redigir um testamento e a terceira e última quando confiou um dia um segredo à sua mulher2. No entanto, Catão era o melhor dos maridos e o melhor dos pais. Depois de terminadas as suas tarefas, ajudava ao banho e ao enfaixar do seu filho, que a sua própria mulher alimentava e criava. Pensava que um marido que batesse na mulher ou um pai que maltratasse o filho cometia um verdadeiro sacrilégio3. Todavia, isso não o impedia de separar completamente a sua vida pública da sua vida familiar: o romano “ideal”, de que Catão queria ser a encarnação, devia ter duas faces, como o deus Jano. Uma face ficava voltada para o exterior: era a do homem, a face virada ao público; a outra, completamente diferente, devia ser conhecida apenas dos familiares. Este dualismo das existências era um dever. Seria “imoral” não lhe obedecer.
Civilização Romana | Família
Amores em liberdade: Concubinas e cortesãs romanas
Legalmente, cada romano tinha apenas uma esposa. Este princípio nunca foi posto em causa. Afirmado desde a origem, manteve-se através dos séculos e o diploma que se entregava aos soldados desmobilizados, uma vez terminado o seu serviço, autorizava-os a transformar em casamento legítimo as uniões (toleradas, mas não reconhecidas) que tivessem contraído durante a vida militar, na condição de se limitarem a uma só. No entanto, nem as leis nem os costumes se preocuparam em forçar, ou sequer em incitar, os maridos à fidelidade. Os amores passageiros, os que começavam e se desfaziam fora dos ritos, eram permitidos, desde que não atentassem contra a honra de uma mulher casada ou de uma “filha de família”. Um discurso de Catão dizia sem rodeios
Civilização Romana | Família
O casamento romano e os costumes no século de ouro
É impossível saber, como é natural, o que foi a realidade diária do casamento durante os primeiros tempos de Roma. Relatos dignos de fé apenas começam a lançar alguma luz sobre este domínio, como sobre outros, a partir do século III a.e.c. e. ainda assim, trata-se geralmente de testemunhos que se referem apenas a famílias da aristocracia. Nas diver­sas classes sociais, e quando não se seguiam as tradições patriarcais, a situação real devia apresentar diferenças consideráveis. Todavia, a partir da unificação da cidade, quando patrícios e plebeus passaram a gozar sensivelmente dos mesmos privilégios, as tradições dos primeiros pare­cem ter exercido uma espécie de atração sobre os costumes das famílias dos segundos. Por outro lado, segundo pensamos, as principais diferen­ças, a partir do século III, ocorrem mais em função da fortuna e da res­ponsabilidade política do que de qualquer outro fator. A cidade é go­vernada, nessa altura, por um regime estritamente oligárquico: há as fa­mílias cujos homens se sentam no Senado, assumindo, a intervalos regu­lares, as grandes magistraturas do Estado, e há a massa dos outros cida­dãos, que só vão às assembleias para legitimar as decisões preparadas pelos senadores e eleger os candidatos que lhes são propostos e que escolhem de acordo com o prestígio dos homens que se apresentam como seus garantes. No resto do tempo, são “clientes” destes grandes senho­res. Naturalmente, o casamento não tem a mesma importância para uns e para outros. Temos muito pouca informação sobre a maneira como estas uniões se realizavam na massa do povo, temos um pouco mais quando se trata das outras classes.
Civilização Romana | Família
O casamento romano no período arcáico
Historiadores e poetas afirmam que o casamento foi, durante muitos séculos, uma das instituições mais sólidas e respeitadas da cidade roma­na. Rivalizam no elogio da pureza dos costumes antigos, do tempo em que uma mulher que tivesse ficado viúva não mais consentiria em voltar a casar, em que, por maioria de razão, nunca se levantava a questão do divórcio. Pelo contrário, lamentam o relaxamento progressivo de uma relação que, durante o Império, se tornara de uma extrema fragilidade, enquanto nos bons velhos tempos o seu respeito era considerado a garantia mais firme da grandeza romana e a marca mais incontroversa de uma saúde moral a toda prova. Hoje ainda, muitos historiadores fazem-se eco destas queixas, considerando que uma das razões profundas da decadência de Roma reside no abandono deste velho ideal por onde se orientaram anteriormente os severos camponeses do Lácio. Antes de nos interrogarmos por que razão o casamento romano per­deu a sua solidez ao longo do tempo, convém, decerto, examinar a pró­pria instituição. A instituição do casamento é uma daquelas a que os juristas romanos não só dispensaram maior cuidado, mas também a que se dedicaram a definir e fixar com a mais extraordinária minúcia as consequências legais. O conjunto dos textos que a ela se referem ocupa um lugar considerável nas compilações jurídicas, o que prova a impor­tância atribuída a um ato de que esperavam, em primeiro lugar, a sobre­vivência, mas também, e talvez mais ainda, a estabilidade do Estado.
Civilização Romana | Religião
Cultos sagrados da fertilidade, sexo e amor em Roma - do falo a Vênus
Os Romanos, que gostavam de se dizer o mais “religioso” dos povos e que reconheciam e honravam divindades em número superior a qualquer outro [com exceção talvez dos hititas], não podiam deixar de ser sensíveis ao carácter sagrado deste instinto amoroso, capaz de transformar os seres, de arrancá-los a si mesmos e cujo poder, igualmente sentido pelos homens e por tudo o que vive, submete às suas leis toda a natureza. Não surpreende verificar que o amor tinha as suas divindades, os seus ritos, a sua magia. O culto que se prestava às primeiras, a observância religiosa de práticas cuja origem se perdia na noite dos tempos, tudo isso tinha por finalidade, umas vezes, desenvolver ao máximo ou exaltar as forças criadoras do ato de amor e, outras, controlar ou disciplinar o que nelas se descobria de anárquico e colocá-las ao serviço do bem da cidade. A religião da época clássica, aquela que conhecemos melhor graças aos textos e a numerosos testemunhos de toda a espécie, não manteve muitas vezes senão vestígios, dificilmente detectáveis, destas crenças e destes ritos. Esta ou aquela prática de carácter mágico, nos tempos de Cícero ou de Augusto, já não eram mais do que sequelas folclóricas e não teríamos conservado delas nenhuma lembrança se os “antiquários” de então, ávidos de recolher as coisas estranhas do tempo antigo, não lhes tivessem consagrado algumas linhas nas suas obras, que infelizmente, apenas nos chegaram em estado fragmentário. Frequentemente, também, os polemistas cristãos, em busca de argumentos para "provar" a "imoralidade ou o absurdo" da religião ancestral, transmitiram-nos cuidadosamente detalhes cujo carácter arcaico, às vezes mesmo primitivo, tendia a lançar o descrédito sobre a fé dos seus adversários.
Civilização Romana | Cotidiano
As mulheres e a fundação de Roma
Se é verdade que as lendas de um povo ou de uma raça nos revelam os traços mais profundos e as aspirações da sua alma, as de Roma, pelo lugar que concedem às histórias de amor, sugerem que os duros conquis­tadores do mundo dissimulavam em si uma ternura mais exigente do que eles mesmos se permitiram confessar. A história da sua cidade começa com um romance de amor: a paixão súbita do deus Marte pela “vestal” Reia Sílvia. Mas, se formos mais atrás ainda, até ao tempo em que, sob as muralhas de Tróia, se decidiu a sorte do mundo futuro, foi ainda um romance de amor que determinou o desenrolar dos destinos e no fim do qual começa a fortuna de Roma. Este romance dos primeiros tempos é contado por um Hino Homérico. Na montanha Ida, na Frigia, Anquises guardava os seus rebanhos. Anquises era sobrinho de Laomedonte, que reinava em Tróia. Era belo. Neste tempo, os príncipes, e às vezes os deuses, não desdenhavam fazer-se pastores. Ora, a deusa Afrodite tinha visto Anquises e sentiu-se per­dida de amor por ele. Afrodite não podia resistir a uma paixão. Sem tardar, vai ao encontro do belo pastor e conta-lhe toda uma história que vai inventando. Ela é, diz-lhe, uma filha do rei da Frigia. O deus Hermes raptou-a e levou-a para a montanha. Está muito triste, porque ninguém vem em seu socorro! Anquises compadece-se; a conversa torna-se mais terna. Nessa mesma noite, o belo pastor e a deusa, sob o seu disfarce de mortal, unem-se um ao outro. Afrodite, satisfeita, não finge mais. Reve­ la a sua divindade e anuncia a Anquises que em breve lhe dará um filho, mas recomenda-lhe formalmente que não diga a ninguém que a mãe é a deusa do amor, porque, caso contrário, Zeus, irritado por se descobrirem os segredos dos deuses, fulminaria o indiscreto com o seu raio.
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