Portal   História   Mitologia   Filosofia   Biblioteca   Login
   
   
   
Cidades Civilização Guerras Mapas Governantes Personalidades Vídeos Filmes Épicos
Os homens são miseráveis, porque não sabem ver nem entender os bens que estão ao seu alcance... Pitágoras
Pré, Proto-História Convenção das Datas Idade antiga Idade Média Idade Moderna Idade Contemporânea
Tweeter
12:24h  
Introdução Fontes Administração Agricultura Artes Ciências
Cotidiano Direito Economia Educação Esportes Família
Filosofia Força Militar Geografia Lazer Política Religião
Direito hebraico
Vídeos | Comentários | Referências bibliográficas | Como citar essa página?
Versão para impressão
Civilização Hebráica - Idade Antiga - Antiguidade Oriental
 
Mais Textos
 
Todos os Textos

 
No começo eram os deuses -  | 2011 |
No começo eram os deuses
Batalhas na Bíblia - 1400 A.C - 73 D.C | 2010 |
Batalhas na Bíblia
1400 A.C - 73 D.C
Os Hititas - Povo dos 1000 deuses | 2004 |
Os Hititas
Povo dos 1000 deuses
Dos Sumérios a Babel - A Mesopotâmia - Historia, Civilizaçao, Cultura | 2003 |
Dos Sumérios a Babel - A Mesopotâmia
Historia, Civilizaçao, Cultura
Mesopotâmia a Invenção da Cidade -  | 2003 |
Mesopotâmia a Invenção da Cidade
História da Antiguidade Oriental -  | 1969 |
História da Antiguidade Oriental

Introdução | Legislação Mosáica e Legislações Orientais | Direito Civil e Direito Comercial | Direito Penal | Penas

Introdução

O povo hebreu sobressai entre os povos da Antiguidade Oriental pelo elevado nível moral de suas instituições. A Legislação Mosaica, de modo especial o Decâlogo, avulta entre as grandes realizações legislativas do Antigo Oriente Próximo. Para aquilatarmos o valor e a importância da obra de Moisés como legislador, basta citar o fato de que entre a Legislação Mosaica e a Moral Cristã não existe solução de continuidade, e de que a Lei do Monte Sinai constitui o fundamento dos ensinamentos evangélicos. Cristo, com efeito, longe de abolir a Lei Antiga veio transformá-la e aperfeiçoá-la.

Para o povo hebreu, o poder legislativo era encarado como uma participação do poder soberano de Deus.

"Por mim, diz a Sabedoria Eterna no Livro dos Provérbios (7,15), reinam os Reis e decretam os legisladores leis justas".

O pensamento predominante na Legislação Mosaica é, pois, a Teocracia:

Deus mesmo é o Supremo Legislador, Juiz e Soberano do povo escolhido por ele (Ex 19.6).

Seria errôneo, entretanto, imaginar as leis do povo hebreu como ditadas todas pelo próprio Deus: encontramos na Lei Mosaica elementos bem antigos que não são apresentados como emanados diretamente de Javé. Entre esses elementos podemos citar: Em primeiro lugar, a própria lei natural escrita no coração e na consciência de todos os seres humanos. Esta lei esta, aliás, magnificamente sintetizada no Decálogo que pode ser considerado, mais que uma lei especial, em princípio regulador de todas as leis possíveis, em Israel e fora de Israel.

Em segundo lugar, podemos citar os antiquíssimos costumes existentes entre o povo hebreu e que constituem o chamado Código Patriarcal; esses costumes foram sancionados pela Lei Mosaica: assim, por exemplo, a prática da circuncisão.

Em terceiro lugar, o Direito costumeiro que teria nascido e evoluído com a multiplicação da posteridade de Jacó na terra de Gessém.

Em quarto lugar, figuram as leis e os costumes de outros povos do Oriente com os quais direta ou indiretamente os hebreus tiveram contato.

---------------

Legislação Mosaica e Legislações orientais

A possibilidade de uma influência da legislação e dos costumes de outros povos orientais na formação das leis do povo hebreu foi já considerada na Antiguidade cristã por vultos como Origenes, Eusêbio, S. Jerônimo, e S. João Crisóstomo. A descoberta e o estudo de antigos códigos orientais bem como a semelhança notada, por exemplo, entre certas passagens do Código de Hammurabi e determinados trechos da Lei Mosaica, despertaram o interesse de historiadores, juristas e, sobretudo, de exegetas por um estudo comparativo das normas jurídicas vigentes no Antigo Oriente. Vamos resumir nos seguintes itens os resultados de tais estudos no que tangem ao nosso tema:

Primeiro. Existem inegavelmente pontos de semelhança entre a Legislação Mosaica e o Código de Hammurabi:

a) Em ambas as legislações encontramos a formulação de uma série de casos concretos e particulares, em vez de princípios gerais de direito;

b) Apresentam estreita analogia certos artigos de ambas as legislações, concernentes ao casamento, à escravidão, à propriedade e à pena de talião.

Espíritos superficiais imbuídos da mentalidade racionalista tão em voga no século XIX, que procurava, por todas as maneiras, despojar o texto sagrado de suas características divinas, descobriram logo na supracitada semelhança um meio de provar que a obra do legislador hebreu fora obra meramente humana, quase uma cópia ou adaptação de velhos códigos. Um estudo mais profundo e menos tendencioso das legislações orientais, sem negar as influências existentes na realização de Moisés, revela-nos, entretanto, divergências fundamentais a favor da Legislação Mosaica.

Segundo. Se considerarmos a precedência cronológica do Código de Hammurabi e a grande repercussão que a mesma teve entre os povos do Oriente Próximo, não é absolutamente de causar admiração que os hebreus, profundamente ligados a Mesopotâmia, tenham sofrido a influência das prescrições hamurabianas. Observe-se, alias, que estas refletem um direito bem mais antigo.

Terceiro. Esta influência, se existiu, ter-se-ia feito sentir sobretudo nas leis contidas no Código da Aliança (Ex 2O,22-23, 33). Note-se que muitas disposições do citado código estavam em uso antes de serem adotadas pen Moisés. Assim, por exemplo, as leis concernentes ao homicídio, à propriedade, ao roubo, aos depósitos, ao empréstimo, etc.

Quarto. Entretanto, esta influência indireta não se impõe. Os usos paralelos podem fundar-se sobre considerações humanas análogas, mas não necessariamente derivadas umas das outras, ou ter suas raízes em uma civilização semítica primitiva, comum aos dois povos; assim, segundo um dos autores que fizeram uma comparação minuciosa entre a Lei de Moisés e o Código de Hammurabi, a lei de talião, em que as semelhanças chamam mais a atenção, supõe um principio por demais antigo e geral para que se deva recorrer a uma influência babilônica.

Quinto. Em toda essa questão parece-nos mais importante salientar as inegáveis e fundamentais diferenças existentes entre os Códigos Orientais e a Lei dos Hebreus. Toda a obra legislativa de Moisés visa a elevar moral e religiosamente o povo hebreu. Além de permitir a magia e a prostituição sagrada, o Código de Hammurabi é um código de direito puramente civil e penal, em que o autor só se inspira em princípios utilitaristas; seu objetivo principal é proteger a propriedade. A lei mosaica, ao contrário, está penetrada, mesmo em sua parte jurídica, de princípios religiosos e morais, de amor a Deus e ao próximo, de misericórdia para com os pobres, de benevolência para com os fracos, as viúvas, os órfãos, os estrangeiros.

---------------

Direito civil e comercial

Entre os hebreus, se excetuarmos os escravos e os estrangeiros, não existia abismo entre os cidadãos, gozando todos dos mesmas direitos, uma vês que houvessem atingido a idade de vinte anos. Ao assinalamos a situação relativamente tolerável do escravo, especialmente do escravo israelita.

A família era o núcleo da sociedade israelita. O direito familiar admitia a existência de três classes de esposas. As primeiras, livres e legitimas, eram desposadas com grande pompa; as segundas, posto que legitimas e compradas pelo esposo, eram as concubinas; e as terceiras, não livres e somente toleradas pela Lei, davam contudo ao marido filhos legítimos. A esta última classe pertenciam as mulheres tomadas prisioneiras.

Um tipo especial de casamento era o levirato: uma viúva sem filhos devia casar com o irmão ou com parente mais próximo do esposo falecido. O primogênito nascido da nova união tomava o nome do defunto. O divórcio era admitido pela legislação mosaica; exigia-se, porém, da parte do marido um libelo de repúdio por escrito; tal formalidade, visava a limitar o mais possível a dissolução do laço conjugal evitando a precipitação dos maridos. Os rabinos trataram de complicar até o inverossímil os requisitos: estabeleceram, desde logo, como condição indispensável para o repúdio, a manifestação expressa da vontade do marido; essa devia exteriorizar-se por meio de um documento escrito; o documento devia conter a menção da data, do lugar, do nome das duas partes e de seus antepassados imediatos; o marido devia dizer que abandonava sua mulher, que a repudiava livremente e por sua vontade, e que lhe dava a liberdade de poder casar-se com qualquer outro. O documento devia ir parar em mãos da destinatária, em testemunho da separação, conforme a Lei de Moisés de Israel.

No que concerne às relações jurídicas de caráter comercial notemos em geral que a legislação hebraica marca sobre esse ponto uma tendência nítida de defender o pobre e se colocar sobre o terreno de uma justiça religiosa e moral. A usura é explicitamente interdita e torna-se a mais clemente possível o empréstimo com penhor (2x 22, 25-27). No fim de sete anos todos os empréstimos deviam ser anulados e os escravos israelitas libertados. Teriam sido observados todos esses princípios, no decursa dos séculos e em que medida? Ai está um ponto notoriamente incerto. Os protestos dos profetas demonstram que as violações da lei não eram certamente raras. Jeremias conta o episódio da libertação dos escravas hebreus sob o reino de Sedecias e a mudança de resolução dos senhores que tornaram logo depois a impor a escravidão aos libertados (Jon 34,8-11).

---------------

Direito penal

O Direito penal dos hebreus apresenta peculiaridades que o distinguem nitidamente das legislações penais existentes entre os demais povos do Oriente Próximo na Antiguidade. Julgamos suficiente apontar três características: religiosidade, humanidade e igualdade.

Religiosidade. Toda a Legislação Mosaica está impregnada do espirito religioso. Com relação às leis penais, notemos que, embora as sanções apresentadas sejam terrenas, a razão última para praticar o bem e evitar o mal reside no caráter ofensivo que a transgressão da lei encerra para com Deus, o Supremo Senhor e Legislador.

Humanidade. Estudando as leis criminais dos hebreus, Goldstein, salienta a tendência humanitária da Lei Mosaica transcrevendo o seguinte trecho:

"Se compararmos a legislação mosaica com a de outras nações contemporâneas, inclusive com a ulterior legislação grega e romana, é fácil demostrar que a primeira é muito superior quanto aos sentimentos humanitários. Ao mesmo tempo devemos acrescentar, não obstante, que a legislação mosaica, no que tange às penalidades, dista muito de nossos conceitos modernos. Ela é primitiva, pois era a legislação do povo judeu quando este se encontrava em um nível de cultura relativamente inferior, em um estado mais ou menos primitivo".

Igualdade. Estudando em breve síntese a evolução histórica do direito penal, uma das características mais interessantes da legislação mosaica oferece-a a igualdade perante a lei que nela se determina para os culpados de delitos. Esta igualdade significava a responsabilidade penal de todos, independentemente de sua posição social ou politica. Perante a lei mosaica todo ser humano é sujeito de direitos e de deveres.

Podemos classificar da seguinte maneira os delitos configuradis na Lei Mosaica: 1) Delitos contra a Divindade. 2) Delitos praticados pelo homem contra seu semelhante. 3) Delitos contra a honestidade. 4) Delitos contra a propriedade. 5) Delitos contra a honra. Comentemos, brevemente, cada nina dessas categorias:

Delitos contra a Divindade. Já acentuamos que a religiosidade era uma das características do Direito Penal mosaico. Com efeito, todos os aspectos da civilização hebraica estão marcados com o selo do Monoteísmo. Compreende-se, assim, que entre os grandes crimes severamente punidos em Israel figurassem a idolatria, a blasfêmia e a violação de festas religiosas, especialmente do sábado.

Delitos contra o próximo. Entre esses delitos figuram, em primeiro lugar, as ofensas físicas ou morais praticadas pelos filhos contra seus genitores. Quanto ao homicídio, a Bíblia distingue duas classes: voluntário e involuntário. O homicídio voluntário era castigado com a pena capital. Esta, porém, só era aplicada depois de um processo em que houvesse o depoimento de, pelo menos, duas testemunhas:

"Ninguém será condenado diante do depoimento de uma só testemunha." (Números 35, 3O).

O homicídio involuntário não era punido com a morte: o acusado podia buscar refúgio em cidades escolhidas especialmente como asilos.

O infanticídio era punido com a morte. Segundo José (Livro 2), igual repressão merecia o aborto voluntário, verdadeiro atentado contra o "Crescei e Multiplicai-vos" que Deus havia dito e sobre cuja interpretação estava baseada toda a família israelita.

Lesões corporais, que não causassem a morte, implicavam na pena de indenização por parte do ofensor pelo tempo que a vitima perdera e pelas despesas havidas com medicamentos (Ex 21,18 ss).

Delitos contra a honestidade. Estudando os delitos contra a honestidade, Goldstein comenta que nenhum sentimento esteve mais arraigado na vida dos israelitas, que o da castidade e da honestidade no lar. Em consequência, os delitos contra a honestidade mereciam o máximo castigo que não recuava ante a pena de morte, já que, como dissemos, nada superava os sagrados atributos do lar. O crime de adultério era, em geral, punido com a morte de ambos os adúlteros.

Outros delitos contra a honestidade severamente punidos eram: a formicação, a sedução, a violação e o rapto. Com respeito a formicação, notemos que eram punidas as relações sexuais com escravas (Lev 19, 2O ss), o que demonstra o respeito, que o ser humano, como tal, independentemente de sua condição social, merecia do legislador hebreu. Ressalta neste ponto a incomparável superioridade moral da mentalidade israelita: na civilizada Roma pagã, o escravo era verdadeiro pasto em que se saciavam as mais desenfreadas paixões de seus senhores.

Delitos contra a propriedade. Na Legislação Mosaica, os delitos contra a propriedade eram punidos com penas pecuniárias. Somente em casos especiais, como, por exemplo, o roubo praticado com violência contra pessoas, tais crimes eram passiveis de penalidades corporais.

Entre os crimes contra a propriedade podemos enumerar o roubo, o furto, a falsificação de pesos e medidas e a usura. Os hebreus distinguiam o roubo do furto: aquele era praticado com o emprego da força, violência ou intimidação; este configurava-se simplesmente com a apreensão de coisa alheia, sem o recurso a violência física ou moral.

Delitos contra a honra. Nesta classe de delitos encontramos, segundo Goldstein, o falso testemunho e a calúnia. O falso testemunho é reprimido com severidade na Lei de Moisés:

"Não apresentarás falso testemunho contra teu próximo" (fx 2O,16). "Não darás falso testemunho contra teu próximo" (Dt 5,2O)"

 A lei de talião era aplicada contra os falsos testemunhos. A falsa testemunha, declarada e reconhecida como tal pelos juízes e sacerdotes, devia ser tratada como ela desejava que o fosse seu irmão, e assim "dará olho por olho, dente por dente, pé por pé e mão por mão" (Dt 19,16 ss). Quanto à calúnia, lemos no Levitico (19,13): "Não caluniarás teu próximo".

---------------

As penas na Legislação Mosaica

Estudados os principais delitos previstos no Direito Penal do povo hebreu, passemos agora a um sucinto estudo das sanções penais existentes. Como todas as legislações da Antiguidade, a lei hebraica admitia a pena de morte para os delitos considerados mais graves. Entre esses figuravam: a blasfêmia, a violação de dia festivo, o homicídio, etc... Havia diversas maneiras de ser executada a pena capital: lapidação, morte pelo Logo, decapitação, etc... A lapidação era a forma mais comum de execução da pena de morte. Quando a lei impunha esta pena sem especificar o            gênero, procedia-se a lapidação. A Bíblia prevê tal castigo para todas as transgressões graves dos preceitos religiosos, como, por exemplo, a blasfêmia, a violação do sábado, a idolatria, etc. Eram também punidos com a lapidação: o adultério, o incesto e outros crimes. Estava prescrito que as primeiras pedras deviam ser lançadas pelas testemunhas; depois o povo acabava com a vitima.

A pena pelo logo era aplicada em casos mais raros. Encontramo-la no Levítico (2O,14; 21,9), aplicada aos incestuosos e a filha do sacerdote, ré do crime de formicação.

A decapitação começou a ser empregada entre os hebreus na época dos juízes. Era a punição de todos os crimes graves que não incorriam nas duas penas citadas anteriormente.

Outras penas. Além das penas que acarretavam a morte do réu, encontramos outros castigos como a flagelação, a prisão, a internação, o anatema, a pena pecuniária e, finalmente, a pena de talião.

A flagelação. Tal castigo estava muito em voga entre os povos da Antiguidade e era aplicado como punição de crimes mais leves. Entre os hebreus, o culpado era estendido no chão ou amarrado a uma coluna e batido com varas. Não deviam, porém, dar-lhe mais de quarenta golpes. O Deuteronômio (25,1-3) regula minunciosamente a aplicação dessa pena, estabelecendo que a presença pessoal do juiz é indispensável.

A prisão. Estudando as sanções penais entre os hebreus, Moscati escreve que a prisão, como elemento de defesa da sociedade, está praticamente ausente, tanto do costume como da norma jurídica do antigo Oriente. Contudo, encontramos entre os hebreus dois tipos de prisão: a prisão preventiva que visava a impedir a fuga do delinquente e assegurar a realização oportuna de seu julgamento; outro tipo de prisão tinha por fim o imediato castigo do criminoso.

A internação. Já mencionamos a interessante instituição legal das cidades de asilo que serviam de refúgio para os autores de homicídios involuntários.

O anátema. A excomunhão era uma pena aplicada aos hebreus que houvessem atentado contra os princípios fundamentais da religião. Encontramos, por exemplo, o anátema aplicado contra quem deixasse de comer o pão ázimo nos sete dias da Páscoa (Ex 12,15), etc. O anátema constituía uma verdadeira morte civil do criminoso; era uma espécie de capitis deminutio maxima.

A composição pecuniária. Esta pena possuía variada aplicação. Encontramo-la estipulada para certos delitos como, por exemplo, a lesão provocadora de aborto, a sedução, etc. (fx 21,22 e 22,16-17).

A pena de talião. Com relação a pena de talião existente entre o povo hebreu, julgamos oportunas as seguintes observações:

a) Tal pena era usual entre diversos povos do Oriente, mesmo entre os hebreus, em época hem anterior a Legislação Mosaica.

b) Embora pareça cruel e desumana a nossos sentimentos civilizados e cristãos, a lei de talião supõe um principio de rigorosa justiça: a pena não deverá ser menor nem maior do que o crime.

c) Todavia esta forma de reparação, embora pareça por excelência garantir a justiça, não raro pode ferir a equidade; com efeito, a lei de talião não leva em conta as circunstâncias particulares de cada delito, circunstâncias capazes de atenuar a culpabilidade do delinquente e, por conseguinte, mitigar o rigor da pena a ser imposta.

d) Ao que tudo indica, a aplicação da pena de talião não foi tão frequente entre os hebreus; em muitos casos foi a mesma substituída por uma compensação pecuniária. Então as compensações pecuniárias foram imaginadas para suprirem o que havia de inexecutável na lei. Moisés, ao mesmo tempo que consagrava o principio de talião, modificava-o na prática. A lei de talião esta expressa no Código da Aliança por uma formula genérica, sem aplicação a um caso particular determinado: Olho por olho, mão por mão..., etc. Esta lei, se assim puder ser chamada, parece ter sido corrente na antiga Israel como uma espécie de máxima legal ou axioma para expressar o princípio fundamental da justiça entre os indivíduos.

O processo penal. - Estudando o Processo Penal entre os hebreus à luz da Bíblia e do Talmud, Goldstein salienta a grande responsabilidade daqueles que exerciam as funções de juízes: deviam possuir vastos conhecimentos a ponto de poderem dispensar o auxilio de peritos. As sentenças deviam ser bem fundamentadas; cabia ao magistrado expor as razões da condenação ou da absolvição do réu. Com relação ao interrogatório do acusado, o autor supracitado acentua que a verdade era procurada não por meios violentos e drásticos, uns persuasivos, tratando sempre de pôr em evidência o autêntico antes que o imaginário.

A Lei Mosaica estava longe da perfeição. Promulgada para um povo que crescera em terra estranha e cada vez menos hospitaleira, que abandonara essa mesma terra para a árdua conquista de uma nova pátria, num ambiente hostil e rude em que a própria sobrevivência da nação dependia, muitas vezes, de medidas drásticas, tinha necessariamente que ser severa, inflexível e até mesmo rude. Acrescente-se que, a obra de Moisés sancionou antigos costumes do povo hebreu, costumes esses ligados a um fundo cultural comum a outros povos do Oriente com os quais os israelitas estavam relacionados, não só por suas tradições, como também por sua própria origem.

Notemos, entretanto, que, apesar das imperfeições da obra efetua da por Moisés, a mesma constitui em seu conjunto uma admirável realização pelo conteúdo ético, pela prolongada duração e, sobretudo, pela marcante influência na formação das leis de povos os mais diversos sob o ponto de vista racial e cultural.

Vídeos

 

Referências Bibliográficas

HOMO, Léon. Historie d'Orient: Artheme Fayard, Paris.

MAYANI, Z. Les Hyksos et le monde de la bible: Payot, Paris, 1956;

RICCIOTTI, Giuseppe. Storia d'Israele. I. Dalle origini all'esilio. Quinta edizione: Societa editrice internazionale, Torino;

SCHMIDT, Max Georg. História do Comércio Mundial. Traduzido por Lyon Davidovich: Athena Editora, Rio de janeiro.

Versão para impressão
 
História
20/10/2014 | 01:39h
A União Soviética na Segunda Guerra Mundial
Logo desde o início, a liderança soviética esperava uma invasão mais cedo ou mais tarde. Essa convicção provinha da situação efetiva da União Sovié­tica desde a revolução, da experiência de intervenção e hostilidade de quase todos os outros Estados e também da sua análise do mundo. Afinal, eles esperavam não só um ataque contra o seu próprio país, mas também uma guerra entre as potências ocidentais, e julgavam provável que a guerra no Ocidente viria primeiro. Sua análise do mundo derivava da visão de Lenin do estado mais atual do capitalismo, que ele estimava ser o período do im­perialismo. Ele acreditava que a Primeira Guerra Mundial fora resultado da concentração crescente do capital nas mãos de um pequeno número de enormes empresas e bancos semimonopolistas, o que levava, por sua vez, a uma competição exacerbada por mercados e recursos. O resultado foi a divisão do mundo entre grandes impérios e o desejo dos retardatários nesse processo, a Alemanha em particular, de redividir o mundo. Portanto, mes­mo sem a existência da URSS, outra guerra era inevitável. Stalin e a elite soviética aceitaram essa concepção do mundo sem nenhuma dúvida, e sua própria experiência histórica na Primeira Guerra Mundial, bem como sua observação das diversas rivalidades no mundo após 1918, somente reforça­ram sua convicção. Por outro lado, eles perceberam que as diferenças (“contradições”) entre as potências capitalistas poderiam ser temporariamente ignoradas numa aliança anticomunista ou que uma ou mais potências oci­dentais poderiam ser poderosas o bastante para atacá-los individualmente. Até 1933, a principal ameaça parecia vir do Império Britânico, a potência aparentemente hegemônica da época. O Exército Vermelho formulou seus planos de guerra presumindo que um ataque viria da Polônia e da Romênia com apoio - ou mesmo participação - dos britânicos (e talvez dos franceses). Os acordos militares defacto com a Alemanha de Weimar foram concebidos em part
Psicologia
15/10/2014 | 09:52h
Evolução Filogenética de algumas estruturas do Sistema Nervoso
Neste texto, são abordadas algumas estruturas e sistemas presentes no cérebro dos animais vertebrados para mostrar como diferentes partes e subsistemas do sistema nervoso central se transformaram ao longo da evolução filogenética. Serão apresentadas uma estrutura responsável pela postura, pelo equilíbrio e pelo movimento (cerebelo), outra responsável pela memória e pelo aprendizado (hipocampo), outra pelo processamento complexo das informações (córtex cerebral) e ainda uma outra estrutura recente só presente nos mamíferos placentários, responsável pela integração de informações entre os hemisférios cerebrais (corpo caloso). Por fim, expõem-se aspectos evolutivos de alguns importantes sistemas de transmissão da atividade neuronal dependentes de mecanismos químicos, os chamados neurotransmissores.
História
09/10/2014 | 13:27h
A estabilização do Partido Comunista e os primeiros passos da União Soviética
O fim da guerra civil apresentou à liderança soviética uma série de novos problemas, alguns imediatos e outros a longo prazo. Mesmo os Exércitos Brancos tendo sido derrotados, o descontentamento interno crescia rapidamente, nutrido pela situação econômica catastrófica e pelo ressentimento contra a ditadura do partido. Em 1920, na província de Tambov, na Rússia central, estourou uma grande revolta do campesinato, em grande parte apolítica mas nem por isso menos fervente. Foram necessárias forças importantes do Exército sob o comando de Tukhachevskii para reprimi-la.
Psicologia
08/10/2014 | 10:15h
Qual a função do choro e das lágrimas?
Enquanto tanto já se conhece sobre outros comportamentos, curiosamente pouco se sabe sobre os mecanismos cerebrais do choro, talvez porque ele seja tão facilmente acompanhado de soluços. O problema é que a ressonância magnética funcional, o método mais usado para visualizar dentro do cérebro as estruturas cuja ativação está relacionada com os mais variados comportamentos, exige perfeita imobilidade do voluntário cujo cérebro é estudado. Um pouco de emoção funciona – algo que dê certa tristeza ou coloque um sorriso no rosto, por exemplo. Mas os estímulos usados não podem levar os voluntários a gargalhadas ou a soluços. Portanto, nada de cócegas ou lágrimas.
História
07/10/2014 | 22:52h
Revolução Russa de 1917, distúbios econômicos, políticos e sociais
A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial não foi um acidente. Depois da Guerra Russo-Japonesa, a política externa da Rússia voltou-se para o oeste. Em 1907, a Rússia concluiu um tratado com sua rival de longa data, a Grã-Bretanha, para estabelecer um domínio conjunto sobre o Irã. Os russos tomaram controle da parte setentrional do país até Teerã, e os britânicos do Sul. Esse compromisso pôs fim à competição imperial anglo-russa na Ásia e fez que a Rússia se tornasse um aliado efetivo da Grã-Bretanha, bem como da França. Os únicos inimigos imagináveis eram a Alemanha e a Áustria. O acordo sobre a Pérsia armou o palco para os eventos de 1914, mas foram as rivalidades imperiais nos Bálcãs que proporcionaram a fagulha para a explosão. Ali, a Rússia enfrentava um Império Otomano ressurgente, aliado com a Alemanha e a Áustria, seguidas pela Bulgária. Nesse ponto, o único aliado da Rússia era a diminuta Sérvia, que estava exatamente no caminho da expansão austro-alemã no Sul. Uma série de crises nos Bálcãs nesses anos mostrou repetidamente a fraqueza da Rússia na região: ela não tinha aliados formais além da Sérvia, nem o poder informal derivado dos laços comerciais estabelecidos pelos alemães e austríacos, bem como os franceses e britânicos. Quando Gavrilo Princip assassinou o arquiduque austríaco em Sarajevo em 1914, Viena lançou um ultimato à Sérvia e a Rússia teve de apoiar a resistência sérvia. A credibilidade básica da Rússia estava em jogo, e o resultado foi a guerra. Ela não havia buscado a guerra, mas desviado em direção à crise, tal como estava fazendo em muitas outras áreas.
Psicologia
07/10/2014 | 14:30h
Pelo prisma da ansiedade
Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).
História
03/10/2014 | 00:45h
A Revolução Russa de 1905
O quarto de século do assassinato de Alexandre II até a Revolução de 1905 foi de estagnação política. A reação do novo governo ao assassinato foi interromper o processo de reforma, afirmar publicamente a necessidade da autocracia e formular planos de contrarreformas. Estes últimos não resultaram em nada, mas o governo aproveitou toda possibilidade de bloquear a crítica, a discussão política e a organização entre o público. Apesar de retomar o patrocínio do desenvolvimento econômico nos anos 1890 sob o ministro das Finanças Sergei Witte, ele recusou-se a reconhecer as implicações da modernização continuada da sociedade, que resultava em parte das suas próprias medidas. O isolamento crescente do governo e sua própria falta interna de coordenação levaram a uma tentativa malograda de imperialismo moderno na Manchúria, tentativa que levou a uma guerra malsucedida com o Japão, que quase derrubou a monarquia.
Psicologia
02/10/2014 | 17:43h
Metacognição, pensar sobre o pensamento
Crenças e opiniões moldam nossa vida de maneira surpreendente. O problema é que, muitas vezes, aquilo que pensamos pode dificultar a tomada de decisões saudáveis e trazer bastante sofrimento emocional e físico. Diversas descobertas recentes, porém, sugerem que o treinamento metacognitivo é capaz de ajudar a amenizar transtornos de ansiedade e até reduzir sintomas psicóticos.
História
02/10/2014 | 11:46h
Ucrânia: mãe de todos os conflitos
A destituição do presidente Viktor Ianukovich acarretou, no último mês de março, a ocupação da Crimeia, república autônoma no seio da Ucrânia, por tropas russas. Desde então, os conflitos entre separatistas pró-Rússia no oeste do país e as tropas oficiais se acirraram e, mesmo com a tentativa de estabelecer um plano de paz desde junho, a solução do impasse parece distante. Esses acontecimentos nos fazem lembrar da importância estratégica dessa região (de maioria russófona) para a Rússia. E, como acontece cada vez que as relações entre os dois países se tensionam, ressurge a questão do estatuto da península da Crimeia. Esse episódio lançou luzes também sobre a situação paradoxal da Ucrânia: o país é, alternadamente, periferia da Europa ocidental e barreira defensiva da Rússia. Não é à toa que esse vasto território (603.000 km²) sempre foi disputado por vizinhos poderosos (a Polônia, o grão-ducado da Lituânia, a Rússia...).
Psicologia
02/10/2014 | 09:56h
O que é um psicopata?
O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática. Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.
Psicologia
01/10/2014 | 22:58h
Drogas e doces e o sistema de recompensa
Inúmeras evidências científicas demonstram que o comer compulsivo e o consumo de drogas envolvem circuitos cerebrais com funcionamento semelhante. Essa constatação tem oferecido nova compreensão da obesidade e aberto caminhos para possibilidades de tratamento. Mas, afinal, que circuitos do cérebro são ativados pela adicção - seja de comida ou de substâncias tóxicas?
Psicologia
01/10/2014 | 16:54h
Como ocorre um insight
É provável que o insight mais famoso da história seja a situação que envolve o grito "Eureca!" de Arquimedes. A lenda conta que o antigo matemático grego foi desafiado a descobrir se a coroa que o rei Hieron II de Siracusa havia encomendado era feita de ouro maciço. Enquanto preparava seu banho, Arquimedes descobriu como medir o volume de um objeto e, portanto, sua densidade, depois de perceber o deslocamento da água ao entrar na banheira. Não sabemos se o fato aconteceu mesmo, mas ele permanece na história porque ilustra perfeitamente como ocorre um insight.
Psicologia
29/09/2014 | 10:57h
Como os conceitos de Freud se popularizaram?
Setenta e cinco anos após a morte do psicanalista Sigmund Freud, conceitos e frases que ele criou estão hoje profundamente arraigados na cultura popular. Como o jargão freudiano se popularizou dessa forma? Existe o Freud da literatura médica - o homem barbudo que fundou a psicanálise. O Freud que é constante fonte de debate entre acadêmicos. Depois existe o outro Freud, o Freud da mesa de bar. Aquele que você talvez mencione quando falar de um sonho, ou de um ato falho, ou de alguém que é meio apegado à mãe. Complexo de Édipo. Negação. Id, ego e superego. Libido. Retenção anal. Mecanismo de defesa. Símbolo fálico. Projeção. Não é só a terminologia de Freud que se espalhou pelo léxico popular - o próprio nome Freud virou um adjetivo.
Psicologia
28/09/2014 | 16:41h
A Evolução Filogenética do Hipocampo
O hipocampo é uma pequena estrutura bilateral que, no homem, localiza-se profunda e internamente em relação aos hemisférios cerebrais, na parte medial dos lobos temporais. Tem o formato curvo e, no logo temporal, situa-se acima do giro para-hipocampal, prolongando a extensão do assoalho do corno temporal dos ventrículos laterais. Quando isolado do cérebro, sua forma aparente assemelha-se a de um cavalo-marinho (dai seu nome hippocampus, que é o nome grego do cavalo-marinho; hippos= cavalo; kampos = monstro marrinho.
História
28/09/2014 | 02:18h
O império russo do séc. XIX d.e.c.
As guerras estrangeiras do Império Russo ao longo dos séculos lançaram as bases para a sua expansão, que viria a incluir toda a Eurásia setentrional. É claro que, pelos padrões britânicos, os resultados não eram impressionantes. A maior parte do Império Russo estava na Sibéria, cuja maior parte era composta de floresta aparentemente impenetrável e tundra. As mais novas conquistas da Rússia na Ásia Central tinham população escassa e eram pobres - nada equivalente à índia ou nem mesmo à Birmânia. O Estado resultante incluía extensas áreas de fronteira com populações não russas, que eram na verdade dois impérios - um terrestre tradicional na Europa e uma tentativa de imitação do exemplo britânico na Ásia Central. A oeste e ao sul, as políticas interna e externa estavam inextricavelmente inter-relacionadas.
História
26/09/2014 | 11:48h
A era de ouro da cultura russa
O desenvolvimento da sociedade russa durante a era das reformas afetou profundamente a cultura russa, tanto por mudar o ambiente institucional da cultura como por despertar novos impulsos intelectuais e artísticos. Para quase todas as esferas de pensamento e criação, esse período foi a primeira grande era da cultura russa, e a primeira que levou essa cultura a um público além de suas fronteiras. Nos anos 1880, a Rússia havia se tornado parte do mundo, não somente como potência política fundamental, mas como protagonista das artes e até da ciência.
História
25/09/2014 | 17:12h
A industrialização da Rússia e o nascimento do marxismo
A cidade de São Petersburgo serviu de exemplo quanto à transformação da Rússia nas décadas seguintes à emancipação dos servos. À medida que o século XIX avançava, ela transformou-se de capital administrativa de edi­fícios governamentais e residências aristocráticas com um porto marítimo num centro industrial capital atendido por ferrovias, além do porto em expansão contínua e do antigo sistema de canais.
Psicologia
25/09/2014 | 10:49h
Brincar é coisa séria
Todo mundo sabe: medicamentos tarja preta, comercializados com prescrição médica, são usados principalmente para controlar sofrimentos psíquicos. As pílulas que prometem apaziguar a ansiedade e a depressão são vendidas aos bilhões pela indústria farmacêutica. De fato, em muitos casos, remédio é necessário – mas em outros tantos poderia ser dispensado desde que fossem tomadas outras medidas para aplacar as dores da alma. E o que se espera desses remédios? Que restituam a saúde, tragam alívio, ajam rapidamente e apaziguem a angústia. O documentário brasileiro Tarja branca – A revolução que faltava, produzido pela Maria Farinha Filmes, recorre ao termo “tarja” justamente para apresentar um contraponto – sem efeitos colaterais ou necessidade de receita – como outra saída para lidar com a tristeza e a falta de criatividade, na contramão de um caminho que vem de fora para dentro, em forma de pílulas.
História
22/09/2014 | 11:51h
Século XIX, o século das reformas do Estado Russo
A derrota da Rússia na Guerra da Crimeia causou um tremendo choque po­lítico no país. Não era a proporção da derrota, mas a revelação da fraqueza de um sistema político que prezava seu conservadorismo único no cenário europeu e seu suposto poderio militar, acima de tudo. Foi a autocracia que foi derrotada, ainda mais porque o longo cerco de Sebastopol demonstrou para muitos russos que o Exército ainda tinha espírito para lutar, um espírito coibido pelo atraso da sociedade e do governo. O atraso da Rússia não era somente resultado da evolução lenta da economia e da sociedade sob a tutela do tsar Nicolau. O maior problema era que o mundo estava mudando muito rápido em meados do século XIX, e as mudanças mais rápidas esta­vam acontecendo na Grã-Bretanha, o principal rival imperial da Rússia. As ferrovias estavam transformando a paisagem em toda a Europa Ocidental e nos Estados Unidos, baseando-se em e estimulando a modernização acele­rada da produção de ferro e aço, elevando assim a produção a novas alturas. Além das ferrovias, todos os tipos de máquinas foram criados - máquinas a vapor aprimoradas, equipamento de telégrafo e imensos navios com cas­co metálico.
Psicologia
20/09/2014 | 17:51h
Os Mamíferos, animais de cérebros grandes e complexos
Estima-se que os primeiros mamíferos (os morganucodontídeos oxunegazostro-don) surgiram há cerca de 220 a 200 milhões de anos. Os mamíferos originaram-se de répteis sinapsídeos do grupo dos cinodontes. Estes eram caçadores ativos, com altas taxas metabólicas, heterodontia (dentes com distintas funções) e dentes com raízes e mandíbula com menos ossos do que a média dos répteis. Supõe-se que as linhagens que deram origem aos mamíferos eram de animais noturnos (como os sinapsídeos), o que também se relaciona a uma audição e a um olfato mais desenvolvidos nos mamíferos mais basais. Assim, os primeiros mamíferos teriam surgido no Triássico superior e no Jurássico inferior, sendo animais pequenos (que lembram pequenos ratos), de alimentação carnívora ou insetívora. Os mamíferos apresentaram como novidade evolutiva um método especial de gerar suas crias, que já nascem relativamente maduras e, além disso, de poder alimentá-las, isto é, amamentá-las com leite logo ao nascer.